{"id":3233,"date":"2015-07-24T13:42:05","date_gmt":"2015-07-24T12:42:05","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3233"},"modified":"2015-07-24T14:31:30","modified_gmt":"2015-07-24T13:31:30","slug":"a-alemanha-touro-da-vaca-europa-e-seu-bode-expiatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3233","title":{"rendered":"A Alemanha como Touro da \u201cVaca Europa\u201d e seu Bode expiat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Germanofobia encoberta em Afirma\u00e7\u00f5es generalizadoras e Argumenta\u00e7\u00e3o do Tipo Preto ou Branco?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nO Frankfurter Allgemeine de hoje diz: &#8220;A pe\u00e7a teatral ateniense \u00e9 altamente med\u00edocre&#8221;. Med\u00edocre \u00e9 tamb\u00e9m uma imprensa que tendenciosamente demoniza a Alemanha como sendo a respons\u00e1vel pela crise da Gr\u00e9cia que junta em si os sintomas do seu sistema corrupto aos de uma Zona Euro desorganizada e mal ajustada. Tanto a Gr\u00e9cia como a Alemanha fazem parte do mesmo sistema em que nenhum dos pa\u00edses se pode ilibar de erros e virtudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fala-se muito do Diktat alem\u00e3o e da sua prepot\u00eancia econ\u00f3mica. Argumenta-se com as suas atrocidades da Hist\u00f3ria especialmente numa imprensa que antes se virava contra o imperialismo americano e agora acha como suficiente reduzir os problemas da Europa e do globalismo \u00e0 agress\u00e3o econ\u00f3mica da Alemanha. Acho gra\u00e7a que num pa\u00eds como Portugal, num jornal como o P\u00fablico, um jornalista como Boaventura Sousa Santos, no artigo \u201cA Alemanha como problema\u201d se socorra da pedrada \u201cnazista\u201d para fomentar sentimentos antigerm\u00e2nicos em vez de colocar a problem\u00e1tica em termos do liberalismo econ\u00f3mico liberalista e no contexto de uma Europa feita de na\u00e7\u00f5es e de mentalidades extremamente divididas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Do colonialismo para o imperialismo econ\u00f3mico<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 que definir uma Alemanha como o touro da vaca Europa nem t\u00e3o-pouco como seu bode expiat\u00f3rio! O facto \u00e9 que nos encontramos num mudo extremamente complicado e em plena guerra econ\u00f3mica. O problema da Alemanha \u00e9 produzir demais e o dos outros pa\u00edses \u00e9 produzirem de menos e consumirem demais. Numa economia meramente mercantilista querer comparar exig\u00eancias de na\u00e7\u00f5es com 80 milh\u00f5es de cidad\u00e3os e de alta tecnologia e produtividade a outras com uma dezena de milh\u00f5es e pretender coloc\u00e1-las em igualdade de decis\u00e3o seria ing\u00e9nuo ou mera ideologia que, contra a realidade, querer tornar igual o que \u00e9 desigual.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Vassalos da economia ou\/e vassalos das ideologias?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aos colonialismos europeus sucederam os imperialismos dos USA e russo e agora encontramo-nos em pleno imperialismo econ\u00f3mico selvagem.<\/strong> Esta \u00e9 a realidade a enfrentar que tem andado pelos pa\u00edses em desenvolvimento e agora atinge os europeus e em especial os seus vindouros. Os tempos mudaram, antigamente havia guerras hoje h\u00e1 guerrilhas; <strong>ontem dominava a arrog\u00e2ncia b\u00e9lica hoje a arrog\u00e2ncia econ\u00f3mica; ontem prest\u00e1vamos vassalagem \u00e0 Fran\u00e7a e \u00e0 Inglaterra, hoje prest\u00e1mo-la a Bruxelas.<\/strong> Sejamos realistas, procuremos \u00e9 reduzir o n\u00edvel da vassalagem com propostas econ\u00f3micas sem nos tornarmos tamb\u00e9m vassalos de ideologias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A queda do Muro de Berlim (1989) e a correspondente reunifica\u00e7\u00e3o tiveram como consequ\u00eancia a fortaleza da Alemanha. Que esta tente disciplinar os pa\u00edses europeus como se disciplina a si \u00e9 uma quest\u00e3o discut\u00edvel tal como a das diferentes mentalidades na maneira de encarar e resolver os problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a cria\u00e7\u00e3o do euro \u00e9 consequente a concorr\u00eancia econ\u00f3mica desigual porque se d\u00e1 entre sistemas econ\u00f3micos e de finan\u00e7as diferentes; h\u00e1 que corrigir o sistema e canalizar as energias para se n\u00e3o ser v\u00edtima delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No altar da democracia, os sacerdotes da crise simplificam a quest\u00e3o; para explicarem as desigualdades de um sistema desigual, precisam de uma v\u00edtima e de um pecador: da v\u00edtima Gr\u00e9cia e do pecador Alemanha.<\/strong> O problema n\u00e3o est\u00e1 tanto no sermos alem\u00e3es, portugueses ou gregos mas no facto de nos encontrarmos todos no redemoinho financeiro que, atrav\u00e9s das d\u00edvidas, quer a subjuga\u00e7\u00e3o das soberanias nacionais a uma soberania hegem\u00f3nica econ\u00f3mico-financeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o chega defender o soberanismo dos fracos contra o soberanismo dos fortes; a discuss\u00e3o ter\u00e1 de ser no sentido da inclus\u00e3o econ\u00f3mica e cultural de uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros. Na \u00e9poca do globalismo e da reorganiza\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es em zonas de influ\u00eancia econ\u00f3mica, o mito de soberanismos iguais distrai-nos da ocupa\u00e7\u00e3o no essencial, n\u00e3o passando de ecos da revolu\u00e7\u00e3o marxista cultural. <strong>Partir de que \u201cno contexto europeu, o soberanismo ou o nacionalismo entre desiguais \u00e9 um convite \u00e0 guerra\u201e \u00e9 n\u00e3o querer compreender que o pre\u00e7o da Uni\u00e3o Europeia ser\u00e1 bem caro e ter\u00e1 de ser pago com facturas de soberania. Como se pode construir uma Europa de bases democr\u00e1ticas quando a economia em todos os pa\u00edses europeus n\u00e3o se submete \u00e0 democracia e, na realidade, todas as democracias pretensiosamente soberanas se submeteram \u00e0 economia?<\/strong> Importa ser\u00e1 como resolver o dilema.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Trabalhar mais e viver menos ou vice-versa?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m a mim me agradaria mais o estilo da forma de viver \u00e0 maneira Sul, uma maneira mais cat\u00f3lica; s\u00f3 que agora que o Sul professa os mesmos actos de f\u00e9 dos benef\u00edcios do capitalismo protestante n\u00e3o \u00e9 justo que se condenem estes, porque ent\u00e3o o problema passaria a ser a inveja.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00e3o desgastado argumento do respeito pela diversidade implicaria consequentemente o reconhecimento de que o desigual para viver mais trabalhar\u00e1 menos e consequentemente ter\u00e1 de deixar o alem\u00e3o trabalhar mais para que consiga poder mais \u00e0 custa do seu viver menos. N\u00e3o seria correcto querer comer a fatia do bolo e exigir, ao mesmo tempo, que ele fique inteiro! O esp\u00edrito pac\u00edfico da conviv\u00eancia em dignidade democr\u00e1tica e o respeito pela diversidade implicaria ent\u00e3o o aceitar a prepot\u00eancia, a n\u00edvel econ\u00f3mico do irm\u00e3o mais forte e tentar arranjar-se com ele na consci\u00eancia de preservar a irmandade e de uma concorr\u00eancia humana. O facto \u00e9 que toda a Europa se encontra endividada, toda ela se tornou ref\u00e9m da guerra fria entre pol\u00edtica e economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os argumentos baseados num saudosismo dos tempos da guerra fria e de um mundo bipolar correspondem ao mundo de ontem. Quem n\u00e3o reconhece isto ter\u00e1 de perder as energias a mostrar os podres da Alemanha e a esconder os seus. Por vezes tem-se a impress\u00e3o que a Alemanha \u00e9 responsabilizada pela falta de intelig\u00eancia de quem assina contratos, n\u00e3o aplica eficientemente os fundos ou vende a sua soberania em troca de postos a n\u00edvel europeu e mundial. O que est\u00e1 a acontecer n\u00e3o \u00e9 bom para a Europa nem para nenhum pa\u00eds europeu. <strong>A Europa para arrepiar caminho ter\u00e1 de moderar o turbo-capitalismo e o marxismo cultural.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sadismo de lamber o sofrimento das pr\u00f3prias feridas com o sofrimento desej\u00e1vel para os outros nunca ser\u00e1 bom conselheiro e n\u00e3o ajuda ningu\u00e9m. Se n\u00e3o queremos continuar todos a jogar ao faz-de-conta e ao esconde-esconde das mentalidades, se queremos contribuir para um desenvolvimento humano da sociedade europeia, haver\u00e1 que purgar os v\u00edcios que herdamos do tempo das invas\u00f5es francesas e corrigi-los com uma aproxima\u00e7\u00e3o comedida \u00e0 Europa n\u00f3rdica ou renunciar ao consumismo de que tudo, e em especial a cultura, \u00e9 v\u00edtima. A germanofobia \u00e9 t\u00e3o grave como a xenofobia alem\u00e3; uma implementa a outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Concluindo<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma Zona Euro sem um sistema econ\u00f3mico e de finan\u00e7as aferido torna-se em ilus\u00e3o e engano e dar\u00e1 raz\u00e3o \u00e0 nossa sabedoria popular que diz \u201ccasa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o todos berram e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se nos encontramos em tempos da guerra econ\u00f3mica haver\u00e1 que conter a Alemanha levando-a a investir os seus lucros na periferia. <strong>Combater o nacionalismo econ\u00f3mico alem\u00e3o com o nacionalismo pol\u00edtico das na\u00e7\u00f5es torna-se desadequado em termos de objecto e de tempo\u2026<\/strong> A receita para a Europa n\u00e3o pode pressupor a conten\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica alem\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de ac\u00e7\u00f5es precipitadas de um discurso sobre a sa\u00edda do euro, Portugal e os pa\u00edses mais d\u00e9beis deveriam pedir um ajusto de contas quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de investimentos e implementar com o tempo a cria\u00e7\u00e3o de um imposto de solidariedade em todos os pa\u00edses da Zona Euro que seria investido nos pa\u00edses da periferia econ\u00f3mica. Durante uma certa fase o pagamento dos juros aos credores deveria, tamb\u00e9m ele, estar condicionado ao correspondente investimento nos pa\u00edses onde \u00e9 quebrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torna-se cada vez mais corrosivo o esp\u00edrito xenof\u00f3bico popular que se manifesta at\u00e9 em cabe\u00e7as bem pensantes. Se se \u00e9 pela reintrodu\u00e7\u00e3o do Escudo seria importante uma discuss\u00e3o de base econ\u00f3mica mas que, querendo ou n\u00e3o, tem que contar com a maior pot\u00eancia econ\u00f3mica que \u00e9 a Alemanha e, de uma maneira ou de outra, condicionar\u00e1 os h\u00e1bitos de produ\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia de mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7o um pouco a mentalidade dos povos do sul e a mentalidade da Alemanha; por isso sofro dos dois lados, por isso me custa ouvir os de uma mentalidade contra os da mentalidade dos outros, sem perceber que por tr\u00e1s de uma mentalidade se revela uma maneira de ser e estar com um determinado agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo alem\u00e3o pode ter os defeitos que tiver mas \u00e9 um povo consciente, trabalhador, disciplinado, bem estruturado, corajoso, altru\u00edsta, honesto e leal. Se trabalha mais n\u00e3o os devemos invejar por tamb\u00e9m comer mais mas tamb\u00e9m ele n\u00e3o nos deve invejar nem ter pena por vivermos mais e comermos menos.<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nIn \u201cPegadas do Tempo\u201d www.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Germanofobia encoberta em Afirma\u00e7\u00f5es generalizadoras e Argumenta\u00e7\u00e3o do Tipo Preto ou Branco? Por Ant\u00f3nio Justo O Frankfurter Allgemeine de hoje diz: &#8220;A pe\u00e7a teatral ateniense \u00e9 altamente med\u00edocre&#8221;. 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