{"id":2861,"date":"2014-09-17T18:17:40","date_gmt":"2014-09-17T17:17:40","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2861"},"modified":"2014-09-19T13:39:35","modified_gmt":"2014-09-19T12:39:35","slug":"a-guerrilha-islamica-determina-a-cisao-dos-povos-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2861","title":{"rendered":"A GUERRILHA ISL\u00c2MICA DETERMINA A CIS\u00c3O DOS POVOS NO S\u00c9CULO XXI"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Ensaio sobre a situa\u00e7\u00e3o da S\u00edria e do Iraque como express\u00e3o da luta intercultural<\/span><\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Por Ant\u00f3nio Justo<br \/>\nNo mundo contempor\u00e2neo, a viol\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o religiosa parte praticamente do Isl\u00e3o. Isto fomenta a incompreens\u00e3o do isl\u00e3o e muitos mu\u00e7ulmanos moderados de boa-f\u00e9 sentem-se colocados no pelourinho. As for\u00e7as radicais e escuras est\u00e3o interessadas em fomentar motivos de incompreens\u00e3o porque s\u00f3 assim se encontram no seu Mileu e justificar o seu agir irracional.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Tornar o Isl\u00e3o compat\u00edvel com outras culturas e religi\u00f5es<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Torna-se urgente uma reforma do isl\u00e3o a partir do seu interior que possibilite a passagem da sociedade patriarcal e medieval para a sociedade moderna onde o centro da realidade passa a acontecer na pessoa e a express\u00e3o pol\u00edtica se realiza numa forma de democracia (comunidade) que possibilite a liberdade do indiv\u00edduo, de modo a que este fa\u00e7a o que quer, desde que n\u00e3o incomode ningu\u00e9m.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>A confus\u00e3o, que se observa a n\u00edvel de teoria e no \u00e2mbito da ac\u00e7\u00e3o da sociedade isl\u00e2mica, deve-se tamb\u00e9m \u00e0 falta de separa\u00e7\u00e3o n\u00edtida no Cor\u00e3o e nos Ditos do profeta entre religi\u00e3o e viol\u00eancia, entre regra e extremismo, o que impossibilita distinguir entre quem obedece \u00e0 norma religiosa e quem n\u00e3o.<\/strong> N\u00e3o se tratar\u00e1 de rejeitar o isl\u00e3o, como fazem alguns intelectuais mu\u00e7ulmanos, mas de o reformar com uma interpreta\u00e7\u00e3o adaptada aos nossos tempos (reconhecendo muito embora a dificuldade dado n\u00e3o haver sincroniza\u00e7\u00e3o do tempo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s culturas). <strong>Tratar-se-ia de encontrar uma defini\u00e7\u00e3o e uma pr\u00e1tica isl\u00e2mica aberta e compat\u00edvel com outras religi\u00f5es e culturas, com outros valores, outras constitui\u00e7\u00f5es de estados e com a modernidade na aplica\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/strong> S\u00f3 uma atitude tolerante e integrativa, respeitadora das religi\u00f5es e do estado de direito, pode servir os mu\u00e7ulmanos democr\u00e1ticos e livres bem como as outras culturas. O isl\u00e3o tem de reconhecer a realidade natural da variedade e as leis da evolu\u00e7\u00e3o, doutro modo, ao fechar-se numa vis\u00e3o patriarcal, apressa a sua derrocada embora englobe muita riqueza art\u00edstica no mosaico das culturas.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">O Terror jihadista isl\u00e2mico \u00e9 a Luta contra a pr\u00f3pria Queda<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Como se observa do mundo \u00e1rabe ou do mundo subjugado ao isl\u00e3o, onde n\u00e3o h\u00e1 ditadura ou regime autorit\u00e1rio, abundam os movimentos extremistas que impedem a estabilidade interna. Por toda a parte, onde se encontre um vazio regulamentar pol\u00edtico, logo a frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 compensada religiosamente, atrav\u00e9s da viol\u00eancia e de mercen\u00e1rios cegos ao servi\u00e7o duma cultura do medo.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Toda a ideologia pol\u00edtica ou religiosa, que considere o seu ponto de vista como a \u00fanica via correcta de vida, desconhece a rela\u00e7\u00e3o entre percep\u00e7\u00e3o (conceito) e realidade, <strong>vendo-se condenada a viver da guerrilha e a fracassar, dado o desejo de liberdade inato ao Homem n\u00e3o poder ser ininterruptamente oprimido, por um regime ou uma cultura,<\/strong> e, al\u00e9m do mais, num mundo chamado a transformar-se numa aldeia de vizinhos. Tamb\u00e9m Maom\u00e9 dizia: \u201co que n\u00e3o serve o homem vai abaixo como uma onda no oceano\u201d. Os tempos mudaram e com eles muda o Homem e as circunst\u00e2ncias, tudo \u00e9 processo; quem n\u00e3o quer ficar sob as rodas da Hist\u00f3ria, tem que verificar o que ent\u00e3o \u201cservia\u201d o homem e o que hoje j\u00e1 n\u00e3o serve o Homem. Recorrer sistematicamente \u00e0 viol\u00eancia para resolver problemas \u00e9 desumano e destrutivo.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O bus\u00edlis mu\u00e7ulmano est\u00e1 no facto de s\u00f3 admitir, na sua sociedade, a curto ou a longo prazo, o falar do Deus registado no Cor\u00e3o, ficado assim demasiado timbrado pelo patriarcalismo do Antigo Testamento e das tribos \u00e1rabes sem perspectiva para uma sociedade aberta dado n\u00e3o ter integrado no isl\u00e3o as novas culturas e geografias onde se espalhou (isto vem do facto de considerar a revela\u00e7\u00e3o divina como enlivra\u00e7\u00e3o empedernida &#8211; Deus tornado livro &#8211; n\u00e3o integrando nela a revela\u00e7\u00e3o divina que se d\u00e1 atrav\u00e9s da Hist\u00f3ria e da natureza, como fazem os crist\u00e3os). Consequentemente, t\u00eam de viver no gueto ou transformar o mundo no seu gueto; enquanto se encontram em minoria vivem no gueto apresentando-se ad extra como conciliadores; mas, uma vez alcan\u00e7ada maior presen\u00e7a no meio, as for\u00e7as extremistas imp\u00f5em-se aos \u201coutros\u201d, aos diferentes, (este processo tamb\u00e9m se observa na mudan\u00e7a de atitude de Maom\u00e9 quando passou de Meca para Medina e se pode observar na mudan\u00e7a de opini\u00e3o de Deus nas Suras &#8211; tolerantes do Cor\u00e3o escritas em Meca e nas escritas em Medina \u2013 Suras intolerantes) de maneira a torna-los numa monocultura por imposi\u00e7\u00e3o. O exemplo de Maom\u00e9 e a doutrina hegem\u00f3nica que suporta o isl\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o deixa viver em paz as confiss\u00f5es isl\u00e2micas sunitas (cerca de 80% dos mu\u00e7ulmanos no mundo) nem as xiitas (cerca de 20%) e do mesmo modo os correspondentes subgrupos alevitas (o mais liberal), o wahhabismo, o sufismo, os salafitas, etc, que disputam o poder entre si em nome de Al\u00e1.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">A \u201cCasa da Submiss\u00e3o\u201d a Al\u00e1 e a \u201cCasa da Guerra\u201d<\/span><\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A falta de honestidade \u00e9tica, identifica o isl\u00e3o como religi\u00e3o da paz mas n\u00e3o esclarece que entende por paz a sua paz mu\u00e7ulmana (a paz da Umma) e mesmo assim guerreiam-se uns aos outros. O Evangelho j\u00e1 avisava: \u201cQuem vive pela espada, pela espada morrer\u00e1\u201d (Mt 26:52). Naturalmente a esmagadora parte dos mu\u00e7ulmanos \u00e9 inocente e n\u00e3o conhece sequer a filosofia ambivalente do Cor\u00e3o ou dos que o aplicam ou utilizam.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do Ocidente que acentua o ide\u00e1rio da pluralidade de na\u00e7\u00f5es como factores de identifica\u00e7\u00e3o e de identidade (<strong>sociedade aberta<\/strong>), a civiliza\u00e7\u00e3o \u00e1rabe tende, duma maneira geral, a identificar na\u00e7\u00e3o (a na\u00e7\u00e3o \u00e1rabe ou mu\u00e7ulmana) com a religi\u00e3o, o que cria problemas com as culturas que incorpora (como<strong> sociedade fechada<\/strong>). Na falta de uma consci\u00eancia nacional t\u00e3o diferenciada acentua a consci\u00eancia da Umma (a comunidade dos crentes mu\u00e7ulmanos) que os distingue doutras pessoas: \u2018a casa do isl\u00e3o\u2019 = \u201cDar ul-Islam\u201d em contraposi\u00e7\u00e3o com a \u2018casa da guerra\u2019 = \u201cDar ul-Harb\u201d). Divididos entre o desejo de autodetermina\u00e7\u00e3o (individualidade) e comunidade abdicam da individualidade que colocam incondicionalmente ao servi\u00e7o de um grupo (ex. os m\u00e1rtires assassinos, semelhantes aos Kamikazes &#8211; &#8220;vento divino&#8221; japoneses), que tenta democratizar a viol\u00eancia. A Umma tem a vantagem de dar consci\u00eancia a uma massa que, doutro modo, andaria \u00e0 deriva e apresenta-se como contrapeso \u00e0 (comunidade) sociedade ocidental que, talvez peque pelo outro extremo e se esvai no indiv\u00edduo. L\u00edderes mu\u00e7ulmanos parecem apostar num deus guerreiro e na religi\u00e3o como tecto cultural, enquanto l\u00edderes ocidentais parecem apostar nas armas, na economia e na democracia como tecto cultural.<\/h2>\n<h2>A fortaleza e a fraqueza do mundo isl\u00e2mico parecem vir-lhe do aspecto confuso que n\u00e3o permite localizar concretamente os conflitos.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m nos pa\u00edses de imigra\u00e7\u00e3o de mu\u00e7ulmanos, estes sobressaem pela reivindica\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios direitos em contraposi\u00e7\u00e3o aos da sociedade acolhedora. Procuram organizar uma justi\u00e7a paralela ou alcan\u00e7ar nos sistemas judiciais dos pa\u00edses de imigra\u00e7\u00e3o, contrapartidas de cunho religioso conseguindo penas mais leves para delitos provindos de casamentos for\u00e7ados ou de viol\u00eancia do homem para com a mulher (aqui o direito penal entra em conflito com a Constitui\u00e7\u00e3o que defende a integridade corporal e a liberdade individual e a lei isl\u00e2mica passa sobrepor-se \u00e0 lei do Estado; tal comportamento dificulta a integra\u00e7\u00e3o, encoraja o gueto e at\u00e9 a convers\u00e3o para homens que queiram ter mais direitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher). Exigem tribunais pr\u00f3prios para arbitragem de lit\u00edgios entre eles estabilizando assim a vida social paralela de gueto e uma justi\u00e7a paralela. O problema n\u00e3o est\u00e1 nas exig\u00eancias nem na diferencia\u00e7\u00e3o mas no facto de se criarem espa\u00e7os vazios do direito em que se desfavorece o direito individual para se favorecer o direito cultural religioso.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Muitos organizam manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas contra Israel e contra a proibi\u00e7\u00e3o do len\u00e7o mas n\u00e3o protestam publicamente contra os correligion\u00e1rios que usam a sua religi\u00e3o para fins terroristas (sentem-se depressa numa situa\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas e de coitadinhos, porque \u2018de-finem\u2019 a sua identidade pela religi\u00e3o e em contraposi\u00e7\u00e3o aos que vive fora dos seus muros). Isto \u00e9 compreens\u00edvel a n\u00edvel individual e psicologicamente mas a n\u00edvel social torna-se conflituoso.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Na Alemanha, Wupertal, grupos Salafistas n\u00e3o se comportam em conformidade com a lei e j\u00e1 se manifestam como \u201cScharia Police\u201d para controlarem lugares p\u00fablicos frequentados por mu\u00e7ulmanos.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Os salafistas, um movimento extremista financiado especialmente pela Ar\u00e1bia Saudita, e espalhado por todo o mundo, tem uma mundivis\u00e3o simples com um sistema de pensar s\u00f3 a preto e branco. T\u00eam aceita\u00e7\u00e3o entre os povos carentes porque tamb\u00e9m prestam aux\u00edlio com projectos caritativos em nichos que os Estados n\u00e3o cobrem. Na Europa, segundo uma investiga\u00e7\u00e3o, dirigem-se a grupos marginais e com pouca forma\u00e7\u00e3o cultural, onde recrutam os seus seguidores que \u201ccom prazer s\u00e3o enviados para ataques suicidas, porque n\u00e3o s\u00e3o bons para mais nada\u201d.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Torna-se anacr\u00f3nico que, em pa\u00edses desenvolvidos, a pol\u00edcia estatal, tenha medo de entrar em certos bairros. O vigilantismo familiar e grupal tem tradi\u00e7\u00e3o na \u201cvergonha da honra familiar\u201d que se sente ultrajada por costumes diferentes dos seus. Na Alemanha ainda n\u00e3o houve ataques terroristas concretizados porque o pa\u00eds tem um sistema de organiza\u00e7\u00e3o muito efectivo que trabalha silenciosamente e de modo preventivo.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Por isso <strong>o Governo alem\u00e3o determinou a 12.09.2014 que, a partir de agora, ficam proibidos os s\u00edmbolos da mil\u00edcia terrorista IS,<\/strong> como seja, a Bandeira, qualquer participa\u00e7\u00e3o na IS, propaganda na Internet ou nas manifesta\u00e7\u00f5es, recrutamento de combatentes, trazer s\u00edmbolos ou recolher ofertas. Na Alemanha os salafistas s\u00e3o o grupo extremista talvez mais organizado, dedicando-se ao recrutamento e autoafirma\u00e7\u00e3o saindo do seu meio jihadistas que lutam especialmente no M\u00e9dio Oriente.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Na Europa a economia e a pol\u00edtica t\u00eam agido irresponsavelmente no que toca \u00e0 defesa do povo e do cidad\u00e3o pelo facto de n\u00e3o se preocupar com a comunidade; reduz o ser humano a uma for\u00e7a de trabalho em coniv\u00eancia com o sistema \u00e1rabe que o reduz a for\u00e7a religiosa.<\/strong> Grande parte do povo, nas grandes cidades j\u00e1 tem medo de se movimentar em certos bairros. Com a cumplicidade pol\u00edtica e dos governantes, que olham de longe o problema, sem se preocuparem com estrat\u00e9gias de reciprocidade, criam-se os pressupostos para a organiza\u00e7\u00e3o de bandos como acontece em favelas. A situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria de tais grupos torna-se mais complicada ainda porque al\u00e9m dos muros da pobreza tem o muro da religi\u00e3o, o que dificulta uma solidariedade isenta.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">O Caos da Situa\u00e7\u00e3o e o Paradoxo da \u201cGuerra santa\u201d das Armas e do Sexo<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">No Iraque, tal como na S\u00edria, h\u00e1 um enredo de interesses disputados por sunitas, xiitas, curdos, americanos, russos, turcos, Kuwait, Catar, ir\u00e3o e Ar\u00e1bia Saudita, que se podem resumir como guerra intercultural e econ\u00f3mica. \u201cO terror isl\u00e2mico \u00e9 executado na linha de distin\u00e7\u00e3o entre sunitas e xiitas\u201d, constata Gilles Kepel; esta linha, <strong>\u00e0 maneira das cidades muralhadas medievais, assenta na mundivis\u00e3o de demarca\u00e7\u00e3o mural, entre o n\u00f3s e os outros e na estrat\u00e9gia de autoafirma\u00e7\u00e3o pela contraposi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos de fora.<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O movimento terrorista IS (Estado Isl\u00e2mico ou Califado), presente na S\u00edria, \u00e9 contra os xiitas iranianos que apoiam o presidente alevita Bashar al-Assad, (alevitas s\u00e3o 10% da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria). A guerra civil j\u00e1 provocou 160.000 v\u00edtimas, encontrando-se 9 milh\u00f5es de s\u00edrios em fuga.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A mil\u00edcia IS interv\u00e9m agora no Iraque com 17.000 combatentes e conta com o apoio activo das tribos sunitas. O movimento IS e os salafistas, em geral comportam-se como os seus antepassados da Idade M\u00e9dia. Pretendem instalar um reino de terror religioso (Estado Isl\u00e2mico) numa zona de muito petr\u00f3leo que lhes conferiria grande poder econ\u00f3mico e estrat\u00e9gico em rela\u00e7\u00e3o aos xiitas do Ir\u00e3o e a Israel. Querem voltar aos princ\u00edpios do Isl\u00e3o n\u00e3o suportando a seu lado crentes doutra f\u00e9 nem t\u00e3o-pouco correligion\u00e1rios mu\u00e7ulmanos moderados. Movidos pela energia criminosa dos talibans do Afeganist\u00e3o pretendem fazer do Iraque e da S\u00edria um novo Afeganist\u00e3o. <strong>No Iraque, antiga mesopot\u00e2mia, babil\u00f3nia, repete-se o drama dos tempos b\u00edblicos.<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Quando o movimento IS actuava s\u00f3 na S\u00edria o fogo cruzado dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidental apelava ingenuamente \u00e0 necessidade de apoio destes b\u00e1rbaros assassinos que serviam os interesses da dupla moral ocidental. Agora, no Iraque junta-se a causa das refinarias e dos po\u00e7os de petr\u00f3leo!&#8230;<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A solidariedade mu\u00e7ulmana internacional consegue mobilizar mil\u00edcias desestabilizadoras de governos e regi\u00f5es. Prov\u00eaem especialmente da Ar\u00e1bia Saudita, da Tun\u00edsia e mant\u00eam na S\u00edria 4.000 prisioneiros entre os quais 20 americanos e europeus. S\u00f3 da Alemanha j\u00e1 se encontram 400 combatentes isl\u00e2micos no tereno.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>A utiliza\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o e da mulher para fins patriarcalistas<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Ultimamente, pregadores jihadistas (defensores da guerra santa) conseguiram mobilizar mulheres tunesinas em servi\u00e7o da jihad sexual na S\u00edria; isto \u00e9, estas jovens\/mulheres a partir dos 13 anos disponibilizam o seu corpo aos guerrilheiros na S\u00edria motivando os guerreiros de Al\u00e1 e ganhando o para\u00edso com a sua contribui\u00e7\u00e3o. <strong>A Tun\u00edsia tornou p\u00fablico o Jihad sexual na S\u00edria revelando que as volunt\u00e1rias chegam a ter \u201crela\u00e7\u00f5es sexuais com 20, 30\u2026 at\u00e9 100 jihadistas\u201d,<\/strong> como confirma o ministro do Interior da Tun\u00edsia, Lofti Ben Jedu, ao reconhecer o retorno de mulheres gr\u00e1vidas. Nas Palavras do Profeta, s\u00e3o prometidas, como pr\u00e9mio a cada m\u00e1rtir do isl\u00e3o, 72 virgens acompanhadas de 70 amas o que corresponde a 5.040 mulheres por m\u00e1rtir. Tamb\u00e9m por isso n\u00e3o faltam os jhiadistas prontos a sacrificar-se pela religi\u00e3o. Entretanto tamb\u00e9m h\u00e1 mulheres jhiadistas; qual ser\u00e1 o pr\u00e9mio receber\u00e3o delas?)<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A &#8220;guerra santa do sexo&#8221; (jihad al nikah) \u00e9 considerada leg\u00edtima por l\u00edderes salafistas que pretendem voltar \u00e0s origens; as interessadas contornam a prostitui\u00e7\u00e3o na medida em que, ad hoc, se declaram casadas por um dia com quem partilham os servi\u00e7os sexuais. Golda Meir queixava-se referindo-se ao terrorismo e aos pais que o fomentam:<strong> \u201cS\u00f3 haver\u00e1 paz nesta regi\u00e3o, quando os pais amarem mais os filhos do que odeiam os seus inimigos\u201d.<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m os nazis para expans\u00e3o da ra\u00e7a ariana criaram a institui\u00e7\u00e3o \u201cfonte da vida\u201d como programa destinado a promover a higiene da ra\u00e7a onde mulheres gestavam anonimamente um filho para Hitler; contribu\u00edam, deste modo, para criar uma &#8220;ra\u00e7a l\u00edder racialmente pura\u201d. Esta estrat\u00e9gia pretendia tamb\u00e9m criar mais combatentes e aproveitar tamb\u00e9m a mulher para o servi\u00e7o \u00e0 guerra e \u00e0 ideologia.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A utiliza\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o e da mulher para fins patriarcalistas e imperialistas \u00e9 comum no fascismo e defendida at\u00e9 por pol\u00edticos moderados como Recep Tayyip Erdogan, actual presidente da Turquia. Quando ainda primeiro-ministro apelou aos 3 milh\u00f5es de turcos residentes na Alemanha, num discurso em Col\u00f3nia (24.05.2014): \u201cV\u00f3s n\u00e3o deveis assumir nenhum compromisso em quest\u00f5es do vosso idioma, da vossa religi\u00e3o e da vossa cultura\u201d, recomendando tamb\u00e9m que reivindicassem postos na pol\u00edtica e na administra\u00e7\u00e3o. A 22 de setembro de 2004 o peri\u00f3dico &#8220;Die Welt&#8221; cita Erdogan que, quer que o seu pa\u00eds entre na EU e numa campanha eleitoral, a 6.10.1997 confessou: <strong>&#8220;A democracia \u00e9 apenas o comboio, ao qual subimos at\u00e9 alcan\u00e7armos o objectivo.<\/strong> As mesquitas s\u00e3o os nossos quart\u00e9is, os minaretes as nossas baionetas, as c\u00fapulas os capacetes e os crentes os nossos soldados\u201d. Se parceiros modernizadores falam assim que se pode esperar dos tribunos do povo?<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Religi\u00e3o ainda continua a ser para muitos uma palavra m\u00e1gica que desobriga a raz\u00e3o e paralisa at\u00e9 o c\u00e9rebro de juristas e de pessoas de boa vontade.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>A Fronteira da Disc\u00f3rdia<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">D\u00e1 que pensar o facto de n\u00e3o ser a UNO nem a Liga \u00c1rabe a encarar o problema com responsabilidade; todos esperam pela interven\u00e7\u00e3o dos USA e pelo apoio armado do ocidente. N\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico serem os USA a intervir no Iraque, quando a miss\u00e3o da paz deveria ser uma tarefa de todas as na\u00e7\u00f5es representadas na ONU. O problema \u00e9 que os estados isl\u00e2micos s\u00e3o incapazes, por si s\u00f3s de conter o terrorismo e o mundo ocidental livre tamb\u00e9m n\u00e3o resolve o problema lan\u00e7ando algumas bombas no Iraque ou na S\u00edria.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Na guerra civil da S\u00edria e nos campos de luta dos \u201cguerreiros de Al\u00e1\u201d, o argumento moral n\u00e3o tem aplica\u00e7\u00e3o,<\/strong> dado os grupos advers\u00e1rios usarem de for\u00e7a extrema e brutal, proveniente tanto dos fundamentalistas como do governo. <strong>A S\u00edria era um pa\u00eds muito culto e multicultural e, como tal, um argueiro no olho dos fan\u00e1ticos sunitas e xiitas.<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Uma cultura que legitime a viol\u00eancia e a explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica s\u00f3 poder\u00e1 manter a ordem social mediante governos autorit\u00e1rios ou ditadores. Uma estrat\u00e9gia de paz, a longo prazo, deveria passar pelo apoio aos mu\u00e7ulmanos moderados. Torna-se urgente criar uma gera\u00e7\u00e3o nova que lide de maneira madura com a religi\u00e3o.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>A fronteira da disc\u00f3rdia encontra-se entre os possuidores da verdade e os da liberdade, entre a energia religiosa e a energia econ\u00f3mica, entre uma sociedade isl\u00e2mica que se encontra na Idade M\u00e9dia e o modernismo ocidental.<\/strong> O mundo mu\u00e7ulmano encontra-se em luta contra duas frontes: o mundo moderno e a luta inter-religiosa entre sunitas e xiitas, como acontecia no s\u00e9culo XVI entre protestantes e cat\u00f3licos, entre o norte e o sul. T\u00eam como aliados o petr\u00f3leo e a apatia cultural e religiosa do Ocidente que vive da ilus\u00e3o de que o jihadismo se deixa abafar com o dinheiro. O pre\u00e7o que o Ocidente pagar\u00e1 pelo seu oportunismo do momento e pela consequente emigra\u00e7\u00e3o, em consequ\u00eancia da guerra, ser\u00e1 a instabilidade social, a longo prazo, na Europa.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O problema de muitos estados isl\u00e2micos, como no caso da Ar\u00e1bia Saudita, est\u00e1 no facto da sua estabilidade pol\u00edtica (tamb\u00e9m contra as rivalidade correligion\u00e1rias, entre sociedade \u00e1rabe e persa) depender da alian\u00e7a com o grande aliado USA e, por outro lado, n\u00e3o o suportar no \u00e2mbito cultural; concretamente por ser uma civiliza\u00e7\u00e3o dividida que n\u00e3o suporta um denominador comum.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>A t\u00e1ctica da guerrilha tem sido uma constante isl\u00e2mica no seu processo de expans\u00e3o e de coloniza\u00e7\u00e3o interna (conflito internos) numa permanente estrat\u00e9gia de desestabiliza\u00e7\u00e3o.<\/strong> A sua fronte contra o Ocidente e as lutas entre xiitas-sunitas, \u00e1rabes-Ir\u00e3o, Turquia-Curdos (Curdist\u00e3o) enfraquece-os, mas, por outro lado, s\u00e3o encorajados pela tradi\u00e7\u00e3o e t\u00e1tica do profeta Maom\u00e9 que queria construir um Estado isl\u00e2mico sobre as ruinas de outro (Meca) numa guerra eterna contra os infi\u00e9is (incr\u00e9dulos).<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Na coloniza\u00e7\u00e3o interna da Europa a luta dava-se entre advers\u00e1rios pequenos e grandes mais ou menos iguais que, mais tarde, teve como resultado a forma\u00e7\u00e3o de pa\u00edses est\u00e1veis; <strong>hoje a coloniza\u00e7\u00e3o interna nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos torna-se imposs\u00edvel<\/strong> e deste modo tamb\u00e9m se impede a forma\u00e7\u00e3o de sociedades equilibradas porque os mais fortes n\u00e3o conseguem apaziguar a rebeldia de descontentes, por n\u00e3o terem for\u00e7a interna suficiente e se encontrarem condicionados \u00e0 ac\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias externas que ora apoiam uns ora apoiam outros. Assim na forma\u00e7\u00e3o do Ocidente houve guerras que apesar de tudo conduziram \u00e0 paz e na civiliza\u00e7\u00e3o \u00e1rabe mantem-se a cont\u00ednua guerrilha. (Tamb\u00e9m a exist\u00eancia de Israel \u00e9 uma permanente afronta \u00e0 hegemonia mu\u00e7ulmana e a colabora\u00e7\u00e3o de governos mu\u00e7ulmanos moderados com o Ocidente legitima a subvers\u00e3o que vive da ambival\u00eancia entre o objectivo hegem\u00f3nico final e as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas).<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A guerrilha \u00e9 financiada pela CIA, Ar\u00e1bia Saudita, Qatar, Kuwait, etc. Os cavaleiros suicidas de Maom\u00e9 sentem-se obrigados \u00e0 antropologia e sociologia \u00e1rabe que se expressa no isl\u00e3o que define o ser humano unicamente pela perten\u00e7a ao grupo religioso e n\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 separa\u00e7\u00e3o entre poder temporal e espiritual. Ao reconhecer apenas o grupo, exclui antropologicamente qualquer desenvolvimento emancipat\u00f3rio preocupado com o bem do indiv\u00edduo e exclui o desenvolvimento sociol\u00f3gico pelo facto de apenas aceitar uma sociologia de caracter isl\u00e2mico que se imp\u00f5e \u00e0s outras.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Ataturk tentou modernizar o isl\u00e3o da Turquia mediante a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade civil\/secular defendida pelo poder militar; apesar da seculariza\u00e7\u00e3o da Turquia, na realidade, no s\u00e9culo XX, os crist\u00e3os passaram de 25% para 0,2% da popula\u00e7\u00e3o turca, continuando ainda a ser discriminados. Se isto acontece hoje na moderna Turquia de Erdogan, que se pode esperar do islamismo doutras regi\u00f5es mu\u00e7ulmanas que olham de olhos vesgos para a sociedade turca por a considerarem demasiado ocidental e como tal j\u00e1 n\u00e3o ortodoxa? S\u00f3 o acordar para um movimento ecum\u00e9nico das religi\u00f5es em que se passe do combate dos direitos culturais para os direitos naturais no conv\u00edvio de uma ecologia universal poder\u00e1 evitar um confronto b\u00e1rbaro das culturas.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>O Isl\u00e3o vive dum paradoxo que lhe d\u00e1 perenidade<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o em torno do isl\u00e3o continua a ser falsa e hip\u00f3crita da parte isl\u00e2mica e da parte ocidental, n\u00e3o lhe dando assim a oportunidade de sa\u00edrem da Idade M\u00e9dia. Como a consci\u00eancia individual \u00e9 absorvida pela de grupo, na sociedade isl\u00e2mica n\u00e3o se processa a reforma e contra reforma, nem o iluminismo como aconteceu na sociedade crist\u00e3; d\u00e3o-se insurrei\u00e7\u00f5es religiosas sob a capa do conservadorismo mas apenas motivadas por hegemonia e rivalidades de poderes. <strong>A sociedade mu\u00e7ulmana prefere viver no e do paradoxo (afirma\u00e7\u00e3o-nega\u00e7\u00e3o) sem integrar no seu pensamento o crivo da d\u00favida; a d\u00favida foi o motor de desenvolvimento da civiliza\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 (afirma\u00e7\u00e3o-nega\u00e7\u00e3o-d\u00favida), o que contrasta com outras culturas<\/strong>. O mundo \u00e1rabe, ao reduzir o discurso \u00e0 din\u00e2mica verdade-falso, simplifica a vida, tornando-se atractiva para pessoas de pensamento indiferenciado, deixando-a nas m\u00e3os do mais forte, como acontece na rela\u00e7\u00e3o homem-mulher. Como na Hist\u00f3ria a raz\u00e3o fica do lado do mais forte, sentem-se sempre com raz\u00e3o ao empregar a for\u00e7a como meio de atingir objectivos. <strong>Este sistema favorece assim o g\u00e9nero masculino e as elites que se afirmam atrav\u00e9s do poder,<\/strong> o que leva uns e outros a sentirem-se reconhecidos perante um isl\u00e3o legitimador da for\u00e7a e como tal com perspectivas de perenidade porque se revigora externamente atrav\u00e9s de caudilhos emergentes, de mentalidade adolescente. O Ocidente, tamb\u00e9m ele eivado de poder, mas um pouco inseguro devido \u00e0 idade e \u00e0 filosofia crist\u00e3, evita uma discuss\u00e3o s\u00e9ria com as sociedades isl\u00e2micas porque mais que no desenvolvimento do isl\u00e3o e da paz no mundo, est\u00e1 oportunisticamente interessado no seu petr\u00f3leo e riquezas. Menospreza por\u00e9m a presen\u00e7a mu\u00e7ulmana nas grandes empresas atrav\u00e9s de ac\u00e7\u00f5es e da imigra\u00e7\u00e3o de cultura \u00e1rabe para as suas cidades. Como o interesse do ocidente \u00e9 meramente econ\u00f3mico deixa os imigrados em estado carente, o que os fortalece nas suas tend\u00eancias de se fecharem em guetos. A falta da plataforma dos direitos humanos leva-o a desinteressar-se por uma rela\u00e7\u00e3o social de reciprocidade e complementaridade: um exemplo da aceita\u00e7\u00e3o da afirma\u00e7\u00e3o paradoxal isl\u00e2mica pelo ocidente revela-se no facto de aceitar o financiamento de mesquitas pela Ar\u00e1bia Saudita nos seus pa\u00edses quando nela n\u00e3o existe liberdade religiosa; o mesmo acontece em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Turquia que impede o exerc\u00edcio religioso n\u00e3o isl\u00e2mico querendo at\u00e9 transformar o templo crist\u00e3o Agia Sofia numa mesquita. A realidade parece acontecer por tr\u00e1s dos v\u00e9us da teoria e da pr\u00e1tica.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cO Isl\u00e3o, funciona como uma m\u00e1quina do tempo reacion\u00e1rio\u201d<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A funda\u00e7\u00e3o de um califado, atrav\u00e9s da guerra santa, encontra justifica\u00e7\u00e3o no Cor\u00e3o e dirige-se contra as aspira\u00e7\u00f5es seculares de funda\u00e7\u00e3o de Estados civis sem regulamenta\u00e7\u00e3o religiosa \u00e0 maneira dos estados ocidentais.<br \/>\n<strong>Toda a insurrei\u00e7\u00e3o social, onde se encontra uma certa percentagem de pros\u00e9litos maometanos, \u00e9 organizada em nome do isl\u00e3o (Cor\u00e3o, ditos do profeta e sharia). A emancipa\u00e7\u00e3o organiza-se normalmente em termos pol\u00edticos\/religiosos e n\u00e3o em termos de indiv\u00edduos nem de direitos humanos.<\/strong> A Irmandade isl\u00e2mica (organiza\u00e7\u00e3o para o \u201eregresso ao isl\u00e3o\u201d), Al Qaida (\u201ca base\u201d, organiza\u00e7\u00e3o terrorista mais conhecida), IS (ou ISIS \u00e9 uma suborganizar\u00e3o de Al Qaida no Iraque e na S\u00edria), salafistas actuais (fundamentalismo interpretativo do Cor\u00e3o como o wahhabismo da Ar\u00e1bia Saudita tamb\u00e9m em marcha na Europa), Hamas (extremistas contra o poder secular, apoiados pelo Ir\u00e3o que \u00e9 xiita, pretende a aniquila\u00e7\u00e3o de Israel), Hezbollah (\u201cpartido de Deus\u201d movimento armado xiita no L\u00edbano \u2013 \u00e9 um estado no estado), e v\u00e1rias variantes com express\u00e3o pr\u00f3pria em ac\u00e7\u00e3o na \u00c1frica, na R\u00fassia, na China e na \u00c1sia em geral.<\/h2>\n<h2><strong>\u00c1frica ref\u00e9m de extremismos<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A instabilidade pol\u00edtica e social da \u00c1frica torna-se f\u00e1cil presa para grupos islamitas como o Boko Haram na Nig\u00e9ria. Contra a educa\u00e7\u00e3o secular recorre ao genoc\u00eddio destruindo um ecumenismo de coexist\u00eancia pac\u00edfica que a partir da revolu\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica iraniana come\u00e7ou a ser sistematicamente destru\u00eddo atrav\u00e9s do terrorismo intercultural e sem fronteiras. A Nig\u00e9ria, pa\u00eds rico em minerais, com 180 milh\u00f5es de habitantes, com 250 grupos \u00e9tnicos (com tend\u00eancia a afirma\u00e7\u00e3o de direitos tribais ou religiosos), com quinhentas l\u00ednguas e sem hist\u00f3ria comum \u00e9 o exemplo acabado de uma \u00c1frica mosaico que, a partir da confer\u00eancia de Berlim, foi obrigada a seguir padr\u00f5es e fronteiras marcadas \u00e0 r\u00e9gua e chamada a seguir os modelo hegemonias de hist\u00f3ria ocidental e mu\u00e7ulmana. Consequentemente por toda a parte se encontram ruinas sobre as quais, surgem racismos do desespero e de complexos.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O grupo jihadista sunita \u201cBoko Haram\u201d (=&#8221;livros s\u00e3o pecado&#8221;, &#8220;a educa\u00e7\u00e3o ocidental proibida\u201c, \u201eeduca\u00e7\u00e3o moderna \u00e9 um pecado&#8221;), empenha \u2013 se (=jihad) no sentido da tradi\u00e7\u00e3o de Maom\u00e9 e da Guerra santa com atentados \u00e0 bomba e com a escravatura. O seu chefe Abubakar Shekau apela: \u201cmatai, matai; <strong>esta \u00e9 uma guerra santa contra os crist\u00e3os\u201d<\/strong>; entretanto j\u00e1 matou mais de 5.000 pessoas. Tendo em conta a sua vis\u00e3o de sociedade torna-se natural o rapto das 287 meninas diplomadas do ensino m\u00e9dio, para as vender. O movimento \u201cBoko Haram\u201d tem liga\u00e7\u00e3o com o Al Qaida e com a mil\u00edcia Al-Schabaab da Som\u00e1lia.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O conte\u00fado dos conflitos actuais assenta no desfasamento hist\u00f3rico beneficiador do ocidente e na religi\u00e3o isl\u00e2mica que, pela sua simplicidade, se torna atractiva para as massas e produz l\u00edderes que tiram do caos imensa vitalidade. Por outro lado a massa pobre n\u00e3o tem nada a perder e a luta torna-se numa oportunidade de que esperam tirar algum proveito.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Os grupos jihadistas s\u00e3o defensores da teocracia contra a democracia e contra tudo o que n\u00e3o seja isl\u00e2mico. O ocidente tira conclus\u00f5es enganosas, distra\u00eddo por uma l\u00f3gica democr\u00e1tica interesseira que desconhece a filosofia e a coer\u00eancia profunda isl\u00e2mica (terrorismo santo ancorado na fantasia do povo e na tradi\u00e7\u00e3o) distra\u00edda pelos conflitos interinos dos diversos grupos e pela desculpa do islamismo pol\u00edtico pretendendo ignorar que o Isl\u00e3o \u00e9 sempre pol\u00edtico e que <strong>os cavaleiros de Maom\u00e9 se encontram j\u00e1 desde a sua funda\u00e7\u00e3o numa tradi\u00e7\u00e3o de vict\u00f3ria sobre imp\u00e9rios, Sass\u00e2nidas, Imp\u00e9rio Bizantino, Uni\u00e3o sovi\u00e9tica no Afeganist\u00e3o, 11 de Setembro<\/strong> que levou Busch a favorecer os xiitas do Iraque para castigar a Ar\u00e1bia saudita de confiss\u00e3o sunita (fornecedora dos terroristas) e a intervir no Iraque para assegurar o seu petr\u00f3leo ao ocidente. Nesta l\u00f3gica os inimigos de hoje s\u00e3o os amigos de amanh\u00e3 e vice-versa. Os USA ter\u00e3o de deixar de fomentar uma pol\u00edtica de desestabiliza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as mu\u00e7ulmanas entre elas. Uma alian\u00e7a contra o Califado s\u00f3 pode ter solu\u00e7\u00e3o com o comprometimento do Ir\u00e3o que sairia, naturalmente, mais forte do conflito e com exig\u00eancias para continuar o seu programa at\u00f3mico, que a Turquia sunita e a Ar\u00e1bia Saudita n\u00e3o querer\u00e3o. \u00c9 natural que o Ir\u00e3o tenha medo do IS e que a solu\u00e7\u00e3o para o Iraque s\u00f3 seja poss\u00edvel com o apoio do Ir\u00e3o e com a avizinha\u00e7\u00e3o do ocidente e do Ir\u00e3o. Talvez ent\u00e3o se possibilitasse o caminho do Ir\u00e3o para a P\u00e9rsia no sentido desta se tornar uma pot\u00eancia regional reconhecida!&#8230; Para isso o ocidente ter\u00e1 de acabar com o embargo contra o Ir\u00e3o (Nos \u00faltimos dois anos o Ir\u00e3o viu reduzidas as suas exporta\u00e7\u00f5es de \u00f3leo de 118 para 56 bilh\u00f5es, devido ao embargo). Ent\u00e3o seria de esperar que acontecesse com o Ir\u00e3o o que aconteceu com a China. O demasiado compromisso do Ocidente com o sunismo turco e da ar\u00e1bia Saudita tem impedido o desenvolvimento das for\u00e7as naturais que regular\u00e3o o M\u00e9dio Oriente. Agora que o Ir\u00e3o tamb\u00e9m se v\u00ea amea\u00e7ado seria uma oportunidade.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A Turquia \u00e9 pa\u00eds de passagem do terrorismo sunita\u2026 A emissora al Dschasira \u00e9 apoiada pela Turquia e Katar. Interessante verificar-se que agora tamb\u00e9m a Ar\u00e1bia Saudita se sente obrigada a apoiar agora o governo eg\u00edpcio com 13 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, na esperan\u00e7a do poder militar meter a irmandade isl\u00e2mica na ordem porque amea\u00e7a desestabilizar os poderes estabelecidos e toda a regi\u00e3o. Os xiitas continuam a queixar-se da ar\u00e1bia saudita apoiar o IS que confessa o salafismo da ar\u00e1bia saudita. A avalanche da viol\u00eancia \u00e9 de tal ordem que at\u00e9 os pa\u00edses apoiantes do terrorismo come\u00e7am a recear tornar-se v\u00edtimas dos seus aliados. Isto pode ajudar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o mais alargada de pa\u00edses contra o terrorismo.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Atendendo \u00e0 filosofia seguida por mu\u00e7ulmanos e ocidentais a interven\u00e7\u00e3o que se revela como necess\u00e1ria no Iraque, se n\u00e3o envolver as pot\u00eancias da regi\u00e3o ter\u00e1 o mesmo resultado da do Iraque de Sadam Hussein e do Afeganist\u00e3o; contribuir\u00e1 talvez para a divis\u00e3o do Iraque e ser\u00e1 mais um passo na forma\u00e7\u00e3o do Curdist\u00e3o (aspira\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ela justa). J\u00e1 Theodore N. Vail dizia: \u201cDificuldades reais podem ser resolvidas; apenas as imagin\u00e1rias s\u00e3o insuper\u00e1veis.&#8221;<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Que Deus \u00e9 este que n\u00e3o deixa viver em paz quem n\u00e3o siga o Cor\u00e3o?<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Quando se pensa em religi\u00e3o pensa-se que n\u00e3o foram feitas para legitimar a guerra e como o Isl\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o deveria naturalmente tentar impedi-la. <strong>A vida dos fundadores tem imensa influ\u00eancia na vida dos crentes e da sociedade.<\/strong> O profeta Maom\u00e9 caracteriza-se como guerreiro e fundador do estado \u00e1rabe; teve o valor de dar uni\u00e3o \u00e0s tribos b\u00e1rbaras e domar muitos dos costumes rudes da regi\u00e3o. Com as implac\u00e1veis suras do Cor\u00e3o contra os \u201cincr\u00e9dulos\u201d legitima a viol\u00eancia. Sura 9:5: \u201cMatai os adoradores de \u00eddolos, os Trinit\u00e1rios (os crist\u00e3os) onde quer que os encontrardes, apoderai-vos deles e espiai-os em cada emboscada &#8220;. Os mu\u00e7ulmanos extremistas servem-se da mesma fonte que os moderados para as suas ac\u00e7\u00f5es na inten\u00e7\u00e3o de atingir o seu objectivo (Suras 8:38; 9:73; 5:33).<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Os terroristas isl\u00e2micos atingem dois objectivos: a forma\u00e7\u00e3o do Estado Isl\u00e2mico radical (califado), e o fomento de comunidades mu\u00e7ulmanas no mundo atrav\u00e9s dos mu\u00e7ulmanos refugiados.<\/strong> \u00c9 sintom\u00e1tico o facto de os refugiados da guerra do Iraque, da S\u00edria e do L\u00edbano se dirigirem para a Europa quando os Emirados ricos e a Ar\u00e1bia Saudita teriam maior obriga\u00e7\u00e3o de os receber. Naturalmente que a Europa, especialmente os pa\u00edses que enriquecem \u00e0 custa das armas, que vendem naqueles pa\u00edses, t\u00eam tamb\u00e9m obriga\u00e7\u00e3o de os receber. O problema s\u00f3 surge com a forma\u00e7\u00e3o de guetos em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Isl\u00e3o \u00e9 um &#8220;modo de vida&#8221; e significa &#8220;submiss\u00e3o (a Al\u00e1) &#8220;. Isto constitui o motivo dos terroristas para a funda\u00e7\u00e3o do Califado isl\u00e2mico (IS). IS, movido por um deus guerreiro, luta por um imp\u00e9rio isl\u00e2mico que v\u00e1 do Ir\u00e3o ao Egipto. Muitos dos combatentes do IS s\u00e3o recrutados na Europa tamb\u00e9m entre convertidos, o que tornar\u00e1 a Europa cada vez mais fr\u00e1gil.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Frank A. Meyer in \u201creligi\u00e3o totalit\u00e1ria\u201d de Cicero N\u00b0.08 escreve: \u201cA civiliza\u00e7\u00e3o moderna, denota, uma sociedade livre da cultura judaico-crist\u00e3. <strong>O Isl\u00e3o, funciona como uma m\u00e1quina do tempo reacion\u00e1ria.\u201d<\/strong> J\u00e1 o imperador bizantino, Manuel II preocupado com a situa\u00e7\u00e3o de ent\u00e3o dizia: &#8220;Mostre-me o que Maom\u00e9 trouxe de novo, e a\u00ed encontrar\u00e1 apenas coisas m\u00e1s e desumanas, tais como esta, em que prescreveu, <strong>espalhar a f\u00e9 que pregava atrav\u00e9s da espada&#8221;<\/strong>. O isl\u00e3o, para poder receber o atributo de religi\u00e3o da paz tem de contradizer o que a Hist\u00f3ria parece confirmar (religi\u00e3o da guerra). Os pa\u00edses isl\u00e2micos parecem tornar-se em alfobres de fanatismo, incapazes de passar da Idade M\u00e9dia, desde a humilha\u00e7\u00e3o da mulher at\u00e9 ao massacre de irm\u00e3os da f\u00e9 e de outros crentes. Uma f\u00e9 pac\u00edfica n\u00e3o poderia, nos tempos modernos, produzir tais bot\u00f5es, n\u00e3o podendo desculpar-se pelo facto de exercer o controlo total sobre a vida pessoal e civil. <strong>Os crist\u00e3os tamb\u00e9m tiveram guerras b\u00e1rbaras entre si e contra outros mas com a pequena diferen\u00e7a que as n\u00e3o podiam fundamentar em nome da filosofia do Evangelho nem no exemplo de Jesus.<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Toda a ideologia, religi\u00e3o ou institui\u00e7\u00e3o que se considere dona\/senhora da verdade torna-se numa grande pris\u00e3o da humanidade.<\/strong> Deus criou o homem para a liberdade e consequentemente para a autonomia, doutro modo t\u00ea-lo-ia criado perfeito. Um exemplo da submiss\u00e3o pode ver-se em estados autorit\u00e1rios, nos atentados suicidas, na burca ou chador. Quem se julgue na posse da verdade nega a liberdade e a realidade da natureza que se desenvolve pela diferencia\u00e7\u00e3o integral num processo de tentativa e experimenta\u00e7\u00e3o. Uma religi\u00e3o que n\u00e3o permita o desenvolvimento secular torna-se num fascismo fomentador de d\u00e9spotas religiosos sem respeito pelo outro. Os que se consideram senhores da verdade e \u201cno reino da verdade\u201d sentem-se na certeza negando a vida bem como a d\u00favida e a experi\u00eancia que seriam os verdadeiros promotores do progresso; ignoram que a pessoa humana \u00e9 viva e n\u00e3o reduz\u00edvel a um conceito empedernido ou a uma defini\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Uma religi\u00e3o n\u00e3o pode colocar a viol\u00eancia a saldo; n\u00e3o pode reduzir a paz a um direito a ser determinado por alguns; n\u00e3o pode reconhecer nela o poder e a viol\u00eancia como meio de solucionar controv\u00e9rsias. Os terroristas fundamentam o seu agir no Cor\u00e3o e os mu\u00e7ulmanos moderados aceitam-nos com o argumento de haver diferentes perspectivas e poss\u00edveis interpreta\u00e7\u00f5es (paradoxo). Mesmo associa\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas moderadas quando se manifestam publicamente contra os assass\u00ednios do IS fazem-no misturando o protesto com algo contra o pa\u00eds onde se encontram, o que deixa espa\u00e7o para a duplicidade. A ideologia isl\u00e2mica encontra os seus multiplicadores em muitas mesquitas \u00e0s sextas-feiras. Os intelectuais ocidentais que se ocupam da pol\u00edtica tamb\u00e9m pecam por duplicidade e por empregar duas medidas: cr\u00edticos contra o cristianismo e complacentes ou c\u00famplices quanto ao isl\u00e3o. Naturalmente, a esmagadora maioria dos mu\u00e7ulmanos \u00e9 pac\u00edfica por natureza sem necessidade de fundamentos para a bondade nem para a maldade.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Geralmente situam-se entre o sentimento de humilha\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o mundial, uma caracter\u00edstica comum aos fascismos que cultivam o \u00f3dio e o ressentimento.<\/strong> Precisam de v\u00edtimas e m\u00e1rtires na procura de inimigos internos (for\u00e7as seculares ou outras religi\u00f5es) e externos (o mundo da guerra). Deste modo s\u00f3 eles podem saber, quem s\u00e3o os assassinos certos e quem os falsos, dado o crit\u00e9rio de valor e de ju\u00edzo depender do lado do muro em que se aqueles se encontram. Os salafistas, que s\u00e3o contra a democracia e defendem a instala\u00e7\u00e3o de um estado de Al\u00e1 (teocracia) e os acoites corporais e a sharia fazem livremente propaganda pelo seu plano, distribuindo o Cor\u00e3o gratuitamente nas ruas das cidades europeias. A toler\u00e2ncia dos fartos \u00e9 c\u00famplice sendo tamb\u00e9m ela respons\u00e1vel pela intoler\u00e2ncia que fomentam ao n\u00e3o dialogar a s\u00e9rio com os estrangeiros.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO Cor\u00e3o \u00e9 o livro mais forte que impede as pessoas de pensar\u2026 quem pensar de forma cr\u00edtica sobre o Isl\u00e3o, p\u00f5e a sua vida em perigo\u201d<\/strong> demonstra o mu\u00e7ulmano Hamed Abbdel-Samad, em seus livros. O Cor\u00e3o s\u00f3 \u00e9 tomado a s\u00e9rio para o que interessa, apesar de cada mu\u00e7ulmano trazer em cada ombro um anjo que anota tudo o que ele faz e um Deus que castiga sem ser questionado e n\u00e3o deixa viver em paz quem n\u00e3o segue o Cor\u00e3o. Que Deus \u00e9 este que n\u00e3o deixa viver em paz quem n\u00e3o siga o Cor\u00e3o?<strong> N\u00e3o foi o mesmo Deus que achou agrado em toda a cria\u00e7\u00e3o?<\/strong> O problema n\u00e3o est\u00e1 em Deus mas sim numa doutrina que precisa de renova\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento da consci\u00eancia individual esclarecida, reconhecendo que a natura consta dos mais variados bi\u00f3topos e do mesmo modo a humanidade com os seus culturotopos. A vida do cidad\u00e3o n\u00e3o pode ser condicionada ao horizonte da tenda nem da tribo, nem t\u00e3o-pouco do imp\u00e9rio. O mundo \u00e1rabe n\u00e3o pode viver a marcar passo, tendo tamb\u00e9m ele contribu\u00eddo para o desenvolvimento da ci\u00eancia; seria irracional continuar a viver num antigo testamento retr\u00f3grado aprisionador da pessoa humana, n\u00e3o reconhecendo os seus ideais nem uma consci\u00eancia individual pr\u00f3pria \u00e0s pessoas. Dos 27 estados pertencentes \u00e0 Confer\u00eancia isl\u00e2mica, nenhum est\u00e1 livre do islamismo. Onde se encontram os pacifistas mu\u00e7ulmanos a distanciar-se e a protestar nas ruas contra as barbaridades terroristas de seus correligion\u00e1rios que os p\u00f5em em m\u00e1 luz? Ser\u00e1 que a viol\u00eancia e o poder mu\u00e7ulmanos s\u00e3o sagrados e t\u00eam de se refugiar num jogo hip\u00f3crita das escondidas, com as contradi\u00e7\u00f5es do Cor\u00e3o? Torna-se urgente o surgimento de um movimento protestante no seio do xiismo e do sunismo para se contrariar o estrebucho do drag\u00e3o e se entrar nos novos tempos do ecumenismo das religi\u00f5es.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Resumindo<\/span><\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Quer queiramos quer n\u00e3o, isl\u00e3o, guerra e terror parecem pertencer ao mesmo contexto (H\u00e1 que ultrapassar este contexto!). Pelo que se observa a n\u00edvel internacional nenhum pa\u00eds, onde se encontrem grupos de mu\u00e7ulmanos politicamente organizados, se encontra seguro quanto \u00e0 paz social e at\u00e9, quando se organizam em maiorias, quanto \u00e0 integridade das suas fronteiras, dado, como diz o polit\u00f3logo Hamed Abdel-Samad, \u201conde ele actue politicamente \u00e9 fascista\u201d\u2026 \u201cEles desumanizam os seus advers\u00e1rios, negam-lhe o direito de existir e tomam em conta a sua destrui\u00e7\u00e3o total\u201d\u2026 \u201cno mundo desta gente n\u00e3o se luta pela vida, vive-se para lutar\u201d\u2026 Na altura em que o caricaturista dinamarqu\u00eas desenhou Maom\u00e9 com uma bomba no turbante, o mundo isl\u00e2mico levantou-se por toda a parte contra ele e contra o ocidente, chegando a haver mesmo mortes; agora que o IS assassina em nome do Isl\u00e3o, o mundo isl\u00e2mico, pelo mundo fora, \u201cn\u00e3o se sente denegrido nem ofendido\u201d. \u201cO que o aut\u00eantico isl\u00e3o \u00e9, vemo-lo precisamente no Iraque e na S\u00edria\u201d (in HNA 19.09.2014). \u201cTodas as associa\u00e7\u00f5es salafistas t\u00eam que ser proibidas, para lhes dificultar o acesso de jovens mu\u00e7ulmanos\u2026 pois v\u00e3o para criminosos quando v\u00e3o para eles\u201d.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma utopia pretender disciplinar o Isl\u00e3o a partir de fora, dado possuir uma doutrina absolutista que, por um lado, exclui a diferencia\u00e7\u00e3o e, por outro, fortalece as for\u00e7as ca\u00f3ticas da base. Ao n\u00e3o ser estruturado (sem organigrama institucional conciso), aposta nas for\u00e7as ca\u00f3ticas e revolucion\u00e1rias da circunst\u00e2ncia que lhe d\u00e3o a sustentabilidade hist\u00f3rica necess\u00e1ria para l\u00e1 do pa\u00eds concreto; diria que, na sua forma original, se poderia talvez etiquetar de uma forma de fascismo socialista adequada \u00e0 base tribal das suas origens \u00e1rabes e, neste sentido, expressa-se de modo ad hoc, vivendo do paradoxo, a n\u00edvel intelectual e filos\u00f3fico ajudado por uma jurisprud\u00eancia casu\u00edstica. <strong>O ocidente, com uma outra doutrina e socializa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o entende o mundo mu\u00e7ulmano nem o mundo mu\u00e7ulmano entende o ocidente.<\/strong> O mesmo se d\u00e1, generalizando, entre a espiritualidade ocidental e a da \u00cdndia. <strong>O papel da d\u00favida met\u00f3dica no pensamento ocidental como alavanca do progresso contrap\u00f5e-se ao papel do paradoxo da cultura \u00e1rabe como pretexto do pensamento para ser mantido o status quo, o retrocesso na contradi\u00e7\u00e3o.<\/strong> Interessante que no momento em que Maom\u00e9 deixou Meca para se estabelecer em Medina, Deus mudou de ideia. As Suras suaves do Cor\u00e3o reveladas em Meca passam a ser contraditas pelas revela\u00e7\u00f5es de Medina: aqui se encontra a g\u00e9nese do paradoxo \u00e1rabe. Este facto poderia ser aproveitado pelos eruditos isl\u00e2micos para possibilitarem uma teologia interpretativa adequada aos tempos, doutro modo manter\u00e3o a espiritualidade sujeita \u00e0 jurisprud\u00eancia. Em vez de acentuarem as suras agressivas de Medina podiam desenvolver a espiritualidade no sentido das Suras mais pac\u00edficas de Meca.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">As aspira\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas \u00e1rabes, iranianas, turcas s\u00e3o dif\u00edceis de concretizar numa doutrina comum, de si hegem\u00f3nica, mas que deixa a organiza\u00e7\u00e3o e a estrat\u00e9gia de aplica\u00e7\u00e3o dos seus objectivos a movimentos e caudilhos locais, mantendo-se ancorada no sistema patriarcal.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Na primavera \u00e1rabe do norte de \u00c1frica (2011),<\/strong> os grupos fan\u00e1ticos juntam-se aos rebeldes sedentos de mudan\u00e7a (a gera\u00e7\u00e3o Facebook) e acabam por venc\u00ea-los. Tamb\u00e9m em 1978, Aiatola Khomeini se uniu aos comunistas revoltosos contra o Shah Reza Pahlavi da ent\u00e3o P\u00e9rsia (Ir\u00e3o) conseguindo, com o apoio deles, instalar a teocracia isl\u00e2mica. <strong>A partir da revolu\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3o, o terrorismo internacional ganhou terreno, a passos largos.<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A guerra do Iraque contra Ir\u00e3o era uma guerra entre sunitas (primeiramente apoiados pela USA) e xiitas \u2013 os USA intervieram contra Sadam Hussein e ao sa\u00edrem instala-se um regime pior que o anterior; no Afeganist\u00e3o sunita (equipado pela CIA e financiado pelas monarquias \u00e1rabes sunitas) d\u00e1-se a guerra contra comunistas (Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) que se retiraram em 1989. O radicalismo sunita \u00e9 financiado por uns e o radicalismo xiita por outros. Os USA, a R\u00fassia e outras pot\u00eancias servem-se das lutas internas entre os diferentes interesses mu\u00e7ulmanos para se assegurarem do petr\u00f3leo e fomentarem a ind\u00fastria b\u00e9lica e depois do conflito ganharem com a reconstru\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A opini\u00e3o p\u00fablica e publicada, subestima <strong>a realidade isl\u00e2mica que pressup\u00f5e governos autorit\u00e1rios ou d\u00e9spotas que possibilitem estabilidade que possibilite o desenvolvimento econ\u00f3mico e cultural para poderem um dia viabilizar a forma\u00e7\u00e3o de uma sociedade civil avan\u00e7ada.<\/strong> Os mesmos que jubilavam com a primavera ar\u00e1bica fomentavam ingenuamente a fragmenta\u00e7\u00e3o da S\u00edria com o apoio armado da ISIS contra o ditador Assad. O pre\u00e7o est\u00e1 a delinear-se na divis\u00e3o do Iraque em territ\u00f3rios xiita, sunita e curdo com a persegui\u00e7\u00e3o e expuls\u00e3o dos crist\u00e3os.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">V\u00edtima real e intelectual torna-se quem n\u00e3o possui capacidade de diferencia\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o. O passo para a fraternidade de povos e religi\u00f5es pressuporia a ren\u00fancia \u00e0 verdade empedernida, em benef\u00edcio do compromisso construtor de colabora\u00e7\u00e3o e de paz. Tudo fala, tudo berra e ningu\u00e9m se preocupa em descobrir quem produz a guerra, quem fabrica as armas e as redes que ganham com elas. Os cavaleiros de Maom\u00e9, fieis ao Cor\u00e3o sentem-se os senhores e guardi\u00e3es de Deus e da Verdade e os defensores da democracia, sentem-se os senhores das riquezas do mundo. A verdade de uma religi\u00e3o ou de uma civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reduz \u00e0 teoria ou ao discurso, ela s\u00f3 se pode ver nas obras.<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>A vida humana e social \u00e9 uma teia de conflitos, pelo que, o essencial n\u00e3o \u00e9 ver quem tem raz\u00e3o, mas resolver conflitos. Querer possuir a verdade absoluta significa subestimar a vida e n\u00e3o se desenvolver. A Verdade \u00e9 a-perspectiva e como tal \u00e9 um processo numa rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria pessoal e din\u00e2mica na unidade do eu-tu-n\u00f3s. A terra \u00e9 grande, Deus \u00e9 maior, nele h\u00e1 lugar para todos. \u201cBem-aventurado os pacificadores, pois ser\u00e3o chamados filhos de Deus.\u201d (Mt 5:9)<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Religi\u00f5es s\u00e3o par\u00e1bolas da realidade que expressam a antropologia e a sociologia de uma civiliza\u00e7\u00e3o. Religi\u00e3o verdadeira \u00e9 a que faz do Homem irm\u00e3o independentemente de ra\u00e7a, credo ou cor!<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a9Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nJornalista<br \/>\nwww.antonio-justo.eu<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ensaio sobre a situa\u00e7\u00e3o da S\u00edria e do Iraque como express\u00e3o da luta intercultural Por Ant\u00f3nio Justo No mundo contempor\u00e2neo, a viol\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o religiosa parte praticamente do Isl\u00e3o. Isto fomenta a incompreens\u00e3o do isl\u00e3o e muitos mu\u00e7ulmanos moderados de boa-f\u00e9 sentem-se colocados no pelourinho. As for\u00e7as radicais e escuras est\u00e3o interessadas em fomentar motivos &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2861\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A GUERRILHA ISL\u00c2MICA DETERMINA A CIS\u00c3O DOS POVOS NO S\u00c9CULO XXI<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[14,4,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-2861","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-educacao","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2861"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2861\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2867,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2861\/revisions\/2867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}