{"id":2414,"date":"2013-01-18T12:06:27","date_gmt":"2013-01-18T11:06:27","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2414"},"modified":"2013-01-18T12:06:27","modified_gmt":"2013-01-18T11:06:27","slug":"razoes-da-crise-dos-estados-na-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2414","title":{"rendered":"Raz\u00f5es da Crise dos Estados na Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>A Queda do Socialismo favoreceu a Degrada\u00e7\u00e3o social ocidental (2)<\/b><\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio Justo<\/b><\/p>\n<p>Com a queda do socialismo real da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a Europa deixa de viver mortificada, na sua sombra. Com o passo da reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha, a EU pretende ser uma grande pot\u00eancia, ao lado dos USA. Para isso, cria a Zona Euro, com uma moeda comum capaz de enfrentar o D\u00f3lar. O Euro torna-se num desafio ao D\u00f3lar e a quem ganha com ele.<\/p>\n<p><b>A Uni\u00e3o Europeia quis a Concorr\u00eancia e a Alemanha tomou-a a S\u00e9rio<\/b><\/p>\n<p>No ano 2000 os chefes do governo da Uni\u00e3o Europeia optaram, em Lisboa, por uma agenda de reformas tendente a fazer da Europa <b>a \u201cregi\u00e3o mais competitiva do mundo com uma economia baseada na din\u00e2mica do conhecimento\u201d,<\/b> <b>at\u00e9 2010.<\/b><\/p>\n<p>O governo alem\u00e3o do chanceler Gerhard Schr\u00f6der (2003 a 2005) tomou a s\u00e9rio a decis\u00e3o de Lisboa e elaborou <b>a Agenda 2010 iniciando a \u201cReforma do Estado social alem\u00e3o e do mercado de trabalho\u201d.<\/b> A Alemanha, com o pretexto de melhorar &#8220;as condi\u00e7\u00f5es para um maior crescimento e mais empregos&#8221; e de querer &#8220;transformar o Estado social e renov\u00e1-lo&#8221;, sob a coliga\u00e7\u00e3o de esquerda SPD\/VERDES, conseguiu envolver na Agenda 2010 as diferentes for\u00e7as sociais da na\u00e7\u00e3o e imp\u00f4-la ao operariado. Com esta agenda os trabalhadores perderam muitos dos direitos anteriores e iniciou-se um verdadeiro ataque \u00e0 economia social de mercado.<\/p>\n<p>Muitos benef\u00edcios foram exclu\u00eddos do cat\u00e1logo da seguran\u00e7a social. As contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias para a reforma foram elevadas para 19,5% do sal\u00e1rio bruto. Na reforma da seguran\u00e7a social em vez de ser combatido o desemprego passa a ser castigado o desempregado. A economia come\u00e7ou a florescer mas os sal\u00e1rios n\u00e3o sofreram os aumentos adequados; por todo o lado a sociedade alem\u00e3 sofreu cortes nas condi\u00e7\u00f5es de bem-estar. Mesmo assim o n\u00edvel social dos alem\u00e3es manteve-se devido \u00e0 pol\u00edtica de manter os bens de consumo baratos e a uma exporta\u00e7\u00e3o capaz de competi\u00e7\u00e3o. Esta pol\u00edtica colocou a Alemanha numa posi\u00e7\u00e3o de relevo em rela\u00e7\u00e3o a toda a Europa. <b>As na\u00e7\u00f5es fortes da Zona Euro ao n\u00e3o aplicarem atempadamente um programa semelhante \u00e0 Agenda 2010 cada vez se desestabilizam mais, vendo a Alemanha passar-lhes \u00e0 frente. <\/b><\/p>\n<p><b>Os trabalhadores alem\u00e3es, que tinham suportado a ren\u00fancia a aumentos reais durante os \u00faltimos 12 n\u00e3o v\u00eaem com bons olhos economias menos coerentes sem tanta disciplina\u00e7\u00e3o;<\/b> al\u00e9m disso n\u00e3o compreendem o desperd\u00edcio de capitais da EU aplicados em sectores n\u00e3o produtivos das zonas da periferia. Acham atrevida a pol\u00edtica duma Irlanda que por um lado recebe apoios financeiros da EU e por outro lado levanta poucos impostos \u00e0s empresas o que leva empres\u00e1rios alem\u00e3es a sediar-se l\u00e1 para n\u00e3o pagarem tantos impostos.<\/p>\n<p><b>O Estado paternalista questiona-se<\/b><\/p>\n<p>Com o in\u00edcio da pol\u00edtica de globaliza\u00e7\u00e3o, os Estados fortes reduziram os impostos dos ricos para estes se fortalecerem e afirmarem contra firmas concorrentes estrangeiras. Passou-se a n\u00e3o apostar no trabalho dos oper\u00e1rios mas no capital. Este \u00e9 investido onde h\u00e1 maior n\u00famero de consumidores e onde os ordenados dos trabalhadores s\u00e3o mais baixos. Por seu lado, o Estado socializa a pobreza, favorece as condi\u00e7\u00f5es de investimento \u00e0s elites do capital oferecendo-lhe terrenos e uma camada social prec\u00e1ria dispon\u00edvel com leis favorecedoras dos despedimentos. Favorece-se a riqueza an\u00f3nima produzida por ac\u00e7\u00f5es (dinheiro) e renuncia-se \u00e0 capacidade de criar riqueza fruto da economia real. A classe m\u00e9dia \u00e9 oprimida com exagerados impostos; o trabalhador \u00e9 obrigado a renunciar a bens sociais adquiridos e a aceitar novas contribui\u00e7\u00f5es. Por outro lado os Estados perdem muitos dos capitalistas que geraram porque muitos destes para n\u00e3o pagarem impostos radicam-se em para\u00edsos fiscais como o Dubai, mandam fazer os produtos na China e comercializam-nos na Europa. O Estado abdicou perante o capitalismo neoliberal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>As Oligarquias do Capital agem e os Estados adaptam-se<\/b><\/p>\n<p><b>As oligarquias econ\u00f3micas e ideol\u00f3gicas (\u00e0 semelhan\u00e7a das fam\u00edlias nobres de outrora) instalam-se nos lugares estrat\u00e9gicos das institui\u00e7\u00f5es da EU e estabelecem redes coerentes de influ\u00eancias a n\u00edvel de governos, bancos, partidos, administra\u00e7\u00f5es etc. <\/b>Conseguem subjugar os Estados atrav\u00e9s da corrup\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria de seus respons\u00e1veis; conseguem impor-se nas universidades atrav\u00e9s do acordo de Bolonha, instrumentalizando os seus professores e disciplinando os estudantes; conseguem impor o neoliberalismo econ\u00f3mico e consequentemente desautorizar os sindicatos que v\u00eaem os seus s\u00f3cios cada vez mais reduzidos, devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de empregos seguros (reestrutura\u00e7\u00e3o das empresas) e \u00e0 concorr\u00eancia do operariado entre si; conseguem ainda fomentar a agress\u00e3o contra institui\u00e7\u00f5es morais como a Igreja para melhor conseguirem impor uma moral rasteira acr\u00edtica, ao n\u00edvel das necessidades prim\u00e1rias utilit\u00e1rias. <b>Estabelece-se uma oligarquia corrupta e solid\u00e1ria por toda a EU com o seu \u201cquartel geral\u201d em Bruxelas.<\/b> Esta consegue ced\u00eancias de soberania das na\u00e7\u00f5es (Estados) que o povo ainda n\u00e3o outorgaria. Tamb\u00e9m por isso Bruxelas n\u00e3o estava interessada no controlo dos empr\u00e9stimos que fazia. A crise financeira de 2008 acordou a EU dum grande sonho.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses da periferia tinham-se deixado ir na corrente enquanto as suas elites se aproveitavam dos cr\u00e9ditos da Uni\u00e3o Europeia, em parte, em proveito pr\u00f3prio. Quem se aproveitou da EU foi a camada m\u00e9dia superior e a camada alta, encostadas ao Estado. Como a na\u00e7\u00e3o portuguesa n\u00e3o tinha m\u00e3os para sustentar est\u00f4mago t\u00e3o grande o Estado teve que ir \u00e0 fal\u00eancia.<\/p>\n<p><b>A Troica, em vez de exigir responsabilidade aos corruptos que se aproveitaram do Estado deixa-os \u00e0 sota e castiga o povo. Agora, o povo reconhece-se entregue \u00e0s feras e ladra e uiva. A opini\u00e3o publicada fomenta a inveja latente no cidad\u00e3o desviando as aten\u00e7\u00f5es dos perdedores para aqueles que ainda t\u00eam ordenados e empregos est\u00e1veis mais ou menos justos\/humanos.<\/b> Muitos pobres, mantidos por um estado paternalista interessado em impedir o desenvolvimento do descontentamento e do comunismo no seu seio, s\u00e3o agora colocados \u00e0 chuva; n\u00e3o h\u00e1 nenhum sistema real capaz de contrabalan\u00e7ar o regime dominante. <b>N\u00e3o h\u00e1 modelos!<\/b> O pr\u00f3prio comunismo chin\u00eas tornou-se num socialismo de estado capitalista! O Estado imprime dinheiro para dar aos bancos mas a infla\u00e7\u00e3o paga-a o consumidor. O crash financeiro que deveria ter penalizado os usur\u00e1rios do dinheiro serviu para empobrecer o cidad\u00e3o e enriquecer a alta finan\u00e7a ligada aos bancos e aos seguros.<\/p>\n<p><b>Urge a revolu\u00e7\u00e3o dos honestos \u2013 Um Purgat\u00f3rio para todos<\/b><\/p>\n<p><b>Antes a moral reservava o inferno para os ricos e o c\u00e9u para os pobres: uma justi\u00e7a adiada; hoje prefere-se a injusti\u00e7a do dia-a-dia:<\/b> <b>as oligarquias ao tornarem-se as fabricantes da moral, j\u00e1 n\u00e3o lhes chega a terra, reservam-se tamb\u00e9m o para\u00edso para elas e banem os carentes, moral e socialmente, para o inferno. <\/b>At\u00e9 as democracias s\u00e3o usadas como plinto para jogos de influ\u00eancias possibilitadoras da organiza\u00e7\u00e3o criminosa, com impunidade civil e penal, a uma elite b\u00e1rbara que utiliza o enredamento c\u00famplice de sistemas estatal, pol\u00edtico, judici\u00e1rio e empresarial para enriquecimento pr\u00f3prio. O compadrio entre irm\u00e3os, companheiros, camaradas e s\u00f3cios destr\u00f3i a independ\u00eancias dos poderes de Estado, Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio. O quaro poder, os Media, n\u00e3o controlam; numa sociedade de concorr\u00eancia entre ideais e interesses, cada vez se tornam mais dependentes das encomendas publicit\u00e1rias e pol\u00edticas. Os intelectuais cr\u00edticos n\u00e3o ligados a uma fac\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica ou pol\u00edtica s\u00e3o marginalizados.<\/p>\n<p>Constata-se que o dinheiro nas m\u00e3os dos poucos magnates financeiros desregulados n\u00e3o produz riqueza social; pelo contr\u00e1rio, destr\u00f3i Estados, lugares de trabalho e empresas: a sua filosofia reduz-se \u00e0 especula\u00e7\u00e3o, considerando tamb\u00e9m o trabalhador como mercadoria. Solidariedade e bem-estar para todos s\u00e3o-lhe palavras estranhas. Arruinaram a vida pr\u00f3spera do cidad\u00e3o (economia social de mercado) e levaram a massa prolet\u00e1ria \u00e0 depend\u00eancia do imediato, sem possibilidade de fazer planos econ\u00f3micos e familiares. <b>Est\u00e3o interessados em destruir a classe m\u00e9dia, o bra\u00e7o direito dum estado florescente. De facto, quem n\u00e3o tem nada a defender n\u00e3o vai lutar pelo que n\u00e3o tem.<\/b> O pol\u00edtico transforma-se em mercen\u00e1rio do capital; procura tamb\u00e9m racionar tudo o que \u00e9 despesa com trabalhadores p\u00fablicos para que o que a\u00ed poupa seja canalizado para os magnates do capital, os \u00fanicos beneficiadores do que se poupa com o Estado e com o seu enfraquecimento. O Estado encontra-se assediado pela classe dos corruptos que com os seus afilhados preparam as leis parlamentares de maneira a servi-la.<\/p>\n<p><b>O povo encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o depauperada (desorienta\u00e7\u00e3o, analfabetismo pol\u00edtico e social) que elege o palavreado daqueles que prometem o que ele deseja.<\/b> As pessoas, desabituadas da solidariedade, pensam que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para os problemas e contentam-se em criticar tudo e todos. O Estado encontra-se \u00e0 pilhagem, o governo e o parlamento n\u00e3o t\u00eam legitima\u00e7\u00e3o \u00e9tica nem compet\u00eancia para reorganizar um Estado que sirva uma na\u00e7\u00e3o honrada. Um pequeno exemplo: os governos depois do 25 de Abril assaltaram as Caixas de Previd\u00eancia e ilibaram o Estado como entidade patronal de pagar contribui\u00e7\u00f5es para a Seguran\u00e7a social (CGA, ADSE) at\u00e9 2005 (fala-se de um desfalque de 70.000 milh\u00f5es de euros na Seguran\u00e7a Social). O buraco provocado tem de ser agora preenchido pelos empr\u00e9stimos da Troika.<\/p>\n<p>Hoje seria um dever patri\u00f3tico dos Estados fazer uma revolu\u00e7\u00e3o contra os Dinossauros do capital, e o saneamento da corrup\u00e7\u00e3o estruturada, o que pressuporia um golpe de estado dentro do estado. A maior revolu\u00e7\u00e3o seria a mudan\u00e7a de mentalidade.<\/p>\n<p>Os dinos continuar\u00e3o a subir at\u00e9 que o povo descubra a solidariedade como \u00fanica maneira de subir e competir com eles. N\u00e3o se pode esquecer que <b>a natureza tem duas maneiras de se afirmar: uma atrav\u00e9s da selec\u00e7\u00e3o (lei do mais forte) e a outra atrav\u00e9s da solidariedade\/colabora\u00e7\u00e3o dos menos fortes entre si, contra as adversidades.<\/b><\/p>\n<p><b>De que importa a limpidez das verdades que se reconhecem com a intelig\u00eancia se o cora\u00e7\u00e3o por onde passam se encontra turvo.<\/b><\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@gmail.com\">antoniocunhajusto@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Queda do Socialismo favoreceu a Degrada\u00e7\u00e3o social ocidental (2) Ant\u00f3nio Justo Com a queda do socialismo real da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a Europa deixa de viver mortificada, na sua sombra. Com o passo da reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha, a EU pretende ser uma grande pot\u00eancia, ao lado dos USA. 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