{"id":2410,"date":"2013-01-16T14:06:58","date_gmt":"2013-01-16T13:06:58","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2410"},"modified":"2013-01-16T14:10:49","modified_gmt":"2013-01-16T13:10:49","slug":"a-queda-do-socialismo-favoreceu-a-degradacao-social-ocidental-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2410","title":{"rendered":"A Queda do Socialismo favoreceu a Degrada\u00e7\u00e3o social ocidental (1)"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>Da Economia social para a Desregula\u00e7\u00e3o capitalista liberal<\/b><\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio Justo<\/b><\/p>\n<p>Os donos do dinheiro e do poder atacam sistematicamente o padr\u00e3o da economia social europeia que permitia uma vida honrada e perspectivas de futuro com seguran\u00e7a para a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Este sistema conseguiu gerar o milagre econ\u00f3mico alem\u00e3o e um bem-estar geral na Europa. Hoje \u00e9 desmontado pela filosofia econ\u00f3mica e social anglo-sax\u00f3nica e pela vis\u00e3o asi\u00e1tica, aliada ao desejo duma EU que se quer afirmar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica e \u00e0 Asia.<\/p>\n<p>At\u00e9 1998 a Europa tinha uma ordem econ\u00f3mica de mercado social orientada para o bem-estar de toda a popula\u00e7\u00e3o. Possibilitava uma classe m\u00e9dia abrangente e uma classe baixa remediada e uma classe alta reduzida de ricos mas com uma certa consci\u00eancia social. O imposto sobre o consumo era insignificante; o imposto sobre os ricos era superior a 50% e as leis laborais tinham em conta a dignidade humana.<b> Com a queda do socialismo (Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) deixou de haver uma for\u00e7a concorrente que metia medo a um capitalismo desalmado e motivava os Estados ocidentais a tomar medidas econ\u00f3micas que possibilitavam a exist\u00eancia dum capitalismo de rosto humano. <\/b>Na concorr\u00eancia entre o bloco ocidental e o do leste, as elites econ\u00f3micas e pol\u00edticas ocidentais estavam empenhadas em conseguir melhor n\u00edvel de vida para os seus cidad\u00e3os e em demonstr\u00e1-lo; tinham de convencer com o melhor n\u00edvel de vida dos seus cidad\u00e3os a sua superioridade perante o socialismo.<\/p>\n<p><b>Emanuel Kant resumia toda a \u00e9tica econ\u00f3mica europeia ao princ\u00edpio do \u201cbem-comum\u201d como princ\u00edpio superior de ac\u00e7\u00e3o. <\/b>Ao contr\u00e1rio, o pragmatismo econ\u00f3mico anglo-sax\u00f3nico pensa resolver o problema do bem-comum atrav\u00e9s do ditado econ\u00f3mico dum mercado que tudo regula.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia da Uni\u00e3o Europeia para se tornar a primeira refer\u00eancia econ\u00f3mica do mundo e os exageros do paternalismo de Estado ajudaram os gangsters do dinheiro a impor ao Estado social um liberalismo econ\u00f3mico selvagem.<\/p>\n<p><b>A pol\u00edtica social e econ\u00f3mica, em nome de um racionalismo e utilitarismo absorvente, foi destru\u00edda, de dia para dia, e com ela a coes\u00e3o social que antes havia. A solidariedade s\u00f3 pode ser cimentada por uma emotividade \u00e9tica que leva \u00e0 rela\u00e7\u00e3o humana entre patronato e operariado.<\/b> A redu\u00e7\u00e3o do ide\u00e1rio nacional \/ individual ao mercado competitivo e a um c\u00f3digo jur\u00eddico racional, que pretende substituir o ide\u00e1rio cultural\/\u00e9tico pela luta pelas necessidades b\u00e1sicas, n\u00e3o cria felicidade e leva \u00e0 explos\u00e3o da crise como se deu em 2008. As zonas perif\u00e9ricas do euro s\u00e3o o bar\u00f3metro do estado dum sistema econ\u00f3mico.<\/p>\n<p><b>Com a Queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica deixa de haver Concorr\u00eancia no bem servir<\/b><\/p>\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o da zona euro e da economia globalista foi interrompida a economia social de mercado de prosperidade para todos. O trabalho digno d\u00e1 lugar ao trabalho prec\u00e1rio e desumano, flex\u00edvel e tempor\u00e1rio, a firmas emprestadoras de trabalhadores, baixos sal\u00e1rios e ao mercado desregulamentado. <b>O Estado, pressionado e comprometido com as for\u00e7as econ\u00f3micas, deixou de impor um quadro regulador da economia, perdendo o controlo sobre os bancos e estes deixaram de ser os financiadores da economia real para se tornarem em casinos do capital de jogadores da bolsa.<\/b> O poder financeiro come\u00e7ou a ser de tal ordem superior ao poder do Estado que tem a possibilidade de comprar tamb\u00e9m a pol\u00edtica. Tudo se equaciona agora em termos mercantis. Deixamos de ter empres\u00e1rios de fundo humanista para termos capitalistas liberalistas desenraizados.<\/p>\n<p><b>Corrup\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-pol\u00edtica coerente<\/b><\/p>\n<p>Em qualquer sector que se observa l\u00e1 se encontra uma rede corrupta de interesses de compadrio entre servi\u00e7os p\u00fablicos, partidos empresas e justi\u00e7a. A corrup\u00e7\u00e3o encontra-se de tal modo orquestrada que na\u00e7\u00f5es como Portugal para poderem viver t\u00eam de recorrer \u00e0 troica que legitima a corrup\u00e7\u00e3o. Em texto claro: vivemos num sistema econ\u00f3mico coerente na corrup\u00e7\u00e3o. A corrup\u00e7\u00e3o estatal pede ajuda para sobreviver aos corruptos internacionais.<\/p>\n<p>At\u00e9 aos anos 90 havia uma rela\u00e7\u00e3o de solidariedade entre patronato e operariado. Com a globaliza\u00e7\u00e3o, muit\u00edssimas firmas que antes estavam ligadas a grandes fam\u00edlias nacionais passam a pertencer a sociedades de accionistas internacionais s\u00f3 interessados no lucro da produ\u00e7\u00e3o sem la\u00e7os com o trabalhador. Fomentam rela\u00e7\u00f5es de trabalho p\u00e9ssimas, importando-se apenas da especula\u00e7\u00e3o com firmas e com os trabalhadores: da colabora\u00e7\u00e3o mais ou menos condicionada passa-se \u00e0 rivalidade.<\/p>\n<p><b>Fomenta-se o radicalismo e desmonta-se uma democracia j\u00e1 de si <\/b><b>doente<\/b><\/p>\n<p>A poupan\u00e7a radical conduz ao desespero e asfixia a iniciativa. Como consequ\u00eancia, nas zonas de crise, acentua-se <b>o radicalismo<\/b> a todos os n\u00edveis sociais; o nacionalismo aumenta numa altura em que na\u00e7\u00f5es se encontram amea\u00e7adas. O norte e o sul da europa t\u00eam mentalidades diferentes, n\u00e3o se entendendo a n\u00edvel econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>Entre a Fran\u00e7a e a Alemanha h\u00e1 discrep\u00e2ncia na concep\u00e7\u00e3o da Europa. A Fran\u00e7a quer uma europa centralista (como ela) e a Alemanha uma europa federalista.<\/p>\n<p><b>Egoisticamente a Alemanha exige uma pol\u00edtica de poupan\u00e7a radical para o sul tal como a que praticou na sua crise dos anos trinta esquecendo que essa pol\u00edtica foi a que possibilitou a subida de Hitler ao poder<\/b>. \u00c9 verdade que a Alemanha se tornou fiadora de um trilh\u00e3o de Euros dos pa\u00edses em dificuldade e isso preocupa-a sobremaneira. Mas a EU n\u00e3o pode limitar a sua posi\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao sul, a medidas meramente fiscais e mercantilistas. Sem margem de manobra para sanear as d\u00edvidas, devido a uma carga tribut\u00e1ria j\u00e1 exorbitante sobre trabalho e energias, os governos limitam-se a adiar as solu\u00e7\u00f5es. A EU ter\u00e1 de perguntar-se porque \u00e9 que foi interrompida a prosperidade para todos<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o estatal precisava de ser expurgada de maus h\u00e1bitos cr\u00f3nicos mas a economia precisa de espa\u00e7o para criar alternativas fomentadoras de postos de trabalho.<\/p>\n<p>Deixamos de ter empres\u00e1rios para termos capitalistas desalmados. Isto porque a rede dos pol\u00edticos corruptos com assento e mordomias em empresas s\u00e3o os mesmos que preparam as leis que favorecem o compadrio.<\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b><\/p>\n<p>antoniocunhajusto@gmail.com<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Economia social para a Desregula\u00e7\u00e3o capitalista liberal Ant\u00f3nio Justo Os donos do dinheiro e do poder atacam sistematicamente o padr\u00e3o da economia social europeia que permitia uma vida honrada e perspectivas de futuro com seguran\u00e7a para a maioria da popula\u00e7\u00e3o. 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