{"id":3544,"date":"2016-04-14T20:22:04","date_gmt":"2016-04-14T19:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3544"},"modified":"2016-04-14T20:25:13","modified_gmt":"2016-04-14T19:25:13","slug":"a-elite-de-abril-atraicoou-o-ideario-universal-portugues-em-nome-da-liberdade-e-do-progresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3544","title":{"rendered":"A ELITE DE ABRIL ATRAI\u00c7OOU O IDE\u00c1RIO UNIVERSAL PORTUGU\u00caS EM NOME DA LIBERDADE E DO PROGRESSO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O Jacinto de \u201cA Cidade e as Serras\u201d \u00e9 o Prot\u00f3tipo do Portugu\u00eas moderno aut\u00eantico<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Por<strong> Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E\u00e7a de Queir\u00f3s, no romance \u201cA Cidade e as Serras\u201d, revive o esp\u00edrito luso, ao incarnar-se no seu protagonista Jacinto e defender a reconstru\u00e7\u00e3o de uma sociedade tipicamente portuguesa que acompanhe a civiliza\u00e7\u00e3o mas sem se corromper.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacinto que levava uma vida afrancesada, progressista e artificial transforma-se no s\u00edmbolo do verdadeiro portugu\u00eas, de autoconsci\u00eancia madura, que integra na natura e na cultura, de maneira criativa, as novidades da civiliza\u00e7\u00e3o sem destruir a pr\u00f3pria cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra \u201cCidade e as Serras\u201d consegue idealmente integrar e reconciliar Portugal e nele, reconcilia o exterior com o interior, irmana a tradi\u00e7\u00e3o com o progresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nossas elites de Abril, \u201cafrancesadas\u201d e \u201csovietizadas\u201d, ainda se encontram na fase de Paris, vendendo a alma portuguesa aos dem\u00f3nios socialista e capitalista, mercantilizando o povo e o esp\u00edrito da sua vida; vivem ainda unilateralmente nos andares da raz\u00e3o do artif\u00edcio (polar dial\u00e9tico) sem se preocuparem pela integra\u00e7\u00e3o de raz\u00e3o e cora\u00e7\u00e3o (corpo e alma); aquele modo de estar tem-nos levado \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da desconcilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o do cultural e natural num movimento de entropia contrariador do esp\u00edrito luso de inclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A elite p\u00f3s-25 de Abril, ao contr\u00e1rio do personagem do romance, Jacinto, iniciou uma viagem j\u00e1 n\u00e3o de Paris para Portugal mas de Portugal (natureza) para as cidades da ideologia sem regressar nem capacidade para renovar Portugal porque apenas lhe oferece os enlatados estranhos que, a n\u00edvel cultural, n\u00e3o produzem humos aliment\u00edcios que alimentem a terra mas apenas entulheiras de enlatados amontoados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cParis\u201d \u00e9 a ideologia, \u00e9 moda que passa em gestos de dan\u00e7arinos p\u00fablicos, \u00e9 esp\u00edrito que corrompe, se n\u00e3o regressa \u00e0 frescura e inoc\u00eancia da natureza campestre (o nosso Portugal, que integrou nele o mundo todo n\u00e3o se deixando cativar pelos cantos de sereias nem perder nos extravios de uma Europa decadente porque envelhecida). Enquanto Jacinto moderniza as serras e se junta ao povo, a nossa elite de Abril destr\u00f3i as serras e desertifica as aldeias; em vez de se casar com a prov\u00edncia (Joaninha) prostituem-na com a falsidade e a corrup\u00e7\u00e3o de citadinos degenerados e malabaristas sem consci\u00eancia; em vez de se tornarem no pai dos pobres, tal como fez Jacinto, desprezam e negligenciam o povo e os seus costumes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ideal de Jacinto de Tormes deveria consistir em reconciliar a cidade com o campo (a tradi\u00e7\u00e3o com o progresso) promovendo uma condi\u00e7\u00e3o digna tamb\u00e9m para o povo de baixo. As nossas elites atrai\u00e7oaram os ideais de Portugal; Jacinto de Tormes \u00e9 o prot\u00f3tipo do portugu\u00eas aut\u00eantico, o contr\u00e1rio da nossa elite que figura no palco da na\u00e7\u00e3o, uma elite desenraizada sempre atarefada a correr atr\u00e1s da moda e de olhos fixos no que faz e diz o estrangeiro como se as modernices n\u00e3o fossem apenas fulgores passageiras condenadas a tornar-se velhices. A situa\u00e7\u00e3o actual, analisada sob a perspectiva caracter\u00edstica da identidade portuguesa descrita no romance \u201cA Cidade e as Serras\u201d, tornou-se mais numa trag\u00e9dia que num romance\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resta-nos agir e esperar que a nossa elite progrida e se desenvolva tal como aconteceu com E\u00e7a de Queir\u00f3s, primeiramente iludido e seguidor incondicional do progresso e depois, mitigado pela naturalidade humana do povo e da natureza, se tornou num grande portugu\u00eas como se retrata e descreve no Jacinto, e no grande romance \u201cA Cidade e as Serras\u201d. (Este romance, que revela ainda o g\u00e9nio de Portugal e n\u00e3o as suas ideologias, deveria ser leitura obrigat\u00f3ria para todo o aluno).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de vendermos a nossa alma ao passado nem ao futuro mas de sermos sempre n\u00f3s, sempre em processo a tornar-nos n\u00f3s mesmos, na concretiza\u00e7\u00e3o do presente: um agora feito de passado e futuro. Assim realizaremos a intercomunica\u00e7\u00e3o da alma tipicamente portuguesa expressa na saudade, onde ressoa o divino e o humano, a natureza, o tempo e a eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m E\u00e7a, tal como Jacinto, se deu ao luxo de uma vida desregrada em Paris mas amadureceu deixando de ser um eterno adolescente para voltar, tal como o filho pr\u00f3digo, \u00e0 casa paterna, \u00e0 natureza bem portuguesa das terras do Douro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou a hora de a nossa elite p\u00f4r de lado o cinismo e a vida ir\u00f3nica e dupla e seguir o exemplo de E\u00e7a no seu Jacinto para se reconciliar com o povo, com a natura e com a cultura genuinamente portuguesa: uma natureza aberta ao mar que \u00e9 parte do seu corpo a abra\u00e7ar o mundo, uma cultura inclusiva e universal que v\u00ea e sente o mundo e a humanidade a partir de dentro porque o g\u00e9nio sinceramente portugu\u00eas \u00e9 feito de terra mar e c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, seria catastr\u00f3fico, continuarmos a agir apenas em nome da gan\u00e2ncia e do progresso atrai\u00e7oando assim o ideal portugu\u00eas de ideais \u00e9ticos e de inclus\u00e3o numa consci\u00eancia humilde de complementaridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou o tempo de parar para reflectir e sentir o mundo nas pegadas de um Afonso Henriques, de um D. Dinis, de um Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, de um infante D. Henrique, de um Vasco da Gama, de um Cam\u00f5es, de um Ant\u00f3nio Vieira, de um Feranando Pessoa e de tantas e variadas personalidades portuguesas que se sentiam na miss\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o de se realizarem, cumprindo Portugal sem que este abandonasse o seu papel de pioneiro na realiza\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>www.antonio-justo.eu<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Jacinto de \u201cA Cidade e as Serras\u201d \u00e9 o Prot\u00f3tipo do Portugu\u00eas moderno aut\u00eantico Por Ant\u00f3nio Justo \u00a0 E\u00e7a de Queir\u00f3s, no romance \u201cA Cidade e as Serras\u201d, revive o esp\u00edrito luso, ao incarnar-se no seu protagonista Jacinto e defender a reconstru\u00e7\u00e3o de uma sociedade tipicamente portuguesa que acompanhe a civiliza\u00e7\u00e3o mas sem se &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3544\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A ELITE DE ABRIL ATRAI\u00c7OOU O IDE\u00c1RIO UNIVERSAL PORTUGU\u00caS EM NOME DA LIBERDADE E DO PROGRESSO<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,4,5,7,8],"tags":[],"class_list":["post-3544","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-educacao","category-escola","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3544"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3544\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3546,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3544\/revisions\/3546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}