{"id":3547,"date":"2016-04-20T11:03:55","date_gmt":"2016-04-20T10:03:55","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3547"},"modified":"2016-04-20T14:27:57","modified_gmt":"2016-04-20T13:27:57","slug":"miguel-de-cervantes-no-seu-4-centenario-um-crente-da-fantasia-que-inverte-a-figura-do-heroi-no-romance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3547","title":{"rendered":"MIGUEL DE CERVANTES NO SEU 4\u00b0 CENTEN\u00c1RIO \u2013 UM CRENTE DA FANTASIA QUE INVERTE A FIGURA DO HER\u00d3I NO ROMANCE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Dom Quixote (idealista) e Sancho Pan\u00e7a (realista) tornam-se Arqu\u00e9tipos do Homem e da Sociedade a Caminho de si mesmos<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miguel de Cervantes morreu h\u00e1 400 anos no dia 23.04.1616 (1). Publicou, em 1605, o romance \u201cDom Quixote da Mancha\u201d com 640 p\u00e1ginas e em 1615 a sua continua\u00e7\u00e3o (2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cervantes, com o \u201cDom Quixote\u201d, criou o melhor romance de todos os tempos. A sua luta contra os moinhos de vento inclui uma miss\u00e3o de resgate do mundo, criando um novo tipo de her\u00f3i (her\u00f3i \u00e9 o que perde, o fracassado a viver \u00e0 margem de uma realidade que, para o ser verdadeiramente, inclui o ideal) que, no seguimento do Crucificado, passa a inspirar tamb\u00e9m outros g\u00e9neros da arte. O escritor Cervantes compreendeu bem a mensagem crist\u00e3 ao fazer do derrotado o her\u00f3i num mundo de alucinados de um combate em torno do poder e do sucesso. <strong>Acaba com a primariedade de uma vis\u00e3o que fazia do her\u00f3i um protagonista infal\u00edvel. <\/strong>Com Dom Quixote, Cervantes inicia assim uma nova forma de fazer romances ao inverter-lhe os termos. O fidalgo Dom Quixote afronta o esc\u00e1rnio e o rid\u00edculo de sociedades renitentes incapazes de compreenderem o seu ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados quatro s\u00e9culos, a obra continua a ser o testemunho de um idealismo perene que n\u00e3o se deixa apagar pela sombra da Hist\u00f3ria. Ontem como hoje constata-se a mesma queixa de Cervantes: uma sociedade perdida no dinheiro e no mercantilismo de interesses e de arbitrariedades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Opta pela vida de cavaleiro andante, movido pela cren\u00e7a num mundo caldeado de fantasia criativa e de abertura ao diferente.<strong> Recalca a outra parte de si (o companheiro Sancho Pan\u00e7a) para afirmar a sua parte mais nobre (o Dom Quixote) e assim fugir \u00e0 banalidade do factual habitual. Dom Quixote sobrevive ao tempo por ter um ideal, uma vontade e uma miss\u00e3o envolventes.<\/strong> Deste modo sobrevive a todos os que se amarram na defesa de interesses pr\u00f3prios (dinheiro e sucesso) e por isso n\u00e3o passam de meros sucessores da lista da hist\u00f3ria numa tarefa de adiadores e enegrecedores do horizonte social.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O autor que n\u00e3o se contenta com a leitura\/feitura de romances numa vida desafogada<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cervantes nasceu em 1547 nas redondezas de Madrid; estudou teologia na universidade de Salamanca e na idade de 22 anos torna-se servi\u00e7al do Cardeal Giulio Aquaviva. Pouco tempo depois abandona Roma para seguir a voz da aventura, distinguindo-se como soldado na defesa da cristandade contra o poder mu\u00e7ulmano. Depois da batalha naval de Levanto, com a m\u00e3o mutilada, inicia o regresso a Espanha; com o romance pronto a ser publicado, foi aprisionado por cors\u00e1rios argelinos e depois j\u00e1 em fuga oferece-se como fiel penhor dos companheiros. O governador de Oran condenou o poeta a duas mil chicotadas; Cervantes volta a fugir sendo depois resgatado por monges com os 300 ducados dados em resgate pela m\u00e3e e a irm\u00e3; finalmente volta a Espanha depois de 5 anos de escravid\u00e3o e pris\u00e3o. Depois combateu ainda como soldado em Portugal (o Prior do Crato oferecera resist\u00eancia a Filipe II de Espanha!). Cervantes regressa depois a Espanha continuando a ser malfadado pela sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cervantes, como a sua figura Dom Quixote, combate contra moinhos de vento. Isto n\u00e3o \u00e9 apenas uma mania sua porque ele estar\u00e1 consciente que os gigantes que combate fazem parte de uma realidade feita de factual e fantasia, n\u00e3o hesitando em deixar-nos hesitantes da realidade da sua cren\u00e7a: se o real do factual se o real da fantasia. A vida \u00e9 feita de mist\u00e9rio e como tal fermentada pela fantasia num moer de moinhos e vento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cervantes criou magistralmente os arqu\u00e9tipos Sancho Pan\u00e7a \u2013 o realista com os p\u00e9s bem assentes na terra- e Dom Quixote &#8211; o idealista que quer antecipar o futuro (num presente a fazer-se de passado e futuro). S\u00e3o dois polos de uma din\u00e2mica de que \u00e9 feita a vida. Cervantes d\u00e1 prefer\u00eancia \u00e0 fantasia na figura do fidalgo Dom Quixote (que no cavalo segue a aventura) ao colocar como servidor deste o fiel escudeiro Sancho Pan\u00e7a (realista e pragm\u00e1tico que, seguindo em cima do seu burro, n\u00e3o compreende idealismos nem teorias que complicam). Sancho Pan\u00e7a revela-se bom conselheiro mas s\u00f3 segue o caminho na esperan\u00e7a de alguma promessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A caminho de si mesmo<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminheiro, se observa bem as caminhadas da natura e da cultura, encontra-se a si mesmo em percursos de vidas, todas elas a jorrar na procura da mesma meta; o caminheiro redescobre-se ent\u00e3o em novos panoramas de alma que se abrem nos ecos do mesmo sil\u00eancio que bate e o acompanha nas pegadas do cora\u00e7\u00e3o; neste peregrinar chegamos assim \u00e0 viv\u00eancia do ritmo universal de uma inspira\u00e7\u00e3o e expira\u00e7\u00e3o que ilustra e inspira novas orienta\u00e7\u00f5es e novos caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dom Quixote (idealista) e Sancho Pan\u00e7a (realista) s\u00e3o paradigmas do Homem a caminho de si mesmo. (Em termos da met\u00e1fora crist\u00e3 dir-se-ia que estes modelos do mesmo ser se realizam no caminho e na meta JC, o prot\u00f3tipo do caminhar num processo de reuni\u00e3o de todo o ser e na uni\u00e3o de todas as paisagens materiais e imateriais numa mesma exist\u00eancia).<\/p>\n<p>\u00a0<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3547<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1)\u00a0 No mesmo dia fenece tamb\u00e9m um outro grande luzeiro da literatura mundial: Shakespeare o maior dramaturgo da humanidade. Este \u00e9 lembrado por todos no seu mote \u201cSer ou n\u00e3o ser, esta \u00e9 a quest\u00e3o\u201d onde se reconhece a pergunta que ultrapassa a quest\u00e3o da vida e da morte e reconhece a exist\u00eancia como feita de bem e de mal, de intrigas e confus\u00f5es amorosas, de gan\u00e2ncia e desespero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(2)\u00a0 A vida e a obra de Cervantes t\u00eam ressaibos da odisseia de Ulisses. Personalidades como Cam\u00f5es, Shakespeare e Cervantes marcam e perpetuam o Renascimento!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Quixote (idealista) e Sancho Pan\u00e7a (realista) tornam-se Arqu\u00e9tipos do Homem e da Sociedade a Caminho de si mesmos Por Ant\u00f3nio Justo Miguel de Cervantes morreu h\u00e1 400 anos no dia 23.04.1616 (1). Publicou, em 1605, o romance \u201cDom Quixote da Mancha\u201d com 640 p\u00e1ginas e em 1615 a sua continua\u00e7\u00e3o (2). 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