{"id":2336,"date":"2012-11-05T11:44:38","date_gmt":"2012-11-05T10:44:38","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2336"},"modified":"2012-11-05T11:44:38","modified_gmt":"2012-11-05T10:44:38","slug":"carta-aberta-de-um-portugues-a-angela-merkel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2336","title":{"rendered":"CARTA ABERTA DE UM PORTUGU\u00caS A \u00c2NGELA MERKEL"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Bem-vinda a Portugal <\/strong><\/span><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>Prezada chanceler \u00c2ngela Merkel! Tamb\u00e9m eu lhe quero escrever uma carta, que pode ler durante a desloca\u00e7\u00e3o a Portugal! Aqui vou ser ben\u00e9volo porque o que espero de si \u00e9 ajuda e a ajuda que nos pode dar \u00e9 louvar o povo, admoestar as nossas elites e motivar alem\u00e3es investidores a estabelecerem-se em Portugal. Pedia-lhe tamb\u00e9m que chamasse a aten\u00e7\u00e3o dos portugueses para redescobrirem as suas ra\u00edzes germ\u00e2nicas (temos no nosso vocabul\u00e1rio cerca de 600 palavras germ\u00e2nicas), uma vertente cultural e de g\u00e9nio que garantiria futuro \u00e0 na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Helmut Kohl, seu promotor, dizia<strong>: \u201cn\u00e3o quero uma Europa alem\u00e3 mas uma Alemanha europeia\u201d<\/strong>! Os povos do Sul acusam-na de querer uma Europa alem\u00e3. Eles s\u00f3 aceitaram a uni\u00e3o da Alemanha sob a condi\u00e7\u00e3o de esta ser vinculada \u00e0 Europa. Sabiam que V. Excia. tem um povo muito trabalhador e forte, e que isto poderia vir a criar problemas de concorr\u00eancia a outros povos n\u00e3o menos conscientes de si, mas talvez menos eficientes, numa Europa das nacionalidades que parece renitente em reconhecer os sinais dos tempos. A Alemanha perdeu a guerra e apesar disso, depois de destru\u00edda, com muito trabalho, conseguiu reconstruir-se e posicionar-se de maneira vantajosa a causar inveja aos vencedores. Isto apesar das indemniza\u00e7\u00f5es feitas aos vencedores e do apoio que presta a outros povos, o que lhe tem granjeado admira\u00e7\u00e3o e simpatia de todos os povos fora da Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naturalmente, de Vossa parte \u00e9 necess\u00e1rio mais respeito no trato dos parceiros europeus. O pre\u00e7o da paz na Europa n\u00e3o se reduz apenas ao aspecto econ\u00f3mico. <strong>A paz interna s\u00f3 pode ser conseguida com uma europa social e confiante.<\/strong> <strong>A pol\u00edtica de subven\u00e7\u00f5es at\u00e9 agora seguida \u00e9 injusta e como tal fomenta conflitos<\/strong> (a manteiga europeia \u00e9 mais barata em Marrocos que na Europa); n\u00e3o podemos ter uma Europa protectora do com\u00e9rcio internacional e das suas finan\u00e7as que n\u00e3o proteja, ao mesmo tempo, todos os seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No dia 12 de Novembro, V. Excia. vem a Portugal. Certamente, n\u00e3o nos vem ler os lev\u00edticos porque estes j\u00e1 lhe s\u00e3o lidos na Alemanha, com as acusa\u00e7\u00f5es que muitos seus conterr\u00e2neos lhe fazem, culpando-a de esbanjar com o estrangeiro os dinheiros que os contribuintes pagam, de hipotecar o futuro dos netos da na\u00e7\u00e3o, e outros queixando-se que se encontrariam em melhor companhia com o marco alem\u00e3o do que com o Euro enquanto outros alegam que V. Excia. n\u00e3o faz o suficiente pela Europa, e que quer exportar o esp\u00edrito alem\u00e3o para a EU (Uni\u00e3o Europeia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o se preocupe, s\u00f3 quem age faz erros e a Europa sofre de velhice pensando que pode viver dos rendimentos, numa altura em que as culturas e os continentes se reorganizam e quem n\u00e3o estiver atento perder\u00e1 o comboio da Hist\u00f3ria. Hoje que j\u00e1 n\u00e3o resolvemos os problemas nacionais com medidas nacionais, nem atrav\u00e9s da guerra, precisamos, mais do que nunca, de esp\u00edritos l\u00facidos e sem medo. Numa Europa do relativismo decadente precisamos de pessoas e na\u00e7\u00f5es com vontade forte. Portugal e a Europa necessitam de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nota-se uma desconfian\u00e7a geral, por toda a Europa, quanto ao projecto de constru\u00e7\u00e3o dum Estado federal europeu (USE)! Muitos erros t\u00eam sido feitos com uma c\u00fapula da EU (Uni\u00e3o Europeia), longe do povo e das regi\u00f5es, demasiadamente fixada na economia e no com\u00e9rcio sem considerar a alma que lhe deu o ser e possibilitou o seu corpo. No meio de tantos erros e da complexidade do projecto EU toda a gente barafusta perdendo de vista o projecto supranacional que \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o daquilo que lhe garantir\u00e1 o futuro: os USE! Os inimigos de tal projecto aproveitam toda a ocasi\u00e3o para uma cr\u00edtica destrutiva, agarrando-se s\u00f3 aos erros que t\u00eam sido cometidos sem terem em conta os sinais dos tempos e o que urge fazer. Naturalmente que o neoliberalismo que a EU tem seguido \u00e9 destruidor de microorganismos e de toda a erva rasteira do grande biossistema cultural europeu. Aqui h\u00e1 que arredar caminho, para n\u00e3o criarmos espa\u00e7o para os dinoss\u00e1urios especuladores universais, sem abdicar do projecto que urge: a cria\u00e7\u00e3o dos USE. Cada vez \u00e9 maior a parte do povo socialmente exclu\u00edda ou que v\u00eaem a sua participa\u00e7\u00e3o social em perigo. Exclu\u00eddos da sociedade, perdem o sentido de perten\u00e7a, tornam-se infelizes e desmotivados a participar. Resignam e v\u00eaem-se na necessidade de se defenderem de tudo o que lhe \u00e9 estranho\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabe, os meus conterr\u00e2neos, ao contr\u00e1rio dos seus (que aprenderam com a guerra), foram habituados a saltar para a rua, ao som de fanfarras ou de palavras de ordem ideol\u00f3gicas, pensando que uma revolu\u00e7\u00e3o ou uma mudan\u00e7a axial hist\u00f3rica como a que se encontra em via, se realizam em festa e que se resolve o problema acabando com elites, com os \u201cfachos\u201d (pessoas com dinheiro ou posi\u00e7\u00e3o) confiando que os mandantes lhe assegurariam o p\u00e3o. Estes por\u00e9m serviram-se do Estado para eles e o povo s\u00f3 agora come\u00e7a a acordar. Tinha-se esquecido da experi\u00eancia de que \u201cquem se deita com crian\u00e7as acorda molhado\u201d! <strong>A responsabilidade do Estado, da na\u00e7\u00e3o e do povo est\u00e1 principalmente nas nossas elites, ego\u00edstas, sem consci\u00eancia de povo nem responsabilidade nacional hist\u00f3rica. <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhora chanceler, n\u00e3o se admire, se houver muita gente a fazer barulho na rua falando de tudo menos da pr\u00f3pria vida e dos pr\u00f3prios erros. Os que mais reivindicam s\u00e3o geralmente aqueles que melhor vivem e a quem \u00e9 indiferente a situa\u00e7\u00e3o do Estado e que, em situa\u00e7\u00f5es de perigo, tal como os governantes, metem a cabe\u00e7a debaixo da areia, \u00e0 imagem da avestruz, marimbando-se para o Estado e para a maneira como vive o povo. Este que pague a conta! Bem comum e povo \u00e9, para muitos, um estrangeirismo, ou, quanto ao primeiro, algo estranho e quanto a povo depreciativo! <strong>Infelizmente, n\u00f3s, quando nos referimos ao povo, n\u00e3o entendemos o mesmo que os alem\u00e3es entendem quando falam de Volk (Povo), e isto \u00e9 sintom\u00e1tico; n\u00f3s quando empregamos a palavra \u201cpovo\u201d inclu\u00edmos nela a ideia do coitadinho como se se tratasse da classe inferior, de algo estranho ao ser de Portugal.<\/strong> Muitos dos nossos meninos engravatados da capital, continuam a ser os envergonhados da prov\u00edncia, acantonados em Lisboa, renegando as suas origens &#8211; a prov\u00edncia &#8211; n\u00e3o aceitando o <strong>f(v)olk<\/strong>lore e ostentando o trofeu do doutor, o feitio citadino, como algo que \u201cnos\u201d distingue e eleva da terra e do tal \u201cpovo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabe, senhora Merkel, esteja atenta quando fala; as mesmas palavras n\u00e3o t\u00eam o mesmo sentido na Alemanha e em Portugal, cada palavra tem o seu cen\u00e1rio de fundo, o seu esp\u00edrito; <strong>a l\u00edngua alem\u00e3 \u00e9 muito concreta, com cheiro a terra e povo e a l\u00edngua portuguesa tamb\u00e9m ela completa \u00e9 por\u00e9m muito abstracta com cheiro a Corte,<\/strong> precisando de mais intermedi\u00e1rios, que se aproveitam do cargo e da interpreta\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para ter uma ideia da urg\u00eancia em restaurar a mentalidade portuguesa, cito-lhe uma frase que ouvi de uma pessoa amiga que pertence \u00e0 elite portuguesa, a qual, referindo-se aos cortes que o governo tem em m\u00e3os, afirmava convicta: \u201ccom os cortes \u201cn\u00f3s\u201d \u00e9 que sofremos, o povo, esse j\u00e1 est\u00e1 habituado a sofrer e por isso n\u00e3o lhe d\u00f3i tanto\u201d. Esta mentalidade levou-nos ao ponto onde nos encontramos, e isto tamb\u00e9m tem a ver com o que se entende por povo! Sabe, senhora Chanceler, a nossa governa\u00e7\u00e3o distribui o mal pelas aldeias e reserva o bem nos seus subterr\u00e2neos (Bunker) da cidade, cortando cautelosamente nos privil\u00e9gios dos beneficiados do sistema e tirando desmedidamente \u00e0 boca dos que vivem com dificuldade (a tal incoer\u00eancia entre capital e prov\u00edncia!). Por estas e por outras, n\u00e3o venha massacrar mais o povo dizendo-lhe que deve tirar mais \u00e0 boca; <strong>venha pedir contas \u00e0s nossas elites, conceda-nos cr\u00e9ditos a baixos juros e mande-nos firmas alem\u00e3s para Portugal como n\u00f3s mandamos portugueses trabalhar para a Alemanha.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Doutora Merkel, tamb\u00e9m os h\u00e1 que s\u00e3o<strong> nacionalistas<\/strong>, n\u00e3o patriotas, de esquerda e de direita, os eternos descontentes contra a Europa e <strong>h\u00e1 tamb\u00e9m os indecisos que pensam que Portugal se encontra na \u00c1frica ou na Am\u00e9rica do Sul e que a salva\u00e7\u00e3o lhes vir\u00e1 de l\u00e1 como nos gloriosos tempos dos descobrimentos!<\/strong> P\u00f5em as suas esperan\u00e7as fora deles e isto \u00e9 erro fatal. Muitos sentem-na como uma desmancha-prazeres que nos vem acordar de sonhos t\u00e3o altos e t\u00e3o belos que nos impediam de sujar as m\u00e3os no banal do dia-a-dia. Os governantes sabem que o povo precisa dum tubo de escape para evacuar tanta dor, tanta escurid\u00e3o tanto fel. Muitos ainda n\u00e3o se deram conta que nos <strong>encontramos num momento axial da hist\u00f3ria e que ou se constr\u00f3i a federa\u00e7\u00e3o europeia ou as na\u00e7\u00f5es ser\u00e3o esmagadas pelo poder econ\u00f3mico doutros blocos, dado, o momento hist\u00f3rico em que nos encontramos, ser a fase de transi\u00e7\u00e3o da era das concorr\u00eancias\/confrontos nacionais para a era das concorr\u00eancias\/confrontos entre civiliza\u00e7\u00f5es (culturas).<\/strong> (Naturalmente que em muitos aspectos t\u00eam raz\u00e3o nas cr\u00edticas que fazem contra a maneira como s\u00e3o destru\u00eddos bi\u00f3topos culturais e no facto de se continuar com a estrat\u00e9gia de afirma\u00e7\u00e3o de ego\u00edsmos nacionais injustos). <strong>O per\u00edodo mais longo da Hist\u00f3ria da europa sem guerra \u00e9 este em que vivemos. A nossa paz no futuro e o nosso bem-comum s\u00f3 poder\u00e3o ser assegurados por um estado federado europeu (USE), com todos os problemas inerentes ao processo. <\/strong>N\u00e3o podemos regredir para a \u00e9poca das guerras nacionais. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos deixar destruir o humanismo e os direitos humanos individuais europeus por poderes an\u00f3nimos e demon\u00edacos em ac\u00e7\u00e3o. As regi\u00f5es mais fracas tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser abandonadas aos mais fortes que tudo pisam e atropelam como elefantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos dos meus conterr\u00e2neos aprenderam na \u00e9poca do 25 de Abril que era mais f\u00e1cil colocar um bom professor na rua do que dar um mau diploma a um mau estudante. Fomos em parte prejudicados por uma fornada de acad\u00e9micos de Abril que passaram a aquecer o seu lugar em postos relevantes de empresas e do Estado (A cunha e o nepotismo tinham muito poder!). A forma\u00e7\u00e3o foi mais orientada para a car\u00eancia do que para a compet\u00eancia. <strong>Pensava-se que a liberdade e a igualdade eram gratuitas e que a responsabilidade era substitu\u00edda pela desobriga do partido.<\/strong> Seria importante que a sua vinda a Portugal motivasse as novas gera\u00e7\u00f5es portuguesas a adoptarem o modelo de forma\u00e7\u00e3o profissional e de trabalho alem\u00e3o. Sabe, chanceler Merkel, ao lado de muitos portugueses espertalh\u00f5es encostados ao Estado e a sociedades, h\u00e1 muito bons portugueses que trabalham ou emigram para sustentar a m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o j\u00e1 cr\u00f3nica na na\u00e7\u00e3o. <strong>A culpa n\u00e3o \u00e9 deste ou daquele partido, o problema \u00e9 institucional: uma mistura de mofo medieval com jacobinismo da revolu\u00e7\u00e3o francesa, um verdadeiro v\u00edrus da mentalidade moderna portuguesa.<\/strong> Isto n\u00e3o quer dizer que em Portugal n\u00e3o haja grandes cabe\u00e7as nas nossas elites; n\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 que cada um pensa s\u00f3 em si ou no grupo a que pertence. A massa cinzenta parece n\u00e3o quer sujar as suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dona \u00c2ngela, tenho um pouco de esperan\u00e7a que o seu empenho pela constru\u00e7\u00e3o da Europa a leve a evitar que Portugal se torne num achado para o enriquecimento dos dinoss\u00e1urios das finan\u00e7as internacionais atrav\u00e9s de privatiza\u00e7\u00f5es de empresas significativas portuguesas. <strong>Enquanto o Estado alem\u00e3o salvaguarda, nas suas empresas, os interesses nacionais, Portugal corre o perigo de, com as suas privatiza\u00e7\u00f5es, s\u00f3 servir interesses internacionais do Goldman and Sachs e de pessoas a eles ligadas. Monstros internacionais querem tomar conta da nossas empresas de energia, \u00e1guas, sa\u00fade, banca, seguros, etc. para atrav\u00e9s delas ditarem pre\u00e7os aos clientes e ao Estado.<\/strong> \u00c9 verdade que o Estado alem\u00e3o e a economia europeia tamb\u00e9m sofrem com as manipula\u00e7\u00f5es do Goldman and Sachs, do Citygroup, do Wells Fargo, e de outros, mas, a RFA, como pot\u00eancia mundial, encontra maneira de defender os pr\u00f3prios interesses entre os grandes porque tamb\u00e9m eles dependem do seu bem-estar. N\u00f3s os pequenos, estamos entregues \u00e0 bicharada, precisamos de quem nos defenda dos predadores internacionais e dos parasitas de Portugal, at\u00e9, convosco, aprendermos a andar por n\u00f3s. Os nossos estadistas t\u00eam de aprender a comportar-se como institui\u00e7\u00f5es estatais.<br \/>\nOnde h\u00e1 muita luz tamb\u00e9m h\u00e1 muita sombra! Uma \u201cEuropa\u201d que foi a luz do mundo encontra-se na penumbra, confrontada nos seus tenros valores de solidariedade e democracia por pragmatismos desumanos e por mundivis\u00f5es egoc\u00eantricas e an\u00f3nimas fortalecidas pelo oriente. A RFA sonhava com uma Europa \u00e0 sua imagem, uma EU est\u00e1vel, soberana, numa Europa das regi\u00f5es capaz de enfrentar futuros desafios da \u00c1sia e da estrat\u00e9gia troiana \u00e1rabe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O nosso futuro, n\u00e3o se revela promissor, s\u00f3 deixa prever desilus\u00e3o e uma vida cada vez mais prec\u00e1ria na sa\u00fade, assist\u00eancia social, reformas, trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu venho dum \u201epovo de descobridores\u201d que de tanto se fixarem no atl\u00e2ntico e no sonho das ideias altas perdem o solo debaixo dos p\u00e9s. Falam deste, culpam aquele como se a gl\u00f3ria dum descobridor n\u00e3o se pudesse medir com a dum trabalhador. Naturalmente que cada povo tem a sua maneira de actuar. Um Norte mais formiga um Sul mais cigarra; e agora, que o tempo frio da escassez se aproxima, come\u00e7a a guerra do palavreado. Um porque cantou o outro porque trabalhou demais, cada qual tem o seu arrazoado. Nem a formiga vive s\u00f3 de p\u00e3o nem a cigarra do seu cantar. A vida \u00e9 luta e quem pensa que h\u00e1 algo de gra\u00e7a perdeu toda a gra\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Alemanha, alguns seus conterr\u00e2neos dizem que seria melhor que os pa\u00edses com dificuldades abandonassem o euro para assim poderem refazer as suas economias e desvalorizar a sua moeda de maneira a poderem fazer concorr\u00eancia ao estrangeiro com os seus produtos mais baratos. Outros falam da cria\u00e7\u00e3o dum euro mole ao lado do forte. Isto significaria marcar passo no desenvolvimento dos USE.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fico triste quando vejo pessoas do meu povo a associar o seu nome ao de Hitler; n\u00e3o ligue, geralmente fazem-no as cigarras n\u00e3o as formigas. Alguns at\u00e9 querem que a Alemanha recomece agora a pagar os desastres da guerra que provocou como se n\u00e3o tivesse havido j\u00e1 as repara\u00e7\u00f5es impostas internacionalmente; imagine-se que os portugueses come\u00e7assem agora a exigir repara\u00e7\u00f5es pelas invas\u00f5es \u00e1rabes, pelas invas\u00f5es franceses e os colonizados pelas coloniza\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portugal h\u00e1 j\u00e1 s\u00e9culos que anda ajoelhado, n\u00e3o por culpa dos outros mas por m\u00e9rito pr\u00f3prio. Olhamos demasiado para os nossos monumentos e esquecemo-nos do dia-a-dia. O facto do grande escritor alem\u00e3o Schiller ter dito que daria toda a sua obra para poder ter escrito \u201cOs Lus\u00edadas\u201d n\u00e3o justifica que a Alemanha tenha agora de nos alimentar. O trabalho honrado dos portugueses espalhados pelo mundo, enriquecendo outros povos, s\u00f3 honra o luso emigrante e demonstra a incompet\u00eancia das nossas elites para criar condi\u00e7\u00f5es capazes de os alimentar dentro dos seus muros; n\u00e3o nos d\u00e1 direito a p\u00f4r exig\u00eancias a outros povos, como fazem alguns. As diferentes velocidades de desenvolvimento das economias, \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio ajustarem!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A lusofonia \u00e9 grande mas s\u00f3 ser\u00e1 maior atrav\u00e9s da vontade de ser e do pr\u00f3prio trabalho n\u00e3o se podendo dar \u00e0 veleidade de viver dos rendimentos dos seus antepassados nem de sobrecarregar o futuro dos filhos com d\u00edvidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o facto de a nossa coloniza\u00e7\u00e3o ter sido \u201cmeiga\u201d tem a ver com o esp\u00edrito universal portugu\u00eas e com a nossa fraca organiza\u00e7\u00e3o de Estado, em termos de na\u00e7\u00e3o, o que se revelou positivo tamb\u00e9m para povos desorganizados que descobrimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos dan\u00e7am ainda ao som da cantiga da \u201cculpa alem\u00e3\u201d, em vez de procurarem entender porque \u00e9 que a Alemanha \u00e9 forte e porque \u00e9 que outros que ganharam a guerra o n\u00e3o s\u00e3o e porque n\u00e3o analisamos seriamente a raz\u00e3o da nossa situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Os governantes portugueses quiseram ser bonzinhos pondo o pa\u00eds e o povo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o duma Europa s\u00f4frega. Confundiram o Estado e os seus parasitas com a na\u00e7\u00e3o. Por isso Portugal chegou onde est\u00e1. Os governos alem\u00e3es e os sindicatos, que procuram ter em conta, primeiramente o bem-comum do seu povo e depois os interesses dos filiados, s\u00e3o acusados agora de nacionalistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acusam V.Excia. de lhe ter subido o\u201d poder \u00e0 cabe\u00e7a\u201d como se n\u00e3o fosse dever dum eleito governamental defender tamb\u00e9m os interesses do povo que o elegeu. Os nossos n\u00e3o o fizeram, e queixam-se agora dos outros, esperando deles benefic\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os partidos portugueses, que assumiram a responsabilidade dos governos, foram outrora apoiados econ\u00f3mica e ideologicamente pelo estrangeiro. Depois mostraram-se agradecidos para com os que os apoiaram pondo-lhes \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o uma na\u00e7\u00e3o que lhes n\u00e3o pertencia. Por cima das irmandades partid\u00e1rias deve estar o povo e o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Prezada \u00c2ngela, ajude Portugal! Admoeste os pol\u00edticos, ensine-os a defender, como voc\u00ea, os interesses nacionais sem se tornarem nacionalistas. Ensine-os a n\u00e3o confundir o patrim\u00f3nio cultural e econ\u00f3mico portugu\u00eas com o patrim\u00f3nio do partido ou do grupo de amigos e conhecidos seja em que situa\u00e7\u00e3o for.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m percebemos que os construtores da EU t\u00eam que nos contar muitas mentiras para verem se conseguem, com pequenas guerrilhas, a unidade dos USE, sem guerra, ao contr\u00e1rio do que se deu com o processo de unifica\u00e7\u00e3o dos USA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma cultura que sempre liderou o mundo encontra-se, de momento, receosa\u2026 A chance de cada Estado est\u00e1 na USE e na peculiaridade de cada pa\u00eds poder encontrar um prolongamento da sua identidade nas ex-col\u00f3nias e assim vir a dar \u00e0 luz um mundo mais humano e solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De momento o problema da Europa \u00e9 ser uma uni\u00e3o sem soberania e o problema de Portugal est\u00e1 em ter um estado soberano sem na\u00e7\u00e3o nem povo.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Prezada chanceler, a carta tornou-se longa; tamb\u00e9m isto \u00e9 uma caracter\u00edstica nossa: falar muito e deixar os outros fazer. Com a vossa ajuda arrega\u00e7aremos as mangas e come\u00e7aremos a construir a na\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem do que a Alemanha fez, depois da guerra e do que fizeram os nossos antepassados na funda\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o e nos descobrimentos. <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@gmail.com\">antoniocunhajusto@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem-vinda a Portugal Ant\u00f3nio Justo Prezada chanceler \u00c2ngela Merkel! Tamb\u00e9m eu lhe quero escrever uma carta, que pode ler durante a desloca\u00e7\u00e3o a Portugal! Aqui vou ser ben\u00e9volo porque o que espero de si \u00e9 ajuda e a ajuda que nos pode dar \u00e9 louvar o povo, admoestar as nossas elites e motivar alem\u00e3es investidores &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2336\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">CARTA ABERTA DE UM PORTUGU\u00caS A \u00c2NGELA MERKEL<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[14,4,7],"tags":[],"class_list":["post-2336","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-educacao","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2336"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2337,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2336\/revisions\/2337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}