{"id":2299,"date":"2012-09-07T10:02:55","date_gmt":"2012-09-07T09:02:55","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2299"},"modified":"2012-09-07T10:24:06","modified_gmt":"2012-09-07T09:24:06","slug":"egipto-quo-vadis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2299","title":{"rendered":"EGIPTO QUO VADIS?"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>\u201cO Isl\u00e3o n\u00e3o oferece solu\u00e7\u00f5es\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u00a0Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p>\u201cSegundo estimativas de especialistas, os militares eg\u00edpcios, com pessoal em uniforme e civil, s\u00e3o hoje os maiores dadores de emprego no pa\u00eds\u201d, como descreve a not\u00e1vel revista alem\u00e3 \u201cCicero\u201d, August 2012, num artigo sobre o Egipto<strong>. O neg\u00f3cio dos generais cifra-se entre 10 e 40% da economia eg\u00edpcia, refere ainda a revista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Agora, com o islamista Mohammed Mursi na presid\u00eancia, os militares perderam influ\u00eancia no aparelho do Estado.<\/strong> Apesar disto, Mursi (que vem do seio da radical Irmandade Mu\u00e7ulmana), ter\u00e1 de se moderar nas suas pretens\u00f5es de maior islamiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, se pretende conseguir impulsionar a economia que s\u00f3 ser\u00e1 vi\u00e1vel num clima de estabilidade pol\u00edtica e social. Tamb\u00e9m n\u00e3o poder\u00e1 renunciar \u00e0s receitas do turismo, outro factor modernizador a domar o zelo e a f\u00faria inicial de for\u00e7as islamistas que pretendiam irradiar da cultura eg\u00edpcia o que n\u00e3o fosse isl\u00e2mico.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m a rivalidade vigente, entre o Tribunal Constitucional, Militares e Presidente, pode revelar-se como factor moderador das inten\u00e7\u00f5es do Presidente e impedir confronta\u00e7\u00f5es.<\/strong> Entretanto os islamistas, com a sua maioria parlamentar, demonstraram que n\u00e3o tinham solu\u00e7\u00f5es para os problemas do pa\u00eds: alimenta\u00e7\u00e3o, escola e hospital. At\u00e9 setembro ter\u00e1 de ser elaborada uma nova constitui\u00e7\u00e3o a ser aprovada por plebiscito.<\/p>\n<p>\u201cO Isl\u00e3o n\u00e3o oferece solu\u00e7\u00f5es\u201d disse Amr Mohammed Musa, Ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros do Egipto em entrevista a \u201cC\u00edcero\u201d. Amr Musa \u00a0foi escolhido para ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, a desejo dos militares, para indicar uma certa continuidade pr\u00f3-ocidental e que a pol\u00edtica anti-israelita n\u00e3o ser\u00e1 o caminho da pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>O ministro dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social (estatais) \u00e9 Salahedin al Maksud, tamb\u00e9m ele, membro eminente da Irmandade Mu\u00e7ulmana. O programa de promo\u00e7\u00e3o do islamismo encontra-se assim em boas m\u00e3os. <strong>Uma inova\u00e7\u00e3o da TV estatal eg\u00edpcia revelou-se no facto de o notici\u00e1rio passar a ser apresentado, depois de 50 anos, por uma jornalista com v\u00e9u isl\u00e2mico na cabe\u00e7a. Esta inova\u00e7\u00e3o foi exibida como sendo uma \u201cvit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de 25 de Janeiro\u201d.<\/strong> A agenda da \u201cIrmandade Mu\u00e7ulmana\u201d \u00e9 longa; agora que se encontra no poder, exerc\u00ea-lo-\u00e1 com decretos, n\u00e3o precisando, para j\u00e1, de recorrer \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica. Entretanto a censura acentua-se e a inseguran\u00e7a nas comunidades n\u00e3o mu\u00e7ulmanas tamb\u00e9m. <strong>O objectivo declarado da Irmandade Mu\u00e7ulmana fundada em 1928 \u00e9 estabelecer uma ordem social subjugada \u00e0 moral do Cor\u00e3o e \u00e0 jurisprud\u00eancia da Sharia isl\u00e2mica. <\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Informa\u00e7\u00e3o estrutural enganosa ou factual descontextuada<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Nos sistemas mu\u00e7ulmanos, a forma\u00e7\u00e3o de uma oligarquia militar corresponde, por vezes, por muito contradit\u00f3rio que pare\u00e7a, a um elemento diferenciador duma sociedade de cunho religioso monol\u00edtico e hegem\u00f3nico onde perspectivas seculares civis se tornam dif\u00edceis. <strong>Os militares, tal como na Turquia, formam como que uma pequena nobreza, que se tem revelado como elemento correctivo do islamismo absorvente e omnipresente. <\/strong>Ao contr\u00e1rio da democracia ocidental que favorece a altern\u00e2ncia dos partidos mais fortes no governo, o sistema hegem\u00f3nico mu\u00e7ulmano favorece o fen\u00f3meno dual: dum lado os militares e do outro, os imames (cabe\u00e7as das mesquitas: o seu poder de mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pode verificar-se nas demonstra\u00e7\u00f5es organizadas e realizadas \u00e0s sextas-feiras logo a seguir \u00e0s ora\u00e7\u00f5es nas mesquitas) e a revolta terrorista. Por muito estranho que pare\u00e7a os militares t\u00eam-se revelado como parceiros mais s\u00e9rios em rela\u00e7\u00e3o ao estrangeiro atendendo aos interesses comuns. De lembrar, neste contexto o ataque sistem\u00e1tico dos grupos isl\u00e2micos radicais contra a forma\u00e7\u00e3o de ex\u00e9rcitos e a organiza\u00e7\u00e3o policial estatal, no Afeganist\u00e3o, Iraque, etc.<\/p>\n<p>Se aos pa\u00edses ocidentais, o que mais os une \u00e9 o sistema liberal capitalista (competi\u00e7\u00e3o em torno do trabalho\/consumo), aos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos\/\u00e1rabes une-os a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana que \u00e9 ao mesmo tempo programa de vida e ideal pol\u00edtico\u2026<\/p>\n<p><strong>Nas sociedades mu\u00e7ulmanas n\u00e3o se tem revelado poss\u00edvel o desenvolvimento duma cultura c\u00edvica\/secular (possibilitadora duma democracia aberta) por raz\u00f5es teol\u00f3gicas, antropol\u00f3gicas e sociol\u00f3gicas.<\/strong> Enquanto o ocidente se orienta pela f\u00f3rmula crist\u00e3 \u201cdai a Deus o que \u00e9 de Deus e a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d (princ\u00edpio de distin\u00e7\u00e3o entre realidade secular e realidade religiosa: Homem por um lado como ser divino e por outro como ser secular), as sociedades de cunho \u00e1rabe n\u00e3o conhecem esta dualidade deixando tudo para Deus, sem nada para o Homem numa atitude de s\u00fabdito e, consequentemente, de ser definido e controlado apenas pela religi\u00e3o. <strong>A mitologia ocidental ao conceber o Homem como filho de Deus reconhece no Homem os genes divinos e consequentemente o direito do Homem \u00e0 individua\u00e7\u00e3o e \u00e0 personaliza\u00e7\u00e3o. No Isl\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 o conceito de Homem como filho de Deus nem t\u00e3o-pouco o Homem pode ter comunh\u00e3o com Al\u00e1 tanto no aqu\u00e9m como no al\u00e9m.<\/strong> Isto ocasiona diferentes antropologias e diferentes sociologias, com as consequentes maneiras de estar no mundo e de se compreender o Homem e a pol\u00edtica. <strong>Se nos pa\u00edses de influ\u00eancia crist\u00e3 o Homem \u00e9 concebido como ser aut\u00f3nomo, anterior ao religioso, nos pa\u00edses de influ\u00eancia isl\u00e2mica o Homem \u00e9 concebido como s\u00fabdito, s\u00f3 tendo sentido dentro do religioso, da Uma (a grande comunidade isl\u00e2mica). <\/strong>Aqui, o ser humano individual n\u00e3o tem consist\u00eancia pessoal, s\u00f3 grupal. Da\u00ed o facto de, quando se fala em democracia, assim como quando se fala em direitos humanos, os ocidentais e os \u00e1rabes compreenderem coisas totalmente diferentes.<\/p>\n<p>Geralmente, os jornalistas e os pol\u00edticos ocidentais, quando avaliam os acontecimentos nos estados \u00e1rabes e quando falam de integra\u00e7\u00e3o de estrangeiros equivocam-se porque julgam que as palavras e as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas duma cultura s\u00e3o equivalentes \u00e0s da outra, quando, muitas vezes expressam precisamente o contr\u00e1rio do que se diz delas. <strong>Enquanto o Ocidente aposta sobretudo na for\u00e7a militar e na expans\u00e3o econ\u00f3mica os pa\u00edses de influ\u00eancia \u00e1rabe apostam tudo na religi\u00e3o e na expans\u00e3o da procria\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>O entusiasmo e optimismo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidental nas not\u00edcias sobre o Norte de \u00c1frica e outros conflitos internacionais leva o p\u00fablico a avalia\u00e7\u00f5es n\u00e3o aferidas \u00e0 realidade meramente factual.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o publicada, al\u00e9m de ser equacionada em perspectivas pol\u00edticas condicionadas pela pr\u00f3pria localiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sofre do equ\u00edvoco de falar de realidades que, muitas vezes, n\u00e3o passam de projec\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria mundivis\u00e3o sobre a dos outros. Temos assim uma informa\u00e7\u00e3o estrutural do satus quo enganosa ou factual descontextuada.<\/p>\n<p>Por vezes tem-se a impress\u00e3o de se viver no s\u00e9culo V do imp\u00e9rio romano, assolado, ao mesmo tempo, interna e externamente. Os tempos que se aproximam para o norte de \u00c1frica e para a Europa pressagiam muita instabilidade! Todos ter\u00e3o de mudar muito a n\u00edvel de mentalidades e de estrat\u00e9gias de poder!<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@gmail.com\">antoniocunhajusto@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO Isl\u00e3o n\u00e3o oferece solu\u00e7\u00f5es\u201d \u00a0Ant\u00f3nio Justo \u201cSegundo estimativas de especialistas, os militares eg\u00edpcios, com pessoal em uniforme e civil, s\u00e3o hoje os maiores dadores de emprego no pa\u00eds\u201d, como descreve a not\u00e1vel revista alem\u00e3 \u201cCicero\u201d, August 2012, num artigo sobre o Egipto. 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