{"id":2179,"date":"2012-02-05T18:53:47","date_gmt":"2012-02-05T17:53:47","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2179"},"modified":"2012-02-05T18:53:47","modified_gmt":"2012-02-05T17:53:47","slug":"capitulacao-da-nato-no-afeganistao-mais-uma-guerra-estupida-perdida-cabul-e-uma-cidade-de-muros-intra-muros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2179","title":{"rendered":"Capitula\u00e7\u00e3o da Nato no Afeganist\u00e3o &#8211; Mais uma Guerra est\u00fapida perdida  &#8211;  Cabul \u00e9 uma cidade de muros intra muros"},"content":{"rendered":"<p><strong>Depois da Guerra pior que antes da Guerra \u2013 veja-se Iraque<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nO colonialismo moderno apenas acrescenta ao antigo a qualidade do seu cinismo. N\u00e3o faz guerra, encontra-se simplesmente em \u201cmiss\u00e3o\u201d. Interv\u00e9m, n\u00e3o em nome do petr\u00f3leo e das mat\u00e9rias-primas mas em nome da democracia, dos direitos humanos, da defesa de grupos amea\u00e7ados, em prol da estabiliza\u00e7\u00e3o. \u201cArranja\u201d at\u00e9 aliados dentro das sociedades isl\u00e2micas que lhe pedem ajuda. Assim, o z\u00e9-povinho continua consolado nas suas quintas a queixar-se do colonialismo de antanho e distra\u00eddo do colonialismo moderno de que vive tamb\u00e9m. Para branquear o pr\u00f3prio rosto, no Afeganist\u00e3o e no Norte de \u00c1frica, fala de conversa\u00e7\u00f5es com talibans moderados, com islamitas mitigados e quejandas, como se houvesse modera\u00e7\u00e3o e esta fosse poss\u00edvel num sistema pol\u00edtico-religioso d\u00e9spota.<\/p>\n<p>Os 28 ministros da defesa dos 28 pa\u00edses da alian\u00e7a, na sua reuni\u00e3o de 3.02.12 em Bruxelas, persistiram em continuar a guerra, que apelidam de \u201cmiss\u00e3o\u201d, at\u00e9 2014. Os falc\u00f5es da guerra gostariam de ver a perman\u00eancia da Nato no Afeganist\u00e3o ainda por mais tempo. Agora trata-se de ver quais os pa\u00edses que abandonam primeiro o Afeganist\u00e3o, para n\u00e3o ficarem todos na Hist\u00f3ria como renitentes do fracasso. Falam de j\u00e1 terem entregado 21 das 34 prov\u00edncias \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s mas na realidade isso s\u00f3 se concretizou em 8.<\/p>\n<p>Durante e depois das guerras s\u00f3 ganha a ind\u00fastria da guerra e seus adjuntos. <strong>Facto \u00e9 que a Nato perde todas as guerras em terrenos mu\u00e7ulmanos. A gan\u00e2ncia do petr\u00f3leo turba-lhe a raz\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quando se encontram encurralados pelo sistema mu\u00e7ulmano, ent\u00e3o falam de guerras e guerrilhas tribais, de Talibans e de terroristas. Esquecem que o sistema mu\u00e7ulmano \u00e9, na sua ess\u00eancia, um sistema pol\u00edtico e social de guerrilha ad intra e ad extra perpetuado pela religi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Em dez anos de interven\u00e7\u00e3o a Nato n\u00e3o conseguiu sequer criar alternativas ao cultivo da droga no pa\u00eds. O Afeganist\u00e3o continua a produzir 90% do \u00f3pio para o consumo a n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p><strong>Depois de 10 anos capitula a Nato como capitulou a R\u00fassia. Quem se mete com os mu\u00e7ulmanos apanha.<\/strong> N\u00e3o precisam de guerra, basta-lhes a guerrilha. Os nossos antepassados lusitanos usavam a mesma estrat\u00e9gia contra os Romanos e estes s\u00f3 depois de 200 anos de luta conseguiram dominar os guerrilheiros de Viriato mas s\u00f3 depois de ajudados pela trai\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As direc\u00e7\u00f5es da Nato admiram-se das for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s que formaram terem no seu meio homens bomba que repetidamente assassinam os colegas ocidentais \u00e0 margem das \u00e1reas de batalha. Falta-lhes a f\u00e9!&#8230;<br \/>\nA derrota da Nato no Afeganist\u00e3o \u00e9 mais uma depois da do Iraque. O problema \u00e9 que depois da guerra o Ocidente continuar\u00e1 a despender como continuam a pagar caro a \u201cpaz mu\u00e7ulmana\u201d no Kosovo.<br \/>\nActualmente encontram-se 130.000 soldados estacionados e desesperados no Afeganist\u00e3o. Quebram-se a cabe\u00e7a n\u00e3o compreendendo como \u00e9 que tanto poder militar n\u00e3o consegue ter a for\u00e7a para dominar o terrorismo. Equivocam-se ao pensar que este, \u00e9 o fruto de algumas cabe\u00e7as desorientadas e n\u00e3o a flor da seara mu\u00e7ulmana, como nos mostra a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea e a hist\u00f3ria da sua origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\nEm 2014 os soldados da Nato retirar-se-\u00e3o mas para n\u00e3o darem a impress\u00e3o de capitula\u00e7\u00e3o continuar\u00e3o a pagar quotas elevadas de \u201crepara\u00e7\u00e3o\u201d. A sociedade civil herda os encargos de \u201crepara\u00e7\u00e3o\u201d al\u00e9m das fam\u00edlias de soldados destrocadas pela dor e pelas mortes.<\/p>\n<p><strong>Cabul \u00e9 uma cidade de muros intra muros<\/strong><br \/>\n<strong>O Neg\u00f3cio dos islamistas \u00e9 assassinar e meter medo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em Cabul, at\u00e9 os hot\u00e9is, onde vivem estrangeiros, fazem lembrar pris\u00f5es. Encontram-se cercados por arame farpado para que os jornalistas, que vivem da informa\u00e7\u00e3o guerreira, possam, em paz, mandar mensagens optimistas para a opini\u00e3o publicada nos pa\u00edses da Nato.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o trabalha para o estrangeiro n\u00e3o precisa de muros, dizia, h\u00e1 dias, um jornalista afeg\u00e3o numa reportagem sobre o Afeganist\u00e3o no ZEIT. Apesar de tudo, a pobreza e a ideologia vivem mais recolhidas em Cabul.<\/p>\n<p>A sociedade isl\u00e2mica, geralmente, prescinde duma ordem que n\u00e3o seja assegurada pelo poder das mesquitas ou que n\u00e3o se encontre nelas. Por isso uma ordem civil forte com pol\u00edcia e militares submetidos a um governo neutro \u00e9 combatida por um sistema que se quer revolucion\u00e1rio isl\u00e2mico com express\u00e3o pol\u00edtica \u00e0s sextas-feiras depois das ora\u00e7\u00f5es nas mesquitas.<\/p>\n<p>Os militares ocidentais n\u00e3o patrulham a cidade para que a cor das suas fardas n\u00e3o provoque o sentir isl\u00e2mico. Os soldados ocupantes s\u00e3o tolerados pela popula\u00e7\u00e3o para lhe possibilitarem a seguran\u00e7a nas visitas aos familiares que vivem a 30 Km de Cabul, para localidades mais longe torna-se imposs\u00edvel a protec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Grande parte do Afeganist\u00e3o \u00e9 inacess\u00edvel devido ao perigo de ataques. \u00c9 mais c\u00f3modo para os soldados viverem no gueto e deslocarem-se de avi\u00e3o ou de helic\u00f3ptero. Cada soldado ocidental morto constitui um perigo porque um acumular-se de tais not\u00edcias poderia acordar o povo e este poderia come\u00e7ar a perguntar-se sobre as razoes da presen\u00e7a estrangeira no Afeganist\u00e3o. Isto contrariaria a estabilidade da opini\u00e3o p\u00fablica a manter pelo sistema dos pa\u00edses da Nato. Por isso a melhor informa\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o haver informa\u00e7\u00e3o, como acontece relativamente ao Kosovo. Para evitar mais mortos as for\u00e7as militares estrangeiras limitam-se a viver em guetos dentro do grande gueto. Um compromisso de sistemas no grande sistema.<\/p>\n<p>Naturalmente que o neg\u00f3cio dos islamitas \u00e9 assassinar e meter medo \u00e0s pessoas. O caos e os atentados (guerra civil) s\u00e3o o h\u00famus que permite aos mais fortes o dom\u00ednio da natureza e da cultura. Por isso odeiam como a peste qualquer tentativa de organiza\u00e7\u00e3o estatal que n\u00e3o assente nem assegure a defesa dos mais fortes. A ren\u00fancia ao direito de defesa e de vingan\u00e7a individual em benef\u00edcio duma supra-estrutura Estado, como acontece nas sociedades ocidentais constitui um absurdo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o Afeganist\u00e3o, antes da invas\u00e3o ocidental s\u00f3 conhecia a ilegalidade, a pobreza e a guerra. Agora tem uma organiza\u00e7\u00e3o policial mas o Estado n\u00e3o funciona. A constante \u00e9 a guerrilha cultivada \u00e0 sombra das mesquitas. Desde 1996, aquando da conquista do Afeganist\u00e3o pelos talibans, vive-se em guerra civil.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o da Nato teve a vantagem de dar a provar os benef\u00edcios da paz a alguns. Uma gera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, que cresce agora \u00e0 margem da guerrilha, aprende a gostar da paz. Isto \u00e9 positivo muito embora o medo continue uma amea\u00e7a cont\u00ednua.<\/p>\n<p>Os povos mu\u00e7ulmanos ainda t\u00eam uma grande caminhada a fazer em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade civil. Esta por\u00e9m s\u00f3 poder\u00e1 ser fomentada atrav\u00e9s dum sistema militar ditador como aconteceu na Turquia. Todas as outras estrat\u00e9gias t\u00eam-se revelado como perda de tempo. Para isso teria uma classe militar laica de constituir uma sociedade econ\u00f3mica forte. A longo prazo talvez conseguissem criar bi\u00f3topos sociais desejosos duma liberdade n\u00e3o a\u00e7amada \u00e0 religi\u00e3o. (O exemplo da Turquia j\u00e1 se encontra em perigo).<\/p>\n<p>O Ocidente, que s\u00f3 percebe da sua ideologia, n\u00e3o aprende e por isso estar\u00e1 condenado a seguir apenas os seus meros interesses econ\u00f3micos e estrat\u00e9gicos dando uma no cravo e outra na ferradura.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\nDe resto, o Ocidente continuar\u00e1 a lan\u00e7ar trigo nos moinhos do islamismo em troca de petr\u00f3leo e de mat\u00e9rias primas. Este s\u00f3 pode ser reformado com uma for\u00e7a interna que opere \u00e0 altura e com os mesmos meios da estrat\u00e9gica mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nantoniocunhajusto@googlemail.com<br \/>\nwww.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da Guerra pior que antes da Guerra \u2013 veja-se Iraque Ant\u00f3nio Justo O colonialismo moderno apenas acrescenta ao antigo a qualidade do seu cinismo. N\u00e3o faz guerra, encontra-se simplesmente em \u201cmiss\u00e3o\u201d. 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