{"id":2423,"date":"2013-01-22T12:49:12","date_gmt":"2013-01-22T11:49:12","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2423"},"modified":"2013-01-22T12:49:12","modified_gmt":"2013-01-22T11:49:12","slug":"lusofonia-a-chance-de-futuro-dos-paises-lusofonos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2423","title":{"rendered":"LUSOFONIA A CHANCE DE FUTURO DOS PA\u00cdSES LUS\u00d3FONOS"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>Ontem submergiram \u00e0s Coloniza\u00e7\u00f5es das na\u00e7\u00f5es e hoje n\u00e3o resistem \u00e0s das Civiliza\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>A Hora da Lusofonia est\u00e1 a chegar (3)<\/b><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>N\u00e3o, a Lusofonia n\u00e3o \u201c \u00e9 a \u00faltima marca de um imp\u00e9rio que j\u00e1 n\u00e3o existe\u201d como quer Ant\u00f3nio Pinto Ribeiro. (1) A constru\u00e7\u00e3o de bi\u00f3topos culturais \/identidades nacionais n\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3ria \u00e0 sua afirma\u00e7\u00e3o numa supraestrutura capaz de concorrer com outras supraestruturas mundiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica de quem se empenha na nobre tarefa da Lusofonia ser\u00e1, precisamente, atrav\u00e9s duma f\u00e1brica de pensamento, n\u00e3o adiar os problemas para o futuro mas sim encar\u00e1-los com realismo para se antecipar a ele, numa estrat\u00e9gia de sustentabilidade<b>. \u00c9 necess\u00e1rio prever-se o perigo para termos a chance de lhe dar solu\u00e7\u00e3o. Parte-se do status quo para se chegar ao que se deveria ser.<\/b> Se queremos salvaguardar o bem-estar futuro, urge reformar o presente. A isto est\u00e3o chamados, com conceitos e projectos concretos, os governos, as empresas, as universidades, as igrejas, os sindicatos, as associa\u00e7\u00f5es e os cidad\u00e3os adultos interessados em construir um mundo adequado \u00e0 dignidade humana e aos sinais dos tempos. <b>A Lusofonia seria a realiza\u00e7\u00e3o de uma terceira via diferente.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Filosofia desej\u00e1vel para a Lusofonia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Lusofonia n\u00e3o \u00e9 nem foi, faz-se. Lusofonia poder\u00e1 ser uma maneira diferente de ser e estar no mundo. Quer fomentar uma nova maneira de estar no tempo e no espa\u00e7o, um novo modo de ver, agir e sentir o espa\u00e7o geogr\u00e1fico-cultural lus\u00f3fono e seus intervenientes. Essa maneira de estar j\u00e1 foi em parte exercitada, na miscigena\u00e7\u00e3o brasileira. A Lusofonia pretende fomentar a via especial dos povos lus\u00f3fonos; uma terceira via diferente, n\u00e3o reduz\u00edvel a um compromisso entre sistemas econ\u00f3micos\/ideol\u00f3gicos (capitalismo e socialismo). N\u00e3o se fica pelo pensamento bipolar. Raciocina, tamb\u00e9m, com uma l\u00f3gica polivalente n\u00e3o fixada no \u201cverdadeiro\u201d e no \u201cfalso\u201d mas reconhecendo no \u201cposs\u00edvel\u201d o elemento personalizador que leva a reconhecer a evid\u00eancia da realidade. N\u00e3o se fecha no \u201cou\u2026 ou\u201d mas realiza-se numa pr\u00e1tica e l\u00f3gica aberta do \u201cn\u00e3o s\u00f3\u2026 mas tamb\u00e9m\u201d, imbu\u00edda de complementaridade, enfim, uma via integral a-perspectiva. Tamb\u00e9m n\u00e3o rejeita a exist\u00eancia de padr\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o: importante \u00e9 a tentativa de integrar a posi\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os par\u00e2metros filos\u00f3ficos da Lusofonia incluir\u00e3o uma consci\u00eancia da complementaridade orientada pelo ide\u00e1rio de vida pensada e realizada a partir do n\u00f3s, numa rela\u00e7\u00e3o pessoal geradora de \u201ceus\u201d e \u201ctus\u201d adultos, gratos e gratificados. <b>O \u201cn\u00f3s\u201d ser\u00e1 o ponto de partida e de chegada do pensar e agir.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Alternativa: ser sat\u00e9lites dos outros ou planetas do pr\u00f3prio sistema<\/b><\/p>\n<p><b>Os pa\u00edses lus\u00f3fonos t\u00eam que estar conscientes da alternativa do seu futuro: ou ser sat\u00e9lites an\u00f3nimos de algumas pot\u00eancias ou tornarem-se eles mesmos os planetas do pr\u00f3prio sistema lus\u00f3fono, tendo como seu centro a l\u00edngua portuguesa e um ide\u00e1rio comum expresso numa rela\u00e7\u00e3o mais que de cidad\u00e3os de irm\u00e3os.<\/b> N\u00e3o \u00e9 assim que j\u00e1 nos tratamos quando falamos dos irm\u00e3os timorenses, brasileiros, angolanos, etc.? Se na palavra \u201cirm\u00e3os\u201d j\u00e1 temos um indicador de consci\u00eancia fraterna e solid\u00e1ria, porque n\u00e3o investir nela a n\u00edvel pol\u00edtico, econ\u00f3mico, cultural e humano? J\u00e1 se esqueceu a solidariedade fruto dessa consci\u00eancia lus\u00f3fona, tida com Timor? A \u201cL\u00edngua \u00e9 a nossa p\u00e1tria\u201d! Unidos, ningu\u00e9m nos destruir\u00e1 e a Lusofonia (Comunidade Federal) transformar-se-\u00e1 numa verdadeira pot\u00eancia de humanidade e fraternidade.<\/p>\n<p>Como na\u00e7\u00f5es desorganizadas estaremos determinados a andar sempre atr\u00e1s do progresso sob o ditame econ\u00f3mico e pol\u00edtico dos outros; como confedera\u00e7\u00e3o lus\u00f3fona (mais tarde federa\u00e7\u00e3o) traria a si o poder de se autodeterminar e influenciar o futuro a n\u00edvel global com uma pol\u00edtica e economia pr\u00f3prias. Para tal pressup\u00f5e-se a uni\u00e3o da intelig\u00eancia racional \u00e0 intelig\u00eancia emocional, se n\u00e3o nos queremos perder deixar levar e perder na ditadura do factual e nos meandros duma emotividade nacionalista m\u00edope.<\/p>\n<p>O movimento da lusofonia irmana a consci\u00eancia de diferentes perfis antropol\u00f3gicos e sociol\u00f3gicos na resposta a dar aos sinais dos tempos como indicadores de futuro. <b>Numa altura em que o imperialismo americano, chin\u00eas e europeu se aproveitam do globalismo para se imporem \u00e0s na\u00e7\u00f5es e a grupos desacautelados, a resposta adequada ser\u00e1 a organiza\u00e7\u00e3o das identidades lus\u00f3fonas no projecto supranacional da Lusofonia: <\/b>Um ecossistema cultural e humano \u00e0 altura da nova reorganiza\u00e7\u00e3o civilizacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O conceito Lusofonia \u00e9 realmente abrangente n\u00e3o podendo ser demasiadamente definido porque toda a defini\u00e7\u00e3o bem contornada poder-se-ia revelar como limitadora do processo de desenvolvimento de identidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>J\u00e1 n\u00e3o chega uma boa rela\u00e7\u00e3o entre os povos lus\u00f3fonos; \u00e9 preciso um sonho, um programa, uma vontade declarada de todos apostarem num ide\u00e1rio civilizacional comum<\/b>, prometedor dum c\u00e9u e duma terra para todos, com uma praxis de supremo respeito pela dignidade humana e pelo direito \u00e0 diferen\u00e7a como valor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Urge a Colabora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica entre os pa\u00edses lus\u00f3fonos<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Trata-se realmente de unir, pessoas, povos e continentes para que da uni\u00e3o surja uma for\u00e7a cultural, econ\u00f3mica e pol\u00edtica capaz de resistir a novos imperialismos. \u00c9 importante apresentarem-se conceitos e estrat\u00e9gias capazes de alertar os governos para os perigos que se escondem por tr\u00e1s de acordos com firmas e pot\u00eancias que possam comprometer o seu futuro (a China, aproveitando-se da irreflex\u00e3o europeia e da crise americana j\u00e1 conseguiu muito!). Os poderes das grandes pot\u00eancias camuflam-se atrav\u00e9s de influ\u00eancias an\u00f3nimas que paulatinamente amarram governos, estados e na\u00e7\u00f5es. <b>No futuro os Estados n\u00e3o ter\u00e3o sequer a oportunidade de corrigir os erros do passado com revolu\u00e7\u00f5es nem com nacionaliza\u00e7\u00f5es. As intrigas internas ser\u00e3o controladas pelas grandes pot\u00eancias que n\u00e3o ter\u00e3o pejo de apoiar grupos contestat\u00e1rios de governos leg\u00edtimos.<\/b> No s\u00e9culo passado as na\u00e7\u00f5es com pouca for\u00e7a econ\u00f3mica ainda podiam optimar neg\u00f3cios jogando com os interesses concorrentes entre capitalistas e socialistas (USA e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica), hoje, com a reorganiza\u00e7\u00e3o dos Estados em grupos de interesses econ\u00f3micos estrat\u00e9gicos e pol\u00edticos torna-se dific\u00edlimo para os governos avaliar a longo prazo os compromissos que assumem com os grupos concorrentes (China, Liga \u00c1rabe, USA, EU, R\u00fassia, etc.). Numa fase de ainda n\u00e3o consolida\u00e7\u00e3o duma uni\u00e3o dos estados lus\u00f3fonos, toda a \u00c1frica deveria, por raz\u00f5es estrat\u00e9gicas de futuro, privilegiar as rela\u00e7\u00f5es com a Europa, precavendo um poss\u00edvel cen\u00e1rio que poder\u00e1 ser o de os poss\u00edveis conflitos \u00a0entre a \u00c1sia e a Europa se realizem na \u00c1frica, \u00e0 imagem do que j\u00e1 aconteceu no passado em \u00c1frica relativamente aos interesses das na\u00e7\u00f5es e ao conflito da \u201cguerra fria\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma pol\u00edtica favorecedora de colabora\u00e7\u00e3o com firmas e fluxos migrat\u00f3rios dos pa\u00edses lus\u00f3fonos entre si<\/b> revelar-se-ia como medida inteligent\u00edssima contra o imperialismo econ\u00f3mico que amarra o futuro das na\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma dor de alma ver como tantos acad\u00e9micos portugueses s\u00e3o aliciados por pot\u00eancias fortes, como a Alemanha, quando esses t\u00e9cnicos poderiam emigrar para os pa\u00edses lus\u00f3fonos, contribuindo para o seu enriquecimento. \u00c9 importante a salvaguarda de recursos humanos, \u00e9tnicos, culturais e econ\u00f3micos numa coopera\u00e7\u00e3o multilateral que n\u00e3o avassale nenhum \u201cbi\u00f3topo\u201d lus\u00f3fono. A uni\u00e3o faz a for\u00e7a. Cada pa\u00eds lus\u00f3fono, no continente em que se encontra, constitui uma riqueza estrat\u00e9gica imensa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A \u00c1frica continua em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, sendo palco da cobi\u00e7a e dos jogos de interesses ocidentais, \u00e1rabes, chineses, russos, etc. Estas pot\u00eancias pretendem cimentar a\u00ed zonas estrat\u00e9gicas de influ\u00eancia. Ao contr\u00e1rio do autor inicialmente citado, sou do parecer que<b> hoje a Lusofonia, \u00e0 semelhan\u00e7a da posi\u00e7\u00e3o de Portugal com a sua pretens\u00e3o do Mapa Cor-de-Rosa na Confer\u00eancia de Berlim (1884-85), pretende acautelar a defesa dos interesses das diferentes identidades \u00e9tnico-culturais amea\u00e7ados por for\u00e7as internacionais com mera inten\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio econ\u00f3mico e estrat\u00e9gico. <\/b>\u00c0s l\u00ednguas est\u00e3o subjacentes interesses de toda a esp\u00e9cie; em torno delas surgem as verdadeiras constela\u00e7\u00f5es do futuro. Hoje, tal como na Confer\u00eancia de Berlim, <b>as pot\u00eancias querem alargar as suas zonas de influ\u00eancia para depois, fazerem de terreno alheio e distante, o campo de batalha para as suas lutas de concorr\u00eancia econ\u00f3mica e pol\u00edtica.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As zonas da lusofonia n\u00e3o seriam bem aconselhadas se, abandonadas \u00e0 lei da in\u00e9rcia, sem organiza\u00e7\u00e3o, se deixassem enredar por problemas ideol\u00f3gicos e programas n\u00e3o aferidos \u00e0 realidade actual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quem torpedeia a constru\u00e7\u00e3o da Lusofonia, uma maneira moderna de dar resposta ao desafio do turbo-capitalismo e ao imperialismo comunista chin\u00eas, apoia precisamente aquelas for\u00e7as e princ\u00edpios imperialistas que o Mapa Cor-de-Rosa queria impedir (ao pretender salvaguardar o direito hist\u00f3rico e geogr\u00e1fico contra o direito da ocupa\u00e7\u00e3o e reparti\u00e7\u00e3o da \u00c1frica). Seria fatal se a l\u00f3gica da ocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-pol\u00edtica seguida pelo ultimato ingl\u00eas (1890) continuasse a imortalizar o princ\u00edpio do mais forte. N\u00e3o! Com a Lusofonia, trata-se de recorrer a um outro instrumento da evolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja apenas o selectivo mas o da coopera\u00e7\u00e3o dos pequenos entre si, para poderem subsistir ao lado dos mais fortes.<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Quer-se uma lusofonia constru\u00edda na complementaridade partilhada por todos sem imposi\u00e7\u00f5es dos mais fortes e acautelada de estrat\u00e9gias de afirma\u00e7\u00e3o por actos consumados de ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os econ\u00f3micos e culturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naturalmente que Portugal n\u00e3o deve irradiar da sua consci\u00eancia as barbaridades que cometeu em \u00c1frica nem desculpar-se com o preexistente com\u00e9rcio dos negreiros \u00e1rabes. As suas brutalidades cometidas ao longo da hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o, por\u00e9m, compar\u00e1veis \u00e0 brutalidade sistem\u00e1tica doutros colonizadores, facto que n\u00e3o desculpa os erros cometidos mas prova uma outra mundivis\u00e3o. Por vezes fala-se muito do colonialismo de ontem para se distrair das novas formas do colonialismo. Por outro lado, tamb\u00e9m seria ing\u00e9nuo cair-se na cegueira de n\u00e3o reconhecer a luta da vida. A pequenez de Portugal e o seu caracter sonhador predisp\u00f5e-no a ser conciliador, potenciando-o a ser um bom interlocutor no processo da Lusofonia. Por outro, Portugal, dentro da concorr\u00eancia brutal em via na Europa sofre um ataque forte \u00e0 sua institui\u00e7\u00e3o como Estado. Esta experi\u00eancia poderia salutar se aproveitada nos espa\u00e7os lus\u00f3fonos como exemplo do que se dar\u00e1 mais tarde neles mesmos se n\u00e3o se prev\u00eaem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 intento fazer do espa\u00e7o da lusofonia um \u201cimp\u00e9rio\u201d mas um espa\u00e7o global moderno de configura\u00e7\u00e3o a-perspectiva capaz de se manter e afirmar ao lado doutros constructos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se quer defender a ideologia dum luso-tropicalismo superior a outras civiliza\u00e7\u00f5es, mas sim defender uma maneira de estar lusa ao mesmo tempo universal e respeitadora das culturas regionais. Portugal nunca assimilou mais que 1% da popula\u00e7\u00e3o colonizada. Havia a coexist\u00eancia tolerante de culturas e h\u00e1bitos (Cf. ideia da democracia racial em \u201cCasa-Grande e Senzala\u201d de Gilberto Freyre). <b>De facto, desde o s\u00e9culo XVI at\u00e9 Salazar (1940), n\u00e3o havia institui\u00e7\u00f5es coloniais nem um sistema de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica nas antigas prov\u00edncias ultramarinas. Tamb\u00e9m a declara\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia colonial em \u00c1frica n\u00e3o foi um acto contra Portugal mas o resultado de interesses econ\u00f3micos e ideol\u00f3gicos internacionais.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 no 25 de Abril havia uma vertente da popula\u00e7\u00e3o portuguesa mais aberta \u00e0 op\u00e7\u00e3o pelo ultramar do que \u00e0 op\u00e7\u00e3o pela Europa. O esp\u00edrito luso \u00e9 arredio a ser encerrado num s\u00f3 pa\u00eds ou continente; ele \u00e9 intercontinental, universal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Encontramo-nos num momento de desenvolvimento hist\u00f3rico que n\u00e3o permite j\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o dum pa\u00eds p\u00f3s-colonial. Os pa\u00edses foram uma forma anterior de socializa\u00e7\u00e3o antes de se chegar aos constructos civilizacionais USA, EU, Liga \u00c1rabe, China, R\u00fassia \u00cdndia\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temos que ousar o salto de grupos \u00e9tnicos ou nacionais para estruturas superiores. Doutro modo, os pa\u00edses, cada um por si, individualmente, sem um sonho nem um plano comum tornar-se-\u00e3o v\u00edtimas da cobi\u00e7a das civiliza\u00e7\u00f5es e pot\u00eancias fortes tal como aconteceu outrora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio equacionar-se os interesses de maneira convergente e n\u00e3o divergente. J\u00e1 n\u00e3o nos encontramos no s\u00e9culo XIX em que era ordem do dia a forma\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00f5es. Hoje os sinais dos tempos apontam todos para a forma\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os\/sociedades supranacionais. A experi\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o da EU pode ser um exemplo de como se n\u00e3o deve proceder para criar um conglomerado. Apesar da g\u00e9nese e da filosofia ser baseada sobretudo pela concorr\u00eancia e pelo poder, a EU afirmar-se-\u00e1. Muito mais prometedora e oferecedora de futuro seria a forma\u00e7\u00e3o duma federa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, no respeito dos bi\u00f3topos naturais e culturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Seria um erro hist\u00f3rico crasso e constituiria um retrocesso se intelectuais africanos se afirmassem pela posi\u00e7\u00e3o do contra, na inten\u00e7\u00e3o de construir uma identidade \u00e9tnico-nacional.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O futuro j\u00e1 n\u00e3o se equacionar\u00e1 em termos de ideologias de esquerda ou direita nem de colonizadores e colonizados. A Lusofonia quer futuro e este s\u00f3 pode ser assegurado por uma terceira via diferente das outras. <b>Temos realmente de construir uma nova matriz civilizacional.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Os Povos precisam dum Projecto novo e duma nova Bandeir\u00e2ncia <\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portugal iniciou outrora a grande aventura colonizadora hoje a Lusofonia poder\u00e1 lan\u00e7ar-se na aventura humanizadora. A bandeir\u00e2ncia que Portugal outrora assumiu como ponta de lan\u00e7a da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, na aventura colonizadora, ter\u00e1 de ser assumida hoje pela Lusofonia no sentido de construir um tecto metaf\u00edsico possibilitador de rela\u00e7\u00f5es humanas, econ\u00f3micas e culturais solid\u00e1rias que sirvam de exemplo para a humanidade. As novas tecnologias podiam ser aproveitadas no sentido de superarem barreiras de aprendizagem e de mentalidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem sonho n\u00e3o h\u00e1 futuro. Sem mitos nem sonhos comuns deixaremos que as grandes pot\u00eancias econ\u00f3micas e os dinos do dinheiro repitam, de forma moderna e disfar\u00e7ada, o que os pa\u00edses colonizadores conseguiram fazer de etnias outrora n\u00e3o unidas nem cristalizadas pelo tradicional processo de coloniza\u00e7\u00e3o interna. <b>Neste sentido s\u00e3o necess\u00e1rias f\u00e1bricas de pensamento que preparem um projecto humano alternativo \u00e0s tradicionais formas de dom\u00ednio.<\/b> O tempo do nacionalismo j\u00e1 foi ultrapassado pelo desenvolvimento hist\u00f3rico. Os novos contextos civilizacionais prescindem dele. A \u00c1frica n\u00e3o deve cair na tenta\u00e7\u00e3o de procurar nos modelos nacionais ultrapassados do s\u00e9c. XIX paradigmas para os novos Estados. Hoje, na ordem do dia est\u00e3o as ligas, as uni\u00f5es de estados pelo que a uni\u00e3o dos estados lus\u00f3fonos seria a consequ\u00eancia l\u00f3gica duma estrat\u00e9gia actual e realista. N\u00e3o reconhecer isto e apostar em nacionalismos \u00e9 colaborar mercenariamente com pot\u00eancias estranhas. <b>O que facilitou outrora a coloniza\u00e7\u00e3o foi o facto das tribos e grupos \u00e9tnicos n\u00e3o se encontrarem unidos.<\/b> <b>Ontem n\u00e3o resistiram ao impacto das na\u00e7\u00f5es (Portugal, Espanha, Inglaterra, Franca, etc.) e hoje n\u00e3o resistir\u00e3o ao impacto das civiliza\u00e7\u00f5es (USA, Liga \u00c1rabe; China, R\u00fassia, EU).<\/b> L\u00f3gica: iniciar a alto n\u00edvel conversa\u00e7\u00f5es para uma confedera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Os povos lus\u00f3fonos precisam dum sonho, dum projecto pr\u00f3prio e duma Bandeir\u00e2ncia que expresse a vontade subjacente. N\u00e3o podemos deixar as etnias, os povos, as na\u00e7\u00f5es nas m\u00e3os dos oportunistas e dos jogos de grupos s\u00f3 interessados no proveito imediato.<\/b> \u00c9 preciso que os pol\u00edticos dos pa\u00edses das lusofonias se juntem e procurem fazer das universidades alfobres de lusofonia, verdadeiros construtores de futuro e de progresso humano e fraternal. Criem-se parcerias com universidades; de n\u00e3o menosprezar universidades cat\u00f3licas devido \u00e0 sua experi\u00eancia internacional e \u00e0 incardina\u00e7\u00e3o nos interesses do pa\u00eds, independentemente do credo. <b>O gene da lusofonia re\u00fane em si as melhores heran\u00e7as biol\u00f3gicas e culturais que as civiliza\u00e7\u00f5es legaram (Miscigena\u00e7\u00e3o, incultura\u00e7\u00e3o acultura\u00e7\u00e3o, uma \u00e9tica alta e universal, etc.).<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Promo\u00e7\u00e3o da Arte como Estrat\u00e9gia de Implementa\u00e7\u00e3o da Lusofonia como consci\u00eancia comum<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o rec\u00edproca da arte lus\u00f3fona ser\u00e1<b> a f\u00f3rmula m\u00e1gica duma estrat\u00e9gia, que a ser tomada a s\u00e9rio, se poderia tornar t\u00e3o eficiente como a cristianiza\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XV.<\/b> Esta ideia ter\u00e1 de ser levada aos nossos pol\u00edticos, que andam muito preocupados com as tarefas do dia-a-dia, sem tempo para poderem notar que por tr\u00e1s duma grande obra se encontra uma filosofia coerente e humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma grande tarefa a assumir igualmente por todos os estados lus\u00f3fonos seria o fomento concreto da arte e da literatura dos parceiros para que esta se torne cadavez mais parte do sentir comum. Para isso ser\u00e1 preciso que os Estados que anteriormente impuseram as suas matrizes culturais a outros povos implementem mais as artes daquelas culturas que antes reprimiram ou deixaram na letargia. Todos os \u00f3rg\u00e3os dos Estados membros e as institui\u00e7\u00f5es da sociedade (universidades, igreja, partidos, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es) devem empenhar-se e dar express\u00e3o a tal intento, concebendo e apoiando projectos, com novas caravelas a afrentar os novos desafios, sejam eles econ\u00f3micos, tecnol\u00f3gicos culturais ou pol\u00edticos. <b>H\u00e1 que apostar nos multiplicadores culturais e programas fomentadores das hist\u00f3rias nativas pr\u00e9-coloniais<\/b>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Urge um estudo sistem\u00e1tico das semelhan\u00e7as dos povos e construir-se uma sinopse das caracter\u00edsticas antropologias e sociol\u00f3gicas que tamb\u00e9m em Portugal podem ser identificadas. Em todos os cursos universit\u00e1rios e especialmente nos de antropologia, sociologia, hist\u00f3ria e portugu\u00eas n\u00e3o deveriam faltar cadeiras de lusofonia com as interfer\u00eancias interdisciplinares que a lusofonia implica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O Acordo Ortogr\u00e1fico<\/b> deveria ter sido obra acabada dos especialistas de diferentes pa\u00edses e de diferentes disciplinas e n\u00e3o condicionado por interesses econ\u00f3micos ou pol\u00edticos.<\/p>\n<p><b>Tamb\u00e9m o Instituto Cam\u00f5es<\/b> ao pecar pela falta duma estrat\u00e9gia de promo\u00e7\u00e3o da cultura portuguesa, n\u00e3o sei se por intens\u00e3o, se por fraqueza, poder\u00e1 sinalizar precisamente uma atitude n\u00e3o colonizadora\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O dinheiro que Portugal poupa em conselheiros culturais deveria investi-lo na investiga\u00e7\u00e3o e na implementa\u00e7\u00e3o de programas interculturais a n\u00edvel de universidades fomentadoras do esp\u00edrito lus\u00f3fono. O fomento de multiplicadores culturais da lusofonia efectuado pelo poder estatal, poderia ser contrabalan\u00e7ado pelo fomento de outros artistas, atrav\u00e9s de outras institui\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es livres. Assim poderia estrategicamente proceder-se \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de eventos musicais, liter\u00e1rios, folcl\u00f3ricos dos pa\u00edses irm\u00e3os. <b>Minist\u00e9rios e comarcas poderiam p\u00f4r como condi\u00e7\u00e3o de apoios financeiros \u00e0s associa\u00e7\u00f5es de arte e cultura a inclus\u00e3o em seus programas de eventos de interculturalidade dos pa\u00edses lus\u00f3fonos.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No novo enquadramentos hist\u00f3rico <b>a lusofonia oferece a possibilidade da constru\u00e7\u00e3o de novas identidades hist\u00f3ricas abertas<\/b> que n\u00e3o se afirmem umas contra as outras mas cres\u00e7am num esp\u00edrito de complementaridade, ao servi\u00e7o dum todo abrangente \u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Precisa-se duma supraestrutura da lusofonia capaz de se afirmar na concorr\u00eancia civilizacional: Uma <b>Lusofonia como lugar das oportunidades das novas gera\u00e7\u00f5es de angolanos, brasileiros, guineenses, portugueses, mo\u00e7ambicanos, timorenses, cabo-verdianos e das diferentes etnias conscientes de s\u00f3 assim poderem sobreviver contra os novos desafios e imperialismos.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ser\u00e1 necess\u00e1rio pensar-se em espa\u00e7os de s\u00e9culos para nos n\u00e3o deixarmos subjugar por interesses imediatistas. No espa\u00e7o cultural portugu\u00eas e na alma portuguesa de hoje encontramos vest\u00edgios culturais, \u00e9tnicos, que v\u00e3o dos godos, fen\u00edcios, gregos, judeus, romanos b\u00e1rbaros, \u00e1rabes, africanos, etc., mas tudo isto s\u00f3 foi poss\u00edvel mediante um ide\u00e1rio e um sonho integrador acompanhado duma vontade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seria ing\u00e9nuo ignorarmos que o desenvolvimento hist\u00f3rico acontece \u00e0 margem da formula\u00e7\u00e3o dos interesses econ\u00f3micos e culturais e abandonar a lusofonia aos interesses ocasionais de grupos econ\u00f3micos organizados. <b>N\u00e3o seria racional fixar-nos no fantasma dum colonialismo passado que nos distrai dos novos colonialismos em via.<\/b> Importante \u00e9 no meio de tudo isto manter a vontade emancipat\u00f3ria. Todos n\u00f3s temos uma grande tarefa: fazer do patrim\u00f3nio do mundo o patrim\u00f3nio da lusofonia e fazer da lusofonia o patrim\u00f3nio e a miss\u00e3o de cada pa\u00eds da lusofonia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lusofonia \u00e9 um modo espec\u00edfico de estar humano, cultural, econ\u00f3mica e pol\u00edtica com express\u00e3o em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, Portugal, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Timor Leste que se deveria tornar numa pol\u00edtica comum a todos os estados lus\u00f3fonos. <b>Se antigamente a unidade cultural se formava em torno da religi\u00e3o hoje pode ser implementada atrav\u00e9s do fomento da arte das subculturas em torno da l\u00edngua.<\/b> \u00c0 volta da lusofonia n\u00e3o se pode abdicar dos elementos racional e emocional.<\/p>\n<p>Do lusitano formou-se o portugu\u00eas tal como do Angolano, do brasileiro, do mo\u00e7ambicano, do portugu\u00eas, se pode formar o lus\u00f3fono.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo, www.antonio-justo.eu<\/b><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@gmail.com\">antoniocunhajusto@gmail.com<\/a><\/p>\n<p>(1) Esta parece-me uma abordagem da Lusofonia em termos arcaicos pr\u00f3prios duma l\u00f3gica bin\u00e1ria alijada ainda em mundivis\u00f5es demasiadamente coniventes com ressentimentos \u00e9tnicos e nacionais e do divide et impera. Seria fatal continuar a avaliar os tempos modernos com crit\u00e9rios e mentalidades de outros tempos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem submergiram \u00e0s Coloniza\u00e7\u00f5es das na\u00e7\u00f5es e hoje n\u00e3o resistem \u00e0s das Civiliza\u00e7\u00f5es A Hora da Lusofonia est\u00e1 a chegar (3) Ant\u00f3nio Justo N\u00e3o, a Lusofonia n\u00e3o \u201c \u00e9 a \u00faltima marca de um imp\u00e9rio que j\u00e1 n\u00e3o existe\u201d como quer Ant\u00f3nio Pinto Ribeiro. (1) A constru\u00e7\u00e3o de bi\u00f3topos culturais \/identidades nacionais n\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3ria &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2423\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">LUSOFONIA A CHANCE DE FUTURO DOS PA\u00cdSES LUS\u00d3FONOS<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[14,6,7],"tags":[],"class_list":["post-2423","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-migracao","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2423"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2423\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2425,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2423\/revisions\/2425"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}