{"id":3895,"date":"2016-10-19T17:03:20","date_gmt":"2016-10-19T16:03:20","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3895"},"modified":"2016-10-19T17:03:20","modified_gmt":"2016-10-19T16:03:20","slug":"etica-republicana-portuguesa-reflexao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3895","title":{"rendered":"\u00c9TICA REPUBLICANA PORTUGUESA &#8211; REFLEX\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Republicanismo portugu\u00eas embrulhado na moral dos interesses corporativos<\/span><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9tica \u00e9 uma filosofia aplicada, uma tentativa de dar resposta ao bem, ao belo, \u00e0 verdade, \u00e0 justi\u00e7a e ao sentido do ser e do estar do Homem, uma tentativa de teorizar e generalizar a moral de cunho cultural. Plat\u00e3o, o grande fil\u00f3sofo da pol\u00edtica, equacionava a \u00e9tica no \u00e2mbito do verdadeiro, do belo e do bem.<strong> Arist\u00f3teles, por sua vez, no seguimento de Plat\u00e3o e de S\u00f3crates acentuava o princ\u00edpio da virtude colocando-a no seguimento do meio-termo; o cristianismo centra-a no caracter relacional individual e comunit\u00e1rio na atitude interior (matriz trinit\u00e1ria) regulada pela consci\u00eancia (finalidade salva\u00e7\u00e3o da alma e criar felicidade) e o modernismo na sua express\u00e3o republicana focaliza a \u00e9tica no interesse do grupo e no balance dos interesses grupais de forma pragm\u00e1tica na procura do \u00fatil para a polis (acentua\u00e7\u00e3o da \u00e9tica de responsabilidade \u2013 da pondera\u00e7\u00e3o de interesses, sobre a \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o- pondera\u00e7\u00e3o da verdade).\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Rep\u00fablica portuguesa animada por uma moral secular ad hoc leva o Estado ao fracasso<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u00e9tica\/moral, ao contr\u00e1rio da filosofia, \u00e9 sempre contextual<\/strong> (localizada) e como tal fruto da disputa entre experi\u00eancia (limitada) e teoria (universal) (1), entre o bem individual e o bem da colectividade (bem espiritual e bem material).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada cultura, cada grupo social procura um tecto metaf\u00edsico, um fundamento religioso\/ filos\u00f3fico em que expressa a sua identidade e enquadra o seu comportamento moral. Cada sistema religioso-filos\u00f3fico-\u00e9tico tem sido o resultado e o produtor de diferentes express\u00f5es culturais; entre outras criou a civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a civiliza\u00e7\u00e3o hindu\u00edsta, a civiliza\u00e7\u00e3o budista, a civiliza\u00e7\u00e3o \u00e1rabe mu\u00e7ulmana, todas elas com diferentes formas de organiza\u00e7\u00e3o social e legitimadoras do poder, tais como: rep\u00fablicas, monarquias, democracias e ditaduras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sociedade ocidental coexistem v\u00e1rias maneiras de estar na vida (morais), muitas vezes externamente indiferenci\u00e1veis na sua express\u00e3o popular, embora possam ter diferentes refer\u00eancias e fundamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Estados, \u00e0 semelhan\u00e7a das religi\u00f5es, criaram as suas Constitui\u00e7\u00f5es e estatutos de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o correspondente fundamento da proveni\u00eancia do poder, da \u00e9tica e dos princ\u00edpios por que se regula. <strong>Enquanto a monarquia fundamenta o seu poder e a sua moral em Deus (presente em cada pessoa), a rep\u00fablica pretende, fundament\u00e1-los no povo e na ideologia.<\/strong> Consequentemente, como o povo \u00e9 heterog\u00e9neo e com cren\u00e7as diferenciadas, a rep\u00fablica secular n\u00e3o poderia ter uma cren\u00e7a determinada nem o Estado deveria ter uma ideologia exclusivista. O Estado, por\u00e9m, teria de respeitar o ide\u00e1rio e os factores de identidade da na\u00e7\u00e3o. Doutro modo torna-se no administrador dos interesses an\u00f3nimos e dos grupos mais fortes, reduzindo-se ao campo de batalha entre os mesmos (ao monopolizar o ensino favorece a vers\u00e3o correspondente \u00e0 ideologia dos grupos mais fortes). A soma dos interesses congregados em diferentes corpora\u00e7\u00f5es e reunidas no Estado n\u00e3o s\u00e3o suficientes para dar sustentabilidade \u00e0 engrenagem de um pa\u00eds; falta-lhe a alma, o \u00f3leo de um ideal comum e de uma miss\u00e3o comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade cria o \u00f3rg\u00e3o mas nunca o conjunto das concorrentes necessidades conduzem a um corpo org\u00e2nico; podem quando muito assumir actividades funcionalistas sempre na provisoriedade. Uma sociedade regulada e motivada apenas por rela\u00e7\u00f5es de interesses desumaniza-se perdendo-se em morais ad hoc que na sua din\u00e2mica concorrente criam a impress\u00e3o de sentido mas s\u00e3o incapazes de legitimar a sua sustentabilidade como na\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a e o poder, congregados no aparelho do Estado, para controlar e ordenar os interesses corporativos, n\u00e3o tem legitimidade suficiente de v\u00ednculo \u00e9tico, devido ao seu caracter mecanicista ad hoc, sem sentido nem meta. Este Estado, sem miss\u00e3o teleol\u00f3gica esgota-se em dar forma \u00e0 circunst\u00e2ncia e ao tempo toma express\u00e3o de caracter absolutista (2). Ao monop\u00f3lio mon\u00e1rquico de uma \u00e9tica de cunho crist\u00e3o segue-se o monop\u00f3lio da \u00e9tica ma\u00e7\u00f3nica como substrato invis\u00edvel da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O factor Deus relativizava o poder mon\u00e1rquico; o Senhor e C\u00e9sar t\u00eam o seu devido lugar mas no respeito a Deus que tamb\u00e9m \u00e9 povo. O perigo do absolutismo na monarquia \u00e9 continuado na rep\u00fablica atrav\u00e9s dos grupos fortes e das redes secretas subjacentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um povo, com os seus diversificados interesses, n\u00e3o \u00e9 fundamento suficiente para legitimar um sistema \u00e9tico; a \u00e9tica universal s\u00f3 ser\u00e1 fundament\u00e1vel na ipseidade que realiza a tens\u00e3o entre o relativo (o objecto) e o absoluto (sujeito). Antoine de Saint-Exup\u00e9ry especifica: \u201cSe n\u00e3o houver nada acima de ti, n\u00e3o tens nada a receber. A n\u00e3o ser de ti pr\u00f3prio. Mas que h\u00e1s-de tu ir buscar a um espelho vazio?&#8221;. <\/strong>Saint-Exup\u00e9ry pressupunha a exist\u00eancia de um ser absoluto pessoal. Se a pessoa n\u00e3o estiver acima dos interesses grupais ser\u00e1 irremediavelmente transformada num objecto dependente dos interesses dos mais fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma Rep\u00fablica comprometida com o bem-comum e empenhada na defesa da felicidade dos cidad\u00e3os teria de considerar as diferentes ideologias e agremia\u00e7\u00f5es como factor de integra\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o social; consequentemente teria o dever de integr\u00e1-las e deix\u00e1-las desenvolver-se sob um tecto livre e aberto &#8211; s\u00f3 a liberdade respons\u00e1vel pode ser factor de felicidade e, como tal, n\u00e3o reduz\u00edvel a um caminho religioso estreito nem a uma via secular racionalista ou materialista. Nem o ide\u00e1rio religioso do Isl\u00e3o e nem o ide\u00e1rio ma\u00e7\u00f3nico arraigado \u00e0 rep\u00fablica (sistemas de interesses grupais) podem arrogar-se como linhas directivas de imagem na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental que assenta na dignidade da pessoa e na divis\u00e3o de poderes (ao Estado o que pertence ao Estado e a Deus o que \u00e9 de Deus).<strong> Uma \u00e9tica universal (multifacetada) pressup\u00f5e a pessoa como sua infraestrutura e em rela\u00e7\u00e3o com o outro; pressup\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o entre sujeitos, n\u00e3o reduz\u00edvel a uma rela\u00e7\u00e3o entre objectos (interesses).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tanto o sistema republicano como o sistema mon\u00e1rquico tem os seus qu\u00eas; tudo depende dos grupos de interesse que se apoderam deles. Os grupos de interesses que se servem da democracia para se imporem, vivem bem da ilus\u00e3o transmitida ao povo de que \u00e9 livre e soberano. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Mau testemunho das elites republicanas: cinismo e falta de vergonha<\/span> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem-comum obriga a direitos e a deveres que implicam rela\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. Embora o Estado e a administra\u00e7\u00e3o estejam ao servi\u00e7o da coisa p\u00fablica, uma concep\u00e7\u00e3o baseada em interesses, n\u00e3o integral de Homem e sociedade, estimula muitos dos seus representantes a abusarem do servi\u00e7o p\u00fablico e a usarem a posi\u00e7\u00e3o que ocupam em pr\u00f3prio benef\u00edcio ou em benef\u00edcio das suas organiza\u00e7\u00f5es; este comportamento vai contra o ideal republicano do bem-comum por corresponder a <strong>uma privatiza\u00e7\u00e3o indevida do bem-comum; <\/strong>mas o ideal republicano n\u00e3o \u00e9 congruente porque se baseia na defesa de interesses e estes assentam na rivalidade dos grupos e na defesa do ego. Consequentemente, as estruturas partid\u00e1rias e organiza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas d\u00e3o cobertura \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim temos um Estado com pol\u00edticos mas sem pa\u00eds dado a intelig\u00eancia portuguesa, fragmentada nos diferentes partidos ser colocada em fun\u00e7\u00e3o dos interesses dos grupos e n\u00e3o do todo (povo). A nossa matriz de Estado beneficia as corpora\u00e7\u00f5es instaladas contra a popula\u00e7\u00e3o. Pelo que observo da Hist\u00f3ria, principalmente a partir de Marqu\u00eas de Pombal, o nosso Estado tem tudo menos povo; falta-lhe a intelig\u00eancia colectiva, que foi privatizada. <strong>A nossa Rep\u00fablica \u00e9 individualista, surgiu da luta de grupos de interesses ideol\u00f3gicos e de interesses de privilegiados e n\u00e3o do interesse nacional: A intelig\u00eancia portuguesa aprendeu muito l\u00e1 fora mas tornou-se estrangeirada e deste modo envergonha-se do povo que a sustenta; tornou-se numa alma sem corpo e num corpo sem alma: a nossa Rep\u00fablica \u00e9 de todos mas n\u00e3o \u00e9 nossa e o povo adora um pa\u00eds cm um Estado que despreza.<\/strong> A grelha em que assenta a rep\u00fablica e os partidos n\u00e3o \u00e9 nossa; o problema \u00e9 de mentalidade (em parte de influ\u00eancia oriental e \u00e1rabe) e mais recentemente alimenta-se da depend\u00eancia cultural e econ\u00f3mica, principalmente a partir do s\u00e9c. XVIII; torn\u00e1mo-nos dependentes da Fran\u00e7a e da Inglaterra deixando de ser europeus (agora servimos servindo-nos de uma Alemanha simb\u00f3lica que repudiamos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A<strong> rep\u00fablica portuguesa tem sido uma hist\u00f3ria de fracassos porque fraccionada em grupos de interesses de afirma\u00e7\u00e3o de uns contra os outros em que a din\u00e2mica inerente \u00e0 sua \u00e9tica parece ser a luta e o ser contra;<\/strong> por outro lado, \u00e0 maneira da cultura \u00e1rabe, uma condi\u00e7\u00e3o negativa &#8211; o factor inimigo -, \u00e9 transformada em causa de uni\u00e3o dos grupos de interesses (3)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa sociedade orientada por princ\u00edpios \u00e9ticos, a vergonha \u00e9 o rosto da moral que pressup\u00f5e a dignidade como suporte (4).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O senso do estado, na rep\u00fablica que temos, mais que servir o bem-comum \u00e9 servir indiv\u00edduos e grupos perfilados em constela\u00e7\u00f5es de interesses (corpora\u00e7\u00f5es), o resto s\u00e3o efeitos colaterais. Num ambiente assim \u00e9 c\u00ednico falar de \u00e9tica republicana porque n\u00e3o passa de uma moral local ad hoc pr\u00f3pria de um republicanismo portugu\u00eas sempre na depend\u00eancia, sempre falhado (na primeira rep\u00fablica falido e na terceira hipotecado). Nos finais dos anos vinte foi preciso Salazar para salvar Portugal do caos e da bancarrota da I Rep\u00fablica e no actual regime republicano vivemos de m\u00e3os estendidas suportando a canga dos outros (5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa rep\u00fablica <strong>n\u00e3o pretende a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es humanas<\/strong>, pretende rela\u00e7\u00f5es de interesses reguladas por leis; a rela\u00e7\u00e3o humana reserva-a, quando muito, para a loja ou para os \u00edntimos do partido ou do clube, cultivada \u00e0 sombra do interesse e do oportuno. Trata-se de redes de liga\u00e7\u00f5es de interesses determinadas por obedi\u00eancias por vezes contr\u00e1rias \u00e0 soberania da consci\u00eancia individual e social. Condenam, e com raz\u00e3o, o uso do instrumento do medo em sociedades religiosas mas consideram o uso do medo na polis como instrumente essencial da sua \u00e9tica.<strong> Muitos republicanos reportam-se de bom grado a Thomas Hobbes que v\u00ea no medo e no susto perante o poder central (monop\u00f3lio do poder e da viol\u00eancia) a garantia da paz civil (no \u201cLeviathan\u201d): o medo \u00e9 considerado instrumento para evitar a guerra civil. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma forma de Estado (Rep\u00fablica) constru\u00edda na base de uma auto-imagem ateia ou contra a Igreja que conferiu a identidade \u00e0 na\u00e7\u00e3o deslegitima-se porque incapaz de exercer <\/strong>auto-modera\u00e7\u00e3o. Como o cidad\u00e3o \u00e9 considerado objecto e n\u00e3o sujeito, a lei deve substituir a consci\u00eancia do indiv\u00edduo. Chega um certo dogmatismo de opini\u00e3o que confunde raz\u00e3o com l\u00f3gica e confere \u00e0 opini\u00e3o ideol\u00f3gica foros de argumenta\u00e7\u00e3o objectiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A elite da Rep\u00fablica portuguesa, nos trilhos do Marqu\u00eas de Pombal, \u00e9 altiva e dissonante repelindo o sentir da alma popular que despreza e olha com desd\u00e9m n\u00e3o suportando a sua express\u00e3o religiosa e cultural popular (s\u00edmbolos de inimigos a desprezar: f\u00e1tima, futebol e fado). Arvora-se em dona da Rep\u00fablica, e em int\u00e9rprete da cultura querendo para si o monop\u00f3lio da influ\u00eancia (interpreta\u00e7\u00e3o), o que a leva a definir-se contra o outo e n\u00e3o com o outro. Deste modo n\u00e3o poder\u00e1 haver um crescimento normal do indiv\u00edduo nem de grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9tica republicana portuguesa baseia-se na defesa de interesses e de grupos e expressa-se na afirma\u00e7\u00e3o dos interesses corporativos. A \u00e9tica de cariz crist\u00e3o baseia-se na rela\u00e7\u00e3o pessoal e parte da pessoa como soberana investida de compet\u00eancia interior, que lhe vem da dignidade de filha de Deus que tudo irmana e se expressa na consci\u00eancia individual que \u00e9 soberana. A \u00e9tica de cariz republicano \u00e9 de caracter mais funcional, vincula por motiva\u00e7\u00f5es externas ou por interesses de grupos (obedi\u00eancia \u00e0 lei, \u00e0 confiss\u00e3o ou partido (6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei tal como a \u00e9tica de responsabilidade assumem um caracter exterior de interesses, sem v\u00ednculo pessoal interior e, como tal, negoci\u00e1vel, independentemente do processo ser ou n\u00e3o corrupto. Tamb\u00e9m por isso muitos dos detentores do poder p\u00fablico se aproveitam da sua posi\u00e7\u00e3o e conhecimento para beneficiar amigos e companheiros. (Li sobre a exist\u00eancia de estatutos ma\u00e7\u00f3nicos que defendem o perjuro at\u00e9 em tribunal desde que em defesa de um irm\u00e3o; a mesma norma se encontra no Cor\u00e3o que solicita o crente a mentir desde que em proveito do Isl\u00e3o (Norma da etakia). No caso uma rela\u00e7\u00e3o \u00e9tica republicana exigiria a mera rela\u00e7\u00e3o objectiva mas o interesse privatiza a norma \u00e9tica que perde assim o seu caracter universal, refugiando-se numa moral de situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De t\u00e1buas com caruncho n\u00e3o se faz bom soalho.<\/strong> A lei, mesmo a constitucional, vem de fora, n\u00e3o \u00e9 interior, por isso n\u00e3o vincula necessariamente a consci\u00eancia humana, dado s\u00f3 o sujeito poder ser respons\u00e1vel; este n\u00e3o age por obedi\u00eancia mas em sintonia inter-relacional. N\u00e3o s\u00e3o as leis que baseiam os costumes mas os costumes que baseiam as leis, numa dial\u00e9tica de experi\u00eancia e teoria, de \u00e9tica de responsabilidade e de \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o. A moral de tez republicana tamb\u00e9m tem bons objectivos mas nunca pode ser universalizada, tamb\u00e9m por n\u00e3o reconhecer a soberania da consci\u00eancia humana em rela\u00e7\u00e3o ao Estado. Reduz o valor c\u00edvico \u00e0 actividade legal intelectual identificando a cidadania adulta com uma intelectualidade de l\u00f3gica materialista, deixando o cidad\u00e3o no adro da confus\u00e3o ou no arraial da anarquia (7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem o empenho activo dos leigos cat\u00f3licos na pol\u00edtica cria-se a impress\u00e3o p\u00fablica de que a raz\u00e3o est\u00e1 do lado dos activistas republicanos anticat\u00f3licos, numa sociedade com uma igreja fraca e para os fracos. <strong>Em Portugal, onde a ma\u00e7onaria se tornou no sustent\u00e1culo da Rep\u00fablica, domina publicamente o esp\u00edrito anticlerical jacobino e a m\u00e1 ger\u00eancia do Estado, ao contr\u00e1rio da rep\u00fablica Alem\u00e3 onde os partidos de timbre crist\u00e3o determinam o desenvolvimento da Rep\u00fablica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para complicar a situa\u00e7\u00e3o portuguesa, tamb\u00e9m os intelectuais portugueses abdicaram da sua responsabilidade de interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica cedendo, em grande parte, o palco da na\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos interesseiros ou interessados numa \u00e9tica ad hoc, pragm\u00e1tica e utilitarista, concebida em termos de per\u00edodos alternativos de legislaturas governativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u00e9tica republicana anda de bra\u00e7o dado com as ideias revolucion\u00e1rias marxistas e v\u00ea no trabalho o fundamento da condi\u00e7\u00e3o de ser sujeito e o factor de sociabilidade na troca de servi\u00e7os. \u00c9 fraca uma sociedade ou ideologia que reduza a moralidade a rela\u00e7\u00f5es de trabalho ou de mercadoria. O fil\u00f3sofo Karl Popper, defensor da sociedade aberta, desmascara o profetismo marxista como seu inimigo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o cristianismo a pessoa \u00e9 sujeito soberano e realiza-se em comunidade, reconhecendo o trabalho como um direito da pessoa humana e considerando o capital em fun\u00e7\u00e3o da pessoa e da comunidade (enc\u00edclicas sociais) enquanto o marxismo embora tamb\u00e9m d\u00ea relev\u00e2ncia ao indiv\u00edduo em rela\u00e7\u00e3o ao capital, acaba por diluir a sua personalidade na massa: o valor do cidad\u00e3o vem da sua fun\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da ut\u00f3pica ditadura do proletariado, perde-se no emaranhado dos interesses.<strong> Para o cristianismo, na economia, n\u00e3o \u00e9 o produto humano que est\u00e1 em primeiro plano mas sim o processo da produ\u00e7\u00e3o que deve expressar a rela\u00e7\u00e3o humana entre sujeitos <\/strong>(8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideologia dominante republicana tem sido imposta e conduzida por grupos de influ\u00eancia (neoburgueses entre eles os homens do avental \u2013 impondo-se, como rescrito de vida, o racionalismo e o materialismo). <strong>Substituiu-se a velha ideologia mon\u00e1rquica pela dominante burguesa (e novos ricos) agora expressa na opini\u00e3o do politicamente correcto de express\u00e3o socialista e capitalista.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma \u00e9tica de caracter universal n\u00e3o pode ser baseada numa utopia hist\u00f3rica (uma sociedade de iguais), com uma classe \u00fanica, como quer o marxismo atrav\u00e9s de um proletariado pioneiro na conquista do poder pol\u00edtico pela revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim andamos no e com o tempo; quem vai no comboio tem a sensa\u00e7\u00e3o de que quem anda \u00e9 a paisagem e n\u00e3o o comboio; n\u00e3o se torna consciente da pr\u00f3pria realidade nem do seu contexto, projectando-a fora, nos outros; o analfabetismo mental de hoje n\u00e3o ser\u00e1 menor que o da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Conclus\u00e3o <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diria que <strong>a rep\u00fablica portuguesa tem sido a ilus\u00e3o de muitos em proveito de poucos<\/strong>, para parafrasear Ale Xander Pope que dizia: \u201cO partido \u00e9 a loucura de muitos em proveito de poucos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma filosofia universal n\u00e3o pode instalar-se em nenhuma casa pol\u00edtica (Este foi o erro cometido pelos fil\u00f3sofos Sartre que apoiava o totalitarismo sovi\u00e9tico e Heidegger que apoiou o nazismo): uma filosofia de tecto universal tem que ter lugar para todos e viver com todos, apostando na dignidade da pessoa humana e n\u00e3o numa matriz exterior (supraestrutura capitalista ou marxista). Uma \u00e9tica universal integral tem um caracter cat\u00f3lico a realizar-se num processo de acultura\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o, e que embora de forma limitada e imperfeita, procura dar forma ao futuro. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma \u00e9tica laicista equivoca-se ao querer construir um tecto universal sem metaf\u00edsica no sentido de uma transforma\u00e7\u00e3o socialista da sociedade. A sua vis\u00e3o de Homem \u00e9 materialista-racionalista e como tal reduzida a um pequeno grupo social. O homem n\u00e3o pode ser reduzido a uma mera express\u00e3o de contexto hist\u00f3rico como quer o marxismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A III rep\u00fablica, muito embora de cunho marxista, protege os seus melhores privil\u00e9gios tal como fazia a classe social da sociedade burguesa, que Marx condenava.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo (portugu\u00eas e hist\u00f3ria)<\/p>\n<p>Pegadas do Esp\u00edrito no Tempo,<\/p>\n<ul>\n<li>Entre o saber adquirido atrav\u00e9s do m\u00e9todo indutivo e o saber resultante do m\u00e9todo dedutivo e da consequente interpreta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. A prova dos nove da moral \u00e9 tirada sempre pela experi\u00eancia (processo indutivo) virada para o concreto, para a ortopraxia; a ortodoxia \u00e9 mais abstracta, mais geral e como tal de perspectivas universais. No dia-a-dia o que importa \u00e9 a praxis, a orto-praxia como se realizava no prot\u00f3tipo JC.<\/li>\n<li>A sociedade \u00e9 formada por pessoas de diferentes caracteres, mentalidades e interesses. H\u00e1 pessoas com uma matriz de caracter mais introvertido e outras de caracter mais extrovertido, mais espiritual ou mais material, mais org\u00e2nico ou mais mecanicista; umas de caracter mais racional e outras de caracter mais intuitivo e emocional (Em termos de folclore poder\u00edamos dizer que umas se expressam melhor no flamengo e outras no fado). A diferentes caracteres, correspondem tamb\u00e9m diferentes maneiras de estar e a consequente a afirma\u00e7\u00e3o de diferentes necessidades e interesses (concorr\u00eancia!) que se organizam e formulam na sociedade.<\/li>\n<li>Neste contexto tenha-se presente o caso das PPPs e da crise dos Bancos; a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 facto mas as castas que as cometem est\u00e3o ilibadas, cf. file:\/\/\/C:\/Users\/Antonio\/AppData\/Local\/Microsoft\/Windows\/INetCache\/Content.Outlook\/RKW633O7\/Eu_Politicos_Final.pdf . O Estado portugu\u00eas subvenciona Ideologias no Seio dos seus Funcion\u00e1rios: <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3448\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3448<\/a><\/li>\n<li>Onde se encontram, no regime de Abril, os pol\u00edticos, os banqueiros e outros beneficiados da rep\u00fablica com vergonha? (Falo do regime de Abril porque estamos na III Rep\u00fablica e esta se anunciou com elevada reivindica\u00e7\u00e3o da qualidade moral; a corrup\u00e7\u00e3o vigente n\u00e3o \u00e9 tema de Estado e faz lembrar a I Rep\u00fablica a que se seguiu o golpe de estado que levou \u00e0 II). Quem sobressai na nossa sociedade? Com o 25 de abril, come\u00e7ou tamb\u00e9m a era da libertinagem. A palavra virtude passou a n\u00e3o ser moderna nem favorecedora dos progressistas, de modo que desapareceu do foro p\u00fablico; quase se torna imposs\u00edvel express\u00e1-la e a paleta das virtudes foi resumida nas palavras toler\u00e2ncia, abertura e liberdade.<\/li>\n<li>Portugal entre a Censura da PIDE e o Tr\u00e1fico de Influ\u00eancias de ABRIL <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3556\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3556<\/a> A ELITE DE ABRIL ATRAI\u00c7OOU O IDE\u00c1RIO UNIVERSAL PORTUGU\u00caS EM NOME DA LIBERDADE E DO PROGRESSO: <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3544\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3544<\/a> HUMBERTO DELGADO UM DIPLOMATA QUE ESCREVIA \u201cRREP\u00daBLICA\u201d COM DOIS R: <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3499\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3499<\/a><\/li>\n<li>(6) Muitos filiados como n\u00e3o t\u00eam conhecimento de base em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia do seu gr\u00e9mio, sem conhecimento program\u00e1tico, encostam-se \u00e0 autoridade do seu l\u00edder: isto fomenta no grupo o esp\u00edrito de oportunismo e de subservi\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao clube que deste modo n\u00e3o se desenvolve \u2013 temos pessoas em vez de programas e estrat\u00e9gias; temos um comportamento social sem exig\u00eancias porque sem fundamento \u00e9tico).<\/li>\n<li>Uma arrog\u00e2ncia jacobina observ\u00e1vel em certos republicanos deve-se \u00e0 sua hist\u00f3ria de vit\u00f3rias agressivas perante um catolicismo demasiado reservado ao \u00e2mbito individual, incompat\u00edvel com a lideran\u00e7a de movimentos extremistas pr\u00f3 ou anti-republicanos (esta atitude tem a sua l\u00f3gica por apostar no desenvolvimento da pessoa humana e n\u00e3o nos interesses de organiza\u00e7\u00f5es (respeitando os \u00e2mbitos do empenho secular e do espiritual). N\u00e3o seria leg\u00edtimo usurpar o conhecimento e nele amarrar o pensamento, para perspectivar e objectivar a capacidade de pensar e melhor subjugar ou fazer dele instrumento de subjuga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da l\u00f3gica dos grupos de influ\u00eancia. A intelig\u00eancia humana n\u00e3o pode ser reduzida \u00e0 l\u00f3gica, nem uma \u00e9tica, uma filosofia pode ser minorada a uma vontade pol\u00edtica, a uma ideologia, nem ser condicionada a uma s\u00f3 capacidade humana (a raz\u00e3o). Um tal intento comporta a utiliza\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o ou do suborno como m\u00e9todos de auto- afirma\u00e7\u00e3o, dado ser selectiva e n\u00e3o inclusiva.<\/li>\n<li>Por isso, na idade m\u00e9dia a Igreja era contra o capital ganho sem o suor do pr\u00f3prio rosto e proibia o levantamento de juros por empr\u00e9stimos, o que deu oportunidade aos judeus de suprirem o v\u00e1cuo criado da necessidade de empr\u00e9stimo de capital na passagem da sociedade da suserania medieval para a sociedade burguesa). O marxismo tamb\u00e9m n\u00e3o quer ver o indiv\u00edduo reduzido a mercadoria no mundo da produ\u00e7\u00e3o capitalista mas reduz o valor do indiv\u00edduo \u00e0 massa, como acontece na filosofia budista onde a pessoa n\u00e3o passa de uma gota que desaparece no oceano ou no isl\u00e3o onde o indiv\u00edduo s\u00f3 tem arb\u00edtrio de exist\u00eancia subjugado ao grupo (da\u00ed o problema dos direitos humanos em sociedades isl\u00e2micas). Tornam o capitalismo como respons\u00e1vel pelas diferen\u00e7as sociais como se o ser humano a n\u00edvel individual ou a n\u00edvel social fosse reduz\u00edvel ao homo economicus, ao homo faber.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Republicanismo portugu\u00eas embrulhado na moral dos interesses corporativos Por Ant\u00f3nio Justo \u00c9tica \u00e9 uma filosofia aplicada, uma tentativa de dar resposta ao bem, ao belo, \u00e0 verdade, \u00e0 justi\u00e7a e ao sentido do ser e do estar do Homem, uma tentativa de teorizar e generalizar a moral de cunho cultural. 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