{"id":3151,"date":"2015-05-21T15:46:34","date_gmt":"2015-05-21T14:46:34","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3151"},"modified":"2015-05-21T15:46:34","modified_gmt":"2015-05-21T14:46:34","slug":"a-procura-de-seguranca-de-acolhimento-e-de-carinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3151","title":{"rendered":"\u00c0 PROCURA DE SEGURAN\u00c7A DE ACOLHIMENTO E DE CARINHO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Vida \u00e9 Sol e Sombra &#8211; um dar \u00e0 Luz expresso no Eco do Grito do Nascimento<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nSomos eternos peregrinos sempre a caminho e a seguir o eco do grito primordial &#8211; aquela dor que nos separou do para\u00edso perdido, da harmonia vaginal, e que \u00e9 a resson\u00e2ncia da consci\u00eancia de se ser algo diferente daquele albergue a que se convencionou chamar terra. Desde que Ad\u00e3o comeu a ma\u00e7\u00e3 da sabedoria, desde que Jesus abandonou a gruta de Bel\u00e9m, desde o nosso grito ao sair do ventre da mae, andamos (como indiv\u00edduos e como sociedade) na procura de organizar a vida de modo a sentir-nos em casa, aquele recanto onde nos sentimos acolhidos e seguros embora conscientes de que a casa n\u00e3o \u00e9 nossa. Da casa, do lar faz parte o aconchego familiar, a l\u00edngua, a religi\u00e3o (cultura), o trabalho, o bi\u00f3topo social, rituais, tu e eu, eu e o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nDevido a tudo isto, acompanha-nos um sentimento de soledade, vest\u00edgio de um sofrimento devido a circunst\u00e2ncias adversas e a um amigo, a uma amiga que nos falta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA press\u00e3o de trabalho e de pessoas exaustivas esvazia o nosso interior e em casos extremos chega a levar ao Burn-out. Por isso se torna importante a conversa pessoal com um amigo, a troca de carinho, tomar iniciativas, ouvir m\u00fasica, fazer at\u00e9 exerc\u00edcios de inspira\u00e7\u00e3o imaginativa do Sol (Deus), da bondade reconfortante e exerc\u00edcios de expirar e sacudir a noite e os pensamentos pessimistas. A arte consiste em sacudi-los nalguma fogueira onde produzam labaredas que aque\u00e7am e iluminem a exist\u00eancia, longe do fumo que intoxica. Somos feitos de fumo e de luz, de frio e calor. Como na electricidade o negativo pode ajudar a levar o positivo a dar luz. Para isso se realizar torna-se necess\u00e1rio um impulso inicial, a iniciativa de algu\u00e9m, num mundo de gra\u00e7a \u00e0 espera da Gra\u00e7a de algu\u00e9m que acenda a minha gra\u00e7a para eu poder acender a gra\u00e7a de algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nJ\u00e1 ao nascermos gritamos lan\u00e7ando para fora a dor do trauma da unidade rompida, no desconforto da sa\u00edda do aconchego do ventre maternal. Nesta desola\u00e7\u00e3o torna-se dif\u00edcil encontrar o sentido, torna-se dif\u00edcil ouvir a voz de quem chama por mim, de quem sabe o meu nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNo c\u00e1 fora do ventre, permanece a nostalgia da procura de uma placenta maternal que transmita calor e o encontro de uns bra\u00e7os que d\u00eaem seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nMuitas vezes o fado da vida leva-nos \u00e0 procura de uma rela\u00e7\u00e3o, de um elo que possibilite reatar o sentimento amoroso do acolhimento original; frequentemente a resposta esvai-se num ecoar afastado que repete a sensa\u00e7\u00e3o do primeiro grito num longe distante de outeiros petrificados que se sucedem uns aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEnt\u00e3o, os bra\u00e7os e as pernas movimentam-se desordenada e instintivamente na procura de algu\u00e9m, para alcan\u00e7ar o que tinha no ventre materno. Do amor e dedica\u00e7\u00e3o experimentada aprender\u00e1 a integrar em si a ordem ou a desordem transmitida. Cada um de n\u00f3s traz consigo as circunst\u00e2ncias (o \u201cpecado\u201d original do p\u00f3 do caminho por onde passa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSa\u00edmos do albergue\/gruta na procura de outras grutas e ao sentirmos a\u00ed carinho criamos uma seguran\u00e7a interior, se a n\u00e3o recebemos na inf\u00e2ncia talvez passemos a ser peregrinos ou forasteiros contentes ou descontentes na procura vincada de acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO buraco n\u00e3o enchido pelo carinho familiar cria a \u00e2nsia de ser amado e procura no outro al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o o carinho que n\u00e3o recebeu. (Muitas vezes, o pr\u00f3prio danificado-depressivo, cria um ambiente enevoado \u00e0 sua volta num determinismo que repete o ambiente da inf\u00e2ncia \u2013 uma sensa\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o baseada na negativa; estas pessoas foram castigadas na inf\u00e2ncia e continuam a castigar-se criando, por vezes, situa\u00e7\u00f5es que repetem a disposi\u00e7\u00e3o e desacolhimento da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\">O Samaritano desce do Selim do seu Pensamento<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nHoje a sociedade \u00e9 muito stressante para os pais criando neles m\u00e1-consci\u00eancia pelo facto de n\u00e3o terem tempo suficiente para receber e dar carinho, especialmente aos filhos.\u2026 Muitos, desiludidos de objectivos n\u00e3o conseguidos, passam a vida a bater \u00e0 porta, de parceiro em parceiro, de albergue em albergue, \u00e0 procura do que n\u00e3o receberam e que por vezes n\u00e3o podem dar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nDe facto somos como uma proveta de vasos comunicantes em que o equil\u00edbrio se adquire na troca de dar e receber numa mistura de fluidos mais ou menos cristalinos. De facto eu sou eu e o que o parceiro me possibilite que seja e o parceiro \u00e9 ele e o que eu lhe possibilito que seja. Cada um espera do outro, aquilo que n\u00e3o tem e, porque tamb\u00e9m o outro anda \u00e0 procura do que lhe falta, ent\u00e3o chega a criar-se caminhos paralelos, onde cada qual se encastela no selim do seu pensamento. O ref\u00fagio do sentimento no pensamento projectado pode favorecer uma vida dupla que prolonga a dor que o sentimento e a falta de ac\u00e7\u00e3o n\u00e3o satisfizeram. Na falta de rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima, da troca de carinhos, talvez por um condicionamento psicol\u00f3gico (narcisismo), n\u00e3o se criam momentos nem rituais comuns possibilitadores de la\u00e7os; acontecem ent\u00e3o mon\u00f3logos em torno do ego que em vez de reconhecer a riqueza m\u00fatua da complementa\u00e7\u00e3o, passa a recorrer \u00e0 auto-afirma\u00e7\u00e3o pela celebra\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria dan\u00e7a em torno de actividades e iniciativas que o distraem da pr\u00f3pria vida. A vida em comum para ser bem-sucedida faria lembrar o agricultor que tem muitas esp\u00e9cies de frutas e procura, da mistura de algumas delas, fazer o melhor sumo. Se sou ma\u00e7\u00e3 e se convivo com uma laranja n\u00e3o haver\u00e1 como deliciar-se com o sumo de laranja ou, no caso de se querer fazer o melhor, observar a melhor percentagem de ma\u00e7\u00e3 e de laranja para obter um sumo mistura que agrade aos dois. O demasiado a\u00e7\u00facar pode tornar-se enjoativo e o demasiado azi\u00fame pode estragar a digest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUma atitude equilibrada exige de n\u00f3s humildade e altru\u00edsmo, compaix\u00e3o e sintonia. Todos somos feitos de barro mas, uns e outros, podemos tornar-nos jarros onde o outro possa beber. Importante \u00e9 a boa vontade e a bonomia para com o mundo exterior a n\u00f3s. O Bom Samaritano (em Lucas 10:30-37) consegue encontrar o judeu a um n\u00edvel que supera a inimizade secular entre os judeus e os samaritanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO samaritano desceu do seu jumento, acolheu e tratou o judeu que jazia ferido no ch\u00e3o, tratou-lhe as feridas com \u00f3leo e com vinho, s\u00edmbolo da consola\u00e7\u00e3o, colocou-o no seu jumento (de igual para igual), e levou-o para um albergue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO albergue \u00e9 o s\u00edmbolo do mundo interior do judeu, da sua ipseidade de que ele \u00e9 hospedeiro no acolhimento da consola\u00e7\u00e3o dada\/recebida. O samaritano ajudou sem tornar o outro dependente; retirou-se no momento oportuno em que o hospedado se torna senhor da pr\u00f3pria \u201ccasa\u201d. O salvado traz em si a salva\u00e7\u00e3o que dever\u00e1 procurar, dentro n\u00e3o fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEm cada um de n\u00f3s h\u00e1 uma gruta onde se encontra o pai e a m\u00e3e (Deus) \u00e0 espera. Muitas vezes passamos a vida a viver em casa dos outros, \u00e0 procura de n\u00f3s, passando sede e frio quando no nosso interior se encontra a gruta de Bel\u00e9m onde os anjos est\u00e3o prontos para nos receberem e aclamarem tamb\u00e9m. A\u00ed encontramos a confian\u00e7a b\u00e1sica original semelhante \u00e0 que t\u00ednhamos no ventre materno. Ent\u00e3o a confian\u00e7a nos leva a entrar na resson\u00e2ncia divina, e a f\u00e9 d\u00e1 repouso porque nos oferece a confian\u00e7a no bom fim de tudo o que fazemos ou acontece. A vida tem sentido e direc\u00e7\u00e3o porque nos encontramos tr\u00eas em comunidade e a caminho: eu e tu a seguir a Verdade.\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUma nova situa\u00e7\u00e3o lembra o eco do grito primordial, aquele grito que nos lan\u00e7ou na aventura da liberdade, condicionada tamb\u00e9m pela experi\u00eancia original. No grito anunciava-se o medo de um fim que afinal se tornou no in\u00edcio de um caminho para uma ordem maior, sa\u00edmos de uma gruta pequena para entrarmos no rega\u00e7o eterno do universo. Do presum\u00edvel fim veio a vida; a infinidade que atemorizava tornou-se princ\u00edpio de nova vida. No fim de cada trajecto, de cada decis\u00e3o h\u00e1 sempre uns bra\u00e7os abertos a receber-nos mesmo quando os n\u00e3o vemos por puro medo ou pelo barulho do grito. A raz\u00e3o \u00e9 fria e distante como o universo mas Deus deu-nos o cora\u00e7\u00e3o que tudo une e abrange com seu calor e acolhimento que a tudo confere o brilho do carinho. N\u00e3o h\u00e1 luz que mostre o amor mas n\u00e3o h\u00e1 amor que apague a luz! S\u00f3 o cora\u00e7\u00e3o consegue derreter o gelo e produzir o fluido que une e torna vis\u00edveis as gal\u00e1xias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEncontramos espiritualidades, a caminho, que nos podem ajudar a chegar a casa e a sentirmo-nos bem nela. A seguran\u00e7a interior n\u00e3o comporta o medo que se quer agarrar a coisas fixas\/seguras porque s\u00f3 se torna seguro quem aprende a andar por cima das \u00e1guas. Nas janelas do teu interior at\u00e9 os v\u00e9us dos teus dogmas e das certezas se esvaem. Surgimos do grito do medo mas no nosso interior e no mundo que ordenamos verificamos que h\u00e1 sempre uma oferta ben\u00e9vola, uma luz que espera por n\u00f3s, que se encontra em n\u00f3s. Uma vez no centro da nossa ipseidade, na nossa casa interior, descobrimos que o seu tecto \u00e9 o universo e que no seu centro se encontra a divindade que nos move nele. Sinceridade e honestidade s\u00e3o meios que nos ajudam a chegar l\u00e1 sem invalidar a tens\u00e3o existente entre indiv\u00edduo e comunidade, entre a parte e o todo.<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nPedagogo e Te\u00f3logo<br \/>\nwww.antonio-justo.eu<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PS. Texto a ser publicado em pr\u00f3ximo livro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vida \u00e9 Sol e Sombra &#8211; um dar \u00e0 Luz expresso no Eco do Grito do Nascimento Ant\u00f3nio Justo Somos eternos peregrinos sempre a caminho e a seguir o eco do grito primordial &#8211; aquela dor que nos separou do para\u00edso perdido, da harmonia vaginal, e que \u00e9 a resson\u00e2ncia da consci\u00eancia de se ser &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3151\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">\u00c0 PROCURA DE SEGURAN\u00c7A DE ACOLHIMENTO E DE CARINHO<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,4,5,8],"tags":[],"class_list":["post-3151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-educacao","category-escola","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3151"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3152,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3151\/revisions\/3152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}