{"id":2884,"date":"2014-10-08T16:54:05","date_gmt":"2014-10-08T15:54:05","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2884"},"modified":"2014-10-10T10:35:56","modified_gmt":"2014-10-10T09:35:56","slug":"etica-da-responsabilidade-pressupoe-a-educacao-para-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2884","title":{"rendered":"\u00c9tica da Responsabilidade pressup\u00f5e uma Educa\u00e7\u00e3o para a Liberdade"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A liberdade passa pela revis\u00e3o da gram\u00e1tica \u2013 Nossa matriz da vida<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\n\u00c9 essencial o empenho pelo estudo dos problemas humanos sob a perspectiva duma \u00e9tica da insubmiss\u00e3o, porque a pr\u00e1tica do h\u00e1bito e da submiss\u00e3o levou a Hist\u00f3ria a repetir-se, na continuidade de um poder med\u00edocre e violento, que governa o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje j\u00e1 se reconhece a submiss\u00e3o, a rotina e o medo como factores que impedem o desenvolvimento humano<\/strong> e sociol\u00f3gico, porque conduzem \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o, \u00e0 t\u00e9cnica e aos automatismos do imediato consumista e a uma moral ad hoc. Albert Einstein advertia: \u201cOs grandes esp\u00edritos sempre sofreram oposi\u00e7\u00e3o violenta das mentes med\u00edocres. Estas \u00faltimas n\u00e3o conseguem entender quando um homem n\u00e3o se submete, sem pensar, aos preconceitos heredit\u00e1rios e usa a intelig\u00eancia com coragem.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de educar para uma revolta violenta contra os sistemas vigorantes (isso foi o que se fez durante toda a Hist\u00f3ria em lutas, guerras e guerrilhas reactivas); a consist\u00eancia ou inconsist\u00eancia dos Estados actuais \u00e9 o resultado dessa pr\u00e1tica do grupo mais forte que imp\u00f4s o regime, em que cada pa\u00eds se encontra no momento. Enfim, <strong>a Hist\u00f3ria tem sido uma cadeia ininterrupta de assaltos e contra-assaltos.<\/strong> Como este \u00e9 um dado de sustentabilidade negativa, no prolongamento de um passado centrado na viol\u00eancia e no poder, sem sentido pelo viver, ser\u00e1 necess\u00e1ria a propaga\u00e7\u00e3o de uma revolta integral da consci\u00eancia (alma e intelig\u00eancia acordadas e reunidas na intui\u00e7\u00e3o) que possibilite uma maneira de estar pac\u00edfica centrada na pessoa e n\u00e3o nos grupos de for\u00e7a, de maneira a acordarmos para o sentir integral da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conhecimento oficialmente propagado \u00e9 confuso e baseia-se na divis\u00e3o e confus\u00e3o que conduzem \u00e0 concorr\u00eancia, ao conflito e \u00e0 viol\u00eancia; isto porque assim se estabiliza os grupos de atitude violenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ac\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica e a raz\u00e3o, no seguimento da ambi\u00e7\u00e3o, conduzem \u00e0 efic\u00e1cia mas n\u00e3o produzem felicidade; em vez de integrarem os polos extremam-nos no sentido de dividir para imperar (veja-se a de<strong>fini\u00e7\u00e3o<\/strong> partid\u00e1ria na sua din\u00e2mica contra o integral); comporta uma din\u00e2mica do abstrato e da generaliza\u00e7\u00e3o, distante da vida baseada na moral da lei, mas n\u00e3o no indiv\u00edduo concreto; o sistema da autoafirma\u00e7\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o contra o outro j\u00e1 assume, em si, o princ\u00edpio da corrup\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos no quarto est\u00e1dio da \u00e9tica, o est\u00e1dio do amor que integra as partes numa din\u00e2mica de maximiza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e da comunidade (\u00e0 imagem da f\u00f3rmula trinit\u00e1ria) a perspectiva deve incluir todas as perspectivas centradas na pessoa. (O aspecto ut\u00f3pico talvez se situe apenas no momento de projectar a ac\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o individual para o grupo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A mudan\u00e7a qualitativa s\u00f3 poder\u00e1 dar-se mediante a mudan\u00e7a da gram\u00e1tica! Aprender a aprender para libertar\/responsabilizar o Sujeito<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A actividade escolar orienta-nos para o utilit\u00e1rio e eficaz impondo a luta competitiva numa estrat\u00e9gia do \u2018alarga os ombros e deita abaixo\u2019, se queres subir. Trata-se de uma educa\u00e7\u00e3o irreflectida, feita de automatismos que conduzem a um viver no s\u00f3t\u00e3o do pensamento muito longe da vida concreta e em que se procura compreender tudo menos a n\u00f3s mesmos, menos o nosso sentido e o sentido do nosso viver. N\u00e3o respeita as caracter\u00edsticas do indiv\u00edduo. Come\u00e7a por for\u00e7ar o intelecto e negligenciar a emo\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se preocupando com o desenvolvimento da personalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escola e a educa\u00e7\u00e3o partem de diretrizes e planos de enquadramento destinados a encaixar o cidad\u00e3o numa dada inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que ensina, \u00e0 sua maneira, a perceber o que \u00e9, mas n\u00e3o a perceber o como \u00e9 nem o como podia ser. Instrumentaliza-se o indiv\u00edduo, a vida e at\u00e9 os ideais dela. Na escola, deixa de haver indiv\u00edduos concretos para serem desvirtuados no mundo do rebanho centrado num pensar abstracto desresponsabilizador. <strong>Na sociedade, tal como na escola, s\u00f3 h\u00e1 lugar para a manada de complementos tornados predicativos de sujeitos indeterminados. H\u00e1 que personalizar e reabilitar o sujeito indeterminado. A frase com o seu sujeito, predicado e complementos torna-se no s\u00edmbolo de uma sociedade (massa) e de uma vida empedernida em fun\u00e7\u00f5es sem respeito por cada termo em si; aplica-se uma gram\u00e1tica\/did\u00e1ctica que n\u00e3o compreende o termo\/palavra independentemente da sua fun\u00e7\u00e3o e, deste modo, n\u00e3o lhe possibilita liberdade nem responsabilidade pr\u00f3pria.<\/strong> Uma gram\u00e1tica das fun\u00e7\u00f5es contrap\u00f5e-se \u00e0 realidade da mudan\u00e7a cont\u00ednua porque fixa os termos\/pessoas no tempo cronol\u00f3gico e num meio j\u00e1 determinado. Para mudarmos a sociedade e a vida teremos que come\u00e7ar por consciencializar a gram\u00e1tica, nosso rescrito de vida, para assim, consciencializando-nos dos seus par\u00e2metros, sermos capazes de criar novos, o que pressup\u00f5e come\u00e7ar por revolucionar a gram\u00e1tica (reflectindo o seu caracter estigmatimo) ou pelo menos a sua did\u00e1ctica! A mudan\u00e7a qualitativa s\u00f3 poder\u00e1 dar-se mediante a mudan\u00e7a da gram\u00e1tica!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arist\u00f3teles e a Plat\u00e3o apresentam-nos achegas de reflex\u00e3o sobre os valores perenes que nos resguardam de um viver de slogans alienantes formadoras de atitudes e virtudes oportunas para o momento socioecon\u00f3mico em que se vive. O valor perene \u00e9 integrante e como tal n\u00e3o define (\u00e9 inclusivo n\u00e3o colocando o fim, o limite), destr\u00f3i barreiras porque parte de uma vis\u00e3o integral da vida que deixa de ser esquartejada no tempo e consequentemente desconhece o medo enfreador. <strong>Onde h\u00e1 medo h\u00e1 sofrimento, h\u00e1 um ferido e uma batalha perdida. Quem propaga o medo \u00e9 inimigo do homem e da liberdade.<\/strong> Por isso a miss\u00e3o \u00e9 libertar todo o homem, seja ele mu\u00e7ulmano ou crist\u00e3o, seja ele socialista ou capitalista, porque s\u00f3 ent\u00e3o cair\u00e3o as correntes e as muralhas dos prisioneiros que se encontram dentro e fora dos muros. O autoconhecimento conduz \u00e0 experi\u00eancia do suor de sangue no Horto das Oliveiras e \u00e0 express\u00e3o individual de cada um na qualidade de ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As palavras s\u00e3o como o vento que passa e o exemplo \u00e9 como a torrente que arrasta.<\/strong> O problema da mudan\u00e7a permanece bicudo pelo facto de um sistema s\u00f3 se mudar qualitativamente quando os seus membros se mudarem, isto \u00e9, quando grande parte dos indiv\u00edduos se mudarem, o que significa um processo de mudan\u00e7a imensamente lento, porque centrado em cada pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Obedecer\/desobedecer para crescer!<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei, a ideologia, o pensamento n\u00e3o muda basicamente, o que faz mudar \u00e9 a atitude, o comportamento. Enquanto construirmos a nossa identidade identificando-nos com um sistema, pa\u00eds, religi\u00e3o, filosofia ou cultura, estamos a fugir de n\u00f3s e a procurar a seguran\u00e7a fora de n\u00f3s. Esta \u00e9 a trag\u00e9dia. Esperamos de fora no ter o que n\u00e3o somos conscientemente (no ser interior). Isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o devamos pertencer a um partido, a uma religi\u00e3o, ou a um grupo qualquer, como meio e campo de ac\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o como algo de identifica\u00e7\u00e3o ou onde se procura a honra ou o poder. A<strong> natureza n\u00e3o conhece nenhum elemento que em nome do grupo se mate ou mate algu\u00e9m. S\u00f3 o Homem chegou a tal corrup\u00e7\u00e3o desnaturada prescrevendo a morte de pessoas em nome do grupo ou institui\u00e7\u00e3o; tal corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o descarada a ponto de a inscrever como norma em livros sagrados!<\/strong> E o que \u00e9 mais grave a palavra m\u00e1gica \u201creligi\u00e3o\u201d serve para conter as intelig\u00eancias pol\u00edticas e os intelectuais que se desobrigam na confus\u00e3o das interpreta\u00e7\u00f5es ao gosto da bondade ou maldade do cliente, em vez de se centrarem na qualidade da filosofia da religi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pa\u00eds, a na\u00e7\u00e3o, a pol\u00edtica, a ci\u00eancia e a religi\u00e3o n\u00e3o existem para serem servidos, devem ser meios de servir e fazer o bem. <strong>O ser humano \u00e9 superior \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, est\u00e1 antes delas;<\/strong> estas s\u00e3o para o servirem e n\u00e3o o contr\u00e1rio. \u00c9 contra a natureza o fanatismo bem como considerar uma institui\u00e7\u00e3o material ou espiritual como o bem. Estas pecam por delimitarem, definirem (ao determinarem o limite, o fim) de uma realidade que o n\u00e3o tem. O poder reside na divis\u00e3o! Toda a ideologia como toda a institui\u00e7\u00e3o comete o pecado de se arrogar e usurpar a bondade que se encontra na pessoa. <strong>S\u00f3 a pessoa \u00e9 o lugar do bem e do mal.<\/strong> As institui\u00e7\u00f5es e at\u00e9 o sistema mental transferem a vida individual para as ideias e para as rela\u00e7\u00f5es humanas de maneira a serem servidas por estas; conseguem-no ao determinarem a sua identidade na fronteira que separa o que deveria estar unido e rouba ao indiv\u00edduo a sua aur\u00e9ola pessoal transladando-a para a institui\u00e7\u00e3o e fomentando a depend\u00eancia do indiv\u00edduo em vez da sua independ\u00eancia (Confrontar o dolo e o beija-m\u00e3o de personalidades mesmo non gratas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o!). O Jardim infantil das sociedades em que nos encontramos faz lembrar a dan\u00e7a em torno do bezerro da Babil\u00f3nia! Age-se sob o pressuposto que o que as pessoas precisam \u00e9 de uma m\u00fasica qualquer para poderem dan\u00e7ar, independente do valor ou \u00e9tica da \u201cm\u00fasica\u201d. <strong>Fala-se de emancipa\u00e7\u00e3o mas na realidade a mesma sociedade que a defende, a rebaixa, entregando a dignidade humana \u00e0s feras da pra\u00e7a p\u00fablica.<\/strong> Isto n\u00e3o elimina o reconhecimento dos dons e do servi\u00e7o em comunidade, com a comunidade e para a comunidade. Na comunidade h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de sujeitos e n\u00e3o de objectos (o lado oposto da moral de Nicolau Maquiavel) o que permite uma outra interpreta\u00e7\u00e3o dos dons e servi\u00e7os porque a comunidade amplia o membro na complementaridade, n\u00e3o o rouba. \u00c9 necess\u00e1rio criar uma pedagogia da certeza do incerto. Para isso s\u00e3o necess\u00e1rias pessoas adultas e de boa vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A Certeza do incerto<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Temos de reconhecer tamb\u00e9m os limites do nosso sistema de pensamento<\/strong> e tornarmo-nos conscientes do seu condicionamento ao preconceito; de facto n\u00e3o h\u00e1 conceito sem preconceito. As for\u00e7as de poder material ou ideol\u00f3gico usam do preconceito sem passarem pela reflex\u00e3o; usam at\u00e9 da l\u00f3gica para embrulharem a raz\u00e3o; servem-se na escola do preconceito, ensinando-nos a viver dele sem nos consciencializarem de que o preconceito \u00e9 apenas um instrumento necess\u00e1rio para chegarmos \u00e0 apreens\u00e3o da realidade intelectual, sendo ao mesmo tempo uma oportunidade e um perigo falsificador de realidade. O problema da realidade come\u00e7a com a ideia dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se atribuo a uma percep\u00e7\u00e3o ou ideia a mesma realidade existencial (o mesmo conceito de exist\u00eancia) que dou \u00e0 realidade das coisas, identifico imagina\u00e7\u00e3o ou fic\u00e7\u00e3o com a exist\u00eancia do objecto, dando-lhe assim uma outra forma de exist\u00eancia. Daqui o necess\u00e1rio respeito por cada instrumento de acesso \u00e0 Realidade seja ele os sentidos, o sentimento, o intelecto ou a intui\u00e7\u00e3o. <strong>Aqui se situa o bus\u00edlis da quest\u00e3o entre real e irreal, religi\u00e3o (f\u00e9) e ci\u00eancia (opini\u00e3o).<\/strong> Por isso prefiro situar-me na realidade da met\u00e1fora ao descrever ou interpretar as manifesta\u00e7\u00f5es de um real mist\u00e9rio que \u00e9 o mist\u00e9rio do real presumido na met\u00e1fora ou nas diferentes par\u00e1bolas f\u00edsicas, lingu\u00edsticas ou culturais. <strong>Raz\u00e3o \u00e9 a capacidade de julgar entre duas ideias, no caminho da cren\u00e7a ou da opini\u00e3o; o problema come\u00e7a com a valoriza\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo feito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro passo a encetar ser\u00e1 a consciencializa\u00e7\u00e3o e auto- consciencializa\u00e7\u00e3o da estrutura falsa e falsificadora vigente em n\u00f3s mesmos e nas diferentes estruturas sociais. N\u00e3o podemos destru\u00ed-las porque se o fiz\u00e9ssemos destruir\u00edamos o homem e a sua a cultura. Uma nova educa\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de tender a distinguir entre os preconceitos necess\u00e1rios e os preconceitos nocivos e a encarar a resolu\u00e7\u00e3o de problemas sob uma perspectiva individual respons\u00e1vel que parta da perspectiva do n\u00f3s para o eu gratificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se encontra a certeza no ser pelo que, para o bom viver, h\u00e1 que se dedicar aos modos de ser. Na falta da certeza h\u00e1 que descobrir e experimentar como \u00e9 o falso e como \u00e9 o verdadeiro. Trata-se de come\u00e7ar a gatinhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Urge uma revolu\u00e7\u00e3o cultural centrada na forma\u00e7\u00e3o individual para se poder libertar a pessoa de velhas estruturas para tornar poss\u00edvel a transforma\u00e7\u00e3o do homem e, atrav\u00e9s deste, da sociedade; uma revolu\u00e7\u00e3o que parta do interior integral e se oriente para o interior de cada um (autoconhecimento, consci\u00eancia da ipseidade) atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o de um novo sistema de pensar e dum novo conhecimento. <strong>O entendimento e o pensamento s\u00e3o como a l\u00edngua; a linha da fronteira de uma l\u00edngua limita o horizonte do falante; limita o horizonte intelectual e limita a circula\u00e7\u00e3o fora dela.<\/strong> Trata-se portanto de criar uma linguagem universal que toque o cora\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo e a intelig\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano \u00e9 um milagre em cont\u00ednua cria\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deve ser domesticado nem encarneirado por institui\u00e7\u00f5es em quem a manada projecta a aura e o horizonte do pr\u00f3prio ser, com desejos provindos de recalcamentos num eu n\u00e3o consciente. Tamb\u00e9m a borboleta para poder voar teve que passar pela mudan\u00e7a progressiva. <strong>A meta da pessoa n\u00e3o \u00e9 o para\u00edso nem o nirvana, mas sim a sua flora\u00e7\u00e3o no ressuscitado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A degrada\u00e7\u00e3o do Homem e da sociedade parece irreparavelmente inexor\u00e1vel porque as institui\u00e7\u00f5es que a constituem (fruto da precaridade individual), s\u00e3o incapazes e, consequentemente, produtoras de crises. Neste sentido torna-se inoportuna uma avalia\u00e7\u00e3o dos valores que nos conduzem \u00e0 precaridade da consci\u00eancia (hipocrisia, inveja, sede de poder, nacionalismo, racismo, etc.). Temos constru\u00eddo a casa sobre a areia, partindo do princ\u00edpio que se alcan\u00e7a paz com m\u00e3os de guerra. <strong>Enquanto a esperan\u00e7a se basear no medo n\u00e3o haver\u00e1 solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica.<\/strong> Por isso Cristo resume a vida integral: \u201ceu sou o caminho, a verdade e a vida\u201d. Para l\u00e1 chegar \u00e9 preciso aprender a pensar fora dos modelos que nos prendem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">\u00c0 maneira de conclus\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se queres ver a Lua n\u00e3o esperes pela noite, o seu melhor rosto \u00e9 ao p\u00f4r-do-sol.<\/strong> Porque n\u00e3o vivemos o presente na realiza\u00e7\u00e3o da felicidade, adiamo-lo e com ele a n\u00f3s para um amanh\u00e3 em que projectamos esperan\u00e7as (tornamo-nos progressistas ou conservadores sem ter consci\u00eancia do agora que culpa o passado ou espera no futuro, encobrindo, deste modo, a pr\u00f3pria viol\u00eancia interior, que se revela na car\u00eancia do presente). Ref\u00e9ns da causalidade, adiamos a resolu\u00e7\u00e3o da paz para outros, para os vindouros, tornando-a um energ\u00fameno do futuro que nos leva a fugir de n\u00f3s e a distrair do presente. <strong>O passado (\u00e9 a mem\u00f3ria feita tempo), presente (o acontecer no eixo do tempo\/fora do tempo) e futuro (\u00e9 projec\u00e7\u00e3o feita tempo); passado e futuro s\u00e3o aspectos de algo que deveria ser s\u00f3 presente (Kair\u00f3s), o fora do tempo. A vida inteira \u00e9 viver e morrer, esfor\u00e7o e paz, cont\u00ednua muta\u00e7\u00e3o num processo de integra\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios polos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A via tem dois sentidos e a vida tamb\u00e9m. Seguindo no sentido contr\u00e1rio da via dificultamo-nos a exist\u00eancia, dando-lhe pernas de afli\u00e7\u00e3o e ambi\u00e7\u00e3o\/conflito, porque atados \u00e0 trela do tempo. <strong>O h\u00e1bito e a acomoda\u00e7\u00e3o \u00e9 tempo morto na rotina que nos empedernece.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No escurecer do pensamento levanta-se o amor que n\u00e3o \u00e9 desejo mas sensa\u00e7\u00e3o inocente do infinito; ent\u00e3o chega a intimidade da noite escura onde s\u00f3 as estrelas falam do milagre que o universo faz brilhar nos nossos olhos. S\u00f3 na noite surgem as estrelas, s\u00f3 no sil\u00eancio da mente se ganham asas para voar at\u00e9 ao firmamento onde o muro das ideias, culturas, anseios e preocupa\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o fazem sombra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos levados pelas ondas das influ\u00eancias pol\u00edticas, religiosas, individuais e sociais de que nos temos de libertar. Eu noto em mim uma grande pris\u00e3o, que \u00e9 a consci\u00eancia da defesa de valores crist\u00e3os que reconhe\u00e7o como inalien\u00e1veis para o futuro mas que me levam a ter medo do Isl\u00e3o. Um medo que me leva a n\u00e3o viver no presente com o medo do que acontecer\u00e1 no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo em que se aspira a autoridade e posi\u00e7\u00e3o social j\u00e1 n\u00e3o se \u00e9 livre, o mesmo se diria pela \u00e2nsia de ser virtuoso ou bom; contudo, na falta de liberdade \u00e9 melhor estar-se preso pela \u00e9tica, desde que se tenha consci\u00eancia disso. Se tenho a for\u00e7a de ser eu j\u00e1 n\u00e3o tenho medo de ser bom nem mau; na virtude e no pecado assumo ser eu conscientemente. Ent\u00e3o desta perspectiva compreenderei a pr\u00f3pria compreens\u00e3o e a dos outros, ciente de que nesse entremeio se realiza a transforma\u00e7\u00e3o que possibilita o milagre. Se me compreender compreendo o mundo e ao compreender-me viverei em paz com ele. Uma cultura ou uma pessoa fechada na pr\u00f3pria \u00f3rbitra como a Terra em volta do Sol circunscreve-se a si subestimando a realidade do universo. Se queremos descobrir o universo teremos de n\u00e3o dar relevo \u00e0 pr\u00f3pria girat\u00f3ria. Esta \u00e9 a diferen\u00e7a entre um sat\u00e9lite e uma estrela.<br \/>\n<strong>\u00a9Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nJornalista e Ex-professor de filosofia aplicada<br \/>\nwww.antonio-justo.eu<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liberdade passa pela revis\u00e3o da gram\u00e1tica \u2013 Nossa matriz da vida Por Ant\u00f3nio Justo \u00c9 essencial o empenho pelo estudo dos problemas humanos sob a perspectiva duma \u00e9tica da insubmiss\u00e3o, porque a pr\u00e1tica do h\u00e1bito e da submiss\u00e3o levou a Hist\u00f3ria a repetir-se, na continuidade de um poder med\u00edocre e violento, que governa o &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2884\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">\u00c9tica da Responsabilidade pressup\u00f5e uma Educa\u00e7\u00e3o para a Liberdade<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[14,4,5,7,8],"tags":[],"class_list":["post-2884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-educacao","category-escola","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2884"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2890,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2884\/revisions\/2890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}