{"id":2787,"date":"2014-05-22T14:19:16","date_gmt":"2014-05-22T13:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2787"},"modified":"2014-05-22T14:56:30","modified_gmt":"2014-05-22T13:56:30","slug":"origem-do-portugues-e-do-galego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2787","title":{"rendered":"Origem do Portugu\u00eas e do Galego"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A L\u00edngua portuguesa \u00e9 a Irm\u00e3 g\u00e9mea do Galego<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ant\u00f3nio Justo<br \/>\nA Academia Brasileira de Letras fez um levantamento sobre a l\u00edngua portuguesa e verificou que esta tem atualmente cerca de 356 mil unidades lexicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande riqueza do portugu\u00eas prov\u00e9m na sua maioria do latim e do grego e das l\u00ednguas das tribos ib\u00e9ricas: galaicos, lusitanos (marcas de origem indo-europeia e miscigena\u00e7\u00e3o com os celtas, anterior \u00e0s invas\u00f5es romanas), etc. e dos invasores germ\u00e2nicos do s\u00e9c. V (cerca de 600 palavras de origem germ\u00e2nica) e dos ocupantes mouros (berberes e \u00e1rabes do s\u00e9c. VIII que enriqueceram o portugu\u00eas com 600 at\u00e9 mil palavras); com os Descobrimentos o portugu\u00eas continuou a enriquecer-se integrando palavras dos novos povos no seu l\u00e9xico; actualmente a preponder\u00e2ncia da cultura anglo-sax\u00f3nica favorece a integra\u00e7\u00e3o de palavras inglesas. De notar que o portugu\u00eas n\u00e3o s\u00f3 recebeu palavras das culturas com que contactou mas tamb\u00e9m deixou crioulos e palavras noutras l\u00ednguas (O japon\u00eas tamb\u00e9m tem cerca de 600 palavras de origem portuguesa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O galaico-portugu\u00eas era o idioma falado nas regi\u00f5es de Portugal e da Galiza, no Reino de Le\u00e3o, que devido \u00e0 divis\u00e3o pol\u00edtica do mesmo espa\u00e7o geogr\u00e1fico, posteriormente come\u00e7ou a diversificar-se nas l\u00ednguas portuguesa e galega. A partir do s\u00e9c. XII a literatura apoderou-se do galaico-portugu\u00eas de modo, a o portugu\u00eas se diferenciar no s\u00e9culo XVI da l\u00edngua galega, sua irm\u00e3 g\u00e9mea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00edngua portuguesa \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o do latim que, como l\u00edngua veicular liter\u00e1ria e cultural, se expressava de duas formas: a maneira de falar intelectual (erudita) e a popular; assim, na forma\u00e7\u00e3o do Portugu\u00eas, encontramos a forma cl\u00e1ssica &#8211; a l\u00edngua do L\u00e1cio falada at\u00e9 uma certa altura e depois mantida pelos eclesi\u00e1sticos, poetas e prosadores, como ve\u00edculo da cultura intelectual e por outro lado a forma do latim vulgar que era falada pelo povo e que abandonada a si mesma se ia modificando mais e mais, com um certo acompanhamento do linguajar erudito. O mesmo se d\u00e1 hoje: distingue-se a maneira de expressar (especialmente na escrita) de uma pessoa sem grande forma\u00e7\u00e3o e uma pessoa formada. Os pr\u00f3prios escritores latinos, que utilizavam a forma cl\u00e1ssica, referem tamb\u00e9m o falar do latim vulgar do povo; os escritores romanos referem-se ao falar do povo com os termos &#8220;sermo vulgaris&#8221;, &#8220;cotidianus&#8221;, &#8220;plebeius&#8221;, &#8220;rusticus&#8221;, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas diverg\u00eancias encontram-se ainda hoje nas formas populares e de escrita de qualquer l\u00edngua a n\u00edvel fon\u00e9tico, morfol\u00f3gico e por vezes at\u00e9 sint\u00e1tico. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o consumidora de \u201calta cultura\u201d usa menos palavras para se exprimir metendo por vezes numa s\u00f3 palavra outros sentidos ou conota\u00e7\u00f5es, enquanto a pessoa mais culta recorre, para tal efeito, a maior diferencia\u00e7\u00e3o e consequentemente a uma maior gama de palavras.<br \/>\nNo territ\u00f3rio que hoje constitui Portugal e Espanha, j\u00e1 se falavam v\u00e1rias l\u00ednguas, antes dos invasores latinos chegarem. Entre elas a mais falda era a c\u00e9ltica. O Vasco conseguiu resistir ao latim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De resto, pelos fins do s\u00e9c. IV a l\u00edngua vulgar falada por toda a pen\u00ednsula era a forma vulgar do latim, o &#8220;roman\u00e7o&#8221;. Com as invas\u00f5es dos alanos, suevos e godos e depois dos \u00e1rabes, o roman\u00e7o foi enriquecido com palavras novas dos falares dos invasores. A l\u00edngua, naqueles tempos abandonada a si mesma, sem disciplina gramatical que lhe desse formato evolutivo, decaiu modificando-se segundo as regi\u00f5es, pois j\u00e1 n\u00e3o havia a administra\u00e7\u00e3o romana para lhe dar sustentabilidade nem uma regulamenta\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, a n\u00edvel suprarregional. Entre os falares surgiu o galego-portugu\u00eas que se modificou algo, devido \u00e0 independ\u00eancia de Portugal alcan\u00e7ada por D. Afonso Henriques e \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o do uso do portugu\u00eas ent\u00e3o \u201carcaico\u201d ordenado por D. Dinis para os documentos escritos em vez do latim. Assim, temos hoje o idioma portugu\u00eas e o galego; a maior diferencia\u00e7\u00e3o do galego deu-se a partir do s\u00e9c. XVI. Embora se possa provar a exist\u00eancia do galego-portugu\u00eas no s\u00e9c. VII (e o portugu\u00eas proto-hist\u00f3rico \u2013 um latim b\u00e1rbaro) s\u00f3 a partir do s\u00e9c. XII surgem textos completos em portugu\u00eas notando-se ent\u00e3o a influ\u00eancia da literatura sobre ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa miss\u00e3o civilizadora, os trovadores que cultivavam a poesia e a m\u00fasica por gosto, contribu\u00edram muito como estabilizadores e fomentadores da l\u00edngua. Ao irem de castelo em castelo espalhavam tamb\u00e9m ideais e a dignidade da mulher. Os segr\u00e9is faziam da arte de trovar uma profiss\u00e3o. Os jograis tocavam v\u00e1rios instrumentos e cantavam versos alheios (artistas da bo\u00e9mia). Muito do legado antigo encontra-se nos Cancioneiros Primitivos.<br \/>\nO lirismo galego-portugu\u00eas \u00e9 do mais genu\u00edno e documenta-se como uma poesia de romaria a Santiago de Compostela e nas romarias aos santos. Segundo Celso Ferreira da Cunha deve \u201cconsiderar-se como obra de s\u00edntese de diversas influ\u00eancias, sobretudo da poesia popular e da poesia latino-eclesi\u00e1stica\u201d. Tinha duas correntes po\u00e9ticas: a cantiga de amor que denuncia influ\u00eancia estrangeira, e a cantiga de amigo de caracter popular tradicional. Esta \u00e9 a primeira manifesta\u00e7\u00e3o genu\u00edna do lirismo peninsular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um documento importante do portugu\u00eas Arcaico \u00e9 o Testamento de D. Afonso II (1214) que come\u00e7a assim:\u201d En nome de Deus. Eu rei Don Afonso, pela gracia de Deus, rei de Portugal, sendo sano e saluo, temete o dia da mia morte, a sa\u00fade de mia alma e a proe de mia molier, raina Dona Orraca, e de meus filios e de meus uasssalos\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No portugu\u00eas hist\u00f3rico temos a fase arcaica do s\u00e9c. XII, XIII e XIV (as termina\u00e7\u00f5es arcaicas em \u201com\u201d deram origem \u00e0s termina\u00e7\u00f5es modernas em \u201c\u00e3o\u201d e \u201cam\u201d); segue-se a fase de transi\u00e7\u00e3o do s\u00e9c. XV e finalmente a fase moderna, com in\u00edcio no s\u00e9c. XVI at\u00e9 hoje. No s\u00e9c. XIV e XV introduziram-se na l\u00edngua muitas palavras do latim erudito e do grego; o s\u00e9c. XV foi muito prof\u00edcuo em mestres da l\u00edngua (Garcia de Resende, Fern\u00e3o Lopes, Eanes de Zurara, Rui de Pina, Frei Jo\u00e3o Alves); a l\u00edngua passa a ter o seu eixo j\u00e1 n\u00e3o em Santiago de Compostela mas em Lisboa; o s\u00e9c. XVI produziu grandes mestres da l\u00edngua como Gil Vicente, Jo\u00e3o de Barros, Ant\u00f3nio Ferreira, mas o maior de todos eles, o grande mestre do portugu\u00eas moderno foi Lu\u00eds de Cam\u00f5es com \u201cOs Lus\u00edadas\u201d. Cam\u00f5es \u00e9 um grande entre os maiores da literatura mundial, como afirmava j\u00e1 o grande Friedrich von Schiller, grande poeta, fil\u00f3sofo e historiador alem\u00e3o que trocaria a sua obra pela gl\u00f3ria dos Lus\u00edadas de Cam\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9c. XVI d\u00e1-se a grande diferencia\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas em rela\u00e7\u00e3o ao galego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nwww.antonio.justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A L\u00edngua portuguesa \u00e9 a Irm\u00e3 g\u00e9mea do Galego Ant\u00f3nio Justo A Academia Brasileira de Letras fez um levantamento sobre a l\u00edngua portuguesa e verificou que esta tem atualmente cerca de 356 mil unidades lexicais. 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