{"id":3310,"date":"2015-10-07T15:35:45","date_gmt":"2015-10-07T14:35:45","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3310"},"modified":"2015-10-08T10:19:02","modified_gmt":"2015-10-08T09:19:02","slug":"o-dilema-da-bipolaridade-na-governacao-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3310","title":{"rendered":"O Dilema da Bipolaridade na Governa\u00e7\u00e3o de Portugal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Construir um Portugal mais temperado e menos revoltado<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nO que une o centro-direita (governo) e o centro-esquerda (PS) s\u00e3o o compromisso com o liberalismo econ\u00f3mico e o consequente seguimento do imperativo da desregula\u00e7\u00e3o ditada por Bruxelas. <strong>Direita e esquerda do arco do poder t\u00eam assim o seu centro comum vinculativo<\/strong> (interven\u00e7\u00e3o da EU e do FMI \u2013 as obedi\u00eancias or\u00e7amentais comuns que n\u00e3o permitem diferencia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f3micas); deste modo os partidos do arco do poder de Portugal abst\u00eam-se praticamente do predicado esquerda ou direita,<strong> o que beneficia os outros partidos da esquerda e obriga o PS a grande gin\u00e1stica na estrat\u00e9gia de chamar as aten\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para si e de ocupar o pa\u00eds com discuss\u00f5es t\u00e1ticas sobre as diferentes personalidades e fac\u00e7\u00f5es do PS<\/strong>; disto vive bem (permite-lhe tamb\u00e9m absorver desertores de esquerdas mais radicais mas com aspira\u00e7\u00f5es a participar concretamente no poder) ocupando a mente dos portugueses j\u00e1 de si perdida em debates n\u00e3o produtivos. <strong>O jornalismo tamb\u00e9m v\u00ea assim o seu trabalho simplificado porque para fazer not\u00edcia s\u00f3 precisa de andar atr\u00e1s dos cabe\u00e7as ou de algum que urine fora do penico.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cria-se assim uma din\u00e2mica de cont\u00ednua necessidade de perfilagem dentro e fora do partido<\/strong>. Certamente por isso se movem tanto as ondas das emo\u00e7\u00f5es nacionais tendo-se a impress\u00e3o (a quem viveu no estrangeiro) que Portugal se encontra em cont\u00ednua campanha eleitoral sem grande tempo para dar suficiente aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es fundamentais da economia e da cultura. Mesmo agora, que deveria ser tempo \u00fatil de discuss\u00e3o da negocia\u00e7\u00e3o de programas para se encontrar compromissos para a governa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3ximos quatro anos, assiste-se, como de costuma, \u00e0 discuss\u00e3o sobre personalidades partid\u00e1rias e n\u00e3o sobre temas discut\u00edveis do programa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O Norte europeu orienta-se por Programas o Sul por Partidos<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os partidos da Alemanha, para defenderem o bem-estar do pa\u00eds, passam muito tempo na discuss\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o de programas de governo e na forma\u00e7\u00e3o de coliga\u00e7\u00f5es governamentais; isto porque cuidam pelo futuro do pa\u00eds em vez de dividirem a na\u00e7\u00e3o nos da manjedoura da direita ou da esquerda.<\/strong> Por isso os partidos alem\u00e3es preferiram fazer uma grande coliga\u00e7\u00e3o que preparou responsavelmente um programa de governo que precisou de 80 dias de conversa\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar ao dia do compromisso; depois passou \u00e0 governa\u00e7\u00e3o abandonando a discuss\u00e3o. <strong>Na Su\u00e9cia seis partidos conseguiram elaborar e comprometer-se num programa que \u00e9 v\u00e1lido at\u00e9 2022; isto independentemente dos governos que surjam.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Urge ultrapassar a mentalidade pol\u00edtica bipolar de um Portugal desde sempre afirmada pelo sistema partid\u00e1rio a viver da polariza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 vai sendo tempo de construir um Portugal mais temperado menos revoltado. A vida \u00e9 curta, n\u00e3o olhes para tr\u00e1s sen\u00e3o trope\u00e7as nos que se te adiantam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O problema dos partidos \u00e0 esquerda do PS (e dos radicais do PS) \u00e9 quererem continuar a levar uma vida de alto n\u00edvel \u00e0 custa do capitalismo liberal pautado pela Zona Euro e no seu interior regalar-se com a satisfa\u00e7\u00e3o de ideias contradit\u00f3rias puras e inocentes ou com postos p\u00fablicos que lhes d\u00e3o imunidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ideias<\/strong> que defendem a viver do sistema que criticam mas n\u00e3o solucionando os problemas da pobreza. O Norte europeu rico orienta-se por programas de governo que o tornam rico e o Sul orienta-se por partidos que o mantem no standby ou na pobreza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano \u00e9 um consumidor de hist\u00f3rias e o que o mais distrai s\u00e3o hist\u00f3rias, por isso h\u00e1 tantas que se tornam verdadeiras porque mal contadas\u2026; uma delas: &#8220;Bem prega Frei Tom\u00e1s, faz o que ele diz, n\u00e3o fa\u00e7as o que ele faz.&#8221; Com isto fomos ensinados a aceitar e justificar a viol\u00eancia do poder. A teoria \u00e9 bela, o problema s\u00f3 est\u00e1 na pr\u00e1tica (Veja-se a saga das personalidades do 25 de Abril e seus disc\u00edpulos \u2013 afirmaram-se contra o capitalismo e \u00e0 custa dele enriqueceram mantendo a conversa de esquerda para ingl\u00eas ver e a sapata do povo carente que tudo sustenta).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pol\u00edtica partid\u00e1ria respons\u00e1vel deveria constituir uma coliga\u00e7\u00e3o, pelo menos, dos dois partidos mais votados. Com isso ganhariam, naturalmente, os partidos mais \u00e0 esquerda mas Portugal ganharia mais ainda. Com uma grande coliga\u00e7\u00e3o talvez se iniciasse em Portugal uma pol\u00edtica e um discurso menos partid\u00e1rio, mais objectivo e mais no sentido de todo o povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto contribui para a maneira de ser do nosso pa\u00eds que o nosso Miguel Torga t\u00e3o bem define:\u201d <strong>Somos, socialmente, uma colectividade pac\u00edfica de revoltados\u201d e que eu comentaria com as palavras: Somos um grupo de colectividades civis sem a consci\u00eancia de povo, por isso sempre descontentes e revoltados.<\/strong><br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nPegadas do Tempo www.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Construir um Portugal mais temperado e menos revoltado Por Ant\u00f3nio Justo O que une o centro-direita (governo) e o centro-esquerda (PS) s\u00e3o o compromisso com o liberalismo econ\u00f3mico e o consequente seguimento do imperativo da desregula\u00e7\u00e3o ditada por Bruxelas. 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