{"id":2304,"date":"2012-09-12T14:41:06","date_gmt":"2012-09-12T13:41:06","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2304"},"modified":"2012-09-12T14:41:06","modified_gmt":"2012-09-12T13:41:06","slug":"arte-artistas-e-observadores-ensaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2304","title":{"rendered":"ARTE ARTISTAS E OBSERVADORES (Ensaio)"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong><strong>\u201cSou o que sou\u201d no tornar-me.<\/strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>O n\u00f3s tamb\u00e9m aspira a ser eu<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Resido na cidade de Kassel, o lugar da Documenta, que \u00e9 a maior Exposi\u00e7\u00e3o Mundial de Arte Contempor\u00e2nea. Acentuo a palavra lugar, porque este, numa perspectiva art\u00edstica poderia compreender-se como o s\u00edtio (atelier) da gr\u00e1vida a dar \u00e0 luz, ou o s\u00edtio gr\u00e1vido onde se juntam as for\u00e7as dum chamamento possibilitador da obra de arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A dOCUMENTA (13) tem a vantagem de convidar o observador e o\/a artista a uma pesquisa associativa e de lhe proporcionar, ao mesmo tempo, um \u201cBrainstorming\u201d sobre a arte em geral, (reunindo e conectando os v\u00e1rios ramos da arte com as diferentes disciplinas do conhecimento) e os mais variados projectos de vida, num espa\u00e7o que, \u00e0 primeira vista, faz lembrar a Torre de Babel. Tudo ganha aqui express\u00e3o em formas e formatos que reflectem o Homem na sua qualidade de rei e s\u00fabdito da natureza, numa din\u00e2mica da ecologia biol\u00f3gico-cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De facto, nada \u00e9 estranho ao artista que, em interac\u00e7\u00e3o e intra-ac\u00e7\u00e3o com todas as dimens\u00f5es da realidade e do saber, procura elaborar o seu rascunho de vida num cont\u00ednuo di\u00e1logo de inter-rela\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas, mec\u00e2nicas e espirituais. <strong>O lugar de ac\u00e7\u00e3o do artista \u00e9, naturalmente, o p\u00fablico, sendo nele que se movimenta para, numa atitude de aquisi\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o, reflectir e questionar valores e costumes numa perspectiva diacr\u00f3nica e sincr\u00f3nica.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos objectivos do artista contempor\u00e2neo, se o equacionamos em termos de express\u00e3o do seu tempo, seria criar um feedback de todas as disciplinas, dado tanto esp\u00edrito como mat\u00e9ria, (e rela\u00e7\u00e3o intersubjectiva \/objectiva) serem plataformas diferentes da mesma realidade, como se expressa a n\u00edvel teol\u00f3gico, no \u201cdogma\u201d da Trindade: unidade do ser (criador-criatura\/obra) numa rela\u00e7\u00e3o consubstancial (interac\u00e7\u00e3o artista-obra-observador), exemplificada a n\u00edvel da encarna\u00e7\u00e3o onde a realidade, constante de mat\u00e9ria e esp\u00edrito, deixa o caracter antag\u00f3nico destes dois princ\u00edpios, para assumir uma rela\u00e7\u00e3o \u201cpessoal\u201d de interac\u00e7\u00e3o e intra-ac\u00e7\u00e3o. Recorde-se, neste contexto, o pr\u00f3logo do evangelho de Jo\u00e3o (\u201cNo princ\u00edpio era a In-forma\u00e7\u00e3o &#8211; o Verbo\u201d). Teorias, mitos e dogmas sempre foram interpretados e clarificados pelas analogias da arte. <strong>\u00c9-se art\u00edfice do real e do futuro e, com o cinzel da forma\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o, m\u00fasica, cultura, arte, etc., todos modelam (cada um na sua plataforma em esp\u00edrito de complementaridade) o ser humano e a realidade que os envolve e o forma, ao mesmo tempo.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No mesmo lugar, na mesma obra procura-se juntar e expressar uma conex\u00e3o de experi\u00eancias entre lugares, nomes e s\u00edtios sem que os dualismos individuais, interculturais e interdisciplinares fiquem na sombra, muito embora num processo comum de individua\u00e7\u00e3o que, inevitavelmente, cala as for\u00e7as da selec\u00e7\u00e3o, da associa\u00e7\u00e3o e da assimila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, constata-se uma falta de consci\u00eancia da complementaridade, numa apreens\u00e3o e express\u00e3o da realidade, que emperra os saberes em defini\u00e7\u00f5es com arame farpado; saberes concorrentes que se fixam em si mesmos, agindo contra o esp\u00edrito de interdisciplinaridade, numa atitude semelhante \u00e0 da avestruz, que mete a cabe\u00e7a debaixo da sua areia ao sentir que aquilo que a define, como identidade, a questiona sob o ponto de vista doutras perspectivas. <strong>A realidade biol\u00f3gica e cultural acontece num processo de osmose das suas v\u00e1rias dimens\u00f5es e camadas, sem fixa\u00e7\u00e3o na linearidade duma linha fronteiri\u00e7a unidimensional (arame farpado). <\/strong>A necessidade de demarcar o outro corresponde a uma necessidade imanente de se definir a si pr\u00f3prio, e a uma estrat\u00e9gia de autoafirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica unidimensional, como se observa na disputa entre arte, ci\u00eancias naturais, ci\u00eancias humanas, ideologias, pol\u00edtica e religi\u00e3o. \u00a0De facto, cada disciplina, ao fixar-se na linha fronteiri\u00e7a que a define, despreza o conte\u00fado de que faz parte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lugares, nomes e objectos de arte, com a ajuda do intelecto, tornam-se em neur\u00f3nios de interliga\u00e7\u00e3o, associa\u00e7\u00e3o e combina\u00e7\u00e3o que se podem revelar em afirma\u00e7\u00e3o ou resist\u00eancia po\u00e9tica, e, at\u00e9 mesmo, em pervers\u00e3o do pensamento, ou em s\u00edmbolos ao servi\u00e7o de dogmas est\u00e9ticos e antiest\u00e9ticos. <strong>Tudo \u00e9 poss\u00edvel organizar de modo a servir uma obra, mais ou menos descritiva, em que a tela \u00e9 s\u00edmbolo duma natureza sempre criadora e em que at\u00e9 o marginal se pode revelar em fundamento de algo maior.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A arte\/obra de arte, tal como a pele, constitui um delineamento claro de algo a ela subjacente mas indefin\u00edvel. Continuando a analogia inicial, poder\u00edamos definir aqui arte e artista como express\u00e3o do grito do universo a dar \u00e0 luz, \u00e0 semelhan\u00e7a do Big Bang numa c\u00f3pula universal em cont\u00ednuo processo de realiza\u00e7\u00e3o e consuma\u00e7\u00e3o no produzir a obra. Por outro lado, o objecto de arte e a arte observada \u00e9 como que algo reflectido num espelho mas que, no entanto, deixa antever, na sua aura, a passagem do artista pelo Olimpo. Sem esta a arte perderia a sua sacralidade, significado e motiva\u00e7\u00e3o. Sem a tal passagem pelo Olimpo os artistas perderiam a sua aur\u00e9ola e o seu brilho seria parco se consagrado apenas pela criatura artesanal (povo criatura). Num acto posterior, a import\u00e2ncia da obra de arte vem-lhe do simb\u00f3lico, o que lhe seria bastante, n\u00e3o se escondessem por tr\u00e1s dela interesses muito concretos, desde o comercial ao ideol\u00f3gico; grupos e institui\u00e7\u00f5es servem-se, frequentemente, da arte para tecerem as suas metaf\u00edsicas fomentadoras de dicotomias entre um laicado e os iluminados da arte e at\u00e9 mesmo entre as v\u00e1rias artes. Com mitos, dogmas e uma certa liturgia tamb\u00e9m na arte se fomenta um p\u00fablico rebanho laico seguidor duma f\u00e9 secular definida por alguns corifeus. Este problema torna-se mais \u00f3bvio num momento em que um objecto de arte pl\u00e1stica n\u00e3o fala por si mas precisa de explicadores que lhe proporcionem o acesso. Para entrar no templo exige-se agora um porteiro!&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A for\u00e7a do Zeitgeist (esp\u00edrito do tempo corrente) ensombra a arte. Ela \u00e9 de tal forma orientada para uma globaliza\u00e7\u00e3o, pressagiada como natural, que cria automaticamente uma agress\u00e3o contra tudo o que \u00e9 maior e, como tal, pudesse constituir obst\u00e1culo \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o dum pretenso esp\u00edrito ainda maior, o global.<\/strong> D\u00e1-se primazia ao individual e ao org\u00e2nico desde que se deixem reduzir \u00e0 anonimidade (proletariza\u00e7\u00e3o espiritual). O global (globalismo), por\u00e9m, \u00e9 o outro lado do bi\u00f3topo e dos ecossistemas biol\u00f3gico-culturais mas, de momento, a desenvolver-se sem qualidade org\u00e2nica. (\u00c9 sintom\u00e1tica, neste contexto, a tend\u00eancia fatal, dos nossos multiplicadores de cultura, para negar a cultura ocidental e difamar os seus fundamentos, at\u00e9 mesmo \u00e0 custa da afirma\u00e7\u00e3o duma cultura hegem\u00f3nica des\u00e9rtica e dum mercantilismo absoluto que n\u00e3o reconhecem o sujeito). <strong>Tamb\u00e9m na arte se registam, frequentemente, tra\u00e7os hegem\u00f3nicos quando esta se arroga como \u00fanica capaz de curar os problemas do mundo.<\/strong> Problema de autoestima cega! Mais que a encena\u00e7\u00e3o do mundo entre arte e contempla\u00e7\u00e3o importa o di\u00e1logo entre mundivis\u00f5es que n\u00e3o reduzem as imagens a meros objectos de uso do pr\u00f3prio rebanho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O est\u00edmulo sensual, intelectual e espiritual poderia contestar fortemente uma atitude de esp\u00edrito decadente amoral e \u201caideal\u201d que reduz o momento a alegoria relativista mas se limita a questionar medrosamente a artificialidade dum mundo globalista e relativista destruidor de bi\u00f3topos e ecossistemas culturais. <strong>Quer-se um pluralismo an\u00f3nimo (anorg\u00e2nico) revelador e confirmador dum ef\u00eamero po\u00e9tico e pol\u00edtico.<\/strong> No limiar da realidade do dia-a-dia, alguns artistas lan\u00e7am-se \u00e0 descoberta de limites onde corpos sem conte\u00fado, sem esp\u00edrito, se tornam met\u00e1foras duma realidade constru\u00edda por inv\u00f3lucros vazios. Talvez revelem, assim, consciente ou inconscientemente, o esvaziamento de tradi\u00e7\u00f5es e valores a sacrificar a projectos abstractos implantados por for\u00e7as artificiais criadas contra uma evolu\u00e7\u00e3o natural org\u00e2nica, que poderia, n\u00e3o obstante, ser assumida pelo pensamento (ideologia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que seria da arte se n\u00e3o fosse a arte de falar dela!<strong> A arte tamb\u00e9m nos quer alertar para a realidade social e para as rela\u00e7\u00f5es de poder.<\/strong> F\u00e1-lo numa tentativa de consertar rostos de cultura da pra\u00e7a, atrav\u00e9s de novos objectos de arte, mas apenas \u00e0 semelhan\u00e7a do que se verifica nos trajes e enfeites (joias) da mulher ao longo dos tempos. No enfeite constatamos a diferen\u00e7a de figurinos que escondem atitudes pr\u00f3prias ou projectos de identidades. Constata-se uma evolu\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, uma ubiquidade diacr\u00f3nica e sincr\u00f3nica que podemos tamb\u00e9m observar na constela\u00e7\u00e3o das culturas\/civiliza\u00e7\u00f5es hodiernas e diferentes modos e concep\u00e7\u00f5es de vida entre elas . <strong>Tamb\u00e9m no \u00e2mbito da arte falta um estudo sin\u00f3tico entre o hoje e o antigamente, uim estudo comparativo (evolutivo) entre as culturas actuais, seus valores e sonhos para possibilitar uma verdadeira oficina de arte virada j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 para as fenomenologias diacr\u00f3nicas mas especialmente para uma fenomenologia sincr\u00f3nica.<\/strong> Se as v\u00edssemos como num filme de sin\u00f3tica cultural sincr\u00f3nica verificar\u00edamos o ontem ainda no hoje presente (Afeganist\u00e3o e Su\u00ed\u00e7a, etc.) sem complexos de culpa nem culpabiliza\u00e7\u00e3o do outro. Verificar\u00edamos grande cinismo num discurso art\u00edstico e pol\u00edtico que, em nome dos direitos humanos critica a barbaridades da pr\u00f3pria cultura no passado e ao mesmo tempo aceita, os costumes barb\u00e1ricos de outras culturas contra os direitos humanos, em nome do respeito pelas culturas e subculturas actuais. Este \u00e9 um esc\u00e2ndalo que a arte negligencia ao fixar-se em pequenos esc\u00e2ndalos fomentadores da excita\u00e7\u00e3o p\u00fablica e da pr\u00f3pria masturba\u00e7\u00e3o improdutiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este \u00e9 o hoje-amanh\u00e3, no seu intervalo abstra\u00eddo, o eterno presente, onde se podem ver met\u00e1foras de Hist\u00f3ria vivida e a ser vivida e, deste modo, constatar a fragilidade do Homem e das culturas numa realidade a acontecer entre facto e fic\u00e7\u00e3o. Ao artista fica, muitas vezes, a tarefa de registo de processos num papel de contador de hist\u00f3rias hoje modernas e amanh\u00e3 antigas. N\u00e3o chega ficar-se pelas fenomenologias culturais, falta ainda fazer-se uma an\u00e1lise exacta comparativa de ideologias, culturas e religi\u00f5es numa perspectiva de orto-praxia concretizadora da realidade eu-tu-n\u00f3s sob a estrat\u00e9gia dum pensar e agir a partir do n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Duma maneira geral, os museus n\u00e3o passam de invent\u00e1rios de arte.<\/strong> Como registos da mem\u00f3ria art\u00edstica, lembram, por vezes, uma viagem art\u00edstica dum povo que antes vivia da ilus\u00e3o da perfei\u00e7\u00e3o e hoje vive da ilus\u00e3o da igualdade e da democracia. Os pr\u00f3prios museus s\u00e3o testemunho e afirma\u00e7\u00e3o duma sociedade e duma propriedade adquirida e a adquirir na medida em que, tamb\u00e9m eles, na qualidade de espa\u00e7os p\u00fablicos, <strong>condicionam o acesso a eles, mediante um \u00f3bolo de entrada n\u00e3o acess\u00edvel a toda a popula\u00e7\u00e3o. Estes espa\u00e7os p\u00fablicos, antec\u00e2maras do Olimpo, nas m\u00e3os de estruturas institucionais, servem um pequeno grupo de frequentadores, cimentando um estado de coisas em Estados que n\u00e3o conhecem povo nem popula\u00e7\u00e3o mas para quem reservam a ilus\u00e3o e o Smog.<\/strong> Museus, mantidos pelo tesouro p\u00fablico, restringem a entrada neles \u00e0quele que tem poder econ\u00f3mico para pagar um suplemento (bilhete) que o torna mais igual a si mesmo e lhe concede um estatuto identit\u00e1rio superior aos outros (\u201cpovo\u201d). A arte limita-se, por vezes, a fomentar uma consci\u00eancia pol\u00edtica ecol\u00f3gica num p\u00fablico provindo, na generalidade, de camadas sociais com dinheiro que j\u00e1 possui essa consci\u00eancia ecol\u00f3gica. Fala-se de liberdade, solidariedade e abertura sem prevenir nem registar que tudo se organiza na base de limites e de fronteiras e sob a lei da selec\u00e7\u00e3o da natureza. De facto, que seria da amiba sem a membrana?!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas falhas e lacunas da l\u00f3gica, da vida e do direito, \u00e9 gerado o progresso da superf\u00edcie: ondas conc\u00eantricas geradas na superf\u00edcie da realidade social. O exagero de performances, filmes, instala\u00e7\u00f5es, pl\u00e1sticos em formas visuais num mundo dominado pela visualidade pode reprimir ou condicionar outras percep\u00e7\u00f5es e dimens\u00f5es, como se a imagem e a onda fossem as \u00fanicas realidades do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Cumplicidade entre criador observador obra e acto criativo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Talvez, uma maneira nova de fazer arte, pressuponha uma nova pr\u00e1tica com trabalhos\/obras de arte realizadas em comum por grupos de pessoas das diferentes disciplinas, como sugere Alighiero Boetti, numa tentativa de criar uma praxis de identidade m\u00faltipla. Se queremos encenar um novo mundo a estrat\u00e9gia ser\u00e1 de colabora\u00e7\u00e3o e intercomunica\u00e7\u00e3o. <strong>Em Fernando pessoa temos um prot\u00f3tipo de artista com um eu dividido e reunido em si mesmo. Ele j\u00e1 se revelava com uma identidade m\u00faltipla<\/strong>. <strong>Nele podemos certamente verificar a tend\u00eancia dum n\u00f3s que tamb\u00e9m aspira ser eu.<\/strong> Em cada pessoa, como em cada grupo ou cultura esconde-se um processo de camadas culturais e f\u00edsicas, \u00e0 semelhan\u00e7a das camadas geol\u00f3gicas formadas ao longo de mil\u00e9nios e que se necessita consciencializar para ser colocada em interac\u00e7\u00e3o consciente. <strong>No grupo (n\u00f3s) inclui-se o contradit\u00f3rio e dele surge a ipseidade e a alteridade numa rela\u00e7\u00e3o de complementaridade de espiral ascendente a caminho do \u201c Omega\u201d de Teilhard de Chardin. <\/strong>Seria \u00f3bvia a consci\u00eancia dum prop\u00f3sito comum de evoluir sem se fixar nas formas criativas em moda nem nas cadeias de ideologias vigentes. Uma consci\u00eancia pluridimensional \u00e9 consciente de que os v\u00e1rios conhecimentos (ci\u00eancias e pr\u00e1ticas) continuam limitados aos seus pr\u00f3prios trilhos sem reconhecer ainda que o progresso e toda a perfei\u00e7\u00e3o (evolu\u00e7\u00e3o) e futuro se processa em espiral num subir sem aniquilar, tudo reunindo em si, \u00e0 imagem da crian\u00e7a que junta em si tamb\u00e9m a presen\u00e7a gen\u00e9tica e cultural de seus pais e antepassados. Na crian\u00e7a, em cada um de n\u00f3s, caminha a vida toda. Cada um \u00e9 um resumo do universo segundo o pr\u00f3prio espelho. O empenho na realiza\u00e7\u00e3o dum futuro j\u00e1 presente implica o cruzamento dos v\u00e1rios ramos da ci\u00eancia e da experi\u00eancia numa fus\u00e3o paciente de f\u00e9 nost\u00e1lgica e futurista. Todos somos processo e cruzamentos de processos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora peregrinos citadinos, trazemos a prov\u00edncia em n\u00f3s. Esta continua a ser o terreno onde lan\u00e7amos os alicerces da nossa casa. Na monocultura n\u00e3o prosperam as borboletas nem o artista. No nosso s\u00edtio pluridimensional, na nossa alma, encontram-se n\u00e3o s\u00f3 as imagens das paisagens que observamos do nosso ser, mas tamb\u00e9m as paisagens reais, o pr\u00f3prio campo, a que n\u00e3o falta o sol dum esp\u00edrito iluminador e criador. <strong>O mundo \u00e9 mais que as imagens ou a percep\u00e7\u00e3o que temos dele; ele \u00e9 cidade e \u00e9 campo, \u00e9 mat\u00e9ria e \u00e9 esp\u00edrito, \u00e9 facto e \u00e9 fantasia, com entremeios de muros feitos de pedra, de ideias, de posi\u00e7\u00f5es e de cultura, onde a luta pelo espa\u00e7o e pela identidade parece fazer do muro o essencial.<\/strong> Na feitura do muro, e na necessidade da sua destrui\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o revela-se a consci\u00eancia profunda duma realidade muralhada estar chamada a transcender os pr\u00f3prios muros, podendo estes, em certos ramos da exist\u00eancia, ser reduzidos a s\u00edmbolos, tal como acontece \u00e0 sublima\u00e7\u00e3o da guerra no jogo de futebol. (A destrui\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios muros, por\u00e9m, n\u00e3o se pode dar numa din\u00e2mica de afirma\u00e7\u00e3o dos muros dos outros!)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cada pessoa, cada obra, rua, catedral pode ser usada para um alargamento da consci\u00eancia individual e colectiva; cada facto, cada objecto e ideia pode ser imbu\u00eddo de poesia e tornar-se obra art\u00edstica reveladora e concretizadora dum di\u00e1logo de metaf\u00edsica e f\u00edsica que se interpenetram e completam, sem que o cunho individual do artista predomine. Para isso urge unir respeitosamente o saber cient\u00edfico ao sentir art\u00edstico e \u00e0 sabedoria religiosa e verificar que o que d\u00e1 consist\u00eancia aos muros ideol\u00f3gicos e partid\u00e1rios \u00e9 o interesse, a focagem numa parte da realidade. Tamb\u00e9m a identidade do mar se faz na interac\u00e7\u00e3o da identidade das gotas! Naturalmente, tamb\u00e9m o aleat\u00f3rio precisa do seu lugar ao lado do determinado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O suceder da arte pode comparar-se a um estendal de imagens ventiladas pelo nosso pensamento e em que o estendal \u00e9 a nossa alma\/consci\u00eancia individual e colectiva numa revela\u00e7\u00e3o diacr\u00f3nica. O ef\u00e9mero e o factual recebem a sua consist\u00eancia num jogo ir\u00f3nico entre real e abstracto, entre o sujeito e o objecto. <strong>Na obra fica o movimento duma vontade intencional mais ou menos consciente, num jogo de formas e gestos simb\u00f3licos, por vezes absurdos, de restaura\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de vida e da reflex\u00e3o sobre ela.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O medo de perder o legado do passado e o cuidado pelo futuro tornam-se presentes em obras envolvidas em processos de constru\u00e7\u00e3o, desconstru\u00e7\u00e3o, reconstru\u00e7\u00e3o numa tarefa e inten\u00e7\u00e3o de possibilitar novas formas de leitura, duma realidade que s\u00f3 o \u00e9 no acontecer. <strong>A arte regista uma cont\u00ednua tentativa de simplificar a realidade antag\u00f3nica equacionando-a, para isso, em verdades que a tornam acess\u00edvel e destroem ao mesmo tempo.<\/strong> As obras art\u00edsticas, com a sua aura, testemunham a permeabilidade das fronteiras entre realidade e fic\u00e7\u00e3o. A arte origina-se no olhar do observador possibilitando, no seu consciente, a cria\u00e7\u00e3o de mundos e dimens\u00f5es que transcendem o dia-a-dia, numa procura doutras paisagens e doutros saberes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desafio cont\u00ednuo de di\u00e1logo entre material e forma \u00e9 possibilitado pela impossibilidade de obter uma s\u00edntese entre forma e mat\u00e9ria que transcenda o objecto que as enterra. Isto motiva todo o artista a procurar um arqu\u00e9tipo que se revele poss\u00edvel como aspira\u00e7\u00e3o no acto de dar \u00e0 luz. A forma, como momento de in-formar, cativa o artista no processo criador que d\u00e1 continuidade \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e \u00e9 subcut\u00e2neo \u00e0 criatura do artista. Consequentemente mais que uma arte pr\u00f3pria dum tempo h\u00e1 apenas uma express\u00e3o, um estilo art\u00edstico do tempo. Tal como no pr\u00f3logo de Jo\u00e3o, o verbo cria tornando-se carne, <strong>num cont\u00ednuo gerar gerando-se, e em que mat\u00e9ria e forma s\u00e3o momentos do acto de in-formar.<\/strong> O espa\u00e7o de tens\u00e3o entre o real e o exot\u00e9rico, entre o acto de criar e o objecto criado, possibilita uma dial\u00e9tica intelectual j\u00e1 presente no acto criador<strong>. O acto de criar \u00e9 luz sendo a obra a sombra dela e ao mesmo tempo, a for\u00e7a reminiscente de voltar\/realizar luz. A obra de arte, se n\u00e3o reduzida a sombra petrificada, \u00e9 sombra a apontar para a luz. <\/strong>Da\u00ed tamb\u00e9m a necessidade do artista ter de criar um \u201clugar\u201d que possibilite a confus\u00e3o do considerado real para assim proporcionar novos espa\u00e7os, plataformas, diagramas e novas cria\u00e7\u00f5es. Deste modo viabilizam-se diferentes mecanismos de percep\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de realidade. A arte torna-se no lugar do er\u00f3tico em que a provisoriedade das formas d\u00e1 lugar a novas dimens\u00f5es para l\u00e1 do tempo e do espa\u00e7o possibilitando sentimentos e experi\u00eancias que se contrap\u00f5em \u00e0s emo\u00e7\u00f5es criadas pelo mundo do poder e da domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Importa submergir na arte sem nos fixarmos no artista, na sua necessidade de identifica\u00e7\u00e3o, nem na interpreta\u00e7\u00e3o. (Estas revelariam apenas parte da nossa identidade!). As obras, como composi\u00e7\u00f5es de textos, imagens, formas, materiais e estruturas possibilitam novos lugares e estadias que se podem tornar nossos espa\u00e7os e at\u00e9 alargar as nossas perspectivas no sentido duma orto-praxia tanto linear como alinear.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vive-se na dimens\u00e3o das met\u00e1foras entre s\u00edmbolos religiosos, cient\u00edficos, art\u00edsticos e o poder pol\u00edtico. A futilidade do esfor\u00e7o para chegar a uma verdade, que se perde nos contextos, fomenta uma realidade de meias verdades, em vez de apontar para o processo eterno de procura\/realiza\u00e7\u00e3o da verdade\/realidade. Tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o da Documenta &#8211; no Museu Fredericianum \u2013 se configuram formas e sombras metaf\u00edsicas apoiadas num estoque de ideias da ci\u00eancia e alegorias da religi\u00e3o. Nele encontra-se uma sala, sem nada, onde o visitante \u00e9 confrontado com o vazio e o sil\u00eancio. Este espa\u00e7o de reflex\u00e3o criativa estimula os visitantes a questionar, indirectamente, uma sociedade linear stressante. \u00c9 mais que \u00f3bvia a necessidade de criar lugar do sil\u00eancio n\u00e3o s\u00f3 na igreja e na arte mas a n\u00edvel individual, institucional e social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A ind\u00fastria da arte comercializada encontra-se ao servi\u00e7o do capitalismo cognitivo<\/strong> que se distancia da natureza em nichos dum abstrato al\u00e9rgico \u00a0\u00e0 vida org\u00e2nica (Arte de conceito, Concept Art ) e em servi\u00e7o da visualidade , muitas vezes direccionada para utopias negativas negadoras do Homem. Serve-se um macro-sistema de sistemas an\u00f3nimos e alienantes! Numa \u00e9poca em que o mercado e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social tudo instrumentalizam. Tamb\u00e9m a arte precisa de cr\u00edticos como o artista Francesco Matarrese que nega o objecto art\u00edstico resultante dum trabalho abstrato (Um momento de reflex\u00e3o!).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, tamb\u00e9m uma tela vazia viabiliza um destinat\u00e1rio e traz uma mensagem encoberta a um mundo inundado por imagens mudas em que um saber de altos voos j\u00e1 n\u00e3o consegue aterrar. <strong>Os fen\u00f3menos e os interesses cruzam-se nas<\/strong> <strong>fronteiras e o artista \u00e9 o trapezista que dan\u00e7a nelas<\/strong>. Os limites tornam-se lugares que salientam as contradi\u00e7\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o humana. No tapete do ser, em que nos movimentamos, nada h\u00e1 certo, tudo \u00e9 prov\u00e1vel; tamb\u00e9m o tapete em que andamos faz parte de n\u00f3s e do movimento que somos. <strong>Se a filosofia se limita \u00e0 pergunta de como \u00e9 poss\u00edvel o real e se fica pelos condicionalismos e possibilidades desse real, n\u00e3o sai do comboio do pensamento que se move em trilhos e potencialidades delimitadoras do pr\u00f3prio pensamento.<\/strong> Ent\u00e3o tamb\u00e9m a filosofia \u00e9 uma arte porque reconduz e orienta a capacidade para um determinado momento do real. Por outro lado, tamb\u00e9m a ci\u00eancia s\u00f3 pode descrever o prov\u00e1vel, como descobriu a f\u00edsica qu\u00e2ntica; cem anos depois, ainda se continua a acreditar no Weltbild (imagem do mundo ou mundivis\u00e3o) determinista do s\u00e9c. XIX que pensava que o mundo funcionava segundo regras exactas mensur\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fontes de inspira\u00e7\u00e3o criam estruturas narrativas, pinturas da hist\u00f3ria com restos dum futuro enterrado numa realidade feita de desmoronamento e reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ah! Na vida aqui ao lado, vive, lado a lado, na arrecada\u00e7\u00e3o da realidade, a vida a arder num processo de materializa\u00e7\u00e3o e de desmaterializa\u00e7\u00e3o. Num ser de objectos transformados pelas chamas do pensamento, a dor d\u00e1 \u00e0 luz novos seres num mudar cont\u00ednuo de formas e vis\u00f5es. <strong>De facto, a diferen\u00e7a entre o papel higi\u00e9nico e a nota de banco, est\u00e1 na tinta, o resto \u00e9 uma quest\u00e3o de cr\u00e9dito. <\/strong>O nosso destino \u00e9 dar forma ao formado em diferentes dimens\u00f5es na partilha do acto de in-formar. Somos son\u00e2mbulos no combate \u00e0 noite da vida em procura da luz; quem n\u00e3o resigna procura, no relevo que d\u00e1 \u00e0 exist\u00eancia, deixar a silhueta da sua conota\u00e7\u00e3o, na sequ\u00eancia dum acto submisso de dar continuidade \u00e0 vida no seguimento dum chamamento que se expressa na pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria, de perda da heran\u00e7a (recorda\u00e7\u00e3o) e dos valores humanos, virada para um saudosismo arcaico que real\u00e7a as for\u00e7as bravias nela submersas, como se o brilho da cultura ocidental fosse algo extraterrestre que justifique toda a agress\u00e3o dos guetos ou dos ap\u00f3stolos do relativismo, expressa e conduz a um estado de abdica\u00e7\u00e3o. Consequentemente, um certo culto do ex\u00f3tico revela-se, contraditoriamente, contra o pr\u00f3prio ruralismo. Os esp\u00edritos dos abor\u00edgenes insurgem-se nesse culto contra a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o. \u00c0s sombras da cultura ocidental s\u00e3o contrapostos os soalheiros doutras culturas e subculturas como se o mundo das culturas fosse unidimensional, como se, a cada cultura, n\u00e3o estivessem subjacentes a mesmas for\u00e7as e leis naturais\/culturais com uma representa\u00e7\u00e3o teatral correspondente \u00e0 pr\u00f3pria vontade de se autoafirmar no tempo prop\u00edcio ou de se negar. A vig\u00eancia duma \u00e9tica de recorda\u00e7\u00e3o negativa justificadora dum criticismo discriminador \u00e9 sintoma de decad\u00eancia. Arte, tal como as civiliza\u00e7\u00f5es, precisa dos seus lugares altos na companhia dos seus templos. Sem intervir contra estranhos, a arte ocidental precisa de se reunir para se creditar e n\u00e3o abdicar dos valores que a tornaram um luzeiro universal!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Obras e culturas s\u00e3o colocadas em conex\u00f5es ileg\u00edtimas como se um determinado quadro fosse respons\u00e1vel pelas tintas que se encontram enquadradas em circunst\u00e2ncias doutros lugares e tempos. <\/strong>(Responsabilizam-se os outros para se desobrigar a si mesmo ou para se colocar no pedestal da moral.) Os esp\u00edritos dos mortos continuam a perseguir-nos como se a morte n\u00e3o fosse vida tamb\u00e9m. Critica-se o passado e a diferen\u00e7a, n\u00e3o para se ser mas apenas para subsistir. Na escolha dos factos e das obras que o artista apresenta, ele procura revelar-se nelas e ao mesmo tempo redescobrir-se na reac\u00e7\u00e3o do observador (p\u00fablico). Institui\u00e7\u00f5es e Exposi\u00e7\u00f5es como a Documentas, Bienais e que mais, d\u00e3o valor e significado \u00e0s obras e artistas que confirmam as pr\u00f3prias posi\u00e7\u00f5es e configura\u00e7\u00f5es da sua mundivis\u00e3o. S\u00f3 \u00e9 pena que o seu esp\u00edrito cr\u00edtico n\u00e3o se reconhe\u00e7a como mero momento da pr\u00f3pria necessidade de identifica\u00e7\u00e3o e auto-afirma\u00e7\u00e3o, muitas vezes \u00e0 custa do resto. A sua realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, tamb\u00e9m porque constitui uma possibilidade de autoan\u00e1lise e questiona\u00e7\u00e3o possibilitadora de delinea\u00e7\u00f5es mais alargadas. Os fen\u00f3menos cruzam-se nas fronteiras e o artista \u00e9 o trapezista que dan\u00e7a nelas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A arte, entre outras encena\u00e7\u00f5es, \u00e9 mais uma vis\u00e3o do real, num cen\u00e1rio de fundo indefinido e aberto. Tamb\u00e9m a realidade \u00e9 imagem fenomenal doutras dimens\u00f5es. Tudo imagens da imagem dum real num palco de imagens formado tamb\u00e9m por n\u00f3s. A vida \u00e9 s\u00edmbolo e vive dele num m\u00edtico acontecer que continuamente recria a sensa\u00e7\u00e3o de chegar a um real que a pr\u00f3pria experi\u00eancia cria. No abstrair da abstrac\u00e7\u00e3o talvez se chegue \u00e1 imagem dum real para l\u00e1 da percep\u00e7\u00e3o e do diz\u00edvel, na sar\u00e7a-ardente do \u201csou o que sou\u201d no tornar-me.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@gmail.com\">antoniocunhajusto@gmail.com<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PS\u00a0 Escrevi este ensaio na perspectiva duma filosofia da \u201cARC\u00c1DIA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Arte e Cultura em Di\u00e1logo\u201d. <a href=\"http:\/\/www.arcadia-portugal.com\">www.arcadia-portugal.com<\/a><\/p>\n<p>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSou o que sou\u201d no tornar-me. O n\u00f3s tamb\u00e9m aspira a ser eu \u00a0 Ant\u00f3nio Justo &nbsp; Resido na cidade de Kassel, o lugar da Documenta, que \u00e9 a maior Exposi\u00e7\u00e3o Mundial de Arte Contempor\u00e2nea. Acentuo a palavra lugar, porque este, numa perspectiva art\u00edstica poderia compreender-se como o s\u00edtio (atelier) da gr\u00e1vida a dar \u00e0 &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2304\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">ARTE ARTISTAS E OBSERVADORES (Ensaio)<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2304","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2304"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2304\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2305,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2304\/revisions\/2305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}