{"id":2451,"date":"2013-03-03T11:46:48","date_gmt":"2013-03-03T10:46:48","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2451"},"modified":"2013-03-04T10:29:22","modified_gmt":"2013-03-04T09:29:22","slug":"dialogo-inter-religioso-e-intercultural-um-desafio-adiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2451","title":{"rendered":"Di\u00e1logo inter-religioso e intercultural \u2013 Um Desafio adiado?"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><b>Ser\u00e1 que o Isl\u00e3o \u00e9 agressivo?<\/b><\/span><\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio Justo<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>O incremento do di\u00e1logo inter-religioso e intercultural, necess\u00e1rio para assegurar a paz e a boa conviv\u00eancia entre os diferentes grupos, \u00e9 contrariado por uma praxis agressiva que se d\u00e1 em nome da ideologia e da religi\u00e3o. Actualmente, a religi\u00e3o mais perseguida \u00e9 a crist\u00e3 com um n\u00famero de v\u00edtimas superior a 105.000 em 2012, segundo regista o \u201cObservat\u00f3rio da Liberdade Religiosa\u201d. A grande maioria das v\u00edtimas regista-se nos pa\u00edses isl\u00e2micos e comunistas. <b>Um outro aspecto muito dificultador do di\u00e1logo intercultural \u00e9 o facto de os grupos isl\u00e2micos imigrados se isolarem e exigirem para os seus grupos direitos que n\u00e3o reconhecem aos outros nos seus pa\u00edses.<\/b> Isso \u00e9 sentido por muitos cidad\u00e3os europeus como uma atitude n\u00e3o transparente numa t\u00e1tica de conquista suave. A Noruega j\u00e1 proibiu a Ar\u00e1bia Saudita de financiar mesquitas enquanto n\u00e3o permitirem a constru\u00e7\u00e3o de igrejas no seu pa\u00eds. O ministro dos neg\u00f3cios estrangeiros noruegu\u00eas <b>Jonas Gahr Stor defende a reciprocidade de rela\u00e7\u00f5es<\/b> entre pa\u00edses e culturas e j\u00e1 anunciou que a \u201cNoruega levar\u00e1 este assunto ao Conselho da Europa\u201d.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Cada cultura nasceu duma religiosidade que se expressa num conte\u00fado de f\u00e9 \u00e0 volta do qual construiu a correspondente identidade. Assim se foram formando identidades contra identidades: umas mais guerreiras, outras mais pac\u00edficas. Sob a capa da luta religiosa escondem-se tend\u00eancias hegem\u00f3nicas que em nome da religiosidade afirmam constructos de poder dominadores da pessoa e doutros grupos. O isl\u00e3o \u00e9 hoje, com o sistema pol\u00edtico chin\u00eas, o sistema com mais potencialidades de expans\u00e3o e \u201cconquista\u201d, porque n\u00e3o permitem a forma\u00e7\u00e3o de consci\u00eancias complementares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Experi\u00eancia acrescida<\/b><\/p>\n<p>O escritor Martin Walser, ao falar de religi\u00e3o, diz: \u201cReligi\u00e3o \u00e9 uma maneira de express\u00e3o como literatura, pintura, m\u00fasica\u2026, f\u00e9 \u00e9 uma capacidade, um talento\u201d. Religi\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma experi\u00eancia humana enriquecedora que fomenta a vida interior e alarga o horizonte humano ao procurar o desconhecido. A experi\u00eancia da f\u00e9 \u00e9 pura e \u00fanica, acontece para l\u00e1 dos credos, das imagens, dos dogmas, dos mitos e das culturas. Estas deveriam preparar o caminho para a viv\u00eancia do inef\u00e1vel na viv\u00eancia da paz universal. O brilho n\u00e3o vem da capacidade l\u00f3gica mas do talento da f\u00e9 (viv\u00eancia) amorosa, ao contr\u00e1rio dos poderes que se aproveitam daquela \u00e2nsia genu\u00edna humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 temos uma terra com muitos sistemas ecol\u00f3gicos naturais\/culturais e com grande diversidade. A diferen\u00e7a \u00e9 uma constante num mundo feito de retalhos complementares. Se se pretende a paz verdadeira, <b>a afirma\u00e7\u00e3o da identidade pela diferen\u00e7a n\u00e3o pode deixar de reconhecer o seu caracter subsidi\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao todo<\/b>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Iniciativa hist\u00f3rica<\/b><\/p>\n<p>Uma iniciativa hist\u00f3rica em prol do di\u00e1logo inter-religioso foi a cria\u00e7\u00e3o da \u201cJornada Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz\u201d em 1986 (em Assis, It\u00e1lia), por iniciativa do papa Jo\u00e3o Paulo II, onde crist\u00e3os, judeus, budistas, mu\u00e7ulmanos e representantes de religi\u00f5es africanas e americanas se reuniram para rezar pela paz mundial. Joao Paulo II queria iniciar assim uma \u201cviagem fraterna\u201d dos diferentes caminhos das religi\u00f5es na procura da Verdade. Isto pressup\u00f5e o di\u00e1logo inter-religioso como caminho das religi\u00f5es no sentido de afirmar a dignidade do Homem e da natureza, onde todos se empenham em minorar as causas do sofrimento de pessoas e grupos e onde verdades coexistem de modo a possibilitar a probabilidade que leva ao desenvolvimento.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Para se falar dum di\u00e1logo inter-religioso que honre o seu nome teria de se pressupor que cada um dos parceiros reconhecesse a liberdade religiosa e respeitasse a decis\u00e3o individual. O Vaticano II reconheceu esse direito mas as elites do isl\u00e3o n\u00e3o o reconhecem, tropeando assim qualquer forma de di\u00e1logo. Aposta no querer ter raz\u00e3o, substituindo assim a experi\u00eancia interior (f\u00e9) por um sonho intelectual, por uma estrat\u00e9gia de dividir para dominar. Os mu\u00e7ulmanos que vivem no ocidente, talvez, num dia distante, provoquem uma esp\u00e9cie de conc\u00edlio isl\u00e2mico que o torne compat\u00edvel com outras culturas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Direitos humanos em conflito com direitos culturais<\/b><\/p>\n<p>Na sociedade ocidental domina o primado do direito (direitos do Homem) e da democracia enquanto nas sociedades de influ\u00eancia \u00e1rabe domina o primado da religi\u00e3o e do grupo. Enquanto o Ocidente educa o cidad\u00e3o para o respeito dos direitos individuais, as elites mu\u00e7ulmanas empenham-se na afirma\u00e7\u00e3o dos seus valores culturais religiosos \u00e0 custa dos direitos pessoais; partem tamb\u00e9m duma posi\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica que n\u00e3o reconhece \u00e0 sociedade permissiva o direito de exigir contrapartidas na pr\u00e1xis. Muitas vezes, lutam pela imposi\u00e7\u00e3o e reconhecimento legal dos seus costumes (direitos culturais contra direitos individuais) sem se preocuparem com o esp\u00edrito base das leis dos pa\u00edses de acolhimento. O pr\u00f3prio direito europeu e direitos nacionais europeus j\u00e1 t\u00eam sofrido retrocesso chegando a consignar valores culturais como superiores ao valor da pessoa humana: pr\u00e1tica da circuncis\u00e3o (RFA), imposi\u00e7\u00e3o das leis da sharia em quest\u00f5es de div\u00f3rcio (Inglaterra), imposi\u00e7\u00e3o de ementas pr\u00f3prias em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, isen\u00e7\u00e3o de aulas de biologia e de gin\u00e1stica para mulheres, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma minoria hermeticamente fechada e uma maioria indiferente<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 not\u00f3ria a falta de coopera\u00e7\u00e3o entre os grupos minorit\u00e1rios e o grupo maiorit\u00e1rio. Praticamente este s\u00f3 cede, sem contrapartidas. Da parte da sociedade acolhedora (crist\u00e3) observa-se uma atitude que vai da toler\u00e2ncia \u00e0 indiferen\u00e7a. A parte maometana permanece dogm\u00e1tica. Quem se julga na posse da verdade n\u00e3o est\u00e1 disposto a procura-la. N\u00e3o h\u00e1 disponibilidade enquanto dominar a doutrina declarada dum Isl\u00e3o autossuficiente, hegem\u00f3nico, totalizante e intolerante. As comunidades maometanas encontram-se demasiadamente preocupadas na sua afirma\u00e7\u00e3o como grupo para poderem reconhecer os outros bem como a diversidade de necessidades individuais dos pr\u00f3prios membros. N\u00e3o comportam lugar para a diferen\u00e7a. Por isso os pa\u00edses mu\u00e7ulmanos oprimem e discriminam quem n\u00e3o professar a sua f\u00e9 porque consideram a opini\u00e3o diferente como um atentado a uma ideologia que quer tudo igual. Talvez vejam na religi\u00e3o mu\u00e7ulmana o potencial de poder a contrapor ao imperialismo econ\u00f3mico. Respondem a um imperialismo com outro imperialismo; um abusa dos cidad\u00e3os (democracia), o outro abusa da cren\u00e7a.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Cada cultura faz a sua interpreta\u00e7\u00e3o do mundo, do homem e da sociedade com diferentes met\u00e1foras. Cada religi\u00e3o tem a sua maneira de equacionar e enroupar o misterioso transcendente. Este n\u00e3o pode ser exclusivo dum bi\u00f3topo religioso nem duma experi\u00eancia cultural antropol\u00f3gica ou sociol\u00f3gica. Cada pessoa, cada bi\u00f3topo natural\/religioso tem algo de diferente que o vizinho n\u00e3o tem. Para se reconhecer a diferen\u00e7a \u00e9 necess\u00e1rio depor-se as armas do combate e da conquista para se permitir o crescimento espiritual no pr\u00f3prio bi\u00f3topo religioso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No reino da ecologia os bi\u00f3topos, as realidades\/verdades encontram-se, umas ao lado das outras, sem a necessidade de se negarem. Tamb\u00e9m deveria ser l\u00f3gico e natural que num \u2018bi\u00f3topo\u2019 cultural mu\u00e7ulmano fosse poss\u00edvel a coexist\u00eancia, sem persegui\u00e7\u00e3o nem discrimina\u00e7\u00e3o de outras religi\u00f5es e vice-versa. Tamb\u00e9m deveria ser natural que cada religi\u00e3o se sentisse, intra muros, como a melhor sem necessidade de negar as outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A n\u00e3o exist\u00eancia de acordos bilaterais suborna a cultura ocidental<\/b><\/p>\n<p>Na Europa, a discuss\u00e3o intercultural e inter-religiosa \u00e9 orientada apenas para o folclore religioso crist\u00e3o, judeu, hindu e mu\u00e7ulmano sem que se expresse algo das suas filosofias, antropologias, sociologias e teologias. Assistimos a abordagens superficiais em curto-circuito ou com afirma\u00e7\u00f5es e nega\u00e7\u00f5es reducionistas \u00e0 medida do politicamente correcto. Os governos e a sociedade laica n\u00e3o est\u00e3o interessados numa discuss\u00e3o p\u00fablica objectiva porque, a faz\u00ea-lo, o seu actuar seria questionado pelos interesses democr\u00e1ticos da sociedade acolhedora. Nos conflitos espec\u00edficos maometanos com a sociedade maiorit\u00e1ria, o politicamente correcto est\u00e1 interessado em reconhecer neles apenas quest\u00f5es de religiosidade individual. Reina o interesse, o medo. Tamb\u00e9m a Igreja n\u00e3o pode falar claro porque se o fizesse logo os crist\u00e3os que vivem em estados mu\u00e7ulmanos seriam objecto de maior discrimina\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por v\u00e1rias raz\u00f5es, o Estado laico n\u00e3o se tem preocupado com o di\u00e1logo intercultural internacional nem em estabelecer acordos bilaterais a n\u00edvel de direitos de religi\u00e3o. Com o tempo, devido \u00e0 presen\u00e7a massiva mu\u00e7ulmana, os estados europeus ver-se-\u00e3o na necessidade de reconhecer valor ao di\u00e1logo inter-religioso, tendo de o colocar na agenda das conven\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sociedade civil, ao n\u00e3o exigir bilateralidade na concess\u00e3o de direitos religiosos, est\u00e1 a subornar a cultura ocidental e a contribuir para um futuro muito problem\u00e1tico. Enquanto o mundo crist\u00e3o se empenha em propagar a toler\u00e2ncia possibilitando o exerc\u00edcio livre do isl\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de mesquitas na Europa, os estados mu\u00e7ulmanos como a Ar\u00e1bia Saudita, a Turquia e os pa\u00edses mu\u00e7ulmanos em geral, pro\u00edbem a constru\u00e7\u00e3o de igrejas, sinagogas e escolas nos seus pa\u00edses, e, por outro lado, financiam a promo\u00e7\u00e3o do isl\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de mesquitas no estrangeiro. A toler\u00e2ncia religiosa ocidental \u00e9 por vezes interpretada pelos que se aproveitam dela como sinal de fraqueza e como reconhecimento da superioridade do isl\u00e3o. N\u00e3o compreendem que um grupo com convic\u00e7\u00e3o de verdade religiosa possa aceitar o outro.Em termos de poder e de estrat\u00e9gia, a atitude hegem\u00f3nica mu\u00e7ulmana tem-se revelado como \u00f3ptima para a sua ofensiva. Os estados europeus, ao considerarem a religi\u00e3o subjacente \u00e0 pr\u00f3pria cultura como coisa privada, e ao reconhecerem, por outro lado, o isl\u00e3o, como express\u00e3o religiosa, pol\u00edtica e social desestabilizam o Estado laico e ao mesmo tempo reduzem a posi\u00e7\u00e3o da maioria cultural e crist\u00e3 ocidental ao n\u00edvel duma minoria.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Aquela toler\u00e2ncia que parecia haver na Europa entre crentes, agn\u00f3sticos e ateus tornar-se-\u00e1 cada vez mais fr\u00e1gil atendendo \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o dum isl\u00e3o r\u00edgido, resistente \u00e0 integra\u00e7\u00e3o, que tende a qualificar e legitimar os cidad\u00e3os na categoria de crentes e de \u00edmpios. Na Post-democracia a sociedade d\u00e1 ind\u00edcios de querer orientar-se j\u00e1 n\u00e3o por princ\u00edpios de democracia partid\u00e1ria mas, paulatinamente, possibilitar a representa\u00e7\u00e3o do poder estatal por grupos \u00e9tnico-religiosos. A sociedade cede assim a sua concep\u00e7\u00e3o duma sociedade constru\u00edda na base de valores e direitos humanos (filosofia crist\u00e3) a uma sociedade constru\u00edda na base de valores e direitos n\u00e3o individuais mas culturais (filosofia isl\u00e2mica).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Caminho dif\u00edcil<\/b><\/p>\n<p>O di\u00e1logo com o isl\u00e3o torna-se muito complicado porque este se definiu e define sobretudo na demarca\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao juda\u00edsmo e ao cristianismo. Uma hip\u00f3tese de di\u00e1logo estaria no caracter ambivalente (confuso) em que suras (vers\u00edculos) do Cor\u00e3o se contradizem. A sua ambiguidade poderia possibilitar uma interpreta\u00e7\u00e3o que acentue as suras do Cor\u00e3o ben\u00e9volas em rela\u00e7\u00e3o ao juda\u00edsmo e ao cristianismo. De facto, no Cor\u00e3o h\u00e1 as suras provenientes da primeira fase (Meca) em que Maom\u00e9 era ben\u00e9volo em rela\u00e7\u00e3o ao cristianismo e ao juda\u00edsmo e as suras posteriores (de Medina) que s\u00e3o aguerridas contra o Cristianismo e o juda\u00edsmo. Nas mesquitas, os imames orientam-se por estas \u00faltimas. Por outro lado o isl\u00e3o s\u00f3 reconhece os crentes de Al\u00e1, n\u00e3o conhecendo a ideia do amor ao pr\u00f3ximo como no caso do cristianismo e do juda\u00edsmo. Tamb\u00e9m por isso nunca se ouve uma autoridade isl\u00e2mica criticar publicamente os terroristas isl\u00e2micos. Dado a ambival\u00eancia facilitar tamb\u00e9m a arbitrariedade, seria por\u00e9m f\u00e1cil demostrar aos fundamentalistas isl\u00e2micos que o seu fundamentalismo \u00e9 relativizado pelo mesmo Cor\u00e3o, doutro modo teriam de aceitar que Deus muda de ideia na passagem da fase do Cor\u00e3o em que Maom\u00e9 vivia em Meca para a outra fase em que passou a viver em Medina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O di\u00e1logo entre isl\u00e3o e cristianismo \u00e9 dif\u00edcil de tratar, atendendo \u00e0s diferentes abordagens e perspectivas com que pode ser exposto e aos interesses a elas impl\u00edcitas e \u00e0s diferentes sociologias e antropologias subjacentes a cada cultura. Um outro factor dificultador do di\u00e1logo vem da estrat\u00e9gia humana de argumenta\u00e7\u00e3o, uma argumenta\u00e7\u00e3o para ter raz\u00e3o, e que para defender uma posi\u00e7\u00e3o como verdadeira tende a declarar a outra como falsa. Este extremismo tem sido acentuado especialmente a partir do iluminismo sob o manto do esp\u00edrito cr\u00edtico e cientista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o hodierna entre judeus, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos procura partir dos pontos que os une. O Vaticano II afirma mesmo que os mu\u00e7ulmanos acreditam no mesmo Deus que judeus e crist\u00e3os. Isto embora entre as concep\u00e7\u00f5es de Deus haja diferen\u00e7as enormes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma exegese isl\u00e2mica, que desse prioridade \u00e0s suras do Cor\u00e3o da sua primeira fase, em que Al\u00e1 era benigno, possibilitaria um di\u00e1logo aut\u00eantico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O di\u00e1logo entre crist\u00e3os e judeus torna-se mais f\u00e1cil. As diferen\u00e7as n\u00e3o provocam conflitos na conviv\u00eancia social, dado a s\u00famula do Antigo e do Novo Testamento se resumirem na mesma premissa \u201cAma a Deus e ao pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d. No Cristianismo, como no juda\u00edsmo, o caminho de Deus passa pelo pr\u00f3ximo e o pr\u00f3ximo \u00e9 o outro, o diferente. O caminho do Homem passa por Deus no pr\u00f3ximo e no mundo. Na pr\u00e1tica o resumo da B\u00edblia \u00e9 \u201cn\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am a ti\u201d. Deus \u00e9 o mesmo, o resto tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@gmail.com\">antoniocunhajusto@gmail.com<\/a><\/p>\n<p>www.antonio-justo.eu<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que o Isl\u00e3o \u00e9 agressivo? Ant\u00f3nio Justo \u00a0 O incremento do di\u00e1logo inter-religioso e intercultural, necess\u00e1rio para assegurar a paz e a boa conviv\u00eancia entre os diferentes grupos, \u00e9 contrariado por uma praxis agressiva que se d\u00e1 em nome da ideologia e da religi\u00e3o. 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