{"id":3261,"date":"2015-08-12T15:03:57","date_gmt":"2015-08-12T14:03:57","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3261"},"modified":"2015-08-12T15:03:57","modified_gmt":"2015-08-12T14:03:57","slug":"na-fabrica-das-dividas-e-da-cultura-corporativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3261","title":{"rendered":"NA F\u00c1BRICA DAS D\u00cdVIDAS E DA CULTURA CORPORATIVA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O Estado Purgat\u00f3rio Frisador de uma Igualdade que promete o Para\u00edso<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nPassamos de uma economia, em que trabalho e produto se regulavam atrav\u00e9s da troca com dinheiro (capital), para a nova economia, a economia financeira do endividamento. O soci\u00f3logo e fil\u00f3sofo Maurizio Lazzarato, autor de &#8220;La fabrique de l&#8217;homme endett\u00e9&#8221;, analisa com per\u00edcia a crise do endividamento actual. A ess\u00eancia do capitalismo liberal \u00e9 viver da d\u00edvida individual e estatal e para optimizar o seu lucro serve-se dos cortes na Seguran\u00e7a Social terceirizando os custos sociais apenas no pequeno empres\u00e1rio, no trabalhador e no contribuinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Lazzarato <strong>o \u201chomo debitor\u201dpassa a ser a nova cria\u00e7\u00e3o do homo economicus. &#8220;Passa a n\u00e3o haver direito a uma habita\u00e7\u00e3o, mas a um cr\u00e9dito para habita\u00e7\u00e3o (hipoteca), j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas &#8211; especialmente no modelo anglo-sax\u00e3o &#8211; pede-se dinheiro emprestado para financiar os estudos.&#8221;<\/strong> Assim o estudante, no final do curso, com o futuro hipotecado passa a n\u00e3o ter problemas de divaga\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas ou ideias que o poderiam torna inseguro num caminho j\u00e1 predeterminado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, esta \u00e9 a ideia da nova economia da Calif\u00f3rnia propagada por representantes do &#8220;Silicon Valley&#8221;. Pa\u00eds moderno ou pessoa cliente procura viver o presente, num presente alegre mas fiado, \u00e0 custa do futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideologia do \u201cVale do Sil\u00edcio\u201d serve-se do conceito de progresso na sequ\u00eancia da \u201cracionalidade secular crist\u00e3\u201d e da f\u00e9 no al\u00e9m. Pretende criar uma maneira de ser e de estar baseada no capital com a consequente rela\u00e7\u00e3o tipo credor-devedor\u2026 Substitui a culpa pela d\u00edvida, o para\u00edso pelo proveito e no caso de surgirem complica\u00e7\u00f5es cai-se no inferno da fal\u00eancia. O Estado passa a ser o Purgat\u00f3rio, aquele lugar de purga\u00e7\u00e3o que pretende acabar com as diferen\u00e7as, colocando todos (trabalhadores, desempregados, produtores e consumidores) na plataforma de devedores ou dependentes. Os Governos perdem o brilho da soberania e a democracia \u00e9 ensombrada pelas asas negras de diferentes dem\u00f3nios interessados apenas na radiografia da alma do credor atrav\u00e9s do ecr\u00e3 do cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ad\u00e3o moderno, anda sempre a caminho, com a d\u00edvida \u00e0 frente; esta \u00e9 companheira e justifica algum benef\u00edcio j\u00e1 gozado no cr\u00e9dito do passado e nas vantagens de um viver presente que um novo cr\u00e9dito proporciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos se inculpam no capital onde buscam o cr\u00e9dito. Os riscos do novo \u201ccrente\u201d s\u00e3o de responsabilidade limitada ao indiv\u00edduo cliente. O antigo pecado original que deu origem \u00e0 economia social passa assim a uma economia das d\u00edvidas.<strong> A perversidade da nova cren\u00e7a econ\u00f3mica est\u00e1 no facto de se transformar dinheiro em d\u00edvidas e d\u00edvidas em posse. O credor an\u00f3nimo tem um poder m\u00e1gico sobre o devedor. A d\u00edvida tem um efeito pedag\u00f3gico e domesticador. Passamos a uma situa\u00e7\u00e3o de leasing onde tudo \u00e9 arrendado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A economia do endividamento j\u00e1 n\u00e3o honra o trabalho nem considera o trabalhador; deixa-se a rela\u00e7\u00e3o produtor-produto, para se passar \u00e0 rela\u00e7\u00e3o credor-devedor. Ao mesmo tempo tenho a impress\u00e3o de nos encontrarmos numa \u00e9poca muito bela e rica mas que ter\u00e1 de estar atenta ao risco de reduzir a pessoa a indiv\u00edduo cliente e a sociedade a um grande mercado de meros indiv\u00edduos de personalidade t\u00e1bula rasa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado Grego \u00e9 um exemplo da nova matriz em via no mundo ocidental. Todos os Estados Europeus eternizam a d\u00edvida, de facto impag\u00e1vel, mas criam uma forma de viver aparentemente mais leve e livre, sem perguntar &#8211; \u00e0 custa do qu\u00ea e de quem? A racionalidade de cima (conhecimento tecnocient\u00edfico) ordena a irracionalidade de baixo (o proletariado). Alia-se o capitalismo cultural ao marxismo cultural. Viver passa a significar mais ter que ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro \u201cA f\u00e1brica do homem endividado\u201d de Maurizio Lazzarato questiona inteligentemente o sistema econ\u00f3mico-financeiro actual mas n\u00e3o deixa propostas para nos desfazermos das d\u00edvidas. Para Lazzarato a melhor maneira de o devedor se livrar do sistema seria criar uma nova inoc\u00eancia segundo a qual os Estados n\u00e3o pagariam a d\u00edvida nem tomariam em conta a moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O capitalismo liberal e o marxismo cultural servem-se do Estado com Purgat\u00f3rio frisador da igualdade que promete o para\u00edso das boas inten\u00e7\u00f5es mas esconde o inferno delas cheio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nTe\u00f3logo e pedagogo<br \/>\nIn Pegadas do Tempo www.ant\u00f3nio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado Purgat\u00f3rio Frisador de uma Igualdade que promete o Para\u00edso Por Ant\u00f3nio Justo Passamos de uma economia, em que trabalho e produto se regulavam atrav\u00e9s da troca com dinheiro (capital), para a nova economia, a economia financeira do endividamento. 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