{"id":3126,"date":"2015-04-24T22:00:33","date_gmt":"2015-04-24T21:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3126"},"modified":"2015-04-25T20:36:16","modified_gmt":"2015-04-25T19:36:16","slug":"o-25-de-abril-de-baixo-continua-por-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=3126","title":{"rendered":"O 25 DE ABRIL DE BAIXO CONTINUA POR FAZER"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Uma Revolu\u00e7\u00e3o do Conjuntivo num Portugal sem Amigos<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nEra uma vez a revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril. Aquele dia em que a Hist\u00f3ria, come\u00e7a a dizer-nos adeus e a acenar-nos de volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sob tanta m\u00fasica e tanto aroma do passado, quem tem o poder da interpreta\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ra? Quem tem algo para dizer? A consci\u00eancia da justi\u00e7a perdeu-se. A renova\u00e7\u00e3o precisa de nova orienta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Portugal partido deixou de ser inteiro<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Portugal, sem querer, foi reduzido ao 25 de Abril.<\/strong> A nuvem da ideologia e a tradi\u00e7\u00e3o jacobina n\u00e3o deixam raiar nele o sol de todos: o Sol \u00e9 s\u00f3 delas, n\u00e3o o deixam ser bem-comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revolu\u00e7\u00f5es e 25 de Abril h\u00e1 muitos! Para cada qual o seu Abril! S\u00f3 Portugal n\u00e3o tem nenhum! Portugal partido deixou de ser inteiro porque o partido se esqueceu que \u00e9 apenas uma parte do todo. Num pa\u00eds desagregado em que a P\u00f3lis n\u00e3o flui porque se confunde flu\u00eancia com instabilidade, a vida pol\u00edtica consta de portugueses de extremos: de opressores ou de v\u00edtimas com os correspondentes correligion\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">O 25 de Abril \u00e9 dos portugueses ou de algum partido?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, at\u00e9 porque, por vezes, na opini\u00e3o p\u00fablica se chega a ter a impress\u00e3o que o 25 de Abril \u00e9 perten\u00e7a da esquerda e n\u00e3o do povo portugu\u00eas. Elites portuguesas precisaram de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d para alcan\u00e7ar uma democracia e uma prosperidade que outros povos conseguiram sem ter de dever nada a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00fablico distra\u00eddo vivia no arraial da festa e o cidad\u00e3o p\u00e9-descal\u00e7o, n\u00e3o sentia dores nos p\u00e9s, devido ao encanto da m\u00fasica. Entretanto a m\u00fasica passou, o ritmo desacelerou e s\u00f3 a marcha continua numa cad\u00eancia surda, a viver de ecos long\u00ednquos de solmiza\u00e7\u00f5es desafinadas e reduzidas a \u201cesquerda\u201d-\u201cdireita\u201d. <strong>Tudo, o vento levou. O que nos mantem unidos \u00e9 a palavra democracia, embora j\u00e1 bastante rompida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Feitores e herdeiros do palco \u201c25 de Abril\u201d continuam a fazer acrobacias para adeptos e espectadores enquanto xam\u00e3s republicanos, por tr\u00e1s dos bastidores, garantem o descontentamento como continuidade nacional. Aqueles n\u00e3o t\u00eam perspectiva nem planos a longo prazo e estes n\u00e3o lhes deixam criar condi\u00e7\u00f5es gerais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A democracia recebeu um caracter regional: na monarquia rivalizavam-se as fam\u00edlias nobres, na rep\u00fablica rivalizam-se os partidos. <strong>As fam\u00edlias nobres tinham a terra que os unia, os partidos une-os a ideologia. A sociedade portuguesa n\u00e3o tem uma filosofia conservadora coerente, nem uma filosofia de esquerda s\u00e9ria; na pra\u00e7a p\u00fablica sobressai um discurso e uma praxis diletante de esquerda e de direita!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portugal n\u00e3o tem amigos, e por isso n\u00e3o conhece alternativas; na ger\u00eancia do Estado, a car\u00eancia de programas (e de conceitos) \u00e9 substitu\u00edda pelo rotativismo partid\u00e1rio. Se antes vigorava o direito dos mais valentes depois passou a vigorar o direito dos mais fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">In\u00eas de Castro imagem de um povo sem fam\u00edlia que a acolha<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pol\u00edticos da nossa democracia s\u00e3o surdos \u00e0 voz do povo. <strong>No escuro dos minist\u00e9rios e nas lojas dos irm\u00e3os cruzam-se entumecidos os assassinos de In\u00eas (de Castro) &#8211; a na\u00e7\u00e3o humilhada porque esquecida! Na voz da gente ecoam as s\u00faplicas de In\u00eas num chorar meigo de m\u00e1goas temperadas num amor n\u00e3o correspondido; In\u00eas sofre na aura do meu povo onde brilha o p\u00f4r-do-sol de uma era sem sol nascente.<\/strong> In\u00eas \u00e9 Portugal ao relento que continua a bater \u00e0 porta do Estado, do rei Afonso que a assassina por \u201craz\u00f5es de estado\u201d mas ser\u00e1 reabilitada (s\u00f3 depois da morte) por raz\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o de um Pedro difamado&#8230; A Trag\u00e9dia Castro \u00e9 uma boa imagem da na\u00e7\u00e3o, do 25 de Abril e do povo que continua com destino tr\u00e1gico!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A democracia \u00e9 povo e por isso se manteve longe do Estado;<\/strong> alguns queriam democratizar o sistema mas o sistema acabou por domestic\u00e1-los; ao integrarem-se no sistema, este sugou-lhes a personalidade tornando-os objectos do regime pol\u00edtico e dos correspondentes grupos de interesse, sem ideais nem liga\u00e7\u00e3o ao povo: <strong>onde n\u00e3o h\u00e1 ideais n\u00e3o h\u00e1 povo.<\/strong> Por isso a nossa rep\u00fablica n\u00e3o consegue produzir personalidades de perfil estatal (talvez se note alguma na sua sombra: Manuel de Arriaga, Ramalho Eanes, Salazar e algum que o leitor se lembre). A rep\u00fablica tem sido boa e prof\u00edcua em produzir opositores ao governo mas tem sido m\u00e1 em produzir governantes e personalidades \u00edntegras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O descontentamento \u00e9 geral; por todo o lado surgem candidatos a presidente numa inten\u00e7\u00e3o de encurralarem o \u201cestabelecimento\u201d e a classe pol\u00edtica corrupta. Quer-se uma unidade para l\u00e1 do espectro esquerda-direita no sentido de uma unidade popular contra a corrup\u00e7\u00e3o, contra a elite. A revolta est\u00e1 bem patente mas como \u00e9 de baixo n\u00e3o tem patentes que a fa\u00e7am valer. A hist\u00f3ria de Portugal tal como o regime de Abril, resume-se no dilema entre raz\u00e3o e cora\u00e7\u00e3o, entre D. Afonso e D. Pedro (o Justiceiro) e que se resolve na Trag\u00e9dia de In\u00eas, na trag\u00e9dia do povo, que se revela como a sustentabilidade de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 41 anos festejava o povo, hoje festejam os funcion\u00e1rios dele.<\/strong> Neste contexto, as comemora\u00e7\u00f5es de Abril d\u00e3o mais a ideia de serem um acto de auto-elogio ou de lavagem da pr\u00f3pria consci\u00eancia (ideologia) em louvores mesquinhos ou num bota-abaixo de um passado enevoado para louvar um futuro ensombrado.<\/p>\n<p><strong>O 25 de Abril de baixo continua por fazer e o 25 de Abril de cima encontra-se nas m\u00e3os de \u201cmercen\u00e1rios\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff6600;\">HOJE PORTUGAL CHEIRA A CRAVOS CHEIRA A 25 DE ABRIL<\/span><br \/>\nPortugal cheira a 25 de abril e o 25 de abril cheira a Portugal. S\u00f3 uma atitude respons\u00e1vel pode afirmar a liberdade e para podermos afirmar a liberdade n\u00e3o poderemos eliminar a culpa dos outros nem a nossa: nem a culpa do Estado Novo nem a culpa do 25 de Abril.<br \/>\nO desejo do melhor permanece uma utopia, dado, como \u00e9 pr\u00f3prio da natureza, em todos os regimes e \u00e9pocas existirem o bem e o mal de mistura. Quem quer irradiar o mal da natureza e da sociedade procura a culpa mas n\u00e3o dever\u00e1 esquecer que esta assenta em valores e estes \u00e9 que conferem individualidade \u00e0s pessoas; estas, ao absolutizarem um ou outro valor, d\u00e3o origem \u00e0 diferen\u00e7a que produz a luta. Baseado em valores diferentes, cada um come\u00e7a a salgar a vida do outro\u2026 A natureza e a sociedade n\u00e3o podem viver sem a diferen\u00e7a porque da diferencia\u00e7\u00e3o surge o desenvolvimento. Assim, as diferen\u00e7as te\u00f3ricas permanecer\u00e3o mas a pr\u00e1tica pode unir o que a teoria n\u00e3o pode!<br \/>\nVamos cantar de novo \u201csomos livres\u201d!<br \/>\nAnt\u00f3nio Justo<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nwww.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Revolu\u00e7\u00e3o do Conjuntivo num Portugal sem Amigos Ant\u00f3nio Justo Era uma vez a revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril. Aquele dia em que a Hist\u00f3ria, come\u00e7a a dizer-nos adeus e a acenar-nos de volta. Sob tanta m\u00fasica e tanto aroma do passado, quem tem o poder da interpreta\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ra? 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