{"id":3336,"date":"2015-11-10T22:32:25","date_gmt":"2015-11-10T21:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3336"},"modified":"2015-11-10T22:51:06","modified_gmt":"2015-11-10T21:51:06","slug":"metodo-da-controversia-e-a-excelencia-escolar-jesuita-reflexao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3336","title":{"rendered":"M\u00c9TODO DA CONTROV\u00c9RSIA E A EXCEL\u00caNCIA ESCOLAR JESU\u00cdTA &#8211; REFLEX\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Do \u201cPorqu\u00ea\u201d ao \u201cPara qu\u00ea\u201d e do \u201cPorqu\u00ea\u201d do \u201cPorque\u201d e do \u201cPorqu\u00ea\u201d<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nConta-se que, certo dia, perguntaram a um sacerdote jesu\u00edta: &#8211; Senhor padre. \u00c9 verdade que um jesu\u00edta responde sempre a uma pergunta com outra pergunta? \u2013 E porque n\u00e3o? &#8211; Responde o jesuita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Depois de 500 anos foi eleito um Pont\u00edfice vindo de uma ordem religiosa: o jesu\u00edta Jorge Mario Bergoglio agora Papa Francisco. Como jesu\u00edta n\u00e3o repousa nas respostas, responde a uma pergunta com outra pergunta: um papa, um jesu\u00edta como sinal e programa para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade humana?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O porqu\u00ea da anedota dirige-se ao intelecto n\u00e3o s\u00f3 com uma preocupa\u00e7\u00e3o de procurar fundamento (porqu\u00ea) para a quest\u00e3o, mas tamb\u00e9m de entender a sua finalidade (para qu\u00ea) e o meio (com qu\u00ea).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma questiona\u00e7\u00e3o-resposta, do estilo porqu\u00ea-porque, correria o perigo de limitar a vis\u00e3o ao intelecto ou a um contexto limitado e limitador. E um \u201cporque\u201d final fecharia a porta de uma realidade que \u00e9, por ess\u00eancia, sempre aberta por mais respostas que se encontrem para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem se d\u00e1 satisfeito com a simples resposta (isto \u00e9, com o porque) confirma um certo tradicionalismo, afirma apenas o status quo estranho \u00e0 filosofia crist\u00e3&#8230; O m\u00e9todo ignaciano de questionar a pergunta transcende a vis\u00e3o individualista\/situacionista que procura a consola\u00e7\u00e3o imediata numa resposta que satisfa\u00e7a (de um porque\u2026 e ponto final); a questiona\u00e7\u00e3o da pergunta pode parecer controversa mas orienta o desejo para horizontes mais abertos sem calcar as potencialidades individuais e circunstanciais. A pergunta ajuda a ultrapassar o buraco de uma primeira ignor\u00e2ncia que a resposta preencheria; ela possibilita a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de sil\u00eancio, uma abertura na intelig\u00eancia (etapa reflexiva) de modo a o sil\u00eancio iluminar uma nova resposta depois de um olhar direccionado para outros sentidos ou perspectivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A questiona\u00e7\u00e3o da pergunta possibilita sempre uma abertura ao reconhecimento dos m\u00faltiplos sinais da vida numa exist\u00eancia complexa, mais abrangente e que abre a perspectiva para algo que transcenda a situa\u00e7\u00e3o concreta\/circunst\u00e2ncia (para o obrar de \u201cDeus\u201d no mist\u00e9rio da vida). A pergunta \u00e0 pergunta implica tamb\u00e9m uma purifica\u00e7\u00e3o do pensamento e tem como consequ\u00eancia a descentraliza\u00e7\u00e3o do ego, dirigindo a ideia tamb\u00e9m para o outro, para o essencial; o momento do vazio\/reflectivo pode possibilitar o salto do ego e do mero circunstancial para o outro, onde, no profundo da ipseidade, a Realidade se re\u00fane e acontece a ponto da pessoa consciente poder falar a partir do interior da Realidade, toda ela feita de complementaridades. Ou, traduzindo em discurso crist\u00e3o: onde o pr\u00f3prio responde dizendo, j\u00e1 n\u00e3o com o ego de Saulus mas com o eu profundo de Paulo que exclamava: \u201cj\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d; a este n\u00edvel expressa-se a consci\u00eancia do Cristo c\u00f3smico de que fala o jesu\u00edta Teilhard de Chardin. Ao consciencializarmo-nos da realidade como a natureza humana de Cristo (resumo do C\u00e9u e da Terra) possibilita-se a cristifica\u00e7\u00e3o individual e do universo num processo da incarna\u00e7\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o como todo integrado j\u00e1 n\u00e3o numa dial\u00e9tica do eu-tu mas numa rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria do n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m o papa Francisco s\u00f3 pode ser entendido nesta perspectiva orto-pr\u00e1xica. N\u00e3o h\u00e1 perguntas tolas, o que pode haver s\u00e3o respostas desvairadas. Bento XVI e Francisco I s\u00e3o dois momentos diferentes do mesmo discurso. Tudo \u00e9 question\u00e1vel, s\u00f3 Deus n\u00e3o se questiona porque a sua pergunta\/resposta se encontra na natureza e na Hist\u00f3ria e estas encontram-se resumidas no prot\u00f3tipo da realidade toda que \u00e9 Jesus Cristo (mat\u00e9ria e esp\u00edrito). Deus \u00e9 mais que passado presente e futuro; por isso seria unilateral fixar-se s\u00f3 no pensar do passado ou no modo de pensar do presente, poderia dizer um jesu\u00edta. Futuro implica questionar toda a resposta, consciente de que ela faz parte do corpo f\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O Globalismo do Pensamento jesu\u00edta expressa-se na Utopia do 5\u00b0 Imp\u00e9rio \u2013 Pombal com a Ma\u00e7onaria organiza uma Guerra de Morte contra os Jesu\u00edtas<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A qualidade da pedagogia jesu\u00edtica foi marcante nos pa\u00edses da lusofonia. No livro \u201cGangorra ou Hist\u00f3ria triste\u201d pode constatar-se bem o m\u00e9todo jesu\u00edtico de educa\u00e7\u00e3o num epis\u00f3dio descrito por um jesu\u00edta (1) num par\u00e1grafo que trata das rela\u00e7\u00f5es entre espanh\u00f3is e \u00edndios: Um jesu\u00edta que assistia a um \u00edndio maltratado mortalmente pelos espanh\u00f3is perguntou ao \u00edndio: -\u201cVoc\u00ea prefere ser salvo e ir para o c\u00e9u, ou recusa a salva\u00e7\u00e3o para ir ao inferno?\u201d A essa quest\u00e3o de resposta aparentemente \u00f3bvia\u2026 o moribundo vermelho responde com outra pergunta: -\u201cexistem espanh\u00f3is no c\u00e9u?\u201d. \u2013\u201cSim, certamente\u201d \u2013 responde o jesu\u00edta. \u2013\u201cPara o Inferno\u201d, responde o \u00cdndio. O \u00edndio colocado numa perspectiva de c\u00e9u e de inferno n\u00e3o encontrava raz\u00f5es para convic\u00e7\u00f5es e deste modo o jesu\u00edta com o seu m\u00e9todo coloquial aproveitava para condenar, indirectamente, a governa\u00e7\u00e3o espanhola.<\/strong> A pergunta abre a possibilidade de alargar o leque de perspectivas e de entrar em rela\u00e7\u00e3o alargada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Jesuitas nos seus col\u00e9gios da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1sia seguiam no ensino superior o modelo de ensino da Universidade de Coimbra e de \u00c9vora preferindo o modus parisiensis ao modus italicus: o ensino era gratuito, no secund\u00e1rio estudava-se Gram\u00e1tica, Humanidades e ret\u00f3rica e no Ensino Superior: Artes, Ci\u00eancias, Dial\u00e9tica, Filosofia e Teologia (2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os jesu\u00edtas despertavam a desconfian\u00e7a dos governantes devido \u00e0 influ\u00eancia pol\u00edtica e educativa que tinham e, por, nas col\u00f3nias, se colocarem ao lado dos ind\u00edgenas (criticando os colonos). Com o seu relativismo na argumenta\u00e7\u00e3o, questionador do argumento de autoridade, tamb\u00e9m frustravam o esp\u00edrito absolutista dos poderosos da europa; por outro lado tinham demasiado poder causando sombra ao poder laico que se procurava afirmar e institucionalizar contra a influ\u00eancia do poder religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enciclopedismo e o iluminismo eram de tend\u00eancias anticat\u00f3licas e anti-jesu\u00edtas atendendo tamb\u00e9m a que estes eram os cr\u00edticos mais sistem\u00e1ticos do protestantismo. A Reforma religiosa e as guerras de religi\u00e3o levam os Jesu\u00edtas a centrarem-se no essencial. Surgidos do esp\u00edrito da Reforma da Igreja Cat\u00f3lica, apostavam na educa\u00e7\u00e3o para fomentar uma consci\u00eancia humana n\u00e3o limitada ao religioso nem \u00e0 ideologia, (Interessante que j\u00e1 o Padre Manuel da N\u00f3brega queria, no Brasil, incluir escolas para meninas no ensino, mas a Coroa n\u00e3o estava \u00e0 altura de permitir tal exig\u00eancia); entendiam-se como pioneiros da utopia na realiza\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Tinham um ensino orientado para elites e para cargos do poder. Praticavam a inclus\u00e3o de culturas, de camadas sociais e de disciplinas\u2026 como processo de aprendizagem competitiva tinham exames e debates p\u00fablicos (3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pombal acusava a atua\u00e7\u00e3o dos jesu\u00edtas com os ind\u00edgenas do Brasil; segundo ele, os homens brancos eram apresentados aos \u00edndios como maus, como mais interessados no ouro do que qualquer coisa e, mais grave, prontos para atrocidades\u201d (4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ma\u00e7onaria, na sua qualidade de iluminismo esot\u00e9rico, e de organiza\u00e7\u00e3o secreta que considera o pr\u00f3prio preconceito acima de outros preconceitos institucionais, estrutura-se infiltrando-se nas estruturas do Estado e Universidades, procurando controlar as elites, para, deste modo, direccionar os destinos das na\u00e7\u00f5es. A ma\u00e7onaria ganha express\u00e3o concreta no d\u00e9spota iluminado, o Marqu\u00eas de Pombal. Este aliado \u00e0 sua fam\u00edlia e correligion\u00e1rios difama os jesu\u00edtas, persegue-os, nacionaliza os seus bens e expulsa-os do imp\u00e9rio lusitano, declarando-os como &#8220;\u00edmpios e sediciosos&#8221;; conseguiu que a inquisi\u00e7\u00e3o os perseguisse e expulsou-os de Portugal; no ano da sua expuls\u00e3o (1759) a ordem jesu\u00edta tinha 1698 membros em Portugal. \u201cEm meados do s\u00e9culo XVIII os col\u00e9gios da Companhia de Jesus tinham, no reino, cerca de vinte mil alunos, numa popula\u00e7\u00e3o estimada em tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes\u2026 No Brasil, a primeira universidade criada \u00e9 o Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas da Bahia em 1550. Esta formou o ilustre Ant\u00f3nio Vieira (ideia do 5\u00b0 imp\u00e9rio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta ma\u00e7\u00f3nica contra a Companhia de Jesus \u00e9 t\u00e3o fundamentalista e cruel que s\u00f3 pode ser compreendida na rivalidade dos ma\u00e7ons que queriam conquistar as elites para si seguindo assim uma estrat\u00e9gia elitista de ocupa\u00e7\u00e3o dos centros de elite a n\u00edvel de institui\u00e7\u00f5es e de ocupa\u00e7\u00e3o de lugares estrat\u00e9gicos da pol\u00edtica. O que a ma\u00e7onaria e o anticlericalismo pretendiam era aniquilar os jesu\u00edtas e o poder da Igreja Cat\u00f3lica para os substitu\u00edrem na influ\u00eancia; o que em parte conseguiram atrav\u00e9s de um republicanismo jacobino ainda hoje a actuar nas caves da Rep\u00fablica portuguesa e nos centros de delibera\u00e7\u00e3o da UE. A batalha decisiva de Pombal e correligion\u00e1rios era minar o mito de um Portugal ponta de lan\u00e7a da Europa crist\u00e3 e instituir nas estruturas do estado e nas subestruturas dos partidos uma rede de irm\u00e3os da mesma ideologia que atravessa as institui\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m o ilustre jesu\u00edta Teilhard de Chardin se refere ao conflito entre secularismo e religi\u00e3o, ente materialismo e espiritualismo: &#8220;Aparentemente, a Terra Moderna nasceu de um movimento anti-religioso. O Homem bastando-se a si mesmo. A Raz\u00e3o substituindo-se \u00e0 Cren\u00e7a. Nossa gera\u00e7\u00e3o e as duas precedentes quase s\u00f3 ouviram falar de conflito entre F\u00e9 e Ci\u00eancia. A tal ponto que p\u00f4de parecer, a certa altura, que esta era decididamente chamada a tomar o lugar daquela. Ora, \u00e0 medida que a tens\u00e3o se prolonga, \u00e9 visivelmente sob uma forma muito diferente de equil\u00edbrio \u2013 n\u00e3o elimina\u00e7\u00e3o, nem dualidade, mas s\u00edntese \u2013 que parece haver de se resolver o conflito (5).&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pergunta \u00e0 pergunta relativiza-se a primeira e com a sequ\u00eancia pretende chegar-se \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio e ao ser do Homem como processo aberto e \u00e0 procura numa tentativa de solucionar problemas mediante perguntas e respostas. A Ratio Studiorum dos Jesuitas (1599) inclu\u00eda a Contenda (debate) que levava \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o no essencial (6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe dos centros europeus do poder, na am\u00e9rica do sul e no Oriente, a pedagogia e o sistema de argumenta\u00e7\u00e3o Jesu\u00edta revelaram-se muito prof\u00edcuos.<br \/>\nNo Serm\u00e3o da Sexag\u00e9sima, o jesu\u00edta Ant\u00f3nio Vieira exp\u00f4s o m\u00e9todo do discurso: 1. Definir a mat\u00e9ria. 2. Reparti-la. 3. Confirm\u00e1-la com a Escritura. 4. Confirm\u00e1-la com a raz\u00e3o. 5. Amplific\u00e1-la, dando exemplos e respondendo \u00e0s obje\u00e7\u00f5es, aos &#8220;argumentos contr\u00e1rios&#8221;. 6. Tirar uma conclus\u00e3o e persuadir, exortar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A Controv\u00e9rsia como M\u00e9todo de Descoberta da Verdade<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Controv\u00e9rsia ou \u201cdisputatio\u201d, usada nas universidades medievais, era um m\u00e9todo did\u00e1ctico de disputa ou debate para persuadir e encontrar a verdade (apresentada a tese segue-se a argumenta\u00e7\u00e3o &#8211; a favor ou contra &#8211; seguindo-se depois a avalia\u00e7\u00e3o em que a diverg\u00eancia ser\u00e1 resolvida); era uma aprendizagem baseada na an\u00e1lise das fundamenta\u00e7\u00f5es e premissas (de caracter dedutivo); a aprendizagem d\u00e1-se atrav\u00e9s da contraposi\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e de posi\u00e7\u00f5es opostas (defensores e oponentes); modernamente n\u00e3o se procura a verdade mas sim a firmeza\/coer\u00eancia de um sistema de argumenta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a uma determinada tese (m\u00e9todo indutivo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A disputa ou debate controverso era usada para esclarecer quest\u00f5es contenciosas\u2026 No cristianismo esta tradi\u00e7\u00e3o j\u00e1 se encontra documentada no juda\u00edsmo na discuss\u00e3o entre Jesus e os Doutores da Lei (Lucas 2:42-51) e nos prim\u00f3rdios da cristandade (Atos 15:2); expressa-se tamb\u00e9m nas disputas inter-religiosas e entre as diferentes ordens religiosas e nas apologias contra os hereges (7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martinho Lutero tamb\u00e9m fez uso desse costume acad\u00e9mico na discuss\u00e3o das teses teol\u00f3gicas e filos\u00f3ficas, verdadeiros duelos dial\u00e9ticos orais entre peritos de religi\u00f5es ou posi\u00e7\u00f5es diferentes \u2026. Aquando da Dieta de Ratisbona (1541) na disputa entre te\u00f3logos cat\u00f3licos e protestantes acordou-se que o \u00fanico juiz \u00e9 Jesus Cristo, pelo que &#8220;n\u00e3o admitiriam nenhum outro juiz da controv\u00e9rsia sen\u00e3o Jesus Cristo&#8221;. Os Jesuitas deram grande relevo \u00e0 pedagogia da controv\u00e9rsia nos tempos modernos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m o terceiro dos imperadores mog\u00f3is da \u00cdndia (1542-1605) iniciou na \u00cdndia uma s\u00e9rie de debates entre mu\u00e7ulmanos, hindus, jainistas, zoroastristas e jesu\u00edtas para discutir a charia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A controv\u00e9rsia era uma forma escol\u00e1stica dura, mas justa de discutir e descobrir verdades em teologia e ci\u00eancias entre te\u00f3logos cat\u00f3licos, judeus e outros: vencia quem tinha os melhores argumentos. Lutero teve v\u00e1rias disputas p\u00fablicas sobre diferentes dogmas e teses. Os jesu\u00edtas revelaram-se os seus mais consequentes advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Controv\u00e9rsia no di\u00e1logo inter-religioso era muito importante na disputa pela verdade; na Idade M\u00e9dia Hisp\u00e2nica, Ramon Llull (1232-1316) testemunha a import\u00e2ncia da procura da verdade no texto apolog\u00e9tico \u201cDisputatio Raimundi Lulli et Homer Sarraceni\u201d, onde vem narrada a experi\u00eancia de<br \/>\nLlull num c\u00e1rcere tunisino, onde este chega a dizer aos s\u00e1bios mu\u00e7ulmanos que se eles tivessem argumentos suficientes ele se converteria ao Isl\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discurso casu\u00edstico empregado pelos jesu\u00edtas nos tratados de moral \u00e9 questionado por Blaise Pascal nas suas cartas Provinciais (1656-57). Na Carta V, Pascal testemunha a pr\u00e1tica discursiva dos tratados morais dos jesu\u00edtas criticando-a porque dava espa\u00e7o ao relativismo e a um certo sufismo que questiona o argumento de autoridade e d\u00e1 relevo a opini\u00f5es prov\u00e1veis ou opostas. Pascal em Pens\u00e9es revela-se contra o minimalismo jesu\u00edta que questiona a autoridade moral dos padres antigos que, na perspectiva de argumenta\u00e7\u00e3o jesu\u00edtica, se encontravam mais pr\u00f3ximos dos ap\u00f3stolos mas, por outro lado, mais distanciados da realidade moderna. Pascal insiste acusando os jesu\u00edtas de terem propositadamente uma moral d\u00fabia, ora rigorista, ora laxista, com o objectivo de agradarem a todos, e assim governarem todas as consci\u00eancias. Refere ainda os abusos das doutrinas probabilistas que proporcionam a justifica\u00e7\u00e3o de todas as infra\u00e7\u00f5es. A experi\u00eancia s\u00f3 pode proporcionar conting\u00eancias e probabilidades. Segundo os historiadores Giacomo Martina e Ricardo Garc\u00eda Villoslada, as Provinciais al\u00e9m de denunciarem muita moral laxista e permissiva de ent\u00e3o, iniciam o r\u00f3tulo negro do jesuitismo e est\u00e3o na base de grande parte do anticlericalismo dos s\u00e9cs. XVIII e XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, os ma\u00e7ons, defensores do despotismo iluminado, entraram numa luta ideol\u00f3gica cerrada contra os Jesu\u00edtas. O terremoto de Lisboa \u00e9 acompanhado por um outro grande terremoto, o sismo ideol\u00f3gico, de que o estado e sociedade portuguesa jamais se refizeram: assistimos a um tradicionalismo ancestral autorit\u00e1rio e um modernismo estrangeirado dogm\u00e1tico que se combatem em vez de se complementarem e integrarem; de um lado a ideologia iluminista que arrogantemente se apodera dos \u00f3rg\u00e3os do poder e do outro uma tradi\u00e7\u00e3o religiosa escura e v\u00edtima ou que se considera como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nietzsche expressa claramente o esp\u00edrito cr\u00edtico do tempo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja cat\u00f3lica quando diz: \u201cO que \u00e9 que combatemos no cristianismo? Que ele queira quebrar os fortes, que queira desencoraj\u00e1-los da sua coragem, explorando as suas m\u00e1s horas e cansa\u00e7o, querendo transformar a sua orgulhosa seguran\u00e7a em desassossego e remorsos de consci\u00eancia [&#8230;] at\u00e9 que os fortes sucumbem sob os excessos de autodesprezo e do auto-mau trato\u2026&#8221; (8).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O Advogado do Diabo<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na universidade de Coimbra e depois na de \u00c9vora seguia-se a pedagogia da controv\u00e9rsia que se expressava na defesa p\u00fablica da tese e noutros rituais acad\u00e9micos, nos tribunais de praxe e na figura do \u201cadvogado do Diabo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura Advogado do Diabo (arte de convencer e persuadir atrav\u00e9s de argumenta\u00e7\u00e3o controversa para ter em conta os argumentos contr\u00e1rios) implica uma did\u00e1ctica acad\u00e9mica e uma estrat\u00e9gia ret\u00f3rica numa disputa em que o advogado eclesi\u00e1stico assumia a posi\u00e7\u00e3o de oponente (uma posi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o precisa de crer), nomeadamente num processo de canoniza\u00e7\u00e3o defendida pelo advocatus Angeli); deste modo, com o advocatus diaboli, o processo de canoniza\u00e7\u00e3o ganhava maior objectividade factual e consist\u00eancia. \u00c9 um m\u00e9todo s\u00e9rio para o encontro da verdade e que obstava a convic\u00e7\u00f5es preconcebidas (reuni\u00e3o de raz\u00e3o e f\u00e9 na disputa pela verdade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9todo da controv\u00e9rsia e do advogado do diabo fortalece a pr\u00f3pria argumenta\u00e7\u00e3o alargando as suas perspectivas, na mesma pessoa falam v\u00e1rios esp\u00edritos. Nele processa-se ent\u00e3o uma an\u00e1lise cr\u00edtica das pr\u00f3prias ideias e convic\u00e7\u00f5es. Ao preparar um discurso sob diferentes perspectivas este m\u00e9todo alarga e aprofunda a pr\u00f3pria consci\u00eancia e reflex\u00e3o al\u00e9m de formar compet\u00eancias nas formas de argumentar num discurso. A exist\u00eancia de uma teologia no cristianismo (coisa que n\u00e3o acontece no Isl\u00e3o por este se esgotar na jurisprud\u00eancia) deve-se \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de unir a f\u00e9 \u00e0 raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">PEDAGOGIA IGNACIANA<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos, os jesu\u00edtas sempre tiveram grande influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o das elites\u2026. O m\u00e9todo pedag\u00f3gico ignaciano implica uma pedagogia da excel\u00eancia para a f\u00e9 e para a justi\u00e7a: serve-se da controv\u00e9rsia como m\u00e9todo de portas abertas para uma realidade a-perspectiva e com diferentes acessos a ela, segundo as \u201cportas\u201d que se utilizam para entrar nela. Os alicerces da sua pedagogia s\u00e3o a reflex\u00e3o, a experi\u00eancia e a ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pedagogia ignaciana centra-se na forma\u00e7\u00e3o integral da pessoa, cora\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia e vontade; integra a reflex\u00e3o (clarificar a motiva\u00e7\u00e3o interna do que sou e do que me move e respectivas implica\u00e7\u00f5es), a ac\u00e7\u00e3o (de car\u00e1cter hol\u00edstico como pr\u00e1tica do amor) e a experi\u00eancia (conhecer sentindo as coisas por dentro) e as tr\u00eas em cont\u00ednua interac\u00e7\u00e3o. A componente reflex\u00e3o torna-se essencial pois apela ao significado pessoal e humano da aprendizagem\/experi\u00eancia; implica uma atitude de ser \u201cpessoa para os outros \u201d dando import\u00e2ncia ao contexto e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no desenvolvimento colectivo (9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal filosofia envolve uma forma\u00e7\u00e3o integral orientada para os talentos pessoais com valores comportamentais positivos morais e intelectuais, pressupostos para o crescimento pessoal de matura\u00e7\u00e3o humana para melhor servir o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ratio Studiorum da Companhia de Jesus fundamenta o conhecimento pessoal e espiritual da pessoa pretendendo uma excel\u00eancia educativa que tem Jesus Cristo como fim e modelo de vida humana, uma vida partilhada e aberta \u00e0 liberdade na diferen\u00e7a e diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, a ess\u00eancia da vida crist\u00e3 \u00e9 rela\u00e7\u00e3o, como se pode depreender da f\u00f3rmula ou princ\u00edpio de toda a realidade resumida no mist\u00e9rio da Trindade. O gene divino em n\u00f3s torna-nos inquietos na procura do reencontro, na antecipa\u00e7\u00e3o do futuro. S\u00f3 me compreendo e realizo na rela\u00e7\u00e3o com outro, a minha defini\u00e7\u00e3o e a minha identidade \u00e9 incompleta sem ele. A pr\u00f3pria c\u00e9lula que pareceria solit\u00e1ria n\u00e3o o \u00e9 porque se encontra numa rela\u00e7\u00e3o transcendente de tecidos e \u00f3rg\u00e3os\u2026. A verdade encarna, ganha forma din\u00e2mica numa determinada realidade que se expressa como processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m na Alemanha as universidades jesu\u00edtas eram centros dos Media destacando-se pela inclus\u00e3o de v\u00e1rias formas de comunica\u00e7\u00e3o, logo desde o in\u00edcio e inclu\u00edam as prociss\u00f5es, teatro, canto, segundo o princ\u00edpio docere et movere (10). Ainda hoje os jesu\u00edtas t\u00eam grande prest\u00edgio e encontram presen\u00e7a relevante nos meios cient\u00edficos e pol\u00edticos da Alemanha. O seu ensino \u00e9 muito exigente: Trata-se de ensinar e mover! Na Alemanha no discurso cultural e p\u00fablico, apesar das lutas da reforma e contra-reforma, n\u00e3o se encontra hoje o esp\u00edrito jacobino e radical que tem tolhido o g\u00e9nio portugu\u00eas, desde que se encostou a um esp\u00edrito demasiado dial\u00e9tico do iluminismo-liberalismo franc\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nTe\u00f3logo e pedagogo<br \/>\nIn Pegadas do Tempo www.antonio-justo.eu<\/p>\n<h5>(1) \u201cGangorra ou Hist\u00f3ria triste\u201d in https:\/\/books.google.de\/books?id=UkiGv1KTH-sC&amp;pg=PT127&amp;lpg=PT127&amp;dq=O+jesu%C3%ADta+responde+a+uma+pergunta+com+outra+pergunta.&amp;source=bl&amp;ots=1ozsLT6V8w&amp;sig=a0-NVNUOLtzS09z6NqSb1wkzgds&amp;hl=de&amp;sa=X&amp;ved=0CD4Q6AEwBGoVChMI26b_o6qzyAIVIYtyCh0CdAaP#v=onepage&amp;q=O%20jesu%C3%ADta%20responde%20a%20uma%20pergunta%20com%20outra%20pergunta.&amp;f=false<\/h5>\n<h5>(2) http:\/\/www.dhi.uem.br\/gtreligiao\/pdf8\/ST6\/012%20-%20Fernanda%20Santos.pdf<\/h5>\n<h5>(3) Revista Brasileira de Hist\u00f3ria das Religi\u00f5es: http:\/\/www.dhi.uem.br\/gtreligiao\/pub.html<\/h5>\n<h5>(4) COSTA, C\u00e9lio Juvenal. A racionalidade jesu\u00edtica em tempos de arredondamento do mundo: o Imp\u00e9rio Portugu\u00eas (1540-1599): http:\/\/www.historia.uff.br\/cantareira\/novacantareira\/index.php?option=com_content&amp;v ew=article&amp;id=129:osjesuitasnosetecentos-ed6&amp;catid=61:artigos-ed6&amp;Itemid=79<\/h5>\n<h5>(5) Teilhard de Chardin, em \u201cO Fen\u00f3meno Humano\u201d. Segundo Chardin, que defendia o Panente\u00edsmo c\u00f3smico, a Terra seria composta de v\u00e1rias camadas esf\u00e9ricas: Barisfera ou n\u00facleo met\u00e1lico terrestre; Litosfera ou camada de rochas; Hidrosfera ou camada de \u00e1gua; Atmosfera ou camada de ar; Biosfera ou esfera da vida; Noosfera ou esfera do pensamento ou esp\u00edrito humano: Cristosfera ou \u00e2mbito de Cristo.<\/h5>\n<h5>(6) www.cerescaico.ufrn.br\/mneme\/anais; http:\/\/www.cerescaico.ufrn.br\/mneme\/anais\/st_trab_pdf\/pdf_st1\/antonietta_nunes_st1.pdf<\/h5>\n<h5>(7) Catholic Encyclopedia (1913)\/Religious Discussions.<\/h5>\n<h5>(8) Friedrich Nietzsche in Nachlass. KSA 13, 11 [55], p.27 f.<\/h5>\n<h5>(9) Cf. Arte discursiva: http:\/\/www.ruigracio.com\/000pdf<\/h5>\n<h5>(10) Cf. Delectare, movere et docere: http:\/\/www.musica.ufmg.br\/permusi\/port\/numeros\/17\/num17_cap_07.pdf<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do \u201cPorqu\u00ea\u201d ao \u201cPara qu\u00ea\u201d e do \u201cPorqu\u00ea\u201d do \u201cPorque\u201d e do \u201cPorqu\u00ea\u201d Ant\u00f3nio Justo Conta-se que, certo dia, perguntaram a um sacerdote jesu\u00edta: &#8211; Senhor padre. \u00c9 verdade que um jesu\u00edta responde sempre a uma pergunta com outra pergunta? \u2013 E porque n\u00e3o? &#8211; Responde o jesuita. 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