{"id":2973,"date":"2014-12-22T12:20:18","date_gmt":"2014-12-22T11:20:18","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2973"},"modified":"2014-12-22T12:20:18","modified_gmt":"2014-12-22T11:20:18","slug":"natal-nao-e-so-uma-festa-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2973","title":{"rendered":"NATAL N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 UMA \u201cFESTA CRIST\u00c3 \u201c"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><span style=\"color: #ff6600;\">NATAL \u00c9 A FESTA DA FAM\u00cdLIA HUMANA<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nTal como o catolicismo, num acto de acultura\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o, assumiu muitos dos costumes, ritos e festas dos <span style=\"color: #000000;\">povos <\/span>com quem esteve em contacto (p.ex.: as celebra\u00e7\u00f5es em torno do solst\u00edcio de inverno), tamb\u00e9m o mundo secular de hoje assume festas crist\u00e3s, nas suas festas irreligiosas, como se observa no Natal onde o aspecto religioso quase n\u00e3o se nota. <strong>Se antes se dava uma cristianiza\u00e7\u00e3o de costumes pag\u00e3os hoje assiste-se \u00e0 paganiza\u00e7\u00e3o de costumes crist\u00e3os.<\/strong> Assim a nossa aten\u00e7\u00e3o perde-se, por vezes, no cheiro da canela, no vinho quente, nos bolinhos, rabanadas, luzes e velas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nComo se v\u00ea, pessoas crentes e mesmo ateias aprendem umas das outras muitas vezes, seguindo a for\u00e7a da rotina. Nestas condi\u00e7\u00f5es a religi\u00e3o corre o perigo de ser banida da vida ou relegada para um sector do cotidiano como o futebol ou o teatro, num pacote do tudo inclu\u00eddo na luta pela exist\u00eancia, pelo dinheiro e pela sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEmbora o Natal continue presente de v\u00e1rias formas, a religiosidade \u00e9 um bem humano fundamental a perseverar e n\u00e3o perder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNo passado, a sociedade ocidental era determinada pela orienta\u00e7\u00e3o religiosa, por vezes, moderada por alguns grupos irreligiosos. Este facto levava a pastoral eclesi\u00e1stica a descurar estes grupos que, por outro lado, precisariam de cultivar o seu caracter religioso.<br \/>\nEntretanto os grupos seculares assumem mais relev\u00e2ncia o que obrigar\u00e1 a Igreja a encontrar formatos e maneiras de di\u00e1logo (por exemplo com a arte e com iniciativas locais) que sejam comuns ao mudo secular e religioso. O padre ter\u00e1 de sair do seu gueto para que n\u00e3o se formem dois grupos (o religioso e o secular), ambos a caminhar paralela e solenemente um ao lado do outro. Ser\u00e1 preciso criar sobreposi\u00e7\u00f5es e pontos de encontro em ac\u00e7\u00f5es comuns. <strong>Quem n\u00e3o reconhece que a realidade acontece no ponto de intersec\u00e7\u00e3o dos diferentes interesses, passa a vida a fugir dela ou a combat\u00ea-la.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA mensagem do Natal ensina que todo o ser humano veio ao mundo por vontade divina. Deus criou o mundo e viu que o que fez era bom. Quem reconhece no cristianismo um projecto de excel\u00eancia para o mundo dever\u00e1 deixar o Esp\u00edrito Santo actuar nele e deste modo descobrir-se e renascer continuamente. Ele \u00e9 aberto e n\u00e3o limita, ele chama todos \u00e0 comunidade da noite da consoada como o pai que n\u00e3o discrimina os nomes dos filhos. O fogo natal\u00edcio de cada pessoa ser\u00e1 a luz que poder\u00e1 iluminar outros a descobrir o Nazareno e a iluminar a noite do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong><span style=\"color: #ff6600;\">Tradi\u00e7\u00e3o: Um Elo de Uni\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nH\u00e1 tanta gente a queixar-se do estresse natal\u00edcio ou do consumismo em torno do Natal. Fazem lembrar a par\u00e1bola do Evangelho das sete virgens prudentes e das sete virgens loucas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO Natal \u00e9 uma oportunidade para se romper com a normalidade da vida cotidiana; \u00e9 o tempo das tr\u00e9guas e da paz. Depois do tempo do jejum ou do estresse que por vezes nos divide, todos se re\u00fanem em torno de uma mesma mesa, todos juntos n\u00e3o s\u00f3 uns com os outros mas tamb\u00e9m com as gera\u00e7\u00f5es passadas, unidos na tradi\u00e7\u00e3o de comidas e bebidas e na encena\u00e7\u00e3o com velas, e no brilho emocional em tudo colocado na prepara\u00e7\u00e3o da festa. <strong>A arte da rica culin\u00e1ria individualizada, destes dias, \u00e9 tamb\u00e9m ela testemunha de carinho, dedica\u00e7\u00e3o e liga\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o; tudo isto nos demarca do dia-a-dia ou do consumo do supermercado.<\/strong> Esta magia do natal n\u00e3o se deixa reduzir a sentimentalismos nem a lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia, como quereriam os agentes da raz\u00e3o. Em Bel\u00e9m junta-se a luz das alturas, a luz da raz\u00e3o, \u00e0 luz do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSaint Exup\u00e9ry em \u201cO Principezinho\u201d constata que \u201c<strong>S\u00f3 se v\u00ea bem com o cora\u00e7\u00e3o, o essencial \u00e9 invis\u00edvel aos olhos<\/strong>. &#8221; Alguns, para n\u00e3o terem de chorar preferem ficar no mirante de uma racionalidade fria n\u00e3o se deixando cativar como dizia ainda Saint Exup\u00e9ry \u201cA gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar\u2026\u201d De facto, o pres\u00e9pio ensina que \u201cAmar n\u00e3o \u00e9 olhar um para o outro, \u00e9 olhar juntos na mesma dire\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><span style=\"color: #ff6600;\">Natal \u00e9 fam\u00edlia<\/span><\/strong><\/span><br \/>\nAs express\u00f5es familiares v\u00e3o-se mudando mas a fam\u00edlia permanece. Na fam\u00edlia tudo se junta, passado e futuro, o divino e o humano.<br \/>\nA gruta de Bel\u00e9m d\u00e1 \u00e0 luz uma nova luz. Uma virgem torna-se m\u00e3e, tamb\u00e9m para nos dizer que na gruta de cada um de n\u00f3s Deus pode nascer.<br \/>\nTamb\u00e9m Deus n\u00e3o queria viver sozinho, por isso se veio encontrar-se connosco na gruta de Bel\u00e9m para festejarmos e cantarmos com os seres celestes e terrestres o hosana nas alturas. Na met\u00e1fora do pres\u00e9pio, na origem da cristandade, participam n\u00e3o s\u00f3 pai, m\u00e3e e filho, mas tamb\u00e9m os anjos, os seres celestes, os pastores, o burro, a vaca e os reis magos. No pres\u00e9pio tudo se encontra e reconcilia para se tornar irm\u00e3o e poder reconhecer-se no irm\u00e3o Jesus. Jesus tamb\u00e9m nasce fora da fam\u00edlia apetecida, fora da fam\u00edlia da propaganda do chocolate.<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nTe\u00f3logo<br \/>\nwww.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NATAL \u00c9 A FESTA DA FAM\u00cdLIA HUMANA Ant\u00f3nio Justo Tal como o catolicismo, num acto de acultura\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o, assumiu muitos dos costumes, ritos e festas dos povos com quem esteve em contacto (p.ex.: as celebra\u00e7\u00f5es em torno do solst\u00edcio de inverno), tamb\u00e9m o mundo secular de hoje assume festas crist\u00e3s, nas suas festas irreligiosas, &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2973\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">NATAL N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 UMA \u201cFESTA CRIST\u00c3 \u201c<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,8],"tags":[],"class_list":["post-2973","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2973"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2974,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2973\/revisions\/2974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}