{"id":2259,"date":"2012-06-07T15:26:25","date_gmt":"2012-06-07T14:26:25","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2259"},"modified":"2012-06-07T15:26:25","modified_gmt":"2012-06-07T14:26:25","slug":"documenta-%e2%80%93-a-exposicao-de-arte-contemporanea-mais-importante-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2259","title":{"rendered":"DOCUMENTA \u2013 A Exposi\u00e7\u00e3o de Arte Contempor\u00e2nea mais importante do Mundo"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>O Absolutismo na Arte<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De cinco em cinco anos peregrinam, de todas as partes do mundo, milhares de artistas e admiradores da arte contempor\u00e2nea at\u00e9 Kassel, Alemanha. A documenta foi criada em 1955, em Kassel pelo artista Arnold Bode que pretendia, com a iniciativa, abstrair das ruinas da guerra e seguir novos horizontes ao servi\u00e7o da abstrac\u00e7\u00e3o. Na primeira exposi\u00e7\u00e3o houve sobretudo obras de arte que tinham sido proibidas e perseguidas durante o regime nazi e intituladas de arte degenerada (\u201cEntartete Kunst\u201d).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A documenta alonga-se por 100 dias. Nesta altura a cidade transforma-se num mar de gentes de portes ex\u00f3ticos: um aspecto folclor\u00edstico que faz lembrar os mercados da idade m\u00e9dia em torno das catedrais e, assim, forma, j\u00e1 por si, tamb\u00e9m uma obra de arte social. Kassel transfigura-se numa pra\u00e7a de arte que se estende por edif\u00edcios, parques e outros espa\u00e7os p\u00fablicos da cidade. A documenta apresenta uma perspectiva transversal da arte contempor\u00e2nea e permite fazer o ponto da situa\u00e7\u00e3o mundial em quest\u00f5es de arte e ocasionar uma certa orienta\u00e7\u00e3o de perspectiva. Na sua hist\u00f3ria de 57 anos com 13 exposi\u00e7\u00f5es, documenta as contradi\u00e7\u00f5es e ambival\u00eancias do Homem e do tempo num curr\u00edculo de realiza\u00e7\u00e3o e fracasso em processo de morte e ressurgimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A dOCUMENTA (express\u00e3o gr\u00e1fica da documenta 13) vive da ambival\u00eancia e do esc\u00e2ndalo na procura dum futuro prospectivo a partir dum presente impregnado de contradi\u00e7\u00f5es e inconsist\u00eancias que se expressam de documenta para documenta, numa manifesta\u00e7\u00e3o de diferentes atitudes art\u00edsticas a que assistem diferentes filosofias, teorias, correntes pol\u00edticas e sociais contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A documenta13, realiza-se de 9 de Junho a 16 de Setembro de 2012. A \u00faltima documenta\/2007 conseguiu vender 754.301 bilhetes. O objectivo da actual \u00e9 atingir um milh\u00e3o de visitantes. Ela \u00e9 ao mesmo tempo o maior festival Open-Air. Kassel oferece possibilidades ilimitadas: o visitante tem a oportunidade de se alegrar e irritar sobre a arte.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A documenta (13), foi elaborada sob o lema \u201cColapso e Reconstru\u00e7\u00e3o\u201d e tem como chefe\/gerente a americana Carolyn Christov-Bakargiev apelidada por jornalistas de \u201cLady Gaga\u201d. Ela situa-se nas pegadas e tradi\u00e7\u00e3o das 12 documentas anteriores prosseguindo um <strong>esp\u00edrito de continuidade de arte afirmativa e provocativa. Procura apresentar o v\u00e1lido como inv\u00e1lido e vice-versa, documentando assim as contradi\u00e7\u00f5es da actualidade.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A direc\u00e7\u00e3o da documenta escolhe para chefe de cada exposi\u00e7\u00e3o, um curador\/chefe da documenta equipado de poderes absolutos; este pode p\u00f4r e dispor \u00e0 sua vontade de maneira dogm\u00e1tica a pr\u00f3pria filosofia. Na documenta, aqui em Kassel, a arte arroga-se <strong>alvores absolutistas.<\/strong> Carolyn Christov-Bakargiev encena-se como se fosse a sacerdotisa da arte, n\u00e3o lhe faltando a estola, o gesto religioso e o dogmatismo ostentado. O sensacionalismo em torno dela talvez venha do facto Carolyn Christov-Bakargiev querer, com idiotices mudar o nosso pensamento, atrav\u00e9s da documenta. Desta vez participam 297 artistas e grupos de artistas de todo o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>\u201cDireito de Voto para C\u00e3es e Morangos\u201d<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p>Em torno da dOCUMENTA 13 tem havido muita discuss\u00e3o na imprensa; a chefe tem-se revelado como bastante jacobina, n\u00e3o suportado mesmo nada que contradiga a sua ideologia\/vis\u00e3o de arte. <strong>Para Josef Beuys artista \u201c \u00e9 toda a pessoa\u201d; \u00a0para a chefe da documenta, artista \u00e9 toda a natureza, ponto. \u00a0Carolyn Christov-Bakargiev exige o direito de voto tamb\u00e9m para os morangos e para os c\u00e3es; <\/strong>tamb\u00e9m h\u00e1 tr\u00eas c\u00e3es da documenta treinados e colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de visitantes que se deixar\u00e3o conduzir pelos caninos;<strong> <\/strong>o sentido desta iniciativa \u00e9 levar o visitante a ver a atitude do c\u00e3o perante a obra de arte;<strong> inten\u00e7\u00e3o \u00e9 inverter os valores colocando o Homem ao n\u00edvel do c\u00e3o e do morango. As suas posi\u00e7\u00f5es radicais t\u00eam sido muito criticadas, muito embora a sua posi\u00e7\u00e3o extremista possa ajudar uma sociedade surda-muda a notar que a natureza \u00e9 sua companheira. <\/strong>A exposi\u00e7\u00e3o paralela \u00e0 documenta organizada na igreja cat\u00f3lica St Elisabeth, onde o artista Stephan Balkenhol apresenta (na torre) uma instala\u00e7\u00e3o com um homem de bra\u00e7os abertos sobre um globo dourado, provocou os furores da chefe da documenta que n\u00e3o queria ver o Homem numa posi\u00e7\u00e3o superior ao dos animais e das plantas. Sentiu-se \u201cofendida\u201d por aquela instala\u00e7\u00e3o que questiona a sua inten\u00e7\u00e3o niilista n\u00e3o suportando o optimismo do Homem como senhor e correspons\u00e1vel da natureza. Isto n\u00e3o passa dum ultraje invertido pois encontra na torre da igreja algo irritante para quem quer um mundo plano com tudo sem moldura, tudo abstrato, que desvie as aten\u00e7\u00f5es do humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A documenta quer ser um espelho da arte contempor\u00e2nea mas negligencia grande parte da arte e em especial a pintura, o realismo, fotorrealismo, o realismo fant\u00e1stico e o surrealismo. Por isso j\u00e1 houve movimentos anti documenta que foram imediatamente oprimidos. As pessoas n\u00e3o ousam opor-se ao esp\u00edrito da documenta sejam cientistas da arte seja o povo. O doentio, o dilacerado tem sido tematizado em instala\u00e7\u00f5es e esculturas. Contrap\u00f5e-se o desastroso, o amea\u00e7ador em rituais negadores de ritos optimistas da religi\u00e3o e da sociedade. Um certo esp\u00edrito da documenta quer afirmar-se como religi\u00e3o secular contra o religioso crist\u00e3o e passar \u00e0 margem das pessoas. Parece n\u00e3o reconhecer o facto de vivermos todos num mesmo mundo plurifacetado feito de muitos universos complementares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numa perspectiva crist\u00e3 da arte o ser humano est\u00e1 chamado a mais do que a gritar. O Homem \u00e9 o caminho de Deus e deve reconhecer-se como companheiro adulto da natureza mas sem abdicar de ser sua consci\u00eancia. A religi\u00e3o e a arte devem ser os sism\u00f3grafos dos problemas. A arte tamb\u00e9m tem de se entender como resposta ao mundo na responsabilidade; por isso, tamb\u00e9m ela deve questionar os pr\u00f3prios conceitos. Por vezes tem-se a impress\u00e3o, em certos meios ideol\u00f3gicos e de certa arte que a imagem de Homem constitui, j\u00e1 por ela, uma provoca\u00e7\u00e3o. Esquecem que o olhar cego e vago da realidade \u00e9 um olhar de governantes ou de quem se n\u00e3o quer envolver ou deixar tudo \u00e0s for\u00e7as duma natura sem cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A arte abre novas vis\u00f5es mas precisa da condi\u00e7\u00e3o humana para tornar n\u00e3o s\u00f3 a mis\u00e9ria humana vis\u00edvel mas tamb\u00e9m a parte nobre como a religi\u00e3o pretende afirmar. <strong>Tamb\u00e9m Dostoievski dizia \u201co belo libertar\u00e1 o mundo\u201d.<\/strong> Quando se desiste da religi\u00e3o, o mundo torna-se em amea\u00e7a, como pretendem certas tend\u00eancias ideol\u00f3gicas. Torna-se importante libertar a religi\u00e3o e a arte do medo e das ideologias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A arte tamb\u00e9m \u00e9 importante como catarsis, como cr\u00edtica, sem ter necessidade de exilar a esperan\u00e7a. N\u00e3o se podem tornar c\u00famplices com os senhores que roubam o mundo roubando a senhoria ao Homem tornando-o seu arrendat\u00e1rio e reduzindo-o a indiv\u00edduo an\u00f3nimo numa imagem sem n\u00f3s, como se uma \u00e1rvore n\u00e3o estivesse incardinada num bi\u00f3topo. <strong>Eu sou rei e escravo soberano, permane\u00e7o mist\u00e9rio e tanto a arte como a religi\u00e3o, como a ci\u00eancia, a pol\u00edtica, n\u00e3o conhecem um porqu\u00ea da realidade. A arte e a religi\u00e3o protegem o mist\u00e9rio, aquilo que d\u00e1 grandeza e perspectiva ao Homem e \u00e0 natureza.<\/strong> Seria abstruso que arte e religi\u00e3o n\u00e3o reconhecessem o mesmo cora\u00e7\u00e3o donde prov\u00eam, do epicentro da intui\u00e7\u00e3o que proporciona o sonho na empatia. At\u00e9 ao s\u00e9c. XVIII religi\u00e3o e arte viviam em rela\u00e7\u00e3o amorosa, queriam modelar e tornar vis\u00edvel o mist\u00e9rio. Arte e religi\u00e3o questionam as compreens\u00f5es imediatas. Com o racionalismo e o materialismo deu-se o div\u00f3rcio do sagrado e do profano e dividiu-se o povo em s\u00e1bios e ignorantes caindo-se num fundamentalismo de posi\u00e7\u00f5es. Hoje torna-se \u00f3bvia tamb\u00e9m uma reculturiza\u00e7\u00e3o, uma nova consci\u00eancia, \u00e0 margem dum normativo racional que aprisiona a realidade em imagens e caixilhos religiosos, cient\u00edficos, ideol\u00f3gicos, pol\u00edticos, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na casa da arte, tal como \u201cna casa do Pai\u201d h\u00e1 muitas mans\u00f5es; seria miopia expulsar a religi\u00e3o e o Homem do templo da arte e a arte da religi\u00e3o. Realidade e imagem s\u00e3o imagens!&#8230; Fazemos todos parte dum mesmo mundo, numa realidade complementar do n\u00e3o s\u00f3\u2026 mas tamb\u00e9m\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@gmail.com\">antoniocunhajusto@gmail.com<\/a><\/p>\n<p>www.antonio-justo.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Absolutismo na Arte Ant\u00f3nio Justo &nbsp; De cinco em cinco anos peregrinam, de todas as partes do mundo, milhares de artistas e admiradores da arte contempor\u00e2nea at\u00e9 Kassel, Alemanha. 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