{"id":2199,"date":"2012-02-24T15:50:52","date_gmt":"2012-02-24T14:50:52","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2199"},"modified":"2012-02-24T16:21:06","modified_gmt":"2012-02-24T15:21:06","slug":"quatro-milhoes-de-mulheres-violadas-pelo-exercito-vermelho-na-segunda-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2199","title":{"rendered":"Quatro Milh\u00f5es de Mulheres violadas pelo Ex\u00e9rcito Vermelho na Segunda Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Requinte alem\u00e3o nos seus Bordeis para Soldados e para Prisioneiros <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo o jurista e publicista Heinz Nawratil, quatro milh\u00f5es de mulheres e jovens foram &#8221; v\u00edtimas de crimes sexuais praticados pelo Ex\u00e9rcito Vermelho e seus aliados&#8221;. S\u00f3 em Budapest calcula-se terem sido violadas 50.000 mulheres. Nos territ\u00f3rios libertados dos nazis, os soldados do ex\u00e9rcito vermelho comportavam-se como b\u00e1rbaros, tal como faziam nos Estados B\u00e1lticos, e nos Balc\u00e3s. <\/strong><\/p>\n<p>Fazia lembrar a crueldade das antigas hordas mong\u00f3is, como refere o historiador J\u00f6rg Friedrich. Roubavam, violavam, massacravam e expulsavam. (16,5 milh\u00f5es de alem\u00e3es foram expulsos da Europa Oriental, tendo sido mortos cerca de dois milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Mulheres e crian\u00e7as eram violadas por grupos de soldados a ponto duma mesma jovem\/mulher ser violada no mesmo dia por v\u00e1rios soldados. Isto n\u00e3o constitu\u00eda excep\u00e7\u00e3o. Em quase todas as fam\u00edlias dos refugiados e das fam\u00edlias da zona de administra\u00e7\u00e3o russa se regista, pelo menos, uma v\u00edtima de viola\u00e7\u00e3o por fam\u00edlia (&#8220;Die Rote Armee&#8221; von Liddell Hart). Tamb\u00e9m Hannelore Kohl, a falecida mulher do ex-chanceler alem\u00e3o Helmut Kohl, foi violada, aos doze anos, por soldados russ<em>o<\/em>s.<\/p>\n<p>O povo russo sofreu imensamente sob as abomin\u00e1veis atrocidades dos ex\u00e9rcitos alem\u00e3es. (Segundo a Wikipedia,\u00a0 5,7 milh\u00f5es de soldados do Exercito Vermelho foram aprisionados pelos ex\u00e9rcitos alem\u00e3es, 3,3 milh\u00f5es dos prisioneiros n\u00e3o sobreviveram. Dos 3,15 milh\u00f5es de soldados alem\u00e3es sob cust\u00f3dia russa n\u00e3o sobreviveram 1,11 milh\u00f5es). <strong>Estaline n\u00e3o olhava a meios, como demonstra o seu comando n\u00b0 0428 de 17 de Novembro de 1941. Nesta instru\u00e7\u00e3o ordena aos partisanos russos que se vistam de uniforme alem\u00e3o e incendeiem e liquidem a popula\u00e7\u00e3o russa civil \u201c40 a 60 km atr\u00e1s da linha principal de combate\u201d. Incentivava assim o \u00f3dio contra os alem\u00e3es invasores sacrificando o pr\u00f3prio povo para fins propagand\u00edsticos. Isto para se ter uma ideia da barbaridade dum lado e do outro. Se num povo governava o diabo no outro governava o Belzebu. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O ultrajo e a dor infringidos \u00e0s mulheres durante as guerras s\u00e3o considerados, muitas vezes, como preju\u00edzos colaterais das guerras e como tal de menor men\u00e7\u00e3o. Interesses pol\u00edticos nas rela\u00e7\u00f5es bilaterais internacionais (os tabus pol\u00edticos) e a vergonha das mulheres est\u00e3o, tamb\u00e9m, na base do sil\u00eancio do crime de viola\u00e7\u00e3o.<\/strong> Para a mentalidade de ent\u00e3o uma pessoa violada era pessoa desonrada. Nas Televis\u00f5es alem\u00e3s n\u00e3o h\u00e1 dia sem um filme num canal a documentar as atrocidades dos alem\u00e3es na guerra. Sobre o sofrimento de inocentes alem\u00e3es s\u00f3 h\u00e1 poucos anos se come\u00e7ou timidamente a tematizar o problema das viola\u00e7\u00f5es das mulheres alem\u00e3s.<\/p>\n<p><strong>Nas investiga\u00e7\u00f5es de B\u00e1rbara Johr em &#8220;Befreier und Befreite&#8221; s\u00e3o mencionadas dois milh\u00f5es de mulheres e meninas alem\u00e3s violadas por soldados do Ex\u00e9rcito Vermelho. Estes dois milh\u00f5es de v\u00edtimas distribuem-se por 1,4 milh\u00f5es de mulheres\/jovens nos territ\u00f3rios da Pr\u00fassia Oriental, Pomer\u00e2nia Oriental, Brandenburg e Sil\u00e9sia, 500.000 na zona de ocupa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica e 100.000 mulheres em Berlim. 10% das violadas ter\u00e3o sido assassinadas de seguida.<\/strong><\/p>\n<p>Este agir barb\u00e1rico ainda assume maior gravidade pelo facto de ser usado e apoiado pela oficialidade. O genoc\u00eddio dos alem\u00e3es contra os judeus tamb\u00e9m assume uma gravidade acrescida na hist\u00f3ria pelo facto do holocausto aos judeus ter sido ordenado e organizado sistematicamente pelo Estado (Hitler). (De referir que Hitler para tornar o seu aparelho fac\u00ednora mais eficiente, se serviu tamb\u00e9m de estudos sobre a maneira eficaz como a Turquia tinha efectuado o genoc\u00eddio a cerca de dois milh\u00f5es de arm\u00e9nios, em 1915).<\/p>\n<p>Aos soldados alem\u00e3es era proibida a viola\u00e7\u00e3o e a prostitui\u00e7\u00e3o incontrolada. Tamb\u00e9m se registaram viola\u00e7\u00f5es por soldados alem\u00e3es mas devido \u00e0 diferente estrat\u00e9gia seguida n\u00e3o pode ser comparada no m\u00ednimo ao comportamento russo. Soldados alem\u00e3es, tal como americanos violadores eram julgados e condenados. Isto n\u00e3o desculpa nem um bloco nem o outro atendendo \u00e0 desumanidade subjacente aos dois sistemas e que espreita em cada ser humano colocado em determinadas situa\u00e7\u00f5es. <strong>Nas zonas ocupadas pelos alem\u00e3es, em 1942 havia na Fran\u00e7a e na Europa do Leste mais de 500 bord\u00e9is das For\u00e7as armadas alem\u00e3s.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bordeis das For\u00e7as armadas<\/strong> alem\u00e3s foram regulados por decreto de 9 de Setembro de 1939 que apelava \u00e0 autodisciplina dos soldados em quest\u00f5es sexuais (especialmente aos casados) e criava bordeis para soldados, insurgindo-se contra a prostitui\u00e7\u00e3o selvagem que provocava doen\u00e7as nos soldados. Estes estavam sob o controlo da inspec\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria das for\u00e7as armadas. Estas controlavam as mulheres que trabalhavam nos bord\u00e9is e os soldados. Eram recrutadas prostitutas que se candidatavam. Num relat\u00f3rio do m\u00e9dico comandante da zona francesa ocupada de Angers, de Novembro de 1940 constata-se: &#8220;Os bord\u00e9is foram visitados em 14 dias por 8.948 soldados, dos quais 2.467 tiveram rela\u00e7\u00f5es sexuais&#8221; (Vikipedia). (Tenho um vizinho que no tempo de soldado, como param\u00e9dico, tinha o trabalho de pincelar o p\u00e9nis dos soldados com desinfectante em bord\u00e9is para se evitar a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as.) Prostitutas e soldados eram examinados por m\u00e9dicos tendo muitos dos soldados de receber uma injec\u00e7\u00e3o antes do acto sexual. <strong>Para se ter uma ideia da dimens\u00e3o daquele empreendimento basta dizer que s\u00f3 em Fran\u00e7a, num ter\u00e7o da zona francesa ocupada pelos alem\u00e3es havia mais de 143 bord\u00e9is onde trabalhavam 1.166 mulheres para satisfa\u00e7\u00e3o dos soldados. Na R\u00fassia, era dif\u00edcil recrutar mulheres para os bord\u00e9is militares porque l\u00e1 n\u00e3o havia prostitui\u00e7\u00e3o oficial.<\/strong> Com estas medidas o ex\u00e9rcito satisfazia as necessidades dos soldados, evitava doen\u00e7as e impedia que eles ganhassem amizades com mulheres das zonas ocupadas que poderiam influenciar politicamente os soldados.<\/p>\n<p>Mais tarde foram tamb\u00e9m criados oficialmente <strong>Bordeis para prisioneiros<\/strong> nos maiores campos de concentra\u00e7\u00e3o. Esta medida tinha a finalidade de motivar os prisioneiros a maior produtividade laboral. Junta-se a explora\u00e7\u00e3o sexual da mulher \u00e0 do Homem. Prisioneiros com maior desempenho laboral tinham como maior pr\u00e9mio a permiss\u00e3o de ir ao bordel, no m\u00e1ximo, uma vez por semana, durante 15 minutos. Est\u00e1 provado que em\u00a0 10 bordeis\u00a0 se encontravam encarceradas 190 mulheres em servi\u00e7o (Robert Sommer in &#8220;Das KZ-Bordell\u201d).\u00a0 Eram mulheres alem\u00e3s \u201ca-sociais\u201d primeiramente recrutadas com aliciamentos, mulheres prisioneiras polacas, ucranianas, russas, e &#8220;ciganas\u201d. Muitos prisioneiros repudiavam os bord\u00e9is por raz\u00f5es morais considerando-os tamb\u00e9m obra do cinismo. Era proibido frequentar os bord\u00e9is a prisioneiros judeus e russos. Entre 1940 e 1942 ter\u00e3o sido for\u00e7adas ao trabalho sexual, pelos nazistas, cerca de 35 000 mulheres (Cf. Helga Amesberger, Katrin Auer, Brigitte Halbmayr: \u00abSexualisierte Gewalt. Weibliche Erfahrungen in NS-Konzentrationslagern\u00bb).<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Muita gente procura cavalgar na culpa dos outros<\/strong><\/p>\n<p>Esta era uma guerra ideol\u00f3gica (aniquila\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, bolchevismo e fascismo) ainda mais perversa que outras guerras.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo cavalgar em cima da culpa alem\u00e3 nem em cima da culpa russa para, assim, poder lavar a pr\u00f3pria fachada e esconder atr\u00e1s dela uma satisfa\u00e7\u00e3o de bonzinhos na lavagem de agires menos dignos do dia-a-dia. Assim evitamos assumir responsabilidade pelos crimes que acontecem hoje no mundo. Em nome de culturas e de interesses econ\u00f3micos ou ideol\u00f3gicos ataca-se geralmente uma parte para, como Pilatos, se lavarem as m\u00e3os sujas da pr\u00f3pria culpa. \u00c9 f\u00e1cil, a quem tem a gra\u00e7a ou desgra\u00e7a de viver hoje, condenar os de ontem tal como os que ter\u00e3o a gra\u00e7a de viver amanh\u00e3 ter\u00e3o a oportunidade de nos condenar a n\u00f3s pelo que fizemos e deixamos de fazer. Isto n\u00e3o pode justificar a miopia que acompanha a contemporaneidade na sua necessidade ing\u00e9nua de branquear o seu presente.<\/p>\n<p><strong>Hoje cortam-se os clit\u00f3ris a meninas, apedrejam-se mulheres infi\u00e9is e o politicamente oportuno leva-nos a aceitar isso como sendo um bem cultural a respeitar, at\u00e9 no meio da nossa cultura.<\/strong> Suportamos a explora\u00e7\u00e3o da mulher maometana e at\u00e9 criamos nichos onde o patriarcalismo possa ser respeitado. Suportamos fam\u00edlias com ordenados de mis\u00e9rias e energ\u00famenos com riquezas mastod\u00f4nticas fruto da especula\u00e7\u00e3o. <strong>Usamos dois pesos e duas medidas em nome duma democracia a\u00e7ucarada e duma pol\u00edtica aberta \u00e0 explora\u00e7\u00e3o.<\/strong> \u00c9 f\u00e1cil a quem tem a gra\u00e7a ou desgra\u00e7a de viver hoje condenar os de ontem tal como os que ter\u00e3o a gra\u00e7a de viver amanh\u00e3 ter\u00e3o a oportunidade de nos condenar a n\u00f3s pelo que fizemos e deixamos de fazer. Isto n\u00e3o justifica por\u00e9m a miopia que acompanha a contemporaneidade e a sua necessidade ing\u00e9nua de se branquear. As pessoas fracas precisam da culpa dos outros para melhor anestesiarem uma consci\u00eancia que n\u00e3o deve ver o que se passa agora.<\/p>\n<p>Mentalidades massificadas de ontem, personalizadas em grupos e em pessoas mascaradas de soldados abusaram das pessoas indefesas. Hoje pessoas fardadas de opini\u00e3o oportuna condenam povos e grupos sob a ap\u00f3strofe de alem\u00e3es, russos, comunistas, conservadores ou progressistas. H\u00e1 sempre uma responsabilidade individual e colectiva. A lavagem cerebral feita ao povo e aos indiv\u00edduos facilita a prontid\u00e3o para a subjuga\u00e7\u00e3o e para o agir irrespons\u00e1vel. Para onde quer que se olhe, depara-se com gente uniformizada com uma maneira de pensar e julgar igual, n\u00e3o diferenciada e correspondente \u00e0 mentalidade apregoada e tida por bem na opini\u00e3o publicada. \u00c9 assustador o pensamento em massa e em blocos hoje em voga. A pobreza \u00e9 tanta que, por vezes, basta saber o jornal ou revista da leitura do interlocutor para conhecermos o seu pensar. O pior disto \u00e9 que atr\u00e1s duma opini\u00e3o massificada se encontra uma trincheira. Naturalmente cada um escreve e pensa segundo a pr\u00f3pria ci\u00eancia e consci\u00eancia\u2026<\/p>\n<p>Quem se orienta pelo seu julgamento segundo o prisma da simpatia ou da antipatia sentida ou pelo simples afirmar ou negar de factos segue um mau conselheiro e prepara a guerra.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se pode bagatelizar nem compensar os crimes e a dor dum lado com os crimes e a dor do outro. Este erro de l\u00f3gica perpetua a injusti\u00e7a e a maldade. S\u00f3 quando as nossas l\u00e1grimas correrem sobre a nossa culpa e sobre a culpa dos outros nos poderemos compreender a n\u00f3s e aos outros. O sangue dos nossos antepassados grita mas s\u00f3 o grito da nossa consci\u00eancia poder\u00e1 interromper a avalanche da viol\u00eancia e da injusti\u00e7a de agora.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cada guerra, como cada ideologia, procura tirar o melhor de cada pessoa para si e o pior para os outros. O mesmo se diga da escrita da Hist\u00f3ria que pressup\u00f5e sempre um historiador com uma ideia dela.<\/strong><\/p>\n<p>A barbaridade, a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um acto espec\u00edfico dum povo, ra\u00e7a ou pessoa, ela repousa na sombra de cada pessoa e de cada grupo. A viol\u00eancia n\u00e3o se torna melhor nem mais justificada se exercida pela direita ou pela esquerda. Seria cinismo com o sofrimento de pessoas querer glorificar a pr\u00f3pria ideologia.<\/p>\n<p>O tribunal de Haia constitui hoje um aviso para o respeito que se deve \u00e0s v\u00edtimas e como tal um primeiro passo em direito internacional para se diminu\u00edrem os crimes e os incendi\u00e1rios econ\u00f3micos, religiosos ideol\u00f3gicos e intelectuais.<\/p>\n<p><strong>Em tudo isto se v\u00ea como o pobre povo sofre e ao mesmo tempo \u00e9 usado para fazer outros sofrer.<br \/>\nA guerra ainda n\u00e3o acabou. Em nome da paz continua a faz-se a guerra, em nome da paz vive-se da guerra.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O respeito deve-se \u00e0s v\u00edtimas!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Requinte alem\u00e3o nos seus Bordeis para Soldados e para Prisioneiros Ant\u00f3nio Justo Segundo o jurista e publicista Heinz Nawratil, quatro milh\u00f5es de mulheres e jovens foram &#8221; v\u00edtimas de crimes sexuais praticados pelo Ex\u00e9rcito Vermelho e seus aliados&#8221;. S\u00f3 em Budapest calcula-se terem sido violadas 50.000 mulheres. 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