{"id":3531,"date":"2016-03-19T20:29:51","date_gmt":"2016-03-19T19:29:51","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3531"},"modified":"2016-03-20T11:31:12","modified_gmt":"2016-03-20T10:31:12","slug":"via-crucis-o-caminhar-da-pessoa-consciente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3531","title":{"rendered":"VIA CRUCIS \u2013 O CAMINHAR DE PESSOA CONSCIENTE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O Homem sofre devido \u00e0 sua pr\u00f3pria imagem e \u00e0s ideias que o prendem<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, no seu caminhar, revela-se n\u00e3o s\u00f3 como m\u00e9dio (uni\u00e3o com Deus) mas tamb\u00e9m como mensagem (caminho, verdade e vida). <strong>O segredo da via crucis est\u00e1 em superar a dor sem a transmitir a outros, uma via sem a necessidade de bodes expiat\u00f3rios, uma exist\u00eancia como processo de transcend\u00eancia e inclus\u00e3o.<\/strong> Deste modo Jesus quebrou com a pr\u00e1tica comum da cadeia da viol\u00eancia. Com o exemplo do calv\u00e1rio inicia-se assim uma nova idade, a idade da paz. Esta perdeu-se, muit\u00edssimas vezes, pelo caminho encontrando-se soterrada sob a folhagem da hist\u00f3ria. As estruturas do poder realizaram por\u00e9m uma regress\u00e3o \u00e0 maneira antiga do exerc\u00edcio do poder como viol\u00eancia e a repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nele encontra-se um modelo de vida para l\u00e1 dos habituais dualismos, racionalismos ou morais; a dimens\u00e3o da sua actividade n\u00e3o se perde nos meandros de explica\u00e7\u00f5es porque a dimens\u00e3o da sua actividade \u00e9 a f\u00e9, a rela\u00e7\u00e3o interpessoal, a rela\u00e7\u00e3o m\u00edstica, a \u00fanica que implica transforma\u00e7\u00e3o profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus mostrou a absurdidade de a imagem de um Deus vingativo, violento e mesquinho, que a sociedade civil e religiosa usa muitas vezes para melhor legitimar o seu poder e a sua viol\u00eancia. Deus n\u00e3o precisa de v\u00edtimas nem de sacrif\u00edcio. Jesus ao assumir a qualidade de v\u00edtima desmascara a viol\u00eancia e torna sup\u00e9rfluo o recurso \u00e0 v\u00edtima que amarra a alma humana quando Jesus lhe deu asas para voar. Nele se revela a possibilidade de nos mudarmos. <strong>Em Jesus Cristo, Deus revela-se o misericordioso que deslegitima qualquer viol\u00eancia <\/strong>(Mt 9,13; 1Cor13,3.13); o JC, ao assumir o ser de v\u00edtima, acabou com todos os sacrif\u00edcios e questionou a realidade do dia-a-dia baseada numa mentalidade que se movimenta entre o crime e o castigo, o criminoso e a v\u00edtima. <strong>Jesus acaba com a viol\u00eancia como meio de resolver os problemas; revela a fragilidade e maldade de uma vida e de um poder baseados numa mentalidade dual-polar legalista (que menoriza a realidade a: de um lado o bem e do outro o mal!).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa vis\u00e3o, verdadeiramente crist\u00e3, a realidade n\u00e3o \u00e9 bipolar; ela implica uma terceira dimens\u00e3o integrante inclusiva e integrante da vida na f\u00f3rmula trinit\u00e1ria. \u00c0 dimens\u00e3o polar acrescenta-se uma outra dimens\u00e3o: a dimens\u00e3o da liberdade, da gra\u00e7a e do amor: o contr\u00e1rio da polaridade da obedi\u00eancia, do esp\u00edrito legalista e justiceiro. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No JC todas as contas est\u00e3o saldadas e em vez da teoria ou da moral inicia-se um novo reino que \u00e9 encontro, rela\u00e7\u00e3o directa com Deus (o tal Reino de Deus). O caminho do calv\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o largo que leva nele vencedores e vencidos, maiores ou menores pecadores, acabando com a concorr\u00eancia e com o pr\u00e9mio e o castigo; <strong>a cruz s\u00f3 conhece vencedores porque a sua for\u00e7a impulsionadora \u00e9 a miseric\u00f3rdia e o amor. A<\/strong> via-sacra (caminho da cruz) acaba com o ciclo circulat\u00f3rio da viol\u00eancia (poder) e da repress\u00e3o (Rom 12,21), supera tamb\u00e9m uma vis\u00e3o intelectualista redutora da vida. J\u00e1 Plat\u00e3o dizia: &#8220;Podemos facilmente perdoar uma crian\u00e7a que tem medo do escuro; a real trag\u00e9dia da vida \u00e9 quando os homens t\u00eam medo da luz.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sofrimento assumido torna-se no m\u00e9todo alternativo, o \u00fanico capaz de fomentar sa\u00fade e salva\u00e7\u00e3o, o \u00fanico capaz de libertar do sofrimento provindo das pr\u00f3prias imagens.<\/strong> <strong>O caminho da cruz \u00e9 um outro modo de perceber as coisas, uma solidariedade sem limites nem extremos e, como tal, n\u00e3o responde a um mal com outro mal;<\/strong> de facto tamb\u00e9m o mau \u00e9 v\u00edtima do mal. A via crucis \u00e9 a alternativa \u00e0 hist\u00f3ria humana em que a viol\u00eancia se alterna em nome de ideais e a pretexto da revolu\u00e7\u00e3o. O \u00fanico verdadeiro revolucion\u00e1rio da Hist\u00f3ria \u00e9 Jesus mas a sua revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 se encontra activa em diferentes bi\u00f3topos sociais que integram a doutrina com a m\u00edstica (conventos, crentes e grupos que procuram concretizar na sua vida a realidade do JC).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">VIA SACRA<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na seguinte texto vou reflectir um pouco no sentido da espiritualidade da via crucis. Inicialmente meditava-se sobre as 8 esta\u00e7\u00f5es do calv\u00e1rio referidas nos evangelhos; posteriormente mais ampliadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semana santa, tal como a cruz do calv\u00e1rio s\u00e3o vias de espiritualidade. Na observa\u00e7\u00e3o da cruz n\u00e3o se trata de fomentar um sentimento masoquista mas de se descobrir o Cristo que \u00e9 salva\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o da vida alegre, independentemente do caminho-cruz. Jesus \u00e9 o companheiro de vida que ajuda a integrar os opostos e as incongru\u00eancias no de correr da vida.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus \u00e9 condenado \u00e0 morte<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ser condenado \u00e0 morte, Jesus n\u00e3o abre a boca; ele sabe que perante quem se arma em juiz n\u00e3o h\u00e1 argumento profundo porque o juiz segue uma vis\u00e3o dual\u00edstica que n\u00e3o permite um di\u00e1logo ao n\u00edvel de sujeito para sujeito (de caracter inclusivo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em todo o interrogat\u00f3rio das autoridades romanas e do sin\u00e9drio Jesus apenas responde a Pilatos dizendo que \u00e9 o \u201etestemunho da verdade\u201d). Pilatos pergunta \u201co que \u00e9 a verdade?\u201d. Jesus n\u00e3o responde certamente porque sabia que Pilatos, n\u00e3o entenderia uma resposta que desse porque s\u00f3 a equacionaria no sentido do discurso de direito<\/strong> (racional, na tradicional mentalidade exclusiva do ou\u2026 ou); este discurso n\u00e3o conhece pessoas nem rela\u00e7\u00e3o, apenas conhecem objectos e interesses, pr\u00e9mio ou castigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus dos interesses que se juntam em torno dos ju\u00edzes, do direito da pol\u00edtica e da religi\u00e3o, muitas vezes \u00e0 custa da rela\u00e7\u00e3o humana e de uma verdade mais profunda. <strong>A verdade \u00e9 processo e, a n\u00edvel real-m\u00edstico, s\u00f3 se encontra na rela\u00e7\u00e3o pessoal, na inter-rela\u00e7\u00e3o do eu e do tu com o n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho do calv\u00e1rio \u00e9 a resposta do sil\u00eancio a uma sociedade empedernida, incapaz de compreender o que \u00e9 a Verdade dado esta ser rela\u00e7\u00e3o e nunca uma abstrac\u00e7\u00e3o intelectual a servi\u00e7o deste ou daquele poder<strong>. Por tudo isto Jesus emudeceu! S\u00f3 tinha a hip\u00f3tese de calar<\/strong>, mesmo perante a boa vontade de Pilatos que perguntava num cen\u00e1rio de mentalidade dualista do poder, a mentalidade ordin\u00e1ria do dia-a-dia; uma resposta a n\u00edvel de justi\u00e7a s\u00f3 poderia contribuir para o barulho e confus\u00e3o de que a lei vive.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus toma a cruz aos ombros<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do encontro com as autoridades Jesus pegou na cruz aos ombros, n\u00e3o uma cruz culpabilizante nem justificadora; era a cruz da vida e dos males acumulados pela hist\u00f3ria da vida\u2026. <strong>Foi ent\u00e3o desprezado pela multid\u00e3o do povo, porque tamb\u00e9m este s\u00f3 repete o que os chefes pensam, dizem e mandam\u2026 <\/strong>O povo fraco, geralmente coloca-se ao lado dos fortes, numa reac\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria da pr\u00f3pria impot\u00eancia. Mas Jesus n\u00e3o vinha para os fortes da sociedade nem para os que tinham adquirido o m\u00e9rito de bons \u00e0 custa da objectiva\u00e7\u00e3o do que \u00e9 sujeito, do inobjectiv\u00e1vel\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dirigentes e o povo n\u00e3o aceitam reconhecer em Jesus as pr\u00f3prias feridas porque inconscientemente sabem que se tivessem a nobreza de alma de Jesus teriam de questionar a vida leviana a que foram acostumados e em que investiram\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os soldados vendam-lhe o rosto, para lhe poderem bater; est\u00e3o habituados a n\u00e3o encarar a vida de rosto no rosto; contentam-se com viver uma vida em segunda m\u00e3o, uma vida de outros que \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da vida. Jesus, na tradi\u00e7\u00e3o do servo de Deus (Is 53,33 s) suporta os pecados dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o o querem na cidade, querem-no extramuros; numa reac\u00e7\u00e3o inconsciente querem-no nos caminhos fora dela onde se encontram os exclu\u00eddos da sociedade (esquecem por\u00e9m que l\u00e1 \u00e9 que se encontra Deus a incluir toda a humanidade). Ao coloc\u00e1-lo fora dos muros fizeram inconscientemente como manda o dia-a-dia da normalidade\u2026 Carregam-no com as traves (uma s\u00edmbolo da horizontalidade a outra da verticalidade; Jesus leva o mundo \u00e0s costas no que ele tem de pesado; transporta o peso da pr\u00f3pria cruz n\u00e3o o deixando para os outros; com uma consci\u00eancia superior assume tamb\u00e9m os males dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Querem-no fora porque, no seu entendimento, um messias teria de andar pelos seus caminhos e seguir a obriga\u00e7\u00e3o de perfeccionismos e de virtude passadas a ferro pela sociedade, teria de seguir a ordem social e familiar como qualquer outro\u2026 Nem t\u00e3o-pouco os amigos aguentam a realidade de um homem adulto que encara a vida de frente sem culpar ningu\u00e9m. Eles querem Deus, \u00e0 sua maneira, pelo que Jesus ter\u00e1 de ir morrer como o enforcado fora do povoado e, longe dos homens e de Deus; Jesus por\u00e9m segue o caminho sempre em frente em sil\u00eancio; ele sabe que na mentalidade do povo um condenado pela lei \u00e9 considerado um amaldi\u00e7oado de Deus (Dtn 21,23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus permite tudo isto porque assim mostra que uma vida vivida s\u00f3 orientada pela lei \u00e9 destrutiva, individual e institucionalmente\u2026 Jesus encontrava-se repleto de Deus e mostrava, no seu andar, qu\u00e3o diferentes s\u00e3o os caminhos da Verdade em compara\u00e7\u00e3o com os caminhos da normalidade de povo, governantes, religiosos e pol\u00edticos. Como se mant\u00eam prisioneiros de uma vis\u00e3o dualista da vida pensam que Deus se vingou em Jesus como se Ele fora um amaldi\u00e7oado de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o, aqui n\u00e3o se trata de castigo; aqui est\u00e1 em jogo o assumir de uma nova consci\u00eancia, de uma nova maneira de ser e estar no mundo que integra o mundo todo em si. No calv\u00e1rio n\u00e3o se trata de realizar uma pena devida \u00e0 humanidade; Deus n\u00e3o \u00e9 nenhum justiceiro como o quereria a mentalidade dualista e instrumentalizadora de quem nos governa. Deus n\u00e3o precisa de resgate\u2026 Ele caminha connosco, contigo e comigo, de maneira inclusiva e amorosa, assumindo tamb\u00e9m o sofrimento, numa reac\u00e7\u00e3o positiva \u00e0 vida.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus cai sob o peso da cruz<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m podia entender o n\u00facleo da sua boa nova onde n\u00e3o h\u00e1 as institui\u00e7\u00f5es da viol\u00eancia e da repress\u00e3o. Jesus tinha ferido profundamente a religiosidade popular e institucional do povo ao criticar a institui\u00e7\u00e3o e as pr\u00e1ticas religiosas e ao afirmar a Boa-nova da alegria que n\u00e3o culpabiliza ningu\u00e9m e deste modo desmascara os c\u00e3es de guarda de Deus e do Estado. A cren\u00e7a e a lei constitu\u00edam elementos impeditivos de uma rela\u00e7\u00e3o mais directa com Deus e com o povo. O JC anuncia uma metanoia para a liberdade e insujei\u00e7\u00e3o mostrando com a sua vida o pre\u00e7o da liberdade. As institui\u00e7\u00f5es querem, muitas vezes, um Deus grande, um Estado grande \u00e0 custa da humanidade e do povo; Jesus cristo convida a n\u00e3o nos orientarmos tanto por regras e moralismos mas para atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o com o interior divino\u2026 Jesus traz uma mensagem de alegria e n\u00e3o de tristeza. Ele quer as pessoas libertas do jugo do medo, por isso apela \u00e0 mudan\u00e7a porque toda a vida \u00e9 processo e transforma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o algo meramente est\u00e1tico fixado em lei ou normas que nos distraem do essencial: a rela\u00e7\u00e3o pessoal e interpessoal. Jesus acaba com o pensamento em branco e preto, em termo de certo ou de errado; para Ele basta a f\u00e9, a experi\u00eancia de amor que salva (Mc 5,13).<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> O encontro de Jesus com Maria<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e l\u00e1 est\u00e1, bem \u00e0 margem do caminho, sofrendo no sil\u00eancio o mau caminho do seu povo. A m\u00e3e pensa como o filho e sente como m\u00e3e, por isso n\u00e3o fala, fica em sil\u00eancio (H\u00e1 momentos em que s\u00f3 o sil\u00eancio pode falar, a conversa torna-se em barulho de altifalantes pensantes ensurdecedores: um falar para n\u00e3o ouvir a voz do cora\u00e7\u00e3o, o outro a falar em n\u00f3s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o s\u00e3o homens que batem, s\u00e3o as fardas dos soldados que chicoteiam o inocente em nome da ordem e da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro de Maria realiza-se, sem falas, de cora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o numa troca de olhares porque a verdadeira vida n\u00e3o \u00e9 experiment\u00e1vel no mundo das ideias e das palavras. No brilhar das l\u00e1grimas dolorosos que saem do encontro de seus olhos sai uma luz, uma experi\u00eancia diferente da vida ordenada e secular. Naquele olhar brilha o dia de P\u00e1scoa, aquele Dia em que \u00e9 sempre dia sem adormecer e em que a dor n\u00e3o estorva. No encontro verdadeiro n\u00e3o h\u00e1 palavras porque estas s\u00f3 distraem da profunda viv\u00eancia que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel no encontro de rosto com rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para chegar \u00e0 luz da experi\u00eancia daquele encontro houve o caminho solit\u00e1rio no sil\u00eancio da dor que liberta; no mesmo caminho da f\u00e9 se encontram m\u00e3e e filho na consci\u00eancia de que o caminho da f\u00e9 \u00e9 diferente porque leva ao encontro que chega at\u00e9 a abstrair da raz\u00e3o para chegar a \u201ccompreender\u201d numa viv\u00eancia de que tudo se encontra unido e n\u00e3o separado. No momento do encontro a m\u00e3e percebeu a dureza das palavras que o filho lhe dissera quando a evitou (colocando a coisa de Deus acima das coisas familiares e lhe disse \u201cn\u00e3o sabias que me devo ocupar das coisas de meu Pai?\u201d Lc 2,49 s); naquela trocar de olhares de m\u00e3e e filho a m\u00e3e compreendeu novamente que o caminho de Deus n\u00e3o contempla a amarra de la\u00e7os sangu\u00edneos; no encontro Maria viu que seu filho sempre teve raz\u00e3o, porque empenhado na liberta\u00e7\u00e3o das pessoas olhando cada uma de olhos nos olhos, n\u00e3o se podendo por isso deixar perder em nenhuma delas, por mais am\u00e1vel que fosse; no encontro de olhos nos olhos ateia-se um novo fogo, o fogo do amor que torna tudo presen\u00e7a. Naquele encontro se realiza a metanoia (para l\u00e1 do pensamento) que exige um repensar da normalidade que nos prende e cativa; neste olhar se realiza a maternidade de uma m\u00e3e que se alegra nos crentes e incr\u00e9dulos. No encontro d\u00e1-se uma fecunda\u00e7\u00e3o que gera nova realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Sim\u00e3o de Cirene ajuda Jesus a levar a cruz<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os soldados t\u00eam pressa e colocam a cruz aos ombros de um homem de fora, um homem da margem que viu pela primeira vez Jesus. Um homem de fora, que se encontrava ali por curiosidade, ajuda Jesus a transportar a cruz (Lc 23,26). Que ter\u00e1 levado Sim\u00e3o a observar a via crucis de Jesus? Ele sentiu-se levado por aquela for\u00e7a que nos leva a assistir quem precisa no momento oportuno. Sim\u00e3o s\u00e3o muitos, s\u00e3o a multid\u00e3o que ajuda de fora sem perceber o que realmente est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Ver\u00f3nica chega a Jesus o sud\u00e1rio para limpar o rosto<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ver\u00f3nica, numa reac\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, limpou o suor do rosta de Jesus, como refere a legenda do s\u00e9c. 12<strong>. Ver\u00f3nica aquela mulher j\u00e1 preparada pela vida para a encarar de rosto no rosto, desejava que as dores e o suor n\u00e3o escondessem o rosto do Senhor.<\/strong> Na visibilidade do verdadeiro rosto de Jesus que se marca no len\u00e7o encontra-se a inten\u00e7\u00e3o de mostrar que, no que acontece no calv\u00e1rio, se esconde um verdadeiro rosto que \u00e9 vivo e vivificante; as pessoas n\u00e3o devem continuar do lado de c\u00e1 da vida fixadas a ver as marcas do caminho.\u2026 Jesus tem um rosto que nos olha. Na sua cara cada um de n\u00f3s tem a oportunidade de reconhecer e ganhar um rosto.<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus cai pela segunda vez<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramo-nos num mudo levedado pelo poder dualista de fariseus e Herodes que vivem de s\u00fabditos e dependentes; sistemas democr\u00e1ticos ou n\u00e3o democr\u00e1ticos tendem em manter o povo a olhar de baixo para cima e \u00e0 procura do p\u00e3o. A Tora, a lei encontra sempre um motivo para colocar algu\u00e9m debaixo da cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os amigos assistem ao acontecimento de longe. N\u00e3o querem ser identificados como seguidores de um condenado. N\u00e3o entenderam nada de Cristo, encontravam-se como que aturdidos sob as enxurradas de ideias que lhes passavam pela cabe\u00e7a. As ideias substituem o sentir e a empatia com Jesus; de Jesus tinham ouvido muita coisa que lhes ficara na cabe\u00e7a e nos l\u00e1bios mas n\u00e3o tinha passado da barreira do entendimento para o cora\u00e7\u00e3o, para ac\u00e7\u00e3o. N\u00e3o entenderam nada, ficando a girar no intelecto como o hamster a pedalar no seu criceto.<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus encontra as mulheres chorosas de Jerusal\u00e9m<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mulheres choravam como se tratasse de uma caso de luto. Jesus que bem percebia o engano das pessoas que o seguiam e que n\u00e3o entendiam realmente o que se estava a passar. Ent\u00e3o Jesus vendo que mortos choram os mortos, quebrou o sil\u00eancio e disse: \u201cFilhas de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o choreis por mim, chorai por v\u00f3s e pelos vossos filhos! &#8221; Sim, Jesus previa aqui que muitos dos seus seguidores n\u00e3o entenderam que o que estava a acontecer era vida, e que apenas conseguiam ver o que se encontra sob as mortalhas (Lc 23,27-31); Jesus pressentia que as estruturas que ele criticara e revogara continuariam a subsistir sem que as pessoas tivessem um olhar de olhos nos olhos como o de Maria e Jesus, uma experi\u00eancia viv\u00eancia que eleva o Homem para Filho de Deus; elas entendiam muito de sentimentos, ideias, de leis e moral permanecendo prisioneiras delas sem assumirem a vida divina, a vida da cruz que cada filho de Deus \u00e9 chamado a levar; n\u00e3o, os mortos s\u00e3o os que choram aquele que est\u00e1 bem vivo e aguenta com a dor sem a projectar em ningu\u00e9m. Jesus via atrav\u00e9s das l\u00e1grimas aquilo que as motivava e ao constatar a com\u00e9dia que a vida organiza n\u00e3o aguentou mais \u2026 e quebrou com o seu sil\u00eancio. As l\u00e1grimas n\u00e3o seriam em v\u00e3o se no outro dia as pessoas fossem diferentes\u2026 Jesus quebrou o sil\u00eancio ante tanta falta de entendimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus cai pela terceira vez sob o peso da cruz<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Jesus tivesse ficado na Galileia como muitos outros, como fazem aqueles que procuram o sucesso da vida, nada disto teria acontecido e o mundo continuaria na mesma, prisioneiro de ideias a viver ideais, longe da vida; se n\u00e3o tivesse levado t\u00e3o a s\u00e9rio o seu Pai, se tivesse sido mais diplom\u00e1tico e hip\u00f3crita como todos n\u00f3s, o sofrimento seria um pouco anestesiado pelo dia-a-dia. Em \u00faltima an\u00e1lise Jesus \u00e9 que foi o culpado por querer afirmar no mundo uma nova consci\u00eancia de ser humano; uma consci\u00eancia de homem livre e sem medo, liberta de opini\u00f5es e outras sujei\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 culpado por ter ousado querer fazer de cada um de n\u00f3s o caminho a verdade e a vida e n\u00e3o apenas expectadores e seguidores de seja quem for.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus superou as medidas do bom pensar e do bom sentir. \u00c9 abandonado dos homens bem pensantes que se sentem obrigados a controlar e determinar o que \u00e9 bom e o que \u00e9 mau, o que \u00e9 verdadeiro e falso. Sob a verdade destes homens sofre a Verdade que \u00e9 vida e contacto directo com Deus. (Imaginem que algu\u00e9m se distanciasse das escolas de ensino, da estruturas religiosas e pol\u00edticas, das opini\u00f5es dominantes, seria deitado ao ostracismo tal como Jesus o foi. A malta quer \u00e9 teatro para aplaudir ou condenar para seguir as pr\u00e1ticas e as regras do jogo que se destinam a manter a hipocrisia, o dom\u00ednio e as vaidades; imaginemo-nos que nos encontrar\u00edamos com Jesus de cara a cara de olhos nos olhos; isso n\u00e3o pode acontecer porque ter\u00edamos de nos tornar nus para n\u00e3o cairmos no equ\u00edvoco de pensarmos que nos encontramos com o outro quando na realidade nos encontramos com a ideia que fazemos dele, \u00a0presos que andamos nos argumentos, do c\u00e1lculo, da insensatez numa t\u00e1tica de vida a meias entre proveito e \u00e2nsia de vaidade,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendiam que Jesus deveria reagir \u00e0 sua maneira, uma maneira dial\u00e9tica e polar do que \u00e9 bom e mau pensar. De todos abandonado sem bra\u00e7os acolhedores, nem seio de m\u00e3e que o acolha fica entregue \u00e0 liberdade dos bra\u00e7os de Deus. Dois criminoso a seu lado Lc 23,32<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus \u00e9 despojado de suas vestes<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus confessa: \u201cO Filho do Homem ser\u00e1 entregue aos seres humanos\u201d. Os disc\u00edpulos n\u00e3o entendiam o significado daquelas palavras (Lc 9,44s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os soldados roubaram-lhe a roupa mas embora ladr\u00f5es, foram justos, \u00e0 maneira mundana, no repartir entre eles a roupa (Jo 19,23-24). Roubaram-lhe a dignidade humana, a \u00e9tica e agora fazem neg\u00f3cio com os seus restos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus foi pregado na cruz<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">No alto do monte, l\u00e1 onde as ideias e as palavras se cruzam em sequ\u00eancias l\u00f3gicas, Jesus \u00e9 pregado na cruz e em nome da lei. Aquele Jesus queria levar tudo conscientemente at\u00e9 ao fim recusando mesmo o m\u00f3rfio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contemplar da cruz, a intelig\u00eancia e os sentimentos escurecem at\u00e9 \u00e0 mudez. Jesus encontra-se sozinho e a s\u00f3s com o Pai.\u201d Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?\u201d (Sl 22,2).<\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus morre na cruz<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais forte que a morte \u00e9 o amor. Crucificaram-no \u201c\u00e0 terceira hora \u2026 e \u00e0 hora nona (15h00) morreu\u201d (Lc 15.44). Jesus n\u00e3o morreu para apaziguar o medo daqueles que t\u00eam medo de Deus\u2026 Jesus morreu como viveu, dando testemunho do Homem livre e comprometido com o Homem, perdoando sempre (Lc.23,34). &#8220;Pai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito&#8221; (Lc 23,46).<\/p>\n<ol start=\"13\">\n<li><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Jesus \u00e9 descido da cruz<\/span> <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus morre abandonado dos seus e um estranho vem desc\u00ea-lo da cruz. J\u00e1 antes um samaritano (Lk 10,30-37), um estrangeiro cuida do homem roubado, n\u00e3o o padre, nem o doutor da lei. Jos\u00e9 de Arimateia- um homem honrado que esperava pela vida do messias, cheio de compaix\u00e3o arranjou um lugar para colocar o corpo de Jesus, doutro modo teria sido colocado na vala comum dos crucificados\u2026 Jos\u00e9 tirou-o da cruz e envolveu-o num manto (Mk 15,42 \u2013 46). Em torno da morte de Jesus tamb\u00e9m havia justos como este Jos\u00e9 (Lc 23,51).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li><span style=\"color: #ff0000;\"><strong> O<span style=\"color: #ff0000;\"> Corpo de Jesus \u00e9 colocado no sepulcro<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus n\u00e3o \u00e9 um Deus dos mortos mas dos vivos (Mc.12,26s), por isso tem de ser procurado entre os vivos. A Jos\u00e9 junta-se Nicodemos que trouxe mirra e alo\u00e9s para ungir o Senhor. Depois o sepulcro encontra-se vazio; Jesus adiantou-se, \u201co t\u00famulo se esvaziar\u00e1 tal como o meu, um dia, se esvaziar\u00e1\u201d!<\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"> Deus despertou Jesus!<\/span><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teresa de Lisieux dizia, \u201cn\u00e3o olheis para a cruz! Olhai para o crucificado!\u201d Nele Deus continua a hist\u00f3ria de cada um de n\u00f3s. N\u00e3o procureis entre os mortos quem vive, Ele ressuscitou. O nosso Deus n\u00e3o \u00e9 um Deus do destino, ele \u00e9 um Deus da rela\u00e7\u00e3o, um Deus que se trata com denominativos como: paizinho, m\u00e3ezinha\u2026 Se Jesus tivesse morrido a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria sentido porque permaneceria abandonada \u00e0 viol\u00eancia em sequ\u00eancias de ritos e rituais repetitivos atrav\u00e9s da Hist\u00f3ria. Assim permanece um paradigma da vida e de rela\u00e7\u00e3o de pessoas, da humanidade que \u00e9 uma fam\u00edlia divina a querer encontrar-se e a erguer-se para se encontrar de olhos nos olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cruz demonstra o Homem sofre devido \u00e0 sua pr\u00f3pria imagem e \u00e0s ideias que o prendem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitos crist\u00e3os costumam meditar em frente ao crucifixo. A melhor experi\u00eancia que se pode ter ao meditar ser\u00e1 sentir como Jesus desce da cruz e se vem colocar no cora\u00e7\u00e3o, como desce para o meio da comunidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas sombras das asas do Senhor (PS 63,1-9), nas sombras do seu caminho minha alma se refresca da sede que tem de ti!<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e pedagogo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo\u00a0 <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Homem sofre devido \u00e0 sua pr\u00f3pria imagem e \u00e0s ideias que o prendem Por Ant\u00f3nio Justo Jesus, no seu caminhar, revela-se n\u00e3o s\u00f3 como m\u00e9dio (uni\u00e3o com Deus) mas tamb\u00e9m como mensagem (caminho, verdade e vida). O segredo da via crucis est\u00e1 em superar a dor sem a transmitir a outros, uma via sem &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3531\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">VIA CRUCIS \u2013 O CAMINHAR DE PESSOA CONSCIENTE<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,4,7,8],"tags":[],"class_list":["post-3531","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-educacao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3531"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3531\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3535,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3531\/revisions\/3535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}