{"id":2306,"date":"2012-09-20T15:48:49","date_gmt":"2012-09-20T14:48:49","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2306"},"modified":"2012-09-20T15:50:16","modified_gmt":"2012-09-20T14:50:16","slug":"a-nova-ordem-social-e-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2306","title":{"rendered":"A nova Ordem social e humana a implementar"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>O Mestre da Galileia inicia um novo Eixo da Hist\u00f3ria<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Deus n\u00e3o encarna numa Cultura mas no Homem<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong>\u201cMestre, vimos um homem a expulsar dem\u00f3nios em teu nome e procuramos impedir-lho porque ele n\u00e3o anda connosco\u2026\u201d \u2013 \u201cN\u00e3o o proibais\u2026 Quem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s \u00e9 por n\u00f3s\u2026\u201d. \u201cSe algu\u00e9m escandalizar algum destes pequeninos\u2026melhor seria\u2026 o lan\u00e7assem ao mar\u201d. Se a tua m\u00e3o\u2026, se o teu p\u00e9\u2026, se um dos teus olhos \u00e9 para ti ocasi\u00e3o de esc\u00e2ndalo, deita-o fora porque \u00e9 melhor entrar no reino de Deus s\u00f3 com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lan\u00e7ado na Geena\u2026\u201d Mc 9,38-43.45.47-48 (1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dois pontos de refer\u00eancia: o Homem \u00e9 mais que ele mesmo, \u00e9 tornar-se.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O velho Ad\u00e3o (Homem) significa a separa\u00e7\u00e3o de Deus; o novo Ad\u00e3o (Jesus Cristo) significa a uni\u00e3o nEle. O mestre da Galileia explica a diferen\u00e7a aos seus disc\u00edpulos.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para se ter acesso intelectual a este texto \u00e9 necess\u00e1rio ter-se em conta o contexto social em que foi proferido. O texto enquadra-se na disputa que havia entre os Judeus defensores da tradi\u00e7\u00e3o antiga de Mois\u00e9s e os Judeus seguidores da Boa Nova de Jesus (N T). As disputas eram por vezes violentas e escandalosas. Era o embate duma tradi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria institucionalista e legalista, fechada em si mesma (AT \u2013 aqui o Homem \u00e9 apenas objecto, destinat\u00e1rio de salva\u00e7\u00e3o) com uma vis\u00e3o radicalmente nova, aberta a todo o ser humano, em que o Homem \u00e9 agente (NT- aqui o Homem \u00e9 sujeito activo, receptor e emissor de salva\u00e7\u00e3o \u2013 possui o gene divino) sendo, nesta, o Homem e Deus o centro de tudo, num processo de evolu\u00e7\u00e3o humana at\u00e9 \u00e0 estatura do prot\u00f3tipo Jesus Cristo (JC). <strong>(2) <\/strong>Deus n\u00e3o encarna num livro mas no Homem.<strong> (3). <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um outro elemento do contexto est\u00e1 na discuss\u00e3o, entre os disc\u00edpulos, de quem entre eles seria o maior. N\u00e3o tinham percebido a nova maneira de estar e ser na nova ordem humana e social JC. Nela a dignidade vem de baixo, surge do servir, do interior onde se encontra o germe divino a desenterrar numa atitude de louvor a Deus bem condensada no Magnificat.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A atmosfera de competi\u00e7\u00e3o religiosa, inveja, intoler\u00e2ncia e do esc\u00e2ndalo provocado levam Jesus a ter de explicar, de forma clara, o que ali estava em jogo: duas mundivis\u00f5es quase antag\u00f3nicas na maneira de entender o mundo, Deus e o Homem (de notar que no AT havia a voca\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica que desagua no JC, o problema estava nas diferentes fac\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias; ao falar aqui de AT refiro-me \u00e0 lei petrificada e alienat\u00f3ria que obriga as pessoas a terem medo e a andarem de cabe\u00e7a baixa). Tamb\u00e9m os seus disc\u00edpulos se embrenhavam nos conflitos, por vezes, ainda com o esp\u00edrito velho e isso provocava esc\u00e2ndalo entre os fi\u00e9is mais fr\u00e1geis, aos \u201cpequeninos\u201d na f\u00e9. De facto, os disc\u00edpulos queriam reservar para si a patente JC e construir muros, tal como os \u201cfariseus\u201e faziam. Ainda n\u00e3o tinham compreendido que a porta de acesso ao divino e ao humano \u00e9 o Homem no JC e n\u00e3o uma mera doutrina\/lei.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>Jesus emprega uma linguagem simb\u00f3lica e usa nela as imagens de express\u00e3o da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Embora o radicalismo das imagens pare\u00e7a ser uma hip\u00e9rbole, as met\u00e1foras usadas querem incutir no disc\u00edpulo a seriedade e a radicalidade da nova maneira de ser e definir a Realidade e o Homem (democracia humana radical &#8211; ecl\u00e9sia). <strong>Nas met\u00e1foras, aqui empregadas usa-se o \u00f3rg\u00e3o pela fun\u00e7\u00e3o que desempenha <\/strong>(m\u00e9todo de comunica\u00e7\u00e3o muito usado na B\u00edblia).<strong> As m\u00e3os, os p\u00e9s fazem aquilo que se v\u00ea e que \u00e9 natural a partir duma vis\u00e3o antiga legalista, opressora da pessoa e da liberdade individual. Por isso \u00e9 preciso cortar radicalmente com a vis\u00e3o\/olho e os meios\/p\u00e9 e m\u00e3o que levam \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o. Na lei h\u00e1 uma m\u00e3o (agir velho), um p\u00e9 (submiss\u00e3o: porque Jesus \u00e9 contra o dom\u00ednio lava os p\u00e9s dos disc\u00edpulos), um olho (vis\u00e3o\/mentalidade velha), que n\u00e3o pode ser assumido na Boa Nova; chegou a hora de usar o olho divino. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jesus n\u00e3o manda lan\u00e7ar fora os dois olhos, as duas m\u00e3os, os dois p\u00e9s na Geena. Sabe que a realidade se expressa de maneira bipolar e por isso escolhe exemplos de \u00f3rg\u00e3os duplos. Isto porque a pessoa consta de duas componentes, a materialista e a divina. Trata-se aqui de deitar fora a parte m\u00e1 de n\u00f3s. Aquela que nos impede a salva\u00e7\u00e3o e o acesso ao bem. Na nova vis\u00e3o do mundo iniciada em e por J C h\u00e1 uma dimens\u00e3o trinit\u00e1ria, n\u00e3o apenas a dualista. Todos s\u00e3o chamados a sacrificar algo. O sacrif\u00edcio por maior que seja ainda \u00e9 pequeno comparado com o mais importante que \u00e9 o reino de Deus e a trag\u00e9dia da cat\u00e1strofe que seria tornar-se lixo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m n\u00e3o chegam as obras porque tamb\u00e9m estas podem acontecer numa rela\u00e7\u00e3o de objecto-sujeito e n\u00e3o de sujeito-sujeito (A ortodoxia deve ceder a uma ortopraxia relacional pessoal). <\/strong>Esta implica uma rela\u00e7\u00e3o sujeito-sujeito (\u00e0 imagem da rela\u00e7\u00e3o entre Jesus e o pai no JC). <strong>O Homem novo \u00e9 fundamentalmente desobediente ao ambiente porque \u00e9 filho de Deus e n\u00e3o da lei.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Filho do Homem quer reiniciar a cria\u00e7\u00e3o e estabelecer uma nova ordem e uma nova mentalidade em certo paradoxo com a tradi\u00e7\u00e3o. O que estava em quest\u00e3o n\u00e3o era a passagem duma cren\u00e7a para outra nem duma ideologia para outra. O que estava em quest\u00e3o era a destrui\u00e7\u00e3o dos muros elaborados para a subjuga\u00e7\u00e3o do Homem e em benef\u00edcio de alguns.<strong> Tudo o que prejudica o desenvolvimento do Homem deve ser sacrificado. As coisas n\u00e3o t\u00eam valor se n\u00e3o servem o Homem. A grande viragem axial da Hist\u00f3ria iniciada pelo JC \u00e9 o reconhecimento (consci\u00eancia nova) que o novo Homem se encontra no centro do ser, na divindade. Agora n\u00e3o se trata de descobrir Deus fora porque ele se encontra dentro, como se verifica no JC. Tarefa do Homem \u00e9 integrar em Deus a sua parte de fora. Por isso o Cristianismo \u00e9 muito mais que uma religi\u00e3o, n\u00e3o podendo, por isso, ser reduzido a uma cristandade, nem deixar-se abusar tornando-se preparador de ovelhas submissas para uma sociedade pol\u00edtica e econ\u00f3mica que se expressa mais pela explora\u00e7\u00e3o do Homem do que pela sua liberta\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A mudan\u00e7a (metanoia) n\u00e3o pode acontecer sem o corte total com a maneira de pensar e agir normal (habitual)<\/strong>. A dor que custa o cortar com o passado, com o homem velho, n\u00e3o \u00e9 nada em compara\u00e7\u00e3o com a nova vida. O Homem novo passa a ser fonte de vida, deixando de beber a \u00e1gua menos l\u00edmpida trazida por outras vias\/mentalidade patriarcalista proveniente duma sociedade de tribos ou de ideologias arrogantes<strong>. A pessoa nova \u00e9 filha de Deus e n\u00e3o apenas adepta ou s\u00fabdita! A filia\u00e7\u00e3o divina concede a todo o Homem, por natureza, a dignidade de participar na divindade e tornar-se tamb\u00e9m obreiro de salva\u00e7\u00e3o.<\/strong> As estruturas exteriores s\u00e3o condicionalismos necess\u00e1rios mas a purificar tamb\u00e9m. O Homem, para entrar nesta nova ordem do Homem e da cria\u00e7\u00e3o (novo eixo da Hist\u00f3ria, nova infra e supraestrutura), ter\u00e1 que mutilar muito do passado e iniciar uma mudan\u00e7a de atitude. O Homem novo j\u00e1 n\u00e3o se restringe \u00e0 verdade empacotada na roupagem da lei ou da cultura porque a verdade acontece na pessoa livre e sem medo de Deus nem do diabo. O valor da lei e da cultura, se n\u00e3o \u00e9 contra o Homem serve de refer\u00eancia, podendo tornar-se numa pedagogia\/liturgia de inicia\u00e7\u00e3o. Todos n\u00f3s precisamos duma refer\u00eancia e esta implica tamb\u00e9m o reconhecimento da ecl\u00e9sia (Deus, a Realidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pessoa mas tamb\u00e9m comunidade!); se n\u00e3o fosse a Igreja com o seu pecado, por muito estranho que pare\u00e7a, (at\u00e9 o esp\u00edrito precisa dum corpo limitado!) a cristandade n\u00e3o teria passado dos primeiros s\u00e9culos e da viv\u00eancia de pequenos grupos. Atrav\u00e9s da culpa e nela conseguiu afirmar-se no mundo entre sociedades tamb\u00e9m elas a viver da culpa (\u201cOh felix culpa\u201d- reconhecia Paulo!) <strong>Sem a culpa ter\u00edamos perdido a mem\u00f3ria!<\/strong> Ela faz-nos conscientes e abre-nos a porta de entrada para o JC. O seguimento do JC exige a auto-ren\u00fancia (deixar o homem velho) para assumir a atitude do JC e assim se tornar no sal da terra. Por isso \u00e9 preciso cortar o lixo em n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Geena era a lixeira de Jerusal\u00e9m;<\/strong> o fogo dessa fogueira era alimentado pelos restos (lixo) n\u00e3o aproveit\u00e1veis, a\u00ed lan\u00e7ados pelos moradores da cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jesus, nestas conversas com os disc\u00edpulos, procura inici\u00e1-los na nova m\u00edstica (no novo Ad\u00e3o) que est\u00e1 a irromper na nova concep\u00e7\u00e3o da realidade na natureza JC e na sua comunidade. Ele est\u00e1 muito preocupado com o esc\u00e2ndalo que uns e outros d\u00e3o aos \u201cpequenos na f\u00e9\u201d ao defenderem posi\u00e7\u00f5es numa pr\u00e1xis ainda do velho Ad\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jesus corta com um Deus senhorial, que legitimava, consequentemente, todos os senhorios sociais e humanos. O lugar de acontecimento divino n\u00e3o \u00e9 j\u00e1 a sinagoga, a lei nem a moral de costumes. <strong>O lugar do acontecer divino passa a ser o Homem, a terra. <\/strong>Deus desce \u00e0 terra (encarna\u00e7\u00e3o!) e n\u00e3o ao templo nem a uma cultura, como era dantes (deslegitimou toda a cultura ou ideologia que se arroga para si o monop\u00f3lio da divindade; neste sentido, tamb\u00e9m atitudes senhoriais da igreja petrina, e especialmente o Isl\u00e3o s\u00e3o um regresso a um \u201cantigo testamento\u201d legalista). <strong>Esta \u00e9 a grande revela\u00e7\u00e3o do cristianismo. Deus entra no mundo pelo Homem, pelo JC e o acesso ao divino e ao humano \u00e9 agora o Homem, atrav\u00e9s do seu prot\u00f3tipo e da natureza JC.<\/strong> As institui\u00e7\u00f5es, as leis, os gurus e as autoridades perdem a sua relev\u00e2ncia. O ser humano, na converg\u00eancia do JC atinge agora a sua maioridade, deixa de ser crian\u00e7a e de ser escravo do exterior. <strong>Nos nossos genes trazemos a divindade e a materialidade, temos uma personalidade m\u00faltipla.<\/strong> Da\u00ed a necessidade duma aprendizagem pedag\u00f3gica. Por vezes o esp\u00edrito encontra-se enterrado mesmo no fundo de n\u00f3s. Necessita da ajuda dos irm\u00e3os (ecl\u00e9sia) e do Esp\u00edrito Santo para adquirir consci\u00eancia e realizar a natureza JC. A dignidade n\u00e3o vem do cargo nem do servi\u00e7o mas do servir com a consci\u00eancia de ser verdadeiramente um membro da fam\u00edlia de Deus a realizar o Seu reino. <strong>N\u00e3o h\u00e1 mestres, todos est\u00e3o vocacionados a ser caminho, verdade e vida em servi\u00e7o e interac\u00e7\u00e3o com o JC<\/strong>. Mesmo aquele que se usa de Jesus para expulsar os diabos, se o faz no seu esp\u00edrito isto \u00e9 suficiente porque o novo reino, n\u00e3o se confina \u00e0 perten\u00e7a a este ou \u00e0quele grupo, \u00e9 uma atitude de tudo em todos num esfor\u00e7o comum de assumir a natureza JC. Na resposta que deu aos disc\u00edpulos, Jesus condena a sua mentalidade de arame farpado, apontando para a toler\u00e2ncia do bem noutros ambientes. N\u00e3o \u00e9 relevante o religioso ou o profano, qualitativo \u00e9 o servi\u00e7o do Homem, ao Homem \u00e0 medida do JC. H\u00e1 muitos crist\u00e3os an\u00f3nimos que actuam no esp\u00edrito de Cristo e muitos crist\u00e3os registados que n\u00e3o entenderam o esp\u00edrito (natureza) de Cristo, isto \u00e9, a realidade que s\u00e3o nEle. H\u00e1 que aceitar a diferen\u00e7a, todos nos encontramos a caminho\u2026 <strong>A nova ordem n\u00e3o se delimita pelo muro das defini\u00e7\u00f5es ou perten\u00e7as mas pela consci\u00eancia da filia\u00e7\u00e3o divina. <\/strong>A nova orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o templo nem a lei mas o Homem e em todo ele se encontra enterrado um tesouro a descobrir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nova \u00e9tica \u00e9 estar em servi\u00e7o, n\u00e3o servindo nem sendo servido. Agimos todos para o bem na tarefa de realizar o JC em n\u00f3s e no mundo. O JC n\u00e3o pretende substituir um sistema antigo por outro sistema. Ele sabe que os sistemas se definem pelo poder que legitima a viol\u00eancia entre si e contra terceiros. Por isso o JC aposta apenas no Homem, na pessoa humana, que \u00e9 v\u00edtima de si mesma, das estruturas, da lei e at\u00e9 da moral. (Esta \u00e9 uma raz\u00e3o porque a Igreja apela \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do homem a n\u00edvel individual n\u00e3o se pondo \u00e0 frente de revolu\u00e7\u00f5es) Na nova ordem do mundo e do Homem n\u00e3o h\u00e1 uns a dar ordens e outros a cumprir, nele todos s\u00e3o filhos divinos em atitude de servir uns aos outros no esp\u00edrito de uns nos outros. O ajudar o outro \u00e9 ajuda a mim na constru\u00e7\u00e3o do n\u00f3s. Se todos os filhos do rei s\u00e3o pr\u00edncipes, todo o ser humano \u00e9 pr\u00edncipe na realeza divina. Por isso n\u00e3o pode haver escravos nem senhores, apenas filhos. N\u00e3o se trata de se procurar a salva\u00e7\u00e3o mas de salvar-se salvando em comunh\u00e3o com o JC no amor do Par\u00e1clito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o JC o Homem alcan\u00e7ou a sua maioridade e plenitude (transforma\u00e7\u00e3o do velho Ad\u00e3o no novo Ad\u00e3o), tendo de se regenerar a partir de dentro, numa caminhada do Jesus para o Cristo. No cadinho da nossa vida teremos de expulsar o lixo, aquilo que nos impede de resplandecermos a divindade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem entra na rela\u00e7\u00e3o com JC encontra-se na fonte da vida que \u00e9 o Par\u00e1clito, passando este a agir nele. JC quebrou os muros do eu para mergulhar no n\u00f3s, na divindade, onde cada pessoa assume a consci\u00eancia de todas as pessoas numa iman\u00eancia transcendente (corpo m\u00edstico e realidade trinit\u00e1ria).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">(1)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para Marcos o acesso a Jesus Cristo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel mediante uma mudan\u00e7a radical de atitude e mentalidade, uma vis\u00e3o espiritual (ver com o olho de Deus) porque, num mundo que vive sobretudo de exterioridades e da afirma\u00e7\u00e3o pelo contr\u00e1rio, a identidade do Messias encontra-se oculta, precisando duma pedagogia especial, duma inicia\u00e7\u00e3o (catarses do intelecto e da pr\u00e1tica) para se poder chegar a ela (evolu\u00e7\u00e3o do Ad\u00e3o velho para o novo Ad\u00e3o). O JC encontra-se na intimidade do c\u00e9u com a terra, por isso \u00e9 preciso subir ao c\u00e9u para poder compreender a terra. Os disc\u00edpulos, ainda mal iniciados, discutiam acerca do c\u00e9u e da terra mas principalmente a n\u00edvel de intelecto e da velha mentalidade (olho do dom\u00ednio) sem a \u201cviv\u00eancia\u201d da f\u00e9 que parte da intimidade\/unidade (reino de Deus) e n\u00e3o da divis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">(2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resumindo: A mentalidade semita de estrutura autorit\u00e1ria tribal representada num Deus distante e legalista (Mois\u00e9s, AT) com a subjacente concep\u00e7\u00e3o de Homem escravo, objecto de salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 contrariada pela nova atitude judaica expressa no JC que reconhece em Deus o pai e em cada Homem um filho de Deus e como tal sujeito de salva\u00e7\u00e3o; esta mundivis\u00e3o desautoriza as institui\u00e7\u00f5es e as leis que se afirmem no sustent\u00e1culo da velha mentalidade. Esta nova consci\u00eancia de ser e estar no mundo \u00e9 de tal modo revolucion\u00e1ria que levou os historiadores a considerar o JC como eixo da Hist\u00f3ria. De notar que apesar de 2000 anos passados ainda prevalece nas pessoas e nas institui\u00e7\u00f5es a velha mentalidade. A \u201cdemocracia de filhos de Deus\u201d em que cada Homem \u00e9 realmente \u201cpr\u00edncipe herdeiro\u201d, continua, duma maneira geral a ser uma utopia crist\u00e3.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">(3)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deus n\u00e3o encarna num livro, numa l\u00edngua, numa cultura mas no Homem. O centro do acontecimento n\u00e3o est\u00e1 na B\u00edblia, no Cor\u00e3o, no Templo, na na\u00e7\u00e3o, no costume, no chefe mas no Homem, filho de Deus. A lei, a tribo, a na\u00e7\u00e3o, a cultura n\u00e3o podem subordinar o Homem individual. Cada ser humano, como filho de Deus faz parte duma realidade maior! A sua dignidade \u00e9 intoc\u00e1vel (Daqui os direitos do Homem). A incarna\u00e7\u00e3o\/inlibra\u00e7\u00e3o de Deus no Cor\u00e3o constitui um retrocesso hist\u00f3rico; por isso continuam a subjugar o Homem \u00e0 sua cultura. Com JC a refer\u00eancia de pensamento religioso passa a ser uma pessoa e n\u00e3o um abstrato, um constructo. O organigrama de pensamento e social tem de ser elaborado ao contr\u00e1rio, pondo a pir\u00e2mide ao contr\u00e1rio. Pensar o eu a partir do n\u00f3s, do n\u00f3s divino.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Mestre da Galileia inicia um novo Eixo da Hist\u00f3ria Deus n\u00e3o encarna numa Cultura mas no Homem \u00a0 Ant\u00f3nio Justo \u201cMestre, vimos um homem a expulsar dem\u00f3nios em teu nome e procuramos impedir-lho porque ele n\u00e3o anda connosco\u2026\u201d \u2013 \u201cN\u00e3o o proibais\u2026 Quem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s \u00e9 por n\u00f3s\u2026\u201d. \u201cSe algu\u00e9m escandalizar algum &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2306\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A nova Ordem social e humana a implementar<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[4,7,8],"tags":[],"class_list":["post-2306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2306"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2306\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2308,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2306\/revisions\/2308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}