{"id":3884,"date":"2016-10-05T17:50:16","date_gmt":"2016-10-05T16:50:16","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3884"},"modified":"2016-10-05T17:50:16","modified_gmt":"2016-10-05T16:50:16","slug":"etica-entre-conviccao-e-responsabilidade-do-compromisso-etico-entre-idealismo-e-realismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3884","title":{"rendered":"\u00c9TICA ENTRE CONVIC\u00c7\u00c3O E RESPONSABILIDADE \u2013 DO COMPROMISSO \u00c9TICO ENTRE IDEALISMO E REALISMO"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Civiliza\u00e7\u00e3o ocidental em implos\u00e3o e Civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica em explos\u00e3o<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A chanceler alem\u00e3, na sua pol\u00edtica de refugiados, \u00e9 acusada de seguir uma \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o (crist\u00e3) em preju\u00edzo da \u00e9tica de responsabilidade na qualidade de pessoa p\u00fablica que deveria representar os interesses da sociedade alem\u00e3 e da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa humanidade em desenvolvimento deparamo-nos, individual e socialmente, em confronto com duas for\u00e7as e interesses complementares: o humano e o divino, o material e o espiritual, o individual e o pol\u00edtico. Os evangelhos resolvem o dilema entre empenho subjectivo individual e empenho social, entre religi\u00e3o e pol\u00edtica recomendando: \u00abDai, pois, a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, e a Deus o que \u00e9 de Deus.\u00bb (Mateus 22:21). Daqui surge um certo conflito entre uma atitude baseada na consci\u00eancia e uma atitude baseada nos interesses da polis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u00e9tica da responsabilidade \u00e9 uma \u00e9tica de grupo, aquela parte que corresponde ao ensinamento \u201ca C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d- adequada \u00e0 ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ao circunstancial e relativo, ao \u00fatil para a comunidade; a \u00e9tica da convic\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 segunda parte da frase \u201ca Deus o que \u00e9 de Deus\u201d- \u00e9 o reino dos absolutos, do \u00fatil para o desenvolvimento da alma humana. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9tica de responsabilidade \u201ctem em conta a fraqueza\u201d, n\u00e3o a preocupa a humanidade nem a perfei\u00e7\u00e3o, o que importa \u00e9 o interesse do grupo, o \u00fatil numa perspectiva do circunstancial imediato. O motivo do agir n\u00e3o se fundamenta em nome da moral mas do interesse. As boas inten\u00e7\u00f5es de Merkel n\u00e3o justificam os problemas que criam porque embora humanas poem em perigo gera\u00e7\u00f5es futuras. Numa tal \u00e9tica transportada para a polis, o crime e o fracasso tornar-se-iam desculp\u00e1veis. <strong>Assim uma atitude moral para Merkel pode tornar-se numa atitude imoral se prejudica os interesses do pa\u00eds e da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o chega a boa inten\u00e7\u00e3o, como orienta\u00e7\u00e3o moral, \u00e9 preciso sab\u00ea-la situada na psicologia humana e na comunidade. O idealismo humanit\u00e1rio orientador da \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o tem de ser aferido \u00e0 realidade social que pressup\u00f5e uma atitude \u00e9tica de responsabilidade que necessariamente condiciona o idealismo que possa estar por tr\u00e1s de uma moral de convic\u00e7\u00e3o. <strong>A confus\u00e3o de \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o com \u00e9tica de responsabilidade \u00e9 a causa de parte da moralitis do discurso pol\u00edtico e social.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio de Maquiavel que defendia que a miss\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o da cidade era superior \u00e0 da salva\u00e7\u00e3o da alma (fins justificam os meios), <strong>Max Weber procurou conciliar <\/strong><strong>as duas posi\u00e7\u00f5es <\/strong><strong>distinguindo entre \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o (na qualidade de sujeito \u2013 consci\u00eancia individual orientada por valores absolutos e que obedece aos sentimentos sem ter em conta as consequ\u00eancias) e \u00e9tica de responsabilidade (na qualidade de objecto de fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas avalia a decis\u00e3o pelas consequ\u00eancias que provoca);<\/strong> Weber reconhece o dilema entre os determinantes consci\u00eancia e interesses. Assim, o pol\u00edtico encontra-se dividido entre uma \u00e9tica livre pessoal de convic\u00e7\u00e3o e a \u00e9tica de responsabilidade determinada pela pondera\u00e7\u00e3o no balance de interesses condicionantes; a decis\u00e3o pol\u00edtica a tomar impossibilita, muitas vezes, um ju\u00edzo de valor pessoal, dado a pol\u00edtica ser normalmente determinada por circunst\u00e2ncias. Isto n\u00e3o deveria por\u00e9m isentar a decis\u00e3o pol\u00edtica do reconhecimento de valores universais fundamentais como a defesa do valor da vida e da dignidade humana (inerentes \u00e0 \u00e9tica de consci\u00eancia individual).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">\u00c9tica contra a moral?<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pol\u00edtica alem\u00e3 na sequ\u00eancia de uma \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o, que justifica a entrada descontrolada de refugiados de uma cultura rival e antag\u00f3nica, pode ser contrariada pela moral de responsabilidade social que implica a defesa da pr\u00f3pria identidade e cultura a longo prazo.<\/strong> N\u00e3o chega a boa inten\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma boa balance das consequ\u00eancias sociais que tal atitude acarreta. V\u00e1rios parceiros europeus, cientes da sua responsabilidade para com os seus cidad\u00e3os (\u00e9tica de responsabilidade) obrigaram a Chanceler a arrepiar caminho. A realidade dos factos do fen\u00f3meno mu\u00e7ulmano, que se revela sem vontade e incapacidade de integra\u00e7\u00e3o, p\u00f5e em perigo os interesses de uma sociedade maiorit\u00e1ria aberta (civiliza\u00e7\u00e3o ocidental) atrav\u00e9s de uma imigra\u00e7\u00e3o descontrolada, de uma cultura herm\u00e9tica e encerrada em si mesma (civiliza\u00e7\u00e3o \u00e1rabe caracterizada por n\u00e3o se integrar e s\u00f3 assimilar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma sociedade aberta, como a europeia, para n\u00e3o ser posta em perigo por uma sociedade fechada ter\u00e1 de estar atenta \u00e0s for\u00e7as sociol\u00f3gicas de integra\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o para poder possibilitar nela um crescimento org\u00e2nico. Um crescimento org\u00e2nico pressup\u00f5e a abertura e a permeabilidade das duas partes. Realiza-se numa tens\u00e3o saud\u00e1vel de uma din\u00e2mica de complementaridade e inclus\u00e3o da \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o e de \u00e9tica de responsabilidade: os dois polos da mesma realidade na polis.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">\u00c9tica de afirma\u00e7\u00e3o dos interesses minorit\u00e1rios contra os maiorit\u00e1rios?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma \u00e9tica da responsabilidade \u00a0tem sempre em conta a defesa dos interesses das minorias numa sociedade coerente e consonante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado, nas rela\u00e7\u00f5es multiculturais e entre Estados, dominar uma \u00e9tica de interesses, num processo de luta entre grupos orientados pelo princ\u00edpio selectivo da afirma\u00e7\u00e3o do mais forte, n\u00e3o se pode aqui confundir uma \u00e9tica pessoal de consci\u00eancia moral relacional com a \u00e9tica subjacente a grupos de interesses em que o determinante \u00e9 a for\u00e7a do grupo ou do interesse e n\u00e3o o humanismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma atitude pol\u00edtica movida apenas pela \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o (consci\u00eancia) ao pretender tornar-se crit\u00e9rio de orienta\u00e7\u00e3o para regular as interac\u00e7\u00f5es interculturais (politica) torna-se inadequada e infringe a \u00e9tica de responsabilidade. O di\u00e1logo, a luta torna-se desigual porque confunde o objectivo (circunstancial) com o subjectivo (de caracter pessoal mas de valores universais), confunde o \u00e2mbito pessoal com o p\u00fablico. O palco em que se realiza \u00e9 objectivo e como tal de rela\u00e7\u00e3o de interesses j\u00e1 n\u00e3o entre sujeitos humanos mas entre objectos, de meros interesses de grupos (daqui surgiria a premissa da necessidade de uma negocia\u00e7\u00e3o de interesses em termos bilaterais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Neste sentido, uma atitude baseada na consci\u00eancia (que \u00c2ngela Merkel parece seguir) implementaria o grupo que segue a \u00e9tica dos interesses e na realidade seria instrumentalizada (inconscientemente) para servir os interesses dos mais fortes (a lei da selva) neste caso os interesses minorit\u00e1rios \u00e0 custa dos maiorit\u00e1rios (de legitima\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria porque n\u00e3o aferida).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado a cultura isl\u00e2mica ter em si um rescrito motivador da autoafirma\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a e pela assimila\u00e7\u00e3o, sem o movimento de integra\u00e7\u00e3o (n\u00e3o permite o processo org\u00e2nico de acultura\u00e7\u00e3o-incultura\u00e7\u00e3o s\u00f3 possibilitando o movimento unilateral assimilativo de auto afirma\u00e7\u00e3o na desconsidera\u00e7\u00e3o do outro). Neste contexto, <strong>a sociedade ocidental tornar-se-ia fraca, a longo prazo, e v\u00edtima da pr\u00f3pria ilus\u00e3o humanit\u00e1ria e deixaria de ser um factor de promo\u00e7\u00e3o do humanismo no mundo.<\/strong> A sociedade ocidental encontra-se num momento muito problem\u00e1tico da hist\u00f3ria do seu desenvolvimento dado n\u00e3o estar consciente dos elementos constitutivos de identidade que lhe deram sustentabilidade e desenvolvimento; coloca-os \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o em troca da afirma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica que n\u00e3o pode, por sua vez, ser sustent\u00e1vel sem uma pol\u00edtica de natalidade respons\u00e1vel e sem uma reflex\u00e3o profunda do que lhe deu o ser, do que \u00e9, e do que pretende (precisa de orienta\u00e7\u00e3o e sentido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem a consci\u00eancia da necessidade de afirma\u00e7\u00e3o dos factores de identidade, a Europa atrai\u00e7oa-se a si mesma ao pretender tapar o buraco demogr\u00e1fico abrindo incondicionalmente as portas \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica que na pr\u00e1tica se afirma, de uma maneira geral, contra a integra\u00e7\u00e3o e beneficia tamb\u00e9m do factor da prolifera\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica (Tenha-se em conta o exemplo europeu do Kosovo, Alb\u00e2nia, etc., que antigamente eram regi\u00f5es de cultura heterog\u00e9nea e transformadas, com o evoluir dos tempos, em monoculturas isl\u00e2micas; na Europa, as mulheres mu\u00e7ulmanas s\u00e3o motivadas a manterem os seus pap\u00e9is patriarcais e a n\u00e3o se integrarem no mercado de trabalho, continuando, em grande parte, a exercer s\u00f3 a profiss\u00e3o de m\u00e3es (abono de fam\u00edlia na Alemanha 200 \u20ac por filho). <strong>Uma vis\u00e3o r\u00e1pida sobre a hist\u00f3ria do desenvolvimento mu\u00e7ulmano testemunha o facto de as regi\u00f5es onde este se implanta e se torna maiorit\u00e1rio, com o tempo, essas regi\u00f5es s\u00e3o transformadas em monoculturas isl\u00e2micas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Onde falta a luz o caminho torna-se dif\u00edcil e a meta imposs\u00edvel<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o apadrinho posi\u00e7\u00f5es que defendem a enclaustra\u00e7\u00e3o dos povos e culturas em si mesmas; \u00e9 mais que claro que o desenvolvimento humano se deve \u00e0 interliga\u00e7\u00e3o e interac\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre indiv\u00edduos, esp\u00e9cies e culturas (factores osmose-integra\u00e7\u00e3o-assimila\u00e7\u00e3o); o gueto pode tornar-se em cancro num corpo org\u00e2nico. <strong>O que est\u00e1 em via na Europa \u00e9 por\u00e9m um movimento de autodestrui\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria cultura (trauma do nazismo e do estalinismo fortalece o niilismo e as for\u00e7as que fomentam a queda da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental numa atitude m\u00f3rbida de tanatofilia)<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, ao seguir uma \u00e9tica de interesses n\u00e3o org\u00e2nicos mas sist\u00e9micos e estrat\u00e9gicos est\u00e1 mais perto da lei natural da selec\u00e7\u00e3o e como tal mais preparada para ganhar a luta dentro de uma sociedade em processo de implos\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental n\u00e3o se encontra<\/strong> <strong>adaptada aos desafios do mundo de hoje e os princ\u00edpios \u00e9ticos que a engrandeceram deixaram de ser categorias pol\u00edticas; segue apenas estrat\u00e9gias ditadas pela macroeconomia liberalista<\/strong> (subvenciona Estados para comprar as suas elites, com o dinheiro que volta a ela); <strong>a Europa encontra-se consequentemente em processo de implos\u00e3o enquanto a civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, centrada em si mesma, se encontra em processo de explos\u00e3o.<\/strong> Nesta situa\u00e7\u00e3o, uma e outra n\u00e3o podem assegurar garantias de futuro para a humanidade. A civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica definhar\u00e1 por julgar que a fronteira do mundo \u00e9 a sua cultura (o desenvolvimento do mundo fruto da variedade e da diferen\u00e7a \u00e9 reduzido \u00e0 igualdade e monotonia do bi\u00f3topo mu\u00e7ulmano) e a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental deixar\u00e1 de ser ela por viver da ilus\u00e3o que pode haver abertura sem limites num mundo que de facto \u00e9 feito todo ele de bi\u00f3topos culturais que para o serem t\u00eam de reconhecer as leis e for\u00e7as que constitu\u00edram o seu habitat sem negar os princ\u00edpios e for\u00e7as da defini\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o dos diferentes bi\u00f3topos culturais no todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cultura ocidental, que no passado foi o grande motor da hist\u00f3ria da humanidade, corre o perigo de atrai\u00e7oar definitivamente os ideais da sua filosofia de cunho crist\u00e3o e com eles a sua identidade e a sua alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Europa, ao seguir, a n\u00edvel pol\u00edtico e social o materialismo e o racionalismo niilista abdica de qualquer miss\u00e3o e de qualquer factor de esperan\u00e7a. Sem no\u00e7\u00e3o do sentido e sem uma meta teleol\u00f3gica n\u00e3o tem ideia do caminho a fazer e que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 luz reflectida sob um tecto metaf\u00edsico. Ao p\u00f4r-do-sol j\u00e1 falta a energia e o humor necess\u00e1rio e passa-se a procurar o agasalho no luar da noite!&#8230; Sem a constru\u00e7\u00e3o de um solo comum n\u00e3o se pode andar em conjunto\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo a Europa, transformada em estrela em estado de implos\u00e3o e que \u00e9 ainda vista como modelo de desenvolvimento de outras sociedades, transforma-se em perigo tamb\u00e9m para estas, ao perder o que lhe dava a lideran\u00e7a espiritual. (Al\u00e9m disso, em pol\u00edtica perdeu a vis\u00e3o global e em vez de colaborar com a R\u00fassia na crise dos refugiados mu\u00e7ulmanos, fecha-se na sua arrog\u00e2ncia e presun\u00e7\u00e3o colaborando s\u00f3 com a Turquia rival).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o paradoxa: em pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o segue uma \u00e9tica da convic\u00e7\u00e3o individual abrindo o flanco aos outros e pecando contra uma \u00e9tica de interesses culturais pr\u00f3prios que se v\u00eaem reduzidos aos interesses econ\u00f3micos liberais e a uma liberdade abstracta j\u00e1 fora do contexto cultural. A irresponsabilidade pol\u00edtica no que respeita \u00e0 defesa dos interesses culturais do povo fomenta a agress\u00e3o e a xenofobia no mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental n\u00e3o pode, para defender os interesses dos pa\u00edses ricos, em nome da consci\u00eancia que a fundamenta, p\u00f4r em causa os valores da pr\u00f3pria identidade, para solucionar uma situa\u00e7\u00e3o de interesses econ\u00f3micos em perigo por uma diminuta natalidade que se pretende compensada pela imigra\u00e7\u00e3o de refugiados. <strong>O relativismo \u00e9tico ocidental revela-se como o melhor instrumento de legitima\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica neoliberal e anti cultural em curso e, por outro lado, d\u00e1 raz\u00e3o \u00e0s for\u00e7as hegem\u00f3nicas que n\u00e3o toleram nada a seu lado (Neste contexto o relativismo cultural europeu serve as for\u00e7as dogm\u00e1ticas e hegem\u00f3nicas que amea\u00e7am a nossa sociedade).<\/strong> O relativismo contradiz-se a si mesmo porque, ao afirmar que tudo \u00e9 relativo, transforma-se num absoluto. Sem verdade (ideal) n\u00e3o h\u00e1 \u00e9tica sustent\u00e1vel porque ent\u00e3o a mat\u00e9ria (materialismo) seria o \u00fanico factor de validade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o desenvolvimento de um liberalismo acervado, a \u00e9tica da polis tenta emancipar-se da religi\u00e3o e, deste modo, do povo. A \u00e9tica tende assim a abandonar o foro privado para ser reduzida a uma moral de interesses no campo econ\u00f3mico (liberalismo) e pol\u00edtico (democracia partid\u00e1ria) com a consequente atitude pol\u00edtica alienada do povo subordinado \u00e0 econ\u00f3mica (capital); consequentemente, o produto do trabalho humano deixa de ter rela\u00e7\u00e3o com o que o produz para se justificar em si mesmo no lucro tornando-se assim desumano e anti \u00e9tico. O capital emancipou-se dos mecanismos de produ\u00e7\u00e3o para se tornar senhor absoluto sem relacionamento; perdeu a alma e deste modo a capacidade de dar resposta. Em nome da economia e da tecnologia que paulatinamente substituem o Homem, o Ocidente vai-se tornando substitu\u00edvel e sup\u00e9rfluo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pol\u00edtico c\u00ednico n\u00e3o se responsabiliza porque, ao arquivar a pr\u00f3pria consci\u00eancia em nome dos interesses do grupo que serve, n\u00e3o reconhece a culpa e deste modo n\u00e3o assume pessoalmente a responsabilidade; e isto porque baseia o seu ju\u00edzo de valor apenas em termos de informa\u00e7\u00f5es recebidas tomando assim decis\u00f5es que considera objectivas e como tal intang\u00edveis a n\u00edvel de \u00e9tica pessoal; o que lhe interessa \u00e9 apenas a an\u00e1lise dos factos no momento e o acto de decis\u00e3o n\u00e3o pode ser avaliado porque fruto da circunst\u00e2ncia furtuita e coberta pelo povo an\u00f3nimo.<strong> Num tal pragmatismo, onde o idealismo n\u00e3o tem lugar, a culpa, o arrependimento e o perd\u00e3o s\u00e3o considerados fraquezas (veja-se a situa\u00e7\u00e3o do Estado em Portugal!).<\/strong> Uma tal \u00e9tica cultural tem os dias contados e s\u00f3 lhe resta abdicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Pol\u00edtica do Postfacto<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Chanceler alem\u00e3 responde aos ataques que a acusam de n\u00e3o considerar suficientemente a \u00e9tica pol\u00edtica (\u00e9tica de responsabilidade baseada em interesses) dizendo: \u201cVivemos em tempos do post facto. As pessoas j\u00e1 n\u00e3o se interessam pelos factos mas seguem apenas os sentimentos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u00e9 ambivalente: precisamos de uma pol\u00edtica de atitude \u00e9tica que responda n\u00e3o s\u00f3 aos factos mas tamb\u00e9m aos sentimentos. De facto os sentimentos tamb\u00e9m s\u00e3o reais e os factos podem ter um fundamento irracional. Para isso precisamos de Homens retos e com coluna dorsal, precisamos de pessoas dispostas a repensar a sociedade em termos do que dizia Paulo aos G\u00e1latas: \u201cN\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos v\u00f3s sois um em Cristo Jesus\u201d. E o JC encontra-se mais ou menos escondido em cada pessoa humana.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo (Hist\u00f3ria e Portugu\u00eas)<\/p>\n<p>Pegadas do Esp\u00edrito no Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Civiliza\u00e7\u00e3o ocidental em implos\u00e3o e Civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica em explos\u00e3o Por Ant\u00f3nio Justo A chanceler alem\u00e3, na sua pol\u00edtica de refugiados, \u00e9 acusada de seguir uma \u00e9tica de convic\u00e7\u00e3o (crist\u00e3) em preju\u00edzo da \u00e9tica de responsabilidade na qualidade de pessoa p\u00fablica que deveria representar os interesses da sociedade alem\u00e3 e da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Numa humanidade em &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3884\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">\u00c9TICA ENTRE CONVIC\u00c7\u00c3O E RESPONSABILIDADE \u2013 DO COMPROMISSO \u00c9TICO ENTRE IDEALISMO E REALISMO<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-3884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3884"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3885,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3884\/revisions\/3885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}