{"id":2802,"date":"2014-06-09T09:57:28","date_gmt":"2014-06-09T08:57:28","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2802"},"modified":"2014-06-09T09:57:28","modified_gmt":"2014-06-09T08:57:28","slug":"thomas-piketty-o-karl-marx-do-nosso-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2802","title":{"rendered":"Thomas Piketty \u201co Karl Marx do nosso tempo\u201d?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Thomas Piketty \u201co Karl Marx do nosso tempo\u201d?<br \/>\n<strong>A Desigualdade econ\u00f3mica bloqueia o Futuro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nO especialista Thomas Piketty, professor de economia na \u00c9cole d\u2019\u00e9conomie de Paris, no seu livro \u201cO Capital no s\u00e9culo XXI\u201d mostra o surgir de um fosso cada vez maior entre ricos e pobres nas na\u00e7\u00f5es industriais. Provou que a riqueza se mantem durante s\u00e9culos em determinadas fam\u00edlias.<strong> O c\u00famulo da quest\u00e3o, como ele conclui, encontra-se no facto de os rendimentos do trabalho serem inferiores aos rendimentos do capital.<\/strong> A injusti\u00e7a permanece e acompanha os diferentes regimes pol\u00edticos e \u00e9 fomentada pela cren\u00e7a divulgada de que \u201cs\u00f3 n\u00e3o sobe na vida quem n\u00e3o se esfor\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPiketty apresenta uma radiografia da desigualdade social proveniente da economia; <strong>este livro ir\u00e1 revolucionar a discuss\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f3mica; superar\u00e1 as discuss\u00f5es ideol\u00f3gicas, dado o seu autor ser uma pessoa \u00edntegra e mais virada para a realidade emp\u00edrica ao apresentar uma an\u00e1lise dos dados sobre os porqu\u00eas da sustentabilidade da precaridade e de um certo determinismo econ\u00f3mico e hist\u00f3rico.<\/strong> Este abuso s\u00f3 poder\u00e1 ser corrigido por uma pol\u00edtica forte e atenta. Numa sociedade consciente de ser constitu\u00edda por cidad\u00e3os e n\u00e3o s\u00f3 por empres\u00e1rios, a riqueza ter\u00e1 de deixar de comprar a influ\u00eancia e o discurso p\u00fablico. O povo tem de reconhecer a sua depend\u00eancia da economia e da pol\u00edtica para a poder respeitar e transformar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNuma entrevista \u00e0 revista Spiegel (19\/5.5.2014) Thomas Piketty, \u00e0 pergunta se ele \u00e9 \u201co Karl Marx do nosso tempo\u201d respondeu, \u201cde modo nenhum\u201d e uma tal ideia s\u00f3 poder\u00e1 vir da ousada afirma\u00e7\u00e3o de que \u201dO capital devora o futuro \/ o passado tende a devorar o futuro\u201d, uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ao capital herdado. Afirma que o seu livro fora escrito numa perspectiva hist\u00f3rica enquanto a obra de Marx \u00e9 teor\u00e9tica. <strong>Piketty n\u00e3o alinha com o determinismo econ\u00f3mico e hist\u00f3rico de Marx.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPara Piketty h\u00e1 uma lei que se repete atrav\u00e9s da Hist\u00f3ria: \u201ca taxa de rendimento sobre o capital excede, a longo prazo, a taxa de crescimento da economia\u201d e constata: <strong>\u201cMarx subestimou o potencial de crescimento que actua livremente atrav\u00e9s do aumento da produtividade e do aumento da popula\u00e7\u00e3o\u201d. Para o cr\u00edtico do capitalismo Piketty, a cat\u00e1strofe que se tem de recear \u201cn\u00e3o \u00e9 econ\u00f3mica mas pol\u00edtica\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO grande capital desestabiliza os Estados e fomenta a sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a social na popula\u00e7\u00e3o.<strong> Enquanto o rendimento do capital \u00e9 em m\u00e9dia de \u201c4 at\u00e9 5% ao ano, na economia s\u00f3 cresce 1% por ano\u201d. De facto temos assim a ind\u00fastria financeira, o mercado de casino contra a economia real. Isto torna-se incompat\u00edvel com uma sociedade democr\u00e1tica que parte do potencial de cada indiv\u00edduo e n\u00e3o do princ\u00edpio patriarcalista da descend\u00eancia.<\/strong> Por isso a conclus\u00e3o de Piketty \u00e9 l\u00f3gica mostrando a incongru\u00eancia entre Democracia e os seus princ\u00edpios, implicando a sua an\u00e1lise uma cr\u00edtica aos que se assenhorearam da Democracia e \u00e0s ci\u00eancias que as acompanham. N\u00e3o h\u00e1 l\u00f3gica entre Democracia e pr\u00e1tica econ\u00f3mica nem entre os seus princ\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<strong>O grande Capital n\u00e3o se d\u00e1 com a Moral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO capitalismo \u00e9, ao mesmo tempo consequ\u00eancia natural e testemunho da for\u00e7a das desigualdades; ele seria incongruente se por ele mesmo criasse igualdade, possibilitando, muito embora, o bem-estar de muitos. O grande capital n\u00e3o se d\u00e1 com a moral, por isso precisaria das r\u00e9deas do Estado que o moderassem mas sem o coibirem a uma ideologia ou demasiado dirigismo. O facto de ele incluir energias injustas n\u00e3o justificaria a injusti\u00e7a do seu contraente socialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>O liberalismo econ\u00f3mico actual contradiz a democracia e o princ\u00edpio crist\u00e3o de se ganhar o p\u00e3o com o suor do seu rosto e n\u00e3o com a especula\u00e7\u00e3o usur\u00e1ria<\/strong> (Legitima o trabalho individual e social mas n\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dum mundo financeiro de jogadores sem escr\u00fapulos). <strong>A riqueza, provinda do neg\u00f3cio com o capital, favorece quem tem muito capital, ao passo que a propriedade vinda do trabalho (economia real) favorece o indiv\u00edduo e essa \u00e9 mais democr\u00e1tica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO Mestre dizia:<strong> \u201cpobres sempre os tereis convosco\u201d<\/strong> porque conhecia os aspectos negativos e positivos da natureza humana; por isso aceitava a diferen\u00e7a a n\u00edvel individual e social salvaguardando a premissa de que a diferen\u00e7a tem de estar sempre ao servi\u00e7o do bem-comum e de cada pessoa em particular. De facto, a sociedade n\u00e3o se pode arquitectar em termos s\u00f3 ideol\u00f3gicos, s\u00f3 econ\u00f3micos, ou s\u00f3 pol\u00edticos, por isso advertia: \u201cDai, pois, a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, e a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d (Mat. 22:21) e acrescentava: \u201cNem s\u00f3 de p\u00e3o viver\u00e1 o Homem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nH\u00e1 diferentes l\u00f3gicas e todas elas ser\u00e3o certas na sua argumenta\u00e7\u00e3o interna, mas para serem eficientes devem reconhecer-se como complementares e obedecer \u00e0 raz\u00e3o superior. <strong>A l\u00f3gica econ\u00f3mica e financeira n\u00e3o pode continuar a assumir as r\u00e9deas da democracia e a transform\u00e1-la no cavalo que a serve e transporta.<\/strong> J\u00e1 Plat\u00e3o advertia que a Ideia \u00e9 a m\u00e3e que determina diferentes pr\u00e1ticas e n\u00e3o o contr\u00e1rio porque a realidade vinda da observa\u00e7\u00e3o \u00e9 ilus\u00f3ria. A orienta\u00e7\u00e3o por um mero pragmatismo, a que chegamos hoje, abole o pensamento; leva-nos a ajoelhar-nos perante uma opini\u00e3o pol\u00edtica que s\u00f3 segue a economia\/finan\u00e7as e ilude a sociedade com ofertas de liberdades individuais no dom\u00ednio sexual ou do divertimento, como se a quest\u00e3o social se resumisse a um problema adolescente de luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da moral e de costumes entre gera\u00e7\u00f5es e de reivindica\u00e7\u00e3o da exatid\u00e3o\/verdade da pr\u00f3pria ideologia em rela\u00e7\u00e3o a outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUma competi\u00e7\u00e3o totalmente livre s\u00f3 beneficia o mais forte. Somos todos diferentes e por isso uma pol\u00edtica de oportunidades para todos \u00e9 sempre ditada pela diferen\u00e7a que faz os mais fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPiketty constata que \u201cA argumenta\u00e7\u00e3o de que a sociedade de classes foi superada, \u00e9 a express\u00e3o de uma ideologia republicana enganosa\u201d. A progress\u00e3o da desigualdade encontra-se hoje ligada ao desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Piketty sugere como in\u00edcio de uma tentativa de solu\u00e7\u00e3o \u201cUm imposto progressivo sobre o capital l\u00edquido da propriedade privada\u201d; o melhor seria um imposto sobre o capital a n\u00edvel global, para que as transac\u00e7\u00f5es financeiras do capital n\u00e3o circulem descontroladamente de uma na\u00e7\u00e3o para a outra.<\/strong> O imposto sobre o capital poderia, no parecer de Piketty, ser empregue para reduzir as cobran\u00e7as sobre uma classe m\u00e9dia demasiado sobrecarregada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nConsequentemente o nosso sistema pol\u00edtico-econ\u00f3mico ter\u00e1 de transcender as discuss\u00f5es ideol\u00f3gicas que n\u00e3o passam de canc\u00f5es para embalar a classe m\u00e9dia e a classe prec\u00e1ria.<br \/>\nSeria atrai\u00e7oar o conte\u00fado do livro e do autor tentar coloca-lo numa discuss\u00e3o ideol\u00f3gica ou partid\u00e1ria que o assunto do livro pressup\u00f5e j\u00e1 ultrapassada ou numa mera discuss\u00e3o ideol\u00f3gica entre capitalistas e socialistas. Precisamos das duas fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAs car\u00eancias de todas as institui\u00e7\u00f5es humanas, sejam elas capitalistas ou socialistas, vem da precaridade do Homem. A falha original, que legitima a discuss\u00e3o, situa-se na concorr\u00eancia entre indiv\u00edduo e sociedade. A sociedade\/institui\u00e7\u00e3o aproveita-se, da necessidade de protec\u00e7\u00e3o e de mais-valia do indiv\u00edduo, para, em troca de protec\u00e7\u00e3o, assumir o direito de regul\u00e1-lo. O ideal da igualdade de direitos e de oportunidades pressuporia inst\u00e2ncias justas que os impusessem com justi\u00e7a e a organiza\u00e7\u00e3o de firmas que deixassem de obter os maiores rendimentos na constru\u00e7\u00e3o de armas para o fomento da guerra em vez do fomento da paz. O problema est\u00e1 no modo de chegar l\u00e1 numa humanidade feita de desiguais com estruturas que fomentam os mais fortes na convic\u00e7\u00e3o de que estes \u00e9 que garantir\u00e3o o desenvolvimento e o futuro! Para se subir a escada da jerarquia s\u00f3 se consegue atrav\u00e9s da autoafirma\u00e7\u00e3o, o que torna a institui\u00e7\u00e3o numa sociedade dirigida por autoafirmados! Da\u00ed concluir pela op\u00e7\u00e3o de um sistema seja ele capitalista ou socialista peca j\u00e1 de si do equ\u00edvoco de pressuposto de que o ser humano seria um anjo. Quanto a mim entusiasma-me o projecto JC, como prot\u00f3tipo do Homem a construir, come\u00e7ando pela revolucionamento do ser humano (esteja ele onde estiver) na descoberta da sua gene divina que levar\u00e1 cada pessoa a arrumar com os vendilh\u00f5es do templo seja ele de caracter socialista ou capitalista.<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nJornalista livre<br \/>\nwww.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thomas Piketty \u201co Karl Marx do nosso tempo\u201d? A Desigualdade econ\u00f3mica bloqueia o Futuro Ant\u00f3nio Justo O especialista Thomas Piketty, professor de economia na \u00c9cole d\u2019\u00e9conomie de Paris, no seu livro \u201cO Capital no s\u00e9culo XXI\u201d mostra o surgir de um fosso cada vez maior entre ricos e pobres nas na\u00e7\u00f5es industriais. 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