{"id":3259,"date":"2015-08-07T23:01:46","date_gmt":"2015-08-07T22:01:46","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3259"},"modified":"2015-08-07T23:01:46","modified_gmt":"2015-08-07T22:01:46","slug":"os-riscos-do-crente-ad-hoc-com-uma-identidade-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3259","title":{"rendered":"OS RISCOS DO CRENTE AD HOC COM UMA IDENTIDADE INTERNET"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A Caminho de um Estado Pol\u00edcia e de uma Sociedade de Monop\u00f3lios?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Portugal pioneiro na Aplica\u00e7\u00e3o digital<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nOs dados biom\u00e9tricos dos bilhetes de identidade, encontram-se especialmente desprotegidos em Portugal por reunirem no Cart\u00e3o do Cidad\u00e3o o n\u00famero de identifica\u00e7\u00e3o civil, os dados de acesso \u00e0 conta de sa\u00fade e os dados da Reparti\u00e7\u00e3o de Finan\u00e7as. Estes dados podem ainda ser complementados pela liga\u00e7\u00e3o da conta banc\u00e1ria \u00e0s finan\u00e7as, reunindo assim os pressupostos para a realiza\u00e7\u00e3o de um Estado Pol\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O indiv\u00edduo ao ver o Bilhete de Identidade substitu\u00eddo pelo Cart\u00e3o do Cidad\u00e3o, com a possibilidade de interconex\u00e3o dos dados, passa a ter uma outra plataforma de identidade de caracter meramente funcional. Portugal encontra-se a n\u00edvel t\u00e9cnico na vanguarda da Europa dando a impress\u00e3o de ser a cobaia para posteriores aplica\u00e7\u00f5es nos outros pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia que recolhem dados mas de maneira mais discreta devido \u00e0 discuss\u00e3o cr\u00edtica e p\u00fablica do cidad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A Microf\u00edsica do Poder<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tecto metaf\u00edsico que tem regulado as normas de comportamento da sociedade ocidental revela-se demasiado exigente para uma sociedade de vida ad hoc. \u00c0 regulamenta\u00e7\u00e3o religiosa segue-se a regulamenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que tenta, em nome de valores convencionados, criar um tecto legislativo e uma rede digital que proteja a sociedade dos abusos da liberdade individual. \u00c0 medida que o autocontrolo \u00e9tico e moral de caracter espiritual se esvai, aumenta o controlo externo do foro penal estatal. A desresponsabiliza\u00e7\u00e3o e a despersonaliza\u00e7\u00e3o em via levam o indiv\u00edduo a prescindir de elementos de identifica\u00e7\u00e3o baseados em deidades e em espiritualidades para centrar a sua ac\u00e7\u00e3o numa \u00e9tica da concorr\u00eancia de luta livre pela vida. Passa-se do homo faber que vivia do trabalho com o suor do seu rosto para o homo economicus liberto da culpa mas subjugado \u00e0 d\u00edvida. Nesta sociedade de transi\u00e7\u00e3o, o homo economicus prescindir\u00e1, ocasionalmente, de muitos dos elementos de identidade porque o \u00e2mago da sua alma se encontra identificado no Chip (microplaqueta) do Cart\u00e3o Multibanco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Cart\u00e3o do cidad\u00e3o e na conta Google encontra-se j\u00e1 simbolizada a \u201cmicrof\u00edsica do poder\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A Multipersonalidade de Pessoa e as Identidades digitais<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem viajava nos mundos de Fernando Pessoa encontrava-se j\u00e1 no \u00e2mago da era da transi\u00e7\u00e3o hoje em via. O magn\u00edfico poeta futurista <strong>Fernando Pessoa procede ao desdobramento do \u201ceu\u201d fazendo-o corresponder a diferentes identidades.<\/strong> Ele confirma: \u201cMultipliquei-me para me sentir, Para me sentir, precisei sentir tudo,\u2026 E h\u00e1 em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fernando Pessoa, um vate para iniciados, \u00e9 a express\u00e3o da f\u00e9 moderna que exercita cedo o alargamento da sua Identidade nos Heter\u00f3nimos e que hoje se constata no originar-se de identidades digitais.<\/strong> A internet torna-se como na continua\u00e7\u00e3o da sua literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transmiss\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de dados possibilitam tamb\u00e9m, a n\u00edvel individual (User) a cria\u00e7\u00e3o de &#8220;identidades digitais&#8221;. O User (utilizador) na qualidade de receptor e emissor, tal como acontece em literatura, pode proceder ao alargamento da sua imagem. <strong>O mesmo indiv\u00edduo cria diferentes pap\u00e9is e personagens \u00e0 imagem de Fernando Pessoa com os seus heter\u00f3nimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, \u00c1lvaro de Campos) que apontam para a p\u00f3s-modernidade.<\/strong> A Rede (Net) pressup\u00f5e a possibilidade de criar novos perfis ou de modificar uma sua imagem j\u00e1 existente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os instrumentos digitais facilitam a melhor acomoda\u00e7\u00e3o ao ambiente e possibilitam uma forma\u00e7\u00e3o mais abrangente com aprendizagens mais r\u00e1pidas e a forma\u00e7\u00e3o de um pensar mais diversificado. Tudo isto tem as suas consequ\u00eancias na forma\u00e7\u00e3o de uma nova identidade. <strong>Esta mover-se-\u00e1 mais entre virtualidade e realidade entre aldeia e mundo, criando a ilus\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduo-casa-aldeia-mundo com um outro estilo de vida e uma nova conviv\u00eancia.<\/strong> Da aldeia o usu\u00e1rio, atrav\u00e9s da janela do seu computador, tem a sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de ter o mundo em casa como tamb\u00e9m a intui\u00e7\u00e3o de ser mundo. A sua individualidade acompanha as linhas do seu horizonte que se desloca no sentido global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autopromo\u00e7\u00e3o digital atrav\u00e9s da rede acontece num surfar (&#8220;Surfing&#8221;) que faz lembrar um discurso liter\u00e1rio com diferentes met\u00e1foras e jogos que d\u00e3o asas \u00e0 fantasia e criam a ilus\u00e3o de descorporiza\u00e7\u00e3o e da amplia\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios contornos na constru\u00e7\u00e3o de uma nova identidade que se encontra em processo entre o virtual e o real. \u00c0 desloca\u00e7\u00e3o do foco do Horizonte segue-se a desloca\u00e7\u00e3o (&#8220;glocaliza\u00e7\u00e3o&#8221;) das pr\u00f3prias periferias, criando-se novos espa\u00e7os virtuais, numa imita\u00e7\u00e3o da realidade a que se segue a cria\u00e7\u00e3o de uma nova realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Investiga\u00e7\u00f5es no campo dos jogos virtuais e de outras potencialidades da Internet chegam \u00e0 conclus\u00e3o que o utilizador (User) cria em si uma certa anonimidade atrav\u00e9s da aus\u00eancia do corpo, de apelidos (Nicknames), de confraterniza\u00e7\u00f5es no jogo, da possibilidade de mudar de g\u00e9nero e da comunica\u00e7\u00e3o com todo o mundo.<\/strong> Isto cria nele uma viv\u00eancia especial e a forma\u00e7\u00e3o de um novo desenho da pr\u00f3pria ipseidade. A nova personalidade torna-se dependente do real e do virtual e a percep\u00e7\u00e3o do real e do virtual passa a resultar da depend\u00eancia da intera\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de virtualidade e de realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A obceca\u00e7\u00e3o pela tecnologia e pela digitaliza\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obsess\u00e3o pela tecnologia e pela digitaliza\u00e7\u00e3o de tudo torna fatal o optimismo do progresso pelo facto de querer realizar tudo o que seja poss\u00edvel, como se v\u00ea na doutrina do centro do poder do s\u00e9c. XXI em ac\u00e7\u00e3o a partir do Silicon Valley. A experi\u00eancia milen\u00e1ria mostra que \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o do poder se segue o abuso de poder. O objectivo de se querer um mundo melhor n\u00e3o justifica o uso de todos os meios e, para mais, quando os seus l\u00edderes n\u00e3o aceitam correctivos e n\u00e3o se importam com as infraestruturas da sociedade e da pessoa. Precisa-se da fomenta\u00e7\u00e3o de um sistema em que as pessoas participem, de maneira a resolverem os verdadeiros problemas da natureza (ecologia) e da humanidade (paz, amor e justi\u00e7a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De facto o que se encontra no centro dos interesses \u00e9 o dinheiro e o poder; a mudan\u00e7a da sociedade e do mundo acontece como aspecto colateral ou por acr\u00e9scimo. Assim, o progresso n\u00e3o pode tornar-se num regresso \u00e0 imaturidade. Aqui p\u00f5e-se a quest\u00e3o de quem fomenta e quem controla.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vivemos num per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o em que tamb\u00e9m a controv\u00e9rsia se torna produtiva. Dave Eggers resume no seu livro \u201cThe Circle\u201d os aspectos negativos da sociedade virtual preocupada em se encaixar no sistema e para melhor realizar o seu papel perde de vista o que realmente est\u00e1 a acontecer em todos os sectores da sociedade.<\/strong> As f\u00e1bricas do pensamento criam realidades de facto como as do Vale do Sil\u00edcio (Google,etc.) e s\u00f3 passados tempos se reflecte sobre a situa\u00e7\u00e3o criada e eventuais problemas a ela ligados. Como comentadores encontramo-nos numa luta perene atr\u00e1s da desgra\u00e7a e do medo mas com a satisfa\u00e7\u00e3o de o fazer para que n\u00e3o haja tantas v\u00edtimas do sil\u00eancio. Conscientes de que o centro dos interesses \u00e9 o dinheiro e o poder, importa com o nosso contributo n\u00e3o contribuir para o ru\u00eddo seja ele em termos de cr\u00edtica ou de aplauso, de que t\u00e3o bem tem vivido o mundo do poder e do dinheiro rindo-se da caravana barulhenta que passa enquanto eles ficam.<\/p>\n<p>O romance \u201cThe Circle\u201d de Dave Eggers, adverte para a vis\u00e3o de uma sociedade-Internet; nela a virtualiza\u00e7\u00e3o global e a transpar\u00eancia exigidas por organiza\u00e7\u00f5es globais contradiz a liberdade e a dignidade do cidad\u00e3o. A IT (Vale do Sil\u00edcio), segundo a vis\u00e3o pessimista do romance, quer dotar cada um e toda a popula\u00e7\u00e3o com uma \u00fanica identidade: a identidade de transpar\u00eancia Internet que facilita o controlo global. O \u201cC\u00edrculo\u201d \u00e9 uma superpot\u00eancia Internet, maior e mais radical que todas as empresas at\u00e9 agora existentes. O c\u00edrculo, como coleccionador de dados pessoais, servindo-se da transpar\u00eancia e da rede sabe mais sobre um indiv\u00edduo que ele mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bus\u00edlis da quest\u00e3o, na procura de uma solu\u00e7\u00e3o que d\u00ea continuidade ao progresso e ao mesmo tempo se preserve a dignidade da pessoa, situa-se no facto da ced\u00eancia dos pr\u00f3prios dados proporcionar benef\u00edcios aos que os cedem mesmo com o risco de se abusar deles. O marketing digital usa e abusa das t\u00e9cnicas psicol\u00f3gicas de Pavlov que constam de incentivos e recompensas: se quero ter acesso a uma p\u00e1gina de internet, o irm\u00e3oz\u00e3o Google s\u00f3 me permite tal gosto se deixar l\u00e1 os meus dados pessoais. Pr\u00e9mio e castigo constituem os fatores do triunfo do marketing digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por\u00e9m consolador saber que o futuro continua a depender de cada pessoa e que esta n\u00e3o pode ser reduzida \u00e0 consci\u00eancia que tem do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O pre\u00e7o que todos estamos a pagar por tantas facilidades \u00e9 a liberdade do indiv\u00edduo, o direito \u00e0 comunidade e a op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter de fazer o que outros querem.<\/strong> A alta tecnologia do Vale do Sil\u00edcio determina o futuro sem que a pol\u00edtica se pronuncie sobre ela e o cidad\u00e3o pensa que pensa ao falar dos defeitos e das virtudes dela, quando com isso, se n\u00e3o interfere, segue \u00e9 os interesses dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consequentemente haver\u00e1 que dar mais valor ao entendimento de que a privacidade \u00e9 um direito humano inalien\u00e1vel.<br \/>\nSigo a reflex\u00e3o no pr\u00f3ximo artigo \u201cNA F\u00c1BRICA DAS D\u00cdVIDAS E DA CULTURA CORPORATIVA\u201d<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nTe\u00f3logo e pedagogo<br \/>\nIn Pegadas do Tempo www.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Caminho de um Estado Pol\u00edcia e de uma Sociedade de Monop\u00f3lios? 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