{"id":3556,"date":"2016-04-25T13:17:12","date_gmt":"2016-04-25T12:17:12","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3556"},"modified":"2016-04-25T13:18:17","modified_gmt":"2016-04-25T12:18:17","slug":"portugal-entre-a-censura-da-pide-e-o-trafico-de-influencias-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3556","title":{"rendered":"Portugal entre a Censura da PIDE e o Tr\u00e1fico de Influ\u00eancias de ABRIL"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">VAMOS NACIONALIZAR A REVOLU\u00c7\u00c3O PARA LIBERTARMOS A LIBERDADE ABUSADA<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito democr\u00e1tico entrou pelas portas da sacristia e da caserna; agora seria chegado o tempo de o deixar livre sem os empedernimentos factuais e ideol\u00f3gicos; precisamos de todos, da direita e da esquerda, de crentes e n\u00e3o crentes. Um Portugal adulto n\u00e3o pode manter-se em cont\u00ednuo ajustamento de contas nem num medir de for\u00e7as adolescentes numa atitude de abuso e de ilus\u00e3o do \u201ceu \u00e9 que tenho raz\u00e3o, eu \u00e9 que tenho a solu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos um pa\u00eds demasiado pequeno para podermos continuar a dividir e a combater uns aos outros. J\u00e1 Conf\u00facio constatava: <strong>&#8220;Se n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre os fundamentos, \u00e9 in\u00fatil fazer planos em conjunto&#8221; <\/strong>(1). Da\u00ed a raz\u00e3o de constituirmos, depois do Renascimento, um povo indefeso sempre \u00e0 merc\u00ea dos ventos das ideologias do tempo. Do p\u00e3o preocupa-se o estrangeiro! O p\u00e3o amanhado pelo povo n\u00e3o chega para manter os gandulos da na\u00e7\u00e3o que, como a cigarra, vivem do seu cantar e deste modo obrigam a na\u00e7\u00e3o \u00e0 eterna condi\u00e7\u00e3o de pedinte, como se constata principalmente a partir das Invas\u00f5es Francesas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai sendo tempo de se reconciliar Portugal e de se dar in\u00edcio a um discurso pol\u00edtico integral, de afirma\u00e7\u00e3o pela complementa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00f3 pela contradi\u00e7\u00e3o e difama\u00e7\u00e3o. Continuar a pol\u00edtica nas pegadas do passado seria continuar a sacrificar o destino de um povo ao desejo insaci\u00e1vel de alguns egos insatisfeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Embora a revolu\u00e7\u00e3o tenha sido feita pelos soldados n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo met\u00ea-la na caserna da esquerda <\/strong>(2);<strong> h\u00e1 que nacionalizar a revolu\u00e7\u00e3o para libertar e dignificar a liberdade abusada.<\/strong> <strong>O Regime de Abril n\u00e3o \u00e9 propriedade de ningu\u00e9m; n\u00e3o se reduz a Abril nem a Novembro; o que temos devemo-lo, primeiramente, aos soldados e a um povo habituado a apoiar e a seguir, de cabe\u00e7a baixa, quem se p\u00f5e \u00e0 sua frente.<\/strong> Temos de abandonar o h\u00e1bito de povo a viver dos ardinas da pra\u00e7a p\u00fablica, dos ardinas jacobinos que passam a vida a vender ideologias engomadas e bem penteadas para s\u00f3 eles viverem das cabe\u00e7as distra\u00eddas pelas artimanhas dos seus penteados (3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A censura do Estado novo e uma sociedade fechada tinham mantido o sistema de Salazar com todas as virtudes e defeitos que lhe eram pr\u00f3prios (4).<strong> Depois come\u00e7ou a haver brechas na Igreja e especialmente a partir do Conc\u00edlio do Vaticano II revolucionou-se o mundo; O movimento eclesial anterior ao Vaticano II (n\u00e3o notado pelo poder secular) foi decisivo no reconhecimento dos sinais dos tempos e na fomenta\u00e7\u00e3o da coragem que depois se expressou no movimento 68 e finalmente no 25 de Abril. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Actualmente o povo encontra-se desiludido e desconsolado mas n\u00e3o \u00e9 contra a democracia, \u00e9 apenas contra as casernas da ma\u00e7onaria e dos partidos.<strong> O autoritarismo, a censura e o dirigismo n\u00e3o ficaram apan\u00e1gio do Estado Novo, eles continuaram de maneira feroz mas refinada no Regime de Abril, atrav\u00e9s de um dogmatismo ideol\u00f3gico de monop\u00f3lio da verdade, de uma censura transformada em tr\u00e1fico de influ\u00eancias e da tesoura na cabe\u00e7a de muitos pensadores, jornalistas e pol\u00edticos; esta censura discreta e suave foi conseguida e inteligentemente instalada atrav\u00e9s de um dirigismo ideol\u00f3gico de uma esquerda radical infiltrada nas estruturas do Estado atrav\u00e9s dos saneamentos em todos os lugares chaves do Estado <\/strong>(5). Fomentou-se uma sociedade a viver de falsas esperan\u00e7as, uma sociedade de fanatismo informal, de saber jacobino e farisaico. Enfim, tornamo-nos numa democracia \u00e0 primeira vista, uma democracia oportunista que faz do Parlamento o lugar alto para os galos da na\u00e7\u00e3o. Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixa ningu\u00e9m acordar para o acordo do entendimento entre todos como seria de desejar! Assim Portugal \u00e9 condenado a continuar a viver, abaixo das suas possibilidades, naquela \u201capagada e vil tristeza\u201d dos vencedores encantonados em moralismos sem raz\u00e3o. Assim, <strong>a elite de Abril tirou a inoc\u00eancia e a alegria \u00e0 na\u00e7\u00e3o; j\u00e1 ningu\u00e9m tem vontade de cair no engodo do cantar: \u201csomos livres\u201d<\/strong><strong>!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O factor seguran\u00e7a e a mentalidade de se &#8220;ter o rei na barriga&#8221;, tanto no velho como no novo regime, estabelecem a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a de uns e de outros, sendo estes os factores do eterno adiamento de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resta a todos libertar a liberdade da velha censura da PIDE e da nova censura do Tr\u00e1fico de Influ\u00eancias do\u00a0 ABRIL. Este ser\u00e1 o caminho para nacionalizarmos a revolu\u00e7\u00e3o e assim libertarmos e dignificarmos a liberdade abusada.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pegadas do Tempo<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">\n<h5>1- O nosso actual \u201cgoverno geringon\u00e7a\u201d \u00e9 a melhor prova de abuso e oportunismo ideol\u00f3gico a ditar leis \u00e0s costas do povo \u2013 sem pr\u00e9-an\u00fancio program\u00e1tico nem discuss\u00e3o p\u00fablica &#8211; enfim, um governo a actuar pela calada da noite num povo sem telhado nacional!<\/h5>\n<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\n<h5>2- Ramalho Eanes foi a personalidade chave da revolu\u00e7\u00e3o; ele dirigiu o 25 de Novembro.<\/h5>\n<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\n<h5>3- Os pensionistas e os funcion\u00e1rios do estado representam 80% da despesa do Estado! A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o obedece a uma pol\u00edtica elaborada. Era fruto de ideologias encabe\u00e7adas por pessoas como Otelo (Brigadas Revolucion\u00e1rias) e por pessoas do PCP. \u00c1lvaro Cunhal aterrou ent\u00e3o em Lisboa com orienta\u00e7\u00f5es de Moscovo e M\u00e1rio Soares de Fran\u00e7a com orienta\u00e7\u00f5es do Ocidente.<\/h5>\n<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\n<h5>4- Abrilistas recalcados esquecem que Marcelo Caetano j\u00e1 tinha iniciado uma pol\u00edtica aberta que conduziria ao desenvolvimento que outras na\u00e7\u00f5es europeias depois tamb\u00e9m conseguiram sem a necessidade de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d nem a consequente subordina\u00e7\u00e3o a ideologias que vivem da divis\u00e3o do povo e da raz\u00e3o, atando-os a uma a uma s\u00f3 l\u00f3gica enganadora.<\/h5>\n<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\n<h5>5- Tamb\u00e9m por isso os festejos do 25 de Abril se tornaram rituais institucionais que se celebram a si mesmos \u00e0 margem da realidade da na\u00e7\u00e3o. Festeja-se Abril nas costas de 10 mil combatentes mortos no \u201cultramar\u201d e de quase um milh\u00e3o de retornados explorados e injuriados e de povos das col\u00f3nias abandonados \u00e0 f\u00faria de algumas for\u00e7as revolucionadas. N\u00e3o se trata de querermos um revisionismo hist\u00f3rico mas de que Portugal encare a realidade de olhos abertos para integrar no seu ide\u00e1rio sucessos e fracassos.<\/h5>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 VAMOS NACIONALIZAR A REVOLU\u00c7\u00c3O PARA LIBERTARMOS A LIBERDADE ABUSADA \u00a0 Por Ant\u00f3nio Justo O Esp\u00edrito democr\u00e1tico entrou pelas portas da sacristia e da caserna; agora seria chegado o tempo de o deixar livre sem os empedernimentos factuais e ideol\u00f3gicos; precisamos de todos, da direita e da esquerda, de crentes e n\u00e3o crentes. 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