{"id":2290,"date":"2012-08-15T16:28:16","date_gmt":"2012-08-15T15:28:16","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2290"},"modified":"2012-08-15T20:44:47","modified_gmt":"2012-08-15T19:44:47","slug":"documenta-documenta-documenta-13","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2290","title":{"rendered":"DOCUMENTA documenta  dOCUMENTA (13)"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Maior Exposi\u00e7\u00e3o mundial de Arte Contempor\u00e2nea<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Na provisoriedade de cada orienta\u00e7\u00e3o, a dOCUMENTA (13) quer ser uma orienta\u00e7\u00e3o desorientada. Serve a investiga\u00e7\u00e3o art\u00edstica aplicando-se \u00e0s formas da natureza, do intelecto e da vida pretendendo informar sem formar. Tamb\u00e9m se quer sentir humana desde que\u00a0 na pele do s\u00edmio. Pretende estabelecer uma alian\u00e7a entre os diferentes dom\u00ednios que v\u00e3o do sensual ao especulativo, da pr\u00e1tica \u00e0 teoria, do pol\u00edtico \u00e0 ecologia. <strong>Esta dOCUMENTA quer conhecer sem reconhecer, desejando assim ser integral sem se tornar integradora nem parte integrante.<\/strong> Contenta-se com a vaidade e o histerismo do momento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kassel, uma cidade de prov\u00edncia da Alemanha, com 200.000 habitantes, consegue ser, de quatro em quatro anos, o centro de peregrinagem, por cem dias (desta vez, de 9.06 a 16.09.2012), dum p\u00fablico que ronda o milh\u00e3o de visitantes; este confere, durante esse tempo, um ar ex\u00f3tico \u00e0 cidade. Kassel quer-se metr\u00f3pole ao tornar-se o templo, o lugar de estadia que procura conectar todos os espa\u00e7os e express\u00f5es: do f\u00edsico ao psicol\u00f3gico, ao cultural, ao hist\u00f3rico, ao tecnol\u00f3gico, do real ao fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pretende ser o v\u00ednculo dos lugares e dos feitores da arte contempor\u00e2nea a n\u00edvel mundial. Numa palavra, para quem vive nesta linda cidade: <strong>pretende ser o umbigo do organismo art\u00edstico global.<\/strong> Um umbigo j\u00e1 elevado, atendendo ao estado avan\u00e7ado de gravidez, pr\u00f3prio de artistas e especialmente devido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da chefe absoluta da Documenta, Carolyn Christov-Bakargiew, que se encontra em cont\u00ednuo de estado de gra\u00e7a e em \u201cestado de esperan\u00e7a\u201d. Nos seus enjoos de estado n\u00e3o admite parteiras na grande sala de parto. Segundo ela, os artistas n\u00e3o devem estar presentes na discuss\u00e3o p\u00fablica para que os seus objectos de arte n\u00e3o sejam perturbados por outros objectos de aten\u00e7\u00e3o, salvo o seu papel de matrona.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De facto, a arte, como acto criativo, \u00e9 um cont\u00ednuo estado de parto, muitas vezes sem a responsabilidade de ter de se preocupar com o objecto parido nem com o seu sentido. \u00c9-lhe suficiente o momento da mudan\u00e7a e de conex\u00e3o sem se fixar no lugar porque este poder-se-ia tornar em limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica duma realidade que ultrapassa a possibilidade dos sentidos. Aqui arte e religi\u00e3o tocam-se mostrando-se aquela intolerante perante esta. (Recordar o conflito da escultura da torre, do artista Stephan Balkenhof, que na torre duma igreja estragava o conceito da Documenta 13.)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Daqui a necessidade duma orienta\u00e7\u00e3o desorientada que, por mal dos seus pecados, tem de se socorrer de objectos de arte bem f\u00edsicos mas aproveitados e alargados pelo intelecto. O intelecto torna-se aqui uma necessidade para que o lugar criativo tenha um tecto num lugar que se pretende considerar como o espa\u00e7o universal onde toda a esp\u00e9cie de parto \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um problema da dOCUMENTA ser\u00e1 n\u00e3o poder transpor o espa\u00e7o e o tempo. O ser s\u00f3 se apreende situado, significando, por isso mesmo, no seu ser-aqui, limita\u00e7\u00e3o. O problema do acto criativo n\u00e3o est\u00e1 no acto criador em si mas no seu tempo e na sua roupagem\u2026 Temos de nos contentar com a roupagem e falar de roupas ganhando assim, nesse proceder, a impress\u00e3o, de transcender o pr\u00f3prio vestido. Tamb\u00e9m por isso, o artista \u00e9 um eterno insatisfeito, tendo de se reduzir a produzir o epis\u00f3dico, a gerar apenas Hist\u00f3ria, podendo apenas imergir na sua roupagem, muito embora na procura do seu esp\u00edrito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Direc\u00e7\u00e3o da dOCUMENTA, para criar mais fasc\u00ednio, pelos objectos de arte expostos no exterior, associa-lhes hist\u00f3rias dirigidas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o intelectual, dado o objecto nu, sem a roupagem intelectual, deixar falar apenas a pr\u00f3pria nudez num mundo que se quer tudo mais. menos inocente. Aqui tudo se torna objecto, objecto para cobrir e encobrir. <strong>O observador, esse, \u00e9 objecto de arte e o artista o seu complemento.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria tamb\u00e9m se escreve com a arte e especialmente com o amor aos factos e aos objectos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na dOCUMENTA encontra-se muita arte, muitos artistas e tamb\u00e9m pensadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@gmail.com\">antoniocunhajusto@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.arcadia-portugal.com\">www.arcadia-portugal.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maior Exposi\u00e7\u00e3o mundial de Arte Contempor\u00e2nea &nbsp; Ant\u00f3nio Justo Na provisoriedade de cada orienta\u00e7\u00e3o, a dOCUMENTA (13) quer ser uma orienta\u00e7\u00e3o desorientada. 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