{"id":3667,"date":"2016-06-17T13:06:08","date_gmt":"2016-06-17T12:06:08","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3667"},"modified":"2016-06-17T13:12:03","modified_gmt":"2016-06-17T12:12:03","slug":"a-proposito-da-verdade-e-das-verdades-na-irrealidade-da-polis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3667","title":{"rendered":"A PROP\u00d3SITO DA VERDADE E DAS VERDADES NA IRREALIDADE DA POLIS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A Verdade \u00e9 paciente n\u00e3o ataca nem difama<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade ou \u00e9 revelada ou \u00e9 vivida, o resto \u00e9 cren\u00e7a nalguma forma ou numa perspectiva de vida que, para cada qual, pode ser a sua. Seria auto-engano acreditar num poder todo-poderoso da raz\u00e3o, por muito nobre e pr\u00e1tico que ele possa ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o saber, seja ele pol\u00edtico ou cient\u00edfico \u00e9 apenas uma forma de discurso. A doutrina \u00e9 limitada ao intelecto e a Verdade n\u00e3o se deixa reduzir a ele nem \u00e0 experi\u00eancia que se tenha dela. Consequentemente a atitude intelectual e pr\u00e1tica mais adequada que possamos ter em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade ser\u00e1 de humildade e de respeito e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s verdades e opini\u00f5es dos outros a melhor postura ser\u00e1 de toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O intelecto e a experi\u00eancia s\u00e3o os instrumentos de acesso \u00e0 verdade\/realidade n\u00e3o podendo o instrumento nunca ser identificado com ela. A exist\u00eancia humana tem os seus qu\u00eas e precisa de cren\u00e7as e mitos tal como a planta precisa da luz, do calor e da atmosfera que lhe possibilita a sua forma de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A planta n\u00e3o se questiona sobre a exist\u00eancia do Sol, porque o que ela precisa \u00e9 de luz e de calor; pretender que ela reconhe\u00e7a para l\u00e1 da luz e do calor tamb\u00e9m o Sol ultrapassaria as suas necessidades naturais prim\u00e1rias! Deus est\u00e1 para l\u00e1 da experi\u00eancia objectiva e ultrapassa a experi\u00eancia que se possa ter dele, contudo aquilo que nos torna Homem \u00e9 a refer\u00eancia (rela\u00e7\u00e3o com) a Ele. Neg\u00e1-lo seria meter-se num beco sem sa\u00edda. De facto o beco tamb\u00e9m tem a sua serventia e quem quiser ir mais al\u00e9m volta para tr\u00e1s, talvez mais enriquecido com a experi\u00eancia dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0Na polis a verdade encontra-se encarcerada na ci\u00eancia, no partido, na opini\u00e3o, na l\u00f3gica, nas promessas e at\u00e9 na devo\u00e7\u00e3o. Acontece \u00e0 verdade o mesmo que sucede \u00e0 ideia livre ao ser metida na linguagem. A verdade absoluta sem ser categ\u00f3rica s\u00f3 pode ser Deus, aquele \u201clugar vivo\u201d onde cada ser pode ser ele sem se justificar e assentar os p\u00e9s para poder caminhar ao sol da vida, e saborear tamb\u00e9m a sombra da Verdade na opini\u00e3o. <\/strong>Nesse lugar n\u00e3o precisa de se subordinar sequer a grupos de influ\u00eancia que ditam leis para outros cumprir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que seria da diversidade dos bi\u00f3topos e das plantas se n\u00e3o houvesse para cada qual o seu raio de verdade! Que seria da cultura e da individua\u00e7\u00e3o se n\u00e3o houvesse a verdade do procurar a forma numa maneira pr\u00f3pria de estar a caminho de Ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verdade? Tenho a impress\u00e3o que a Verdade \u00e9 como o Sol: \u00e0 medida que nos aproximamos dela mais queimamos as asas do nosso ego; se nos for dado, ent\u00e3o sentiremos a dor do abismo entre as alturas do intelecto e a profundeza do cora\u00e7\u00e3o. No descampado da polis tudo luta por ela, mas antes de chegarmos l\u00e1, a cada um a sua, desde que n\u00e3o a use como cacete! Verdadeiro \u00e9 certamente o caminho no desejo dela! Sim, porque <strong>verdade \u00e9 a liberdade a voar nas alturas do c\u00e9u mas agradecida e consciente de que o que lhe possibilita a satisfa\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia das alturas vem da profundidade do cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto pol\u00edtico, tamb\u00e9m a veracidade \u00e9 din\u00e2mica e como tal improv\u00e1vel porque depende do que se torna confi\u00e1vel e o fi\u00e1vel depende tamb\u00e9m da capacidade de ver, estar e ser; mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao dado factual surge o problema da interpreta\u00e7\u00e3o que leva ao engano. <strong>Cada l\u00f3gia (cada maneira de olhar) \u00e9 apenas uma perspectiva necess\u00e1ria mas limitada da verdade\/realidade, uma passada na grande caminhada sob os holofotes da Raz\u00e3o e do Cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m penso que a quest\u00e3o est\u00e1 nos olhos e do olhar \u00e9 que depende, em grande parte, a perspectiva e, dado a verdade (resumida em Deus) ser a-perspectiva, seria question\u00e1vel querer mandar algu\u00e9m para o oculista por causa dela! Sim, at\u00e9 porque h\u00e1 pessoas mais inclinadas a ver na perspectiva dos factos e outros na perspectiva do miradouro em que se albergam para observar a paisagem. A partir da\u00ed, cada qual se torna num pintor a elaborar a realidade na sua tela, ou um escritor a fazer a sua composi\u00e7\u00e3o na inten\u00e7\u00e3o de a acrescentar ao grande painel da Realidade\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos de n\u00f3s encontramo-nos, por vezes, perdidos na pr\u00f3pria imagem ou absorvidos na composi\u00e7\u00e3o de imagens sem atendermos \u00e0s <strong>linhas de fuga que dariam maior perspectiva ao panorama da nossa pintura na tela da vida. <\/strong>Os nossos olhos e inten\u00e7\u00f5es interferem e delimitam a paisagem e a verdade, n\u00e3o notando por vezes que ao dar-lhes forma as plastificam, confundindo o detalhe com elas, identificando a forma com o conte\u00fado que n\u00e3o cabe nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se uns t\u00eam um olhar mais curvil\u00edneo (emocional subjectivo), outros t\u00eam-no mais rectil\u00edneo (racional objectivante) e a\u00ed surge o bus\u00edlis de querer reduzir a realidade \u00e0 pr\u00f3pria linha (n\u00e3o contando ainda com o problema das cores!). Por um lado temos o problema dos instrumentos (raz\u00e3o e experi\u00eancia) utilizados para definirmos a realidade na finitude e por outro temos o problema de pretendermos com uma vis\u00e3o finita querer identifica-la com o infinito. Querer possuir a verdade \u00e9 como querer resolver o problema da quadratura do c\u00edrculo, \u00e9 como querer meter a transcend\u00eancia (o c\u00edrculo) na forma (quadrado) apenas com o instrumento da raz\u00e3o. (1)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Verdade \u00e9 inteira mas para ser apreendida pela condi\u00e7\u00e3o humana, tem de ser repartida em partes (o infinito dividido em partes finitas \u00e9 transformado em finito atrav\u00e9s da raz\u00e3o que depois abstrai da parte para o infinito). O escalpelo da raz\u00e3o como instrumento de explica\u00e7\u00e3o da realidade\/verdade tem um pequeno sen\u00e3o ao arrogar-se poder resolver o problema da quadratura do c\u00edrculo querendo identificar o quadrado com o c\u00edrculo, o que \u00e9 ileg\u00edtimo. Querer resolver assim o problema da quadratura do c\u00edrculo \u00e9 como recorrer \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o de um ser vivo em partes e depois concluir que a soma das partes \u00e9 o tal ser vivo, n\u00e3o notando que o acto de apresentar a soma das partes, deixa de fora a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na impossibilidade de possuirmos a Verdade seria l\u00f3gico juntarmo-nos todos com esquinas e arestas num c\u00edrculo abra\u00e7o para darmos mais espa\u00e7o \u00e0 forma onde caber\u00e1 mais verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva polar exclusivista do verdadeiro e do falso, da direita e da esquerda, do esp\u00edrito e da mat\u00e9ria reduz a realidade complexa, a um ponto de vista bidimensional, fazendo dele um caminho para andar mas que peca por n\u00e3o contemplar a verdade da vida. N\u00e3o notamos ainda que andamos todos a tentar fazer da vida uma linha direita al\u00e9rgica \u00e0 vida porque a natureza \u00e9 toda ela curvil\u00ednea<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria pena querer-se reduzir a realidade multidimensional a uma superf\u00edcie material bidimensional, ou a uma s\u00f3 perspectiva na linha vertical (mais identit\u00e1ria), na linha horizontal (mais social), ou na linha diagonal (menos mon\u00f3tona). Cada um tem o seu plano de imagem com mais ou menos perspectiva com mais ou menos profundidade\u2026 <strong>O decisivo \u00e9 saber-se na converg\u00eancia e na consci\u00eancia de que a verdade n\u00e3o se tem, s\u00f3 se vive e experimenta, mas cientes tamb\u00e9m de que sem contraste n\u00e3o h\u00e1 profundidade.<\/strong> O apelo de Deus, o apelo da Verdade, \u00e9 tentar descobrir sempre novas maneiras de enxergar o mundo e deste modo contribuir para a sua cont\u00ednua cria\u00e7\u00e3o, para a realidade que se encobre no mist\u00e9rio da sua poesia! A verdade \u00e9 como o amor (2) embora manifesta em cada um ela \u00e9 inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mim a Verdade \u00e9 Jesus Cristo porque nele se realiza e resume de forma inclusiva a mat\u00e9ria e o esp\u00edrito. <strong>&#8220;No princ\u00edpio era a palavra, a in-forma\u00e7\u00e3o&#8221;, constatava j\u00e1 o evangelista Jo\u00e3o. \u201cE o Verbo tornou-se carne\u201d sem se deixar reduzir \u00e0 incarna\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo<\/p>\n<p>Medita\u00e7\u00f5es Irreverentes \u00a0in Pegadas do Esp\u00edrito https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3667<\/p>\n<ul>\n<li>(1) A raz\u00e3o por mais que se esforce nunca poder\u00e1 meter o infinito no finito, nem o todo na parte (o que demonstra que at\u00e9 a geometria n\u00e3o sobrevive sem o princ\u00edpio infinito (Deus). Na minha opini\u00e3o a teologia conseguiu a resolu\u00e7\u00e3o desse problema atrav\u00e9s da f\u00f3rmula trinit\u00e1ria; para tal n\u00e3o chega a raz\u00e3o, necessita-se tamb\u00e9m da espiritualidade e do cora\u00e7\u00e3o; esta possibilita a integra\u00e7\u00e3o da parte no todo e do todo na parte \u2013 serve-se por\u00e9m do mist\u00e9rio de JC.<\/li>\n<li>(2) &#8220;O amor \u00e9 paciente, o amor \u00e9 bondoso. N\u00e3o inveja, n\u00e3o se vangloria, n\u00e3o se orgulha. N\u00e3o maltrata, n\u00e3o procura seus interesses, n\u00e3o se ira facilmente, n\u00e3o guarda rancor. O amor n\u00e3o se alegra com a injusti\u00e7a, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta.&#8221; 1 Cor\u00edntios 13:4-7.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Verdade \u00e9 paciente n\u00e3o ataca nem difama Por Ant\u00f3nio Justo A verdade ou \u00e9 revelada ou \u00e9 vivida, o resto \u00e9 cren\u00e7a nalguma forma ou numa perspectiva de vida que, para cada qual, pode ser a sua. Seria auto-engano acreditar num poder todo-poderoso da raz\u00e3o, por muito nobre e pr\u00e1tico que ele possa ser. &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3667\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A PROP\u00d3SITO DA VERDADE E DAS VERDADES NA IRREALIDADE DA POLIS<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[15,4,5,7,8],"tags":[],"class_list":["post-3667","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-educacao","category-escola","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3667"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3670,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3667\/revisions\/3670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}