{"id":2276,"date":"2012-07-13T22:53:59","date_gmt":"2012-07-13T21:53:59","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2276"},"modified":"2012-07-21T15:04:03","modified_gmt":"2012-07-21T14:04:03","slug":"inauguracao-da-associacao-arcadia-e-vernissage-da-pintora-carola-justo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2276","title":{"rendered":"Inaugura\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o ARC\u00c1DIA e Vernissage da Pintora Carola Justo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Inaugura\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o ARC\u00c1DIA e Vernissage da Pintora Carola Justo intitulada \u201cA Terra \u00e9 feita de C\u00e9u\u201d (8 de julho de 2012)<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0No dia 8 de Julho de 2012, pelas 16 horas, realizou-se a inaugura\u00e7\u00e3o da \u201cARC\u00c1DIA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Arte e Cultura em Di\u00e1logo\u201d na Quinta \u201cOuteiro da Luz\u201d em Chaque (Branca) com uma vernissage de quadros da pintora Carola Justo. Estiveram presentes cerca de 150 visitantes, entre eles professores de universidades de Lisboa e Coimbra, a Eng\u00aa. Doroteia S\u00e3, representante da C\u00e2mara de Oliveira de Azem\u00e9is, a Dra. Rosa Tom\u00e1s, vereadora da Cultura e da Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Anadia, o presidente da Junta da Freguesia, Fernando Ferreira, e v\u00e1rios representantes de Comunica\u00e7\u00e3o Social e de v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es locais e regionais. O presidente da ARC\u00c1DIA, Dr. Ant\u00f3nio Justo, apresentou a filosofia, as metas e projetos futuros da ARC\u00c1DIA. A ARC\u00c1DIA \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos de proje\u00e7\u00e3o suprarregional. O Dr. Jos\u00e9 Augusto Fernandes fez a laudatio da exposi\u00e7\u00e3o. Disse que a pintora tem um estilo muito original e inconfund\u00edvel. \u201cOs seus quadros t\u00eam um efeito terap\u00eautico.\u201d A pintora Carola Justo discursou brilhantemente sobre a \u201cfonte da criatividade\u201d. O enquadramento musical esteve a cargo dos guitarristas Rui Martins e Dr. Carlos Teixeira. A vice-presidente, Dra. Dulcineia Loureiro, moderou o evento. Os quadros da pintora alem\u00e3 Carola Justo tiveram um eco muito positivo nos visitantes. A pintora, esposa do presidente e fundador da ARC\u00c1DIA, j\u00e1 fez cerca de 50 exposi\u00e7\u00f5es na Alemanha e em pa\u00edses estrangeiros, com muito boas cr\u00edticas por jornalistas de jornais da especialidade e revistas. A exposi\u00e7\u00e3o continua at\u00e9 3 de Agosto. Encontra-se aberta ao p\u00fablico aos domingos das 10 \u00e0s 12 e das 14 \u00e0s 18 horas, \u00e0s segundas e aos s\u00e1bados das 9 \u00e0s 12 horas e fora dessas horas segundo acordo telef\u00f3nico: 963994458.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>I<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Discurso inaugural do presidente da ARC\u00c1DIA<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Minhas Senhoras e meus Senhores Caros \u00e1rcades, prezados amigos: \u00c9 com muita satisfa\u00e7\u00e3o e alegria que em nome da \u201cARC\u00c1DIA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Arte e Cultura em Di\u00e1logo\u201d tenho a honra de saudar um p\u00fablico t\u00e3o distinto e interessado e de agradecer a sua compar\u00eancia. Bem-vindos \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o da ARC\u00c1DIA e \u00e0 Vernissage de Carola Justo. A Dire\u00e7\u00e3o da ARC\u00c1DIA sa\u00fada expressamente a Eng\u00aa. Doroteia S\u00e3, representante da C\u00e2mara Municipal de Oliveira de Azem\u00e9is, a Dra. Rosa Tom\u00e1s, vereadora da Cultura e Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal de Anadia, o presidente da Junta da Freguesia, Fernando Ferreira, os representantes da imprensa e os representantes das associa\u00e7\u00f5es: Dona D\u00e1lia pela Probranca, Jos\u00e9 Marques pela Auranca, Jos\u00e9 Manuel Vieira pelo CDB, Dona Preciosa Cam\u00f5es Sobral, pelos Escuteiros, Dona Rosa Ferreira pelos Ecos da Mem\u00f3ria, Dr. Jos\u00e9 Cerca pela Irmandade Santa Mafalda, Altino Pires, pela Comunica\u00e7\u00e3o Social, bem como o Professor Doutor Joaquim Teixeira, o Professor Dr. Hor\u00e1cio Peixeiro e o Professor Doutor Quadrado Gil. Um agradecimento especial a todos os membros da Dire\u00e7\u00e3o da ARC\u00c1DIA que se empenharam para que este evento se tornasse realidade e aos amigos que de longe aqui se deslocaram. Caros presentes: Como associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos queremos ser uma casa de todos, uma casa de porta-aberta onde se pretende contribuir para o fomento cultural e art\u00edstico numa estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o de pessoas, iniciativas, associa\u00e7\u00f5es e coletividades a n\u00edvel local, regional, nacional e internacional. Conscientes de que a cultura e a arte n\u00e3o s\u00e3o espa\u00e7os economicamente privilegiados, a minha esposa e eu disponibilizam, gratuitamente, espa\u00e7os da quinta para atividades da ARC\u00c1DIA.<\/p>\n<p>Pretendemos, por iniciativa pr\u00f3pria ou em parceria, realizar a\u00e7\u00f5es, iniciativas, projetos e estabelecer pontes de di\u00e1logo nos sectores da arte e da cultura,<br \/>\nfazendo interc\u00e2mbio entre artistas e associa\u00e7\u00f5es, localidades, institui\u00e7\u00f5es e multiplicadores da cultura e da arte. Pretendemos ser tamb\u00e9m uma plataforma de implementa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de pessoas que privadamente criam arte ou iniciativas que mereceriam o reconhecimento p\u00fablico\u2026 No respeitante \u00e0s artes pl\u00e1sticas, artistas de perto e de longe t\u00eam a oportunidade de exporem as suas obras na Galeria ARC\u00c1DIA e no Ateli\u00ea. Para artistas de longe a ARC\u00c1DIA tem o projeto F\u00e9rias ExTra, que proporciona passar f\u00e9rias, trabalhar e expor (pintura, escultura, etc.). Seria interessante se consegu\u00edssemos artistas do estrangeiro a expor em Portugal e artistas portugueses a expor no estrangeiro (Interc\u00e2mbio). Entre outras iniciativas temos \u201cSer\u00f5es Culturais\u201d de cultura e arte ao vivo. Destes poder\u00e3o nascer tert\u00falias musicais, liter\u00e1rias (poesia), teatro, etc. Pensa-se introduzir uma certa regularidade nos \u201cSer\u00f5es Culturais\u201d. O pr\u00f3ximo ser\u00e1 aqui no dia 27 de Julho, pelas 21 horas. A Associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tenciona organizar grupos de trabalho espec\u00edficos ligados a projetos, iniciativas, confer\u00eancias e atividades v\u00e1rias. N\u00e3o queremos fazer tudo nem ser concorrentes de ningu\u00e9m. Para isso j\u00e1 h\u00e1 muitas associa\u00e7\u00f5es com trabalho importante. Queremos qualidade e dirigimo-nos especialmente a um p\u00fablico exigente e criativo, a um p\u00fablico que, mais que espectador, \u00e9 agente e multiplicador cultural e social. Como exemplo de atividade que pretendemos realizar, refiro um projeto que tencionamos iniciar com o seguinte t\u00edtulo: \u201cAdolescentes e Jovens escrevem Hist\u00f3ria\u201d. Apoiados por um cat\u00e1logo de perguntas os jovens documentariam a vida dos av\u00f3s (e pessoas a partir dos 60) em que estes falariam das experi\u00eancias da sua vida e diriam o que t\u00eam para nos comunicar sobre a vida (j\u00e1 que n\u00e3o lhes falta sabedoria para nos transmitir). Aqui, os jovens entrevistadores poderiam descrever tamb\u00e9m a sua viv\u00eancia pessoal com eles e reuniriam fotos documentais. Textos e fotos seriam expostos aqui na Galeria Arc\u00e1dia e, depois, em colabora\u00e7\u00e3o a combinar com peritos, com a junta de Freguesia, C\u00e2mara Municipal e Bancos, etc., poderia ser publicado um livro com os trabalhos escolhidos. Paralelamente ao projeto \u201cAdolescentes e Jovens escrevem Hist\u00f3ria\u201d poder-se-ia elaborar um outro projeto, que seria: \u201cCrian\u00e7as escrevem hist\u00f3rias\u201d.<\/p>\n<p>Um outro exemplo de iniciativa a concretizar poderia ser o seguinte: fazer uma exposi\u00e7\u00e3o conjunta de artistas que apresentam obras elaboradas a partir de produtos de reciclagem e convidar tamb\u00e9m professores e alunos de escolas e jardins de inf\u00e2ncia a visitarem essa exposi\u00e7\u00e3o, com a finalidade posterior de crian\u00e7as e jovens elaborarem obras a partir de coisas que se deitam para o lixo ou para o ferro-velho. Tal projeto realizar-se-ia aqui na quinta sob a orienta\u00e7\u00e3o de artistas e membros da ARC\u00c1DIA. Um outro projeto, semelhante ao primeiro que apresentei, seria mais complexo, a organizar mais tarde e depois de recolhido o conselho de departamentos municipais da cultura: \u201cOs Traumas da Guerra do Ultramar\u201d. Um outro projeto intermunicipal seria a organiza\u00e7\u00e3o de uma via art\u00edstica em que os artistas de cada localidade participariam num projeto conjunto com exposi\u00e7\u00f5es locais a serem visitados pelas pessoas das diferentes terras e com palestras em cada local relativas a cada exposi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e ao conjunto das exposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A FILOSOFIA DA ARC\u00c1DIA \u2013 Partimos de uma vis\u00e3o de vida integral, n\u00e3o fragmentada em verdadeiro e falso; encaramos a vida toda, pois a vida s\u00f3 no seu todo \u00e9 verdade; isto pressup\u00f5e o esfor\u00e7o por uma vida fora de categorias ideol\u00f3gicas, de classe ou ra\u00e7a, num esp\u00edrito de entrega ao Belo e ao Bem dos outros que s\u00e3o d\u00e1diva. Nos outros est\u00e1 cada um de n\u00f3s tamb\u00e9m, num encontro de um eu e de um tu que nasce e se realiza no n\u00f3s. Como base da ordem de trabalho da ARC\u00c1DIA imagino uma mentalidade do \u201cn\u00f3s\u201d. O \u201cn\u00f3s\u201d \u00e9 o ponto de partida e de chegada do nosso pensar e agir. Isto pressup\u00f5e uma atitude de vida em progress\u00e3o, em que a dial\u00e9tica de autoafirma\u00e7\u00e3o pela contradi\u00e7\u00e3o se pressup\u00f5e como estrat\u00e9gia num processamento de integra\u00e7\u00e3o do que aparentemente parece contradit\u00f3rio. Passar da atitude e estrat\u00e9gia do \u201cou\u2026ou\u2026\u201d para a atitude do \u201cn\u00e3o s\u00f3\u2026 mas tamb\u00e9m\u201d, do \u201cpor um lado\u2026 mas por outro lado\u2026\u201d para uma vis\u00e3o nova integral, uma vis\u00e3o aberta da realidade e dos factos. A Palavra ARC\u00c1DIA, form\u00e1mo-la a partir das palavras iniciais AR (de arte) + C\u00c1 (de cultura) e DI\u00c1 (de di\u00e1logo): Arte e Cultura em Di\u00e1logo. A Arc\u00e1dia hist\u00f3rica era uma academia que em Roma, em 1690, abrangia um c\u00edrculo de poetas, cientistas, fil\u00f3sofos e escritores. Numa era em que o sentimento sufocava a raz\u00e3o, pretendiam os \u00e1rcades voltar \u00e0 simplicidade cl\u00e1ssica nas obras de arte, no esp\u00edrito do bem, do belo e da eleg\u00e2ncia, da tradi\u00e7\u00e3o de Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles sintetizada em Descartes. Tamb\u00e9m houve a Arc\u00e1dia Lusitana, criada em 1756, que queria combater o \u201cmau gosto\u201d liter\u00e1rio do s\u00e9c. XVII. Almeida Garrett foi disc\u00edpulo da Arc\u00e1dia. Sentimos hoje, \u00e0 nossa maneira, a preocupa\u00e7\u00e3o dos antigos \u00e1rcades, especialmente no que respeita ao esp\u00edrito criativo inovador e ao respeito pelo bi\u00f3topo cultural regional e nacional. Somos uma associa\u00e7\u00e3o aberta e agradecemos as vossas sugest\u00f5es e colabora\u00e7\u00e3o. Muito obrigado. Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo (Presidente e fundador da ARC\u00c1DIA) www.arcadia-portugal.com http:\/\/www.facebook.com\/arcadiaportugal<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<span style=\"font-size: large;\"><strong>II <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Laudatio do Pe. Dr. Jos\u00e9 Augusto Fernandes na Vernissage de Carola Justo intitulada \u201cA Terra \u00e9 feita de C\u00e9u\u201d, na Galeria Arc\u00e1dia da Quinta \u201cOuteiro da Luz\u201d (Chaque, Branca)<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u00a0A pintora Carola Justo nasceu em 1955 no Sul da Alemanha, na Baviera. Viveu a inf\u00e2ncia numa linda vila termal. O pai era decorador de casas e, por algum tempo, teve um segundo emprego como acordeonista. A m\u00e3e emigrou como refugiada da Rep\u00fablica Checa para a Alemanha, depois da Segunda Guerra Mundial. A beleza foi um valor constante e muito importante na fam\u00edlia. Foi na idade de 13 anos que a Carola Justo come\u00e7ou a interessar-se pelas Belas Artes ao observar um dia uma pintura chinesa, que mostrava um simples ramo com um pardal nele pousado. O quadro impressionou-a profundamente. Refere acerca desse momento: \u201cFoi a minha primeira experi\u00eancia de arte.\u201d Foi assim que, aos 13 anos, a Carola decidiu frequentar o primeiro curso de pintura, um curso para adultos. O pintor era expressionista e, segundo a mesma, ajudou-a a entender a arte. A\u00ed come\u00e7ou a sua atra\u00e7\u00e3o pelo impressionismo e pelo expressionismo. Os pais n\u00e3o apoiaram o desejo da Carola de seguir belas-artes na Universidade. Acabou por formar-se em pedagogia social e filosofia. Foi nessa altura que conheceu o Ant\u00f3nio Justo, aquele que mais tarde se tornou seu marido. O casal Justo tem 4 filhos. Os 3 filhos adultos exercem todos profiss\u00f5es pedag\u00f3gicas e todos desenvolvem algum talento art\u00edstico: ou m\u00fasica ou pintura. A filha mais velha \u00e9 atriz, cantora e pedagoga de teatro. Entre 1982 e 1984 a Carola Justo formou-se tamb\u00e9m em terapia familiar. Algum tempo depois era coeditora duma revista regional, onde publicou igualmente artigos e contos da pr\u00f3pria autoria.<\/p>\n<p>Contemporaneamente ao servi\u00e7o de docente de l\u00ednguas na Universidade Popular, ap\u00f3s o nascimento do terceiro filho, tornou-se tamb\u00e9m estudante em v\u00e1rios Cursos de Pintura durante muitos anos. Em 1997 come\u00e7ou a expor os pr\u00f3prios quadros. At\u00e9 hoje tem j\u00e1 cerca de 50 exposi\u00e7\u00f5es no seu portf\u00f3lio. Com v\u00e1rios pintores a Carola Justo aprendeu sucessivamente as t\u00e9cnicas de pintura a \u00f3leo, a aguarela, a t\u00e9cnica de desenho e, finalmente, a t\u00e9cnica de pintura a tinta acr\u00edlica. At\u00e9 1996 pintou apenas quadros realistas. No entanto, j\u00e1 quanto era estudante de pintura, sempre desejou ultrapassar o realismo e encontrar um estilo pr\u00f3prio. Nas suas palavras, \u201co estilo pr\u00f3prio n\u00e3o \u00e9 algo que se possa for\u00e7ar. Ou vem ou n\u00e3o vem. \u00c9 uma gra\u00e7a um artista encontrar o seu pr\u00f3prio estilo original.\u201d E acabou por vir. Porqu\u00ea ultrapassar o realismo? Sem d\u00favida que \u00e9 admir\u00e1vel a boa arte de pintar fotorrealisticamente. No entanto, o realismo nunca pode transmitir a sensa\u00e7\u00e3o do misterioso e n\u00e3o tem a capacidade de surpreender. Desde a inven\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina fotogr\u00e1fica, o realismo perdeu o seu valor. Deixou de ser necess\u00e1rio documentar pela pintura a realidade exterior. O verdadeiro papel da pintura \u00e9 expressar a realidade interior, dando, sobretudo, acesso ao mist\u00e9rio e \u00e0 surpresa. Foi esta necessidade que levou a Carola a abandonar o realismo. Acontece que, em 1992, a Carola Justo ficou completamente entusiasmada com uma exposi\u00e7\u00e3o de pintura a acr\u00edlico de um pintor indiano moderno. Decis\u00e3o imediata: \u201cNo futuro o acr\u00edlico ser\u00e1 a minha tinta\u201d. A partir daquele momento deixou de vez o \u00f3leo e mudou para a tinta acr\u00edlica. Foi nesse mesmo ano de 1992 que come\u00e7ou a surgir o estilo pr\u00f3prio que, pouco a pouco, se desenvolveu e aperfei\u00e7oou at\u00e9 hoje. A \u00f3leo nunca mais pintou. Algumas palavras suas para elucidar esta mudan\u00e7a: \u201cUma experi\u00eancia entusiasmante de arte pode tocar profundamente o cora\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mudar a pr\u00f3pria vida. As grandes mudan\u00e7as aconteceram comigo na inf\u00e2ncia e em 1992. Naturalmente que a porta da inspira\u00e7\u00e3o nunca fica fechada. Surge sempre quando se contemplam obras de arte inspiradas.\u201d<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu ainda no ano de 1992, quando, numa exposi\u00e7\u00e3o, contemplava quadros de um conhecido pintor austr\u00edaco, Hundertwasser. Estes quadros deram-lhe renovada coragem para exprimir o que j\u00e1 tinha no cora\u00e7\u00e3o: cores fortes e paisagens de fantasia. No in\u00edcio, o estilo da Carola era algo semelhante ao de Hundertwasser, como ali\u00e1s foi referido por jornalistas que comentaram a sua primeira exposi\u00e7\u00e3o, que teve lugar na sede da Comiss\u00e3o Europeia em Bruxelas. Depois desenvolveu cada vez mais um estilo pr\u00f3prio, dif\u00edcil de subordinar a estilos de outros. Tem elementos da Arte Nova, por vezes ainda com semelhan\u00e7as a Hundertwasser ou Kandinsky, mas o seu estilo \u00e9 mesmo original e, em grande parte das suas obras, \u00e9 mesmo dif\u00edcil de encontrar um percursor. Ressalvada esta porta de inspira\u00e7\u00e3o, sempre poss\u00edvel, atrav\u00e9s da contempla\u00e7\u00e3o de obras significativas de outros artistas, a inspira\u00e7\u00e3o de Carola Justo vem-lhe normalmente do ambiente em que se encontra no dia a dia. Embora o clima da regi\u00e3o onde vive seja habitualmente chuvoso e escuro, a sua criatividade nada sofre porque vive das cores fortes que lhe v\u00eam de dentro. Os passeios di\u00e1rios na natureza s\u00e3o mesmo fundamentais, tal como a medita\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m faz diariamente. Um par\u00eantesis para uma arte de outro tipo da Carola. Al\u00e9m de pintora, tamb\u00e9m \u00e9 docente de medita\u00e7\u00e3o na Universidade Popular de Kassel e d\u00e1 in\u00fameros cursos de medita\u00e7\u00e3o em mosteiros. Nos quadros de Carola Justo nota-se bem a sua liga\u00e7\u00e3o e amor \u00e0 natureza. Nas palavras de um historiador de arte, o Prof. Dr. Leo Weber: \u201cO grande tema da pintura da Carola \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o (Vernetzung).\u201d A liga\u00e7\u00e3o de tudo com tudo, especialmente a liga\u00e7\u00e3o do homem com a natureza. A Carola n\u00e3o gosta de falar diretamente do meio ambiente, mas sim da cria\u00e7\u00e3o. Os homens, os animais e as plantas, para ela, fazem parte de uma grande fam\u00edlia. A sua obra quer ser uma oposi\u00e7\u00e3o clara ao desrespeito pelas pessoas, animais e plantas que gra\u00e7a em todo o mundo. A sua obra valoriza e acaricia toda a natureza.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore, s\u00edmbolo da vida, faz figura em muitos dos seus quadros. A \u00e1rvore significa crescimento, enraizamento e alinhamento pelo c\u00e9u. Podemos compreender os conte\u00fados dos seus quadros n\u00e3o tanto como simples figuras mas como s\u00edmbolos. Por exemplo, a menor\u00e1, o candelabro judaico de sete bra\u00e7os, aparece frequentemente. Na menor\u00e1 a Carola v\u00ea uma \u00e1rvore, e v\u00ea tamb\u00e9m uma cruz escondida ou ent\u00e3o sete bra\u00e7os que se esticam para o c\u00e9u. Significa luz. A vela do bra\u00e7o do centro serve para acender as outras velas com a pr\u00f3pria chama. Quatro dos seus bra\u00e7os tamb\u00e9m significam os pontos cardiais e os restantes dois bra\u00e7os significam a terra e o c\u00e9u. A menor\u00e1, tal como a cruz, \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o da Terra e do Homem com o c\u00e9u e \u00e9 um s\u00edmbolo que se usou nos primeiros tempos do cristianismo em liga\u00e7\u00e3o com o s\u00edmbolo do peixe. A cruz tamb\u00e9m aparece mais ou menos escondida em muitos dos quadros da Carola Justo. Ela confidenciou-me que come\u00e7a muitos dos seus quadros pintando uma simples cruz, partindo da\u00ed para desenvolver o motivo. A cruz, que para muitos se tornou apenas num s\u00edmbolo de sofrimento e de morte, na realidade \u00e9 um s\u00edmbolo da vida. \u00c9 duplamente s\u00edmbolo da vida, primeiro porque significa Ressurei\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m porque exprime a uni\u00e3o dos polos: do masculino e do feminino, do c\u00e9u e da terra. Tr\u00eas dos seus quadros s\u00e3o muito verticais, muito estendidos para o c\u00e9u (altura de 90 cm, largura 20 cm). Mostram cruzes que t\u00eam no meio um c\u00edrculo vermelho: o cora\u00e7\u00e3o ou o n\u00facleo das coisas (\u201cder Kern der Dinge\u201d). O cora\u00e7\u00e3o encontra-se no cruzamento do vertical com o horizontal. A tend\u00eancia de Carola Justo para pintar muitas vezes o s\u00edmbolo da menor\u00e1 tamb\u00e9m tem a ver com a sua inclina\u00e7\u00e3o pessoal pelo n\u00famero 7, n\u00famero m\u00edstico. Nos quadros encontram-se muitas vezes 7 linhas, 7 troncos, 7 p\u00e9talas ou 7 c\u00edrculos. N\u00e3o servir\u00e3o certamente estas explica\u00e7\u00f5es para iniciar a contempla\u00e7\u00e3o dos quadros em exposi\u00e7\u00e3o com a procura de pormenores como s\u00edmbolos ou n\u00fameros. Observar\u00e3o certamente cada quadro como um todo e esperar\u00e3o que ele comece a falar-vos por dentro.<\/p>\n<p>Esta exposi\u00e7\u00e3o tem um grande n\u00famero de quadros expostos e, por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contemplar intensamente cada um deles. \u00c9 melhor escolher os que mais interessam e ficar algum tempo a contempl\u00e1-los. \u00c9 sempre poss\u00edvel e aconselh\u00e1vel voltar num outro dia para observar e dar largas \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o dos quadros preferidos, em sil\u00eancio e com a guia pessoal da pintora. Como ter\u00e3o oportunidade de verificar, Carola Justo tem um estilo muito original e excecional. Estudou o fen\u00f3meno de criatividade n\u00e3o s\u00f3 na pr\u00e1tica, mas tamb\u00e9m teoricamente e j\u00e1 fez muitas confer\u00eancias sobre criatividade. Diz ela: \u201cQuanto \u00e0 maneira de ser criativo, h\u00e1 artistas que se orientam apenas pelo exterior: isto \u00e9: ou para agradar \u00e0 maioria das pessoas ou para causar esc\u00e2ndalos. H\u00e1 artistas que olham para dentro de si mesmos at\u00e9 ao n\u00edvel (auf die Ebene) da pura disposi\u00e7\u00e3o e vontade (Lust und Laune) e n\u00e3o filtram nada. E h\u00e1 tamb\u00e9m artistas que olham para baixo at\u00e9 ao n\u00edvel do reprimido, dos traumas, da raiva, do nojo, do patol\u00f3gico. Estes n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a de nos inspirar ou de nos elevar. Puxam-nos \u00e9 para baixo. E, finalmente, h\u00e1 artistas que se deixam guiar pela for\u00e7a da inspira\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma for\u00e7a que vem de dentro do cora\u00e7\u00e3o, embora tamb\u00e9m venha de fora, no sentido de que escutam atenta e atenciosamente o sussurrar da inspira\u00e7\u00e3o, uma for\u00e7a que vem de baixo no sentido do fundo, duma fonte interior, e tamb\u00e9m de cima: do c\u00e9u. Estes s\u00e3o os artistas que nos inspiram.\u201d Nesta exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u00e0 vista de todos que a Carola \u00e9 uma artista como estes \u00faltimos. Parab\u00e9ns \u00e0 Carola e um grande obrigado por ser uma destas artistas que mexe com a vida e nos inspira e anima a viver unidos entre n\u00f3s humanos e com toda a cria\u00e7\u00e3o. Desejo a todos uma contempla\u00e7\u00e3o profunda e deixem-se desafiar a reviver os la\u00e7os originais de fam\u00edlia com toda a natureza, sobretudo com os seres humanos que s\u00e3o a excel\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o. Boa contempla\u00e7\u00e3o, proximidade, sintonia de alma! Jos\u00e9 Augusto Fernandes<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>III <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Discurso de Carola Justo na sua Vernissage de 8 de Julho de 2012 na Galeria Arc\u00e1dia da Quinta \u201cOuteiro da Luz\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Excelent\u00edssimas senhoras, excelent\u00edssimos senhores, caras amigas, caros amigos, caros familiares. Obrigada por terem vindo de perto e de longe. Muito obrigada aos membros da presid\u00eancia da ARC\u00c1DIA que se esfor\u00e7aram tanto para preparar esta exposi\u00e7\u00e3o. Muito obrigada tamb\u00e9m ao Pe. Dr. Jos\u00e9 Fernandes pela laudatio e aos m\u00fasicos Dr. Carlos Teixeira e Rui Martins. Gosto muito de entrar em comunica\u00e7\u00e3o com voc\u00eas, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s dos meus quadros, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s da palavra. H\u00e1 muita gente que quer saber que tintas \u00e9 que o artista usa e que t\u00e9cnica, quanto tempo leva a pintar um quadro, etc. O que acho mais interessante \u00e9 a pergunta: donde v\u00eam as ideias? Qual \u00e9 a fonte da criatividade? O grande pintor Vincent van Gogh escreveu ao seu irm\u00e3o e patrocinador Theo: \u201cTu mal imaginas como \u00e9 paralisante quando a tela branca olha para ti com um olhar fixo e quando a tela diz: tu n\u00e3o vais conseguir nada. A tela branca tem um olhar fixo idiota e hipnotiza o pintor. Muitos pintores t\u00eam medo da tela, mas a tela tem medo do pintor corajoso e apaixonado pela arte que invalida a sugest\u00e3o de \u2018tu n\u00e3o vais conseguir nada\u2019.\u201d Quando a tela branca ou a t\u00e1bua de madeira branca olha para mim e me tenta desencorajar, n\u00e3o respondo com um plano. Respondo com tinta, espalhando pouco mais que uma cor na superf\u00edcie \u2013 ou azul, ou verde ou vermelho. Assim o olhar fixo da tela \u00e9 coberto. Depois n\u00e3o sigo um plano bem pensado, s\u00f3 tenho uma ideia vaga. Seguir um plano obedientemente mata a criatividade. A inspira\u00e7\u00e3o vem-me ao olhar para a cor. Um plano r\u00edgido \u00e9 como uma camada de bet\u00e3o que n\u00e3o deixa aparecer a inspira\u00e7\u00e3o. Mas a planta da inspira\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes chega a furar uma camada de alcatr\u00e3o. O c\u00e9rebro constr\u00f3i estas camadas, por isso \u00e9 melhor, no princ\u00edpio do processo criativo, n\u00e3o pensar demasiado, mas brincar, esquecer a l\u00f3gica e revogar as leis naturais: o c\u00e9u pode estar em baixo, o rio pode correr para cima, entre as nuvens podem passar barcos, os p\u00e1ssaros<\/p>\n<p>podem ser maiores que as casas, o grande \u00e9 suportado pelo pequeno e mais fraco. Tudo \u00e9 poss\u00edvel e esta liberdade d\u00e1 alegria. Mas criar obras de arte n\u00e3o significa pura alegria e liberdade, significa tamb\u00e9m disciplina, significa deixar-se guiar e ao mesmo tempo controlar, ser livre mas seguir regras, empurrar para tr\u00e1s o racioc\u00ednio, mas tamb\u00e9m inclui-lo. Como veem, a criatividade une em si contrastes. Eu nunca tenho a inten\u00e7\u00e3o de pintar \u00e1rvores ou p\u00e1ssaros, montes ou casinhas. Eles aparecem. Olhando para a cor espalhada na tela, na madeira, vejo alguma coisa, o come\u00e7o de uma cara, de uma \u00e1rvore\u2026 e sigo. Voc\u00eas podem dizer: \u201cent\u00e3o vem tudo do acaso\u201d. As imagens n\u00e3o aparecem sem raz\u00e3o nenhuma. Tudo o que aparece vem de uma camada interior invis\u00edvel, inconsciente, e \u00e9 s\u00edmbolo, \u00e0s vezes um s\u00edmbolo que eu mesma s\u00f3 entendo muito mais tarde. Entendi o significado do p\u00e1ssaro preto ou melro s\u00f3 depois de o ter pintado muitas vezes. Lembrei-me de que na inf\u00e2ncia, nas tardinhas quentes de ver\u00e3o, ouvia os melros cantar com o seu cantar muito especial. S\u00f3 a estas horas cantam assim. \u00c9 mais uma chamada do que uma can\u00e7\u00e3o. Nestes momentos, a chamada dos melros pareceu-me como uma chamada de um outro mundo, uma chamada do c\u00e9u. O melro que aparece muitas vezes nos meus quadros significa a chamada desse outro mundo transcendente e significa tamb\u00e9m a saudade. Porque o que eu sentia como crian\u00e7a nessas tardes de ver\u00e3o era a saudade, embora nessa idade ainda n\u00e3o pudesse dar um nome a este sentimento. Sentia s\u00f3 qualquer coisa e dava-me uma sensa\u00e7\u00e3o de felicidade diferente de outras sensa\u00e7\u00f5es de felicidade e ao mesmo tempo um desejo forte e doloroso, sem saber de qu\u00ea. Hoje sei que era saudade o que sentia. As imagens podem ser amb\u00edguas. Por exemplo, os barcos que aparecem nos meus quadros podem \u00e0s vezes ser vistos como ninhos ou ber\u00e7os. Os barcos s\u00e3o s\u00edmbolos da viagem da vida ou de transi\u00e7\u00e3o de uma fase da vida para outra; o ninho ou o ber\u00e7o pode ser s\u00edmbolo do abrigo e da prote\u00e7\u00e3o, do lar. Tudo o que aparece nos quadros tem um significado, mas n\u00e3o \u00e9 totalmente explic\u00e1vel. Muita coisa fica segredo, tamb\u00e9m para o artista. E \u00e9 bom manter o segredo. Quando voc\u00ea mata a saudade, a saudade morre, quando voc\u00ea explica o segredo, o mist\u00e9rio deixa de existir. A palavra \u2018segredo\u2019 diz-se em alem\u00e3o: Geheimnis. Esta palavra cont\u00e9m a palavra Heim, isto \u00e9, o lar. O segredo \u00e9 a<br \/>\nnossa habita\u00e7\u00e3o. O fil\u00f3sofo alem\u00e3o Gronemeyer disse: \u201cEm vez de querer revelar o segredo dev\u00edamos habit\u00e1-lo.\u201d Olhando para os quadros com o desejo de os compreender totalmente, s\u00f3 vai causar dores de cabe\u00e7a e afoga o murmurar do quadro. Como o pintor n\u00e3o deve pensar demais para deixar surgir a intui\u00e7\u00e3o, a pessoa que v\u00ea obras de arte tamb\u00e9m n\u00e3o devia pensar demais para tamb\u00e9m deixar a pr\u00f3pria intui\u00e7\u00e3o surgir. Deve esperar at\u00e9 que o quadro comece a falar consigo. Como eu estou habituada a seguir a minha intui\u00e7\u00e3o, corro menos o perigo de adaptar-me \u00e0quilo que todos dizem, que todos fazem e que todos apreciam. Por isso tenho a liberdade de negar o culto do feio, do negativo, do patol\u00f3gico \u2013 que hoje est\u00e1 na moda. Neste mundo, que \u00e9 ao mesmo tempo bonito e doente, precisamos de uma mensagem positiva, precisamos da cor e da beleza que traz ordem e paz interior, precisamos da esperan\u00e7a e de ideais, para n\u00e3o nos tornarmos insens\u00edveis perante a saudade do nosso cora\u00e7\u00e3o. A minha pergunta inicial era: donde v\u00eam as ideias? A esta pergunta n\u00e3o se pode dar uma resposta completa. Eu concordo totalmente com Fernando Pessoa que, falando sobre a inspira\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, ficava admirado com aquilo que escrevia. Este fen\u00f3meno pode-se transferir aos pintores, escultores, a toda a gente que se abre para a intui\u00e7\u00e3o. Fernando Pessoa disse: \u201cDepois de escrever, leio. Porque escrevi isto? Onde fui buscar isto? De onde me veio isto? Isto \u00e9 melhor do que eu. Seremos n\u00f3s neste mundo apenas canetas com tinta com quem algu\u00e9m escreve a valer o que n\u00f3s aqui tra\u00e7amos?\u201d Esta \u00e9 a experi\u00eancia que artistas fazem de vez em quando, que a obra parece ultrapassar as pr\u00f3prias capacidades. S\u00e3o momentos de surpresa, momentos de gratid\u00e3o pelo que se recebeu de algu\u00e9m. O t\u00edtulo desta exposi\u00e7\u00e3o \u00e9: \u201cA terra \u00e9 feita de c\u00e9u\u201d. \u00c9 uma frase de um poema de Fernando Pessoa. Todos n\u00f3s sentimos \u00e0s vezes, em momentos muito especiais e raros, que o mundo recebeu um brilho muito particular, as coisas parecem brilhar mais que o normal. Ent\u00e3o parece como se o c\u00e9u tivesse ca\u00eddo \u00e0 terra, como se a terra fosse feita de c\u00e9u. Desejo que este dia contenha para voc\u00eas esses momentos de brilho.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Carola Justo<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inaugura\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o ARC\u00c1DIA e Vernissage da Pintora Carola Justo intitulada \u201cA Terra \u00e9 feita de C\u00e9u\u201d (8 de julho de 2012) \u00a0No dia 8 de Julho de 2012, pelas 16 horas, realizou-se a inaugura\u00e7\u00e3o da \u201cARC\u00c1DIA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Arte e Cultura em Di\u00e1logo\u201d na Quinta \u201cOuteiro da Luz\u201d em Chaque (Branca) com uma &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2276\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">Inaugura\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o ARC\u00c1DIA e Vernissage da Pintora Carola Justo<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2276","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2276"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2276\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2281,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2276\/revisions\/2281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}