{"id":2166,"date":"2012-01-10T15:38:26","date_gmt":"2012-01-10T14:38:26","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2166"},"modified":"2012-01-10T15:40:50","modified_gmt":"2012-01-10T14:40:50","slug":"universidade-da-lusofonia-para-a-integracao-lusofona-%e2%80%93-antecipar-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2166","title":{"rendered":"Universidade da Lusofonia para a Integra\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o lus\u00f3fono \u2013 Antecipar o Futuro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: x-large;\"><strong>Criar uma nova Sagres do Espa\u00e7o lus\u00f3fono<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\nA consci\u00eancia social, na sua din\u00e2mica de desenvolvimento foi evoluindo da organiza\u00e7\u00e3o de tribo para a estrutura de estado\/na\u00e7\u00e3o, encontrando-se hoje, no seu flanco mais avan\u00e7ado, na era p\u00f3s-nacional. Nesta era de mudan\u00e7as globais r\u00e1pidas, a n\u00edvel de supra-estruturas no sentido dum tecto comum, criam-se problemas de aferimentos de identidades culturais n\u00e3o chegando, para os resolver, uma ideologia apelativa ao progresso, ao dinheiro e rela\u00e7\u00f5es de mercado, como se estes possibilitassem a forma\u00e7\u00e3o duma plataforma metaf\u00edsica de identifica\u00e7\u00e3o comum. A velocidade do desenvolvimento \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pida que torna inseguras pessoas, na\u00e7\u00f5es e culturas com outro ritmo ou estado de desenvolvimento. <strong>Para corrigir o curso geral da sociedade global a caminho da entropia, o espa\u00e7o lus\u00f3fono unido teria de tomar medidas de fomento duma consci\u00eancia de perten\u00e7a a uma biosfera natural e cultural comum, formada por \u201cecossistemas\u201d \u00e9tnicos de converg\u00eancia numa rela\u00e7\u00e3o de complementaridade.<\/strong> O biossistema necessita do Sol tal como o \u201cbiossistema\u201d lus\u00f3fono precisar\u00e1 dum ide\u00e1rio\/viv\u00eancia comum. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel a implementa\u00e7\u00e3o dum sistema artificial de conex\u00f5es baseadas no mero interc\u00e2mbio mercantil sem se ter em conta o substrato humano de relacionamento alicer\u00e7ado na dignidade da pessoa humana e consequente comunidade.<\/p>\n<p><strong>Neste sentido, seria \u00f3bvio que os pa\u00edses do espa\u00e7o lus\u00f3fono (CPLP) se unissem na defini\u00e7\u00e3o dos pilares dum tecto metaf\u00edsico comum e para isso come\u00e7assem por criar um modelo de universidades de express\u00e3o conjunta que se tornassem em oficinas mentais de todo o espa\u00e7o lus\u00f3fono.<\/strong> Os pa\u00edses da CPLP poderiam criar uma nova escola de Sagres, para si e para o mundo, na continua\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito do Infante D. Henriques.<\/p>\n<p>Encontramo-nos num momento hist\u00f3rico de acentuada eros\u00e3o do sentido de solidariedade, de comunidade e de dignidade humana. A sociedade do mercantilismo liberalista global imp\u00f5e-se de maneira t\u00e3o vigorosa que as na\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem resistir \u00e0 sua for\u00e7a, sendo levadas na sua avalancha. Isto s\u00f3 serve o grupo restrito dos mais fortes. Com a crise da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental \u2013 civiliza\u00e7\u00e3o motora da Hist\u00f3ria global desde os descobrimentos portugueses &#8211; todo o mundo se encontra em crise. A crise \u00e9 uma oportunidade, uma situa\u00e7\u00e3o de gravidez que prepara o momento de dar \u00e0 luz um novo ser. Trata-se de reconhecer n\u00e3o s\u00f3 os sinais dos tempos mas tamb\u00e9m as leis da evolu\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A mundivis\u00e3o \u00e1rabe \u00e9 dominada sobretudo pelo princ\u00edpio da subjuga\u00e7\u00e3o e do medo, o mundo asi\u00e1tico pelo fado individualista\/ funcionalista, o mundo crist\u00e3o, que constituiria a mundivis\u00e3o mais integral, aberta e humanista, encontra-se numa fase de desnuda\u00e7\u00e3o da pessoa no sentido do indiv\u00edduo, a caminho dum tipo de homem chin\u00eas. <strong>O significado de pessoa e de comunidade s\u00e3o desvirtuados no sentido do indiv\u00edduo e do colectivo.<\/strong> Neste sentido convergem o comunismo materialista, o capitalismo liberal, o isl\u00e3o e uma certa filosofia tradicional asi\u00e1tica. (De referir que capitalismo e comunismo s\u00e3o filhos do cristianismo!)<\/p>\n<p><strong>A China e a \u00cdndia, se n\u00e3o se perderem em lutas intestinas, parecem preparar-se para determinar o destino da humanidade. Isto significar\u00e1 uma acentua\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o da pessoa para mero indiv\u00edduo (cliente e s\u00fabdito).<\/strong> Esta era, dum polite\u00edsmo oportuno, tem tanta for\u00e7a que amea\u00e7a arrastar, no seu movimento, n\u00e3o s\u00f3 na\u00e7\u00f5es, mas at\u00e9 uma civiliza\u00e7\u00e3o que pretendia compatibilizar monote\u00edsmo e polite\u00edsmo, pessoa e sociedade.<\/p>\n<p><strong>Neste contexto seria a hora de o espa\u00e7o lus\u00f3fono tentar salvaguardar o genu\u00edno esp\u00edrito humanista e social que at\u00e9 a Europa e a Am\u00e9rica p\u00f5em em perigo. Num mundo sem tecto metaf\u00edsico chove por todo o lado, em casa e na sociedade.<\/strong><\/p>\n<p>O espa\u00e7o crist\u00e3o inclui uma vis\u00e3o optimista do mundo, precisando naturalmente duma clivagem como demonstra a sua crise. Os princ\u00edpios da crise que dele surgiu cont\u00eam neles as for\u00e7as para a sua solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses lus\u00f3fonos t\u00eam j\u00e1 dado alguns passos no sentido duma maior interliga\u00e7\u00e3o e co-responsabiliza\u00e7\u00e3o. Uma solu\u00e7\u00e3o de perspectiva nacional n\u00e3o proporciona uma iniciativa \u00e0 altura da exig\u00eancia da \u00e9poca; esta precisa da complementa\u00e7\u00e3o dum valor maior, um ideal comum a realizar. <strong>O Brasil criou a Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Luso-Afro-Brasileira (Unilab) voltada para os pa\u00edses da \u00c1frica.<\/strong> O pr\u00f3ximo passo seria a cria\u00e7\u00e3o duma Universidade Aberta da Lusofonia para todo o espa\u00e7o lus\u00f3fono. Esta teria o fim de integra\u00e7\u00e3o cultural, social, pol\u00edtica, econ\u00f3mica sob a bandeira da l\u00edngua e duma mundivis\u00e3o crist\u00e3 aberta. O seu sentido seria fomentar uma cultura com uma identidade comum, partido de sinergias j\u00e1 existentes nos pa\u00edses da CPLP mas a ser alargadas a uma nova filosofia e consequente estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>A parceria solid\u00e1ria basear-se-ia no princ\u00edpio da complementaridade (conv\u00e9nios de coopera\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio cient\u00edfico e de pessoal entre universidades, conhecimento e aperfei\u00e7oamento das l\u00ednguas e culturas locais, aperfei\u00e7oamento art\u00edstico e iniciativas no sentido de celebra\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia da festa comum).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Uma Maneira diferente de estar no Mundo implica uma nova Estrat\u00e9gia ligada a uma Pedagogia diferente<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Um projecto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico do espa\u00e7o lus\u00f3fono ter\u00e1 sempre como ponto fulcral fomentar sinergias integradoras de polos extremos (masculinidade e feminidade). A l\u00edngua portuguesa \/ lusofonia \u00e9 o ponto de liga\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es cruzadas de indiv\u00edduos, tribos, ra\u00e7as, civiliza\u00e7\u00f5es, culturas e valores reunidos numa atitude diferente perante si e o mundo e numa maneira pr\u00f3pria de estar e de ser a n\u00edvel individual e social no e com o mundo. Neste sentido, ao repensar-se a lusofonia, no \u00e2mbito da CPLP, contribuir-se-ia para uma maneira diferente de estar no mundo; aquela maneira de ser que a alma lusa realizou antes nas descobertas e continua hoje a realizar na emigra\u00e7\u00e3o colaborando para a emancipa\u00e7\u00e3o integral. <strong>Esta maneira der estar diferente (em sociedade e no mundo) interpret\u00e1-la-ia deste modo: uma maneira de ser relacional, cum grano salis (com humor).<\/strong><\/p>\n<p><strong>A religi\u00e3o, a ci\u00eancia, a pol\u00edtica, a economia e a ideologia querem-se na sociedade e na vida apenas como partes complementares e encaradas com esp\u00edrito de humor. O mesmo se diga quanto \u00e0 energia masculina e feminina.<\/strong> A acentua\u00e7\u00e3o exagerada das for\u00e7as masculinas (virilidade) na sociedade e na pessoa conduziu-nos ao empasse em que nos encontramos momentaneamente. Seria interessante, neste contexto ocupar-nos, um pouco, com o esp\u00edrito luso, um esp\u00edrito mais m\u00e3e que pai e que por isso se antecipou nas descobertas e se encontra espalhado em migra\u00e7\u00e3o pelo mundo. <strong>Aquela atitude de alma escondida no cora\u00e7\u00e3o dos marinheiros portugueses e que seguia nas naus\/caravelas para novas paragens, realizava-se na admira\u00e7\u00e3o e mistura com as mulheres das novas paragens. Aqueles homens entregavam-se de cora\u00e7\u00e3o e alma, sem preconceito, nos bra\u00e7os delas, para nelas se perderem, e ressurgirem de novo mais acrescentados no mesti\u00e7o.<\/strong> Assim n\u00e3o s\u00f3 o Estado cumpria a miss\u00e3o civilizacional de dar novos mundos ao mundo mas tamb\u00e9m a alma lusa, a n\u00edvel individual, cumpria o seu destino de se rever criando e dando novos mundos ao mundo, nas novas ra\u00e7as, nas novas maneiras de estar. A alma lusa, um estado hibrido de homem e mulher, reconhece-se bem no mesti\u00e7o. Nela se junta o indiv\u00edduo e o colectivo e nela se esvaem os limites circundantes. A alma lusa n\u00e3o se deixa reduzir \u00e0 defini\u00e7\u00e3o. N\u00e3o faz a distin\u00e7\u00e3o clara entre poesia e prosa sabendo-se reunida na prosa po\u00e9tica. Sim, a alma lusa \u00e9 prosa po\u00e9tica num acontecer de prosa a deslizar na poesia.<\/p>\n<p>A componente civilizacional lusa ter\u00e1 que comportar sempre os diferentes pilares civilizacionais. Ultrapassa barreiras \u00e9tnicas, culturais e continentais. Em vez de cultivar um ressentimento contra os seus invasores, sabe assimilar o saber das civiliza\u00e7\u00f5es invasoras guardando delas, na mem\u00f3ria colectiva, o saber e tecnologias (dos fen\u00edcios, eg\u00edpcios, gregos, romanos, germanos, mouros\u2026) que lhe passaram pelo territ\u00f3rio. Por outro lado soube chamar a Sagres, os melhores especialistas da altura em quest\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o e astronomia. Dos seus antepassados, as tribos lusitanas, soube guardar o mito de que eram pac\u00edficas, mas valentes e bons guerrilheiros quando atacados. Este esp\u00edrito esteve na base do desenvolvimento do processo de miscigena\u00e7\u00e3o r\u00e1cica e cultural concretizado no <strong>milagre brasileiro da miscigena\u00e7\u00e3o<\/strong>. Esta componente civilizacional \u00e9 hoje continuada especialmente por portugueses e brasileiros espalhados pelo mundo. Onde chegam integram-se como outrora os nossos antepassados integraram o que lhe parecia estranho. Da\u00ed a sua experi\u00eancia: \u201c\u00c0 terra onde fores ter faz como vires fazer\u201d. <strong>Assim, sem se imporem, levaram ao mundo, com esp\u00edrito templ\u00e1rio simbolizado nas velas das suas caravelas (&#8220;cruz de goles&#8221;), a missiona\u00e7\u00e3o que foi o seu contributo civilizacional europeu para o mundo. Portugal foi precoce ao assumir, outrora, a pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gico como pol\u00edtica de Estado. Soube reunir o esp\u00edrito crist\u00e3o (converg\u00eancia da f\u00e9 de Israel, filosofia grega e jurisprud\u00eancia romana) ao saber tecnol\u00f3gico colocado como tarefa e miss\u00e3o de Estado.<\/strong> J\u00e1 no in\u00edcio da lusitanidade, a corte atraia a si os s\u00e1bios e t\u00e9cnicos do mundo, dando-lhes trabalho; Esta tradi\u00e7\u00e3o tem exemplo j\u00e1 no pr\u00f3prio D. Dinis que se rodeava de literatos doutras regi\u00f5es. Por outro lado, a toler\u00e2ncia portuguesa atraia tamb\u00e9m cientistas judeus perseguidos na Espanha. Numa estrat\u00e9gia de afirma\u00e7\u00e3o complementar soube integrar o esp\u00edrito tribal lusitano, godo, judaico latino e \u00e1rabe, tornando-o patrim\u00f3nio do portugu\u00eas e da na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se afirmando pela diferen\u00e7a mas pela integra\u00e7\u00e3o. Esta via constituiu a diferen\u00e7a lusa na sua maneira de estar no mundo. Quem hoje teria melhores condi\u00e7\u00f5es para liderar um tal projecto de lusofonia seria, certamente, o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Universidade da Lusofonia para a Integra\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o lus\u00f3fono<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Uma Universidade da Lusofonia para a Integra\u00e7\u00e3o lus\u00f3fona tornar-se-ia na Interface das diferentes culturas dos pa\u00edses da CPLP.<\/strong><\/p>\n<p>Nesta universidade deveriam privilegiar-se cursos de mais-valia na promo\u00e7\u00e3o duma identidade do espa\u00e7o lus\u00f3fono. Promo\u00e7\u00e3o do estudo da hist\u00f3ria e da sociologia\/antropologia dos diferentes bi\u00f3topos culturais sob um ponto de vista hermen\u00eautico e fenomenol\u00f3gico (sinopses comparativas e sinerg\u00e9ticas). Os cursos a ministrar deveriam abranger \u00e1reas de interesse m\u00fatuo e direccionados para o fomento duma consci\u00eancia comum: gest\u00e3o, Administra\u00e7\u00e3o (forma\u00e7\u00e3o de quadros), Economia, Hist\u00f3ria, Literatura, Arte, Teologia, Educa\u00e7\u00e3o, Cultura, Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Espa\u00e7o lus\u00f3fono, fenomenologia das suas mitologias, arqueologia, etc.<\/p>\n<p>Um curso de hermen\u00eautica das diferentes culturas e subculturas seria muito importante para se cristalizarem constantes de identifica\u00e7\u00e3o. Curso sobre os mitos base das nossas culturas e estudo comparativo entre elas sobre modelos, atitudes e n\u00edveis de valores morais.<\/p>\n<p>Isto promoveria, no espa\u00e7o lus\u00f3fono, o esp\u00edrito positivo e o sentido de perten\u00e7a e de vida como povo; sem sentido de vida, n\u00e3o se pode ter auto-estima, nem verdadeira autonomia nem rumo. O sentimento de inferioridade e o medo s\u00e3o a doen\u00e7a que leva a construir muros fortes mas que extinguem a liberdade, da qual surge o esp\u00edrito criativo. Como exemplo de consist\u00eancia (n\u00e3o de vida) podemos ter o mundo isl\u00e2mico que se define n\u00e3o pelo espec\u00edfico das na\u00e7\u00f5es mas pelo c\u00f3digo religioso e moral. (Naturalmente que este \u00e9 um exemplo de pr\u00e1tica antag\u00f3nico ao esp\u00edrito luso que se define a partir da base e da terra e n\u00e3o a partir de cima, como s\u00e3o, exemplo extremo, o sistema mu\u00e7ulmano e o sistema comunista da Coreia do Norte e da China. Deles s\u00f3 podemos aprender que a uni\u00e3o faz a for\u00e7a.)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: x-large;\">Uma Universidade Virtual da Lusofonia<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"font-size: medium;\">Uma outra via passaria pela cria\u00e7\u00e3o duma Universidade Virtual da Lusofonia em parceria (da CPLP) onde professores das diferentes universidades do mundo lus\u00f3fono, atrav\u00e9s da internet, poderiam come\u00e7ar por ministrar disciplinas gratuitamente (\u201cpor amor \u00e0 camisola\u201d, como se diz no mundo do futebol) ou orientassem cursos. Criar-se-ia uma esp\u00e9cie de universidade popular de alto n\u00edvel onde professores e estudantes online frequentassem, intercomunicassem e se pudesse credenciar os estudos feitos. Isto seria tecnicamente poss\u00edvel e concorreria para a democratiza\u00e7\u00e3o dum ensino de alto n\u00edvel (um tipo de ensino mais maternal e menos masculino). Como exemplo de funcionamento, a n\u00edvel de professores e de alunos, a Universidade Virtual da Lusofonia poderia orientar-se pela iniciativa do Professor Dr. Sebastian Thrun, um projecto fant\u00e1stico, que se serve de V\u00eddeo-confer\u00eancias, foros, chat, etc. <\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: medium;\">O nosso caminho faz-se a caminhar, no esp\u00edrito da orto-praxia da velha escola de Sagres. O caminho feito pode tornar-se num impulso para melhor se descobrir a pr\u00f3pria singularidade e para, no sentido da lusitanidade, cheguemos onde chegarmos, realizarmos a miss\u00e3o individual e comum de transformar o &#8220;Cabo das tormentas&#8221; em &#8220;Cabo da boa esperan\u00e7a&#8221;.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: medium;\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\">WWW.antonio-justo.eu<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\">PS. Este artigo foi feito na continua\u00e7\u00e3o de artigos concebidos sob o tema \u201cRepensar Portugal \/ Recriar o Ocidente &#8211; Activar a Lusofonia\u201d. Tenciono elaborar outros e public\u00e1-los todos numa monografia em livro. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: xx-large;\"><strong>Brasil &#8211; Pa\u00eds em Ascens\u00e3o assume Modelos decadentes<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: x-large;\"><strong>Facilitismo ocidental \u00e9 mau Exemplo para Pa\u00edses no Vigor da sua Juventude<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><br \/>\n\u201c\u00c9 proibido proibir\u201d,\u201d tudo \u00e9 relativo!\u201d, \u201cquem manda nos substratos inferiores \u00e9 a opini\u00e3o\u201d! Defendem os novos profetas da pol\u00edtica, da psicologia e da sociologia, oriundos de povos desenvolvidos mas j\u00e1 virados para o p\u00f4r-do-sol da civiliza\u00e7\u00e3o. Na\u00e7\u00f5es jovens deixam-se combalir por ideias e pr\u00e1ticas de decl\u00ednio, v\u00e1lidas talvez para civiliza\u00e7\u00f5es decadentes mas n\u00e3o para na\u00e7\u00f5es ou culturas ascendentes \u00e0 tribuna do desenvolvimento\u2026<\/p>\n<p>Uma rede de elites, a n\u00edvel internacional, une-se para, do alto do seu mirante, ditar as suas senten\u00e7as e impedir o desenvolvimento dos bi\u00f3topos culturais, tal como fez, na paisagem, uma economia que devastou as florestas naturais. Ao colonialismo econ\u00f3mico parece seguir-se o colonialismo cultural. Este parte de areais cerebrais aparentemente an\u00f3nimos e \u00e1vidos de poder! As na\u00e7\u00f5es abdicam de si mesmas para estarem atentas aos deuses do Olimpo no seu arrastar das cadeiras. Aqui troveja o deus da sociologia, acol\u00e1 pontifica o deus da moda, mais al\u00e9m ribomba um deus da universidade com outros deuses da jerarquia. E ao povo, mesmo culto, resta-lhes levantar a cabe\u00e7a e cacarejar como habitantes dum galinheiro.<\/p>\n<p>Enquanto na\u00e7\u00f5es culturalmente conscientes se preocupam em fomentar a qualidade do ensino, observa-se, em certas na\u00e7\u00f5es, a tenta\u00e7\u00e3o de educar para o facilitismo. Em nome duma socializa\u00e7\u00e3o do ensino, baixam-se os crit\u00e9rios de qualidade e as exig\u00eancias na maioria dos estabelecimentos de ensino estatal. Por outro lado as classes dominantes, conscientes da import\u00e2ncia da qualidade do ensino ministrado inscrevem seus filhos em escolas de qualidade (longe das favelas) ou no ensino privado, vocacionado para a qualidade.<\/p>\n<p>Uma ideologia da igualdade moment\u00e2nea exige: todo o aluno tem de passar de ano automaticamente, num sistema de ensino indiferenciado. Isto \u00e9 fraude \u00e0s classes sociais prec\u00e1rias e menos atentas. Estas s\u00f3 descobrem o dolo e o tempo perdido ao chegarem ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>A Divis\u00e3o do Pa\u00eds come\u00e7a com a Divis\u00e3o da L\u00edngua!<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do Brasil) distribuiu um livro por 4.236 escolas para quase meio milh\u00e3o de alunos que estabiliza barbaridades do discurso popular falado, como estas: &#8220;Os livro ilustrado mais interessante est\u00e3o emprestado&#8221;, &#8220;Voc\u00ea pode estar se perguntando: \u201cMas eu posso falar os livro?\u201d, \u201cn\u00f3s vai\u201d. Naturalmente que \u00e9 dever da escola pegar no aluno, com respeito por ele, no est\u00e1dio onde se encontra, independentemente do n\u00edvel da linguagem, mais ou menos adequada, por ele usada. \u00c9 natural que na perspectiva do meio popular a crian\u00e7a ao dizer \u201cn\u00f3s vai \u201en\u00e3o comete erro porque seguia o padr\u00e3o social ambiental. Onde n\u00e3o h\u00e1 ci\u00eancia n\u00e3o se pode culpar a consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Apesar dos reparos ao livro distribu\u00eddo, por cientistas da l\u00edngua, para o MEC, ele corresponde aos PCNs (Par\u00e2metros Curriculares Nacionais) &#8211;normas a serem seguidas por todas as escolas e livros did\u00e1cticos. O MEC argumenta: &#8220;A escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma \u00fanica forma &#8216;certa&#8217; de falar, a que parece com a escrita; e o de que a escrita \u00e9 o espelho da fala&#8221;, afirma o texto dos PCNs.<\/p>\n<p>O MEC parece considerar o ensino um acto colonizador sentindo-se mais propenso a incrementar um analfabetismo funcional. A eterna quest\u00e3o entre educar e instruir!<\/p>\n<p>A escola n\u00e3o pode querer a bagun\u00e7a da l\u00edngua nem pode esgotar-se no combate ao \u201cpreconceito lingu\u00edstico\u201d. A vida social, com as injusti\u00e7as sociais a ela inerentes, s\u00f3 se melhora ajudando os alunos a estarem preparados para enfrentarem a vida social e profissional com dignidade. A fonte do \u201cpreconceito\u201d est\u00e1 na injusti\u00e7a da desigualdade de oportunidades e esta come\u00e7a pela l\u00edngua. Quem vai para a escola acredita na ascens\u00e3o social. Tamb\u00e9m \u00e9 natural que qualquer variedade da l\u00edngua se adequa a uma situa\u00e7\u00e3o. O aluno deve ser especialmente preparado para se desembara\u00e7ar nas situa\u00e7\u00f5es mais exigentes. A m\u00e1 consci\u00eancia duma sociedade que discrimina \u00e0 nascen\u00e7a n\u00e3o remedia a situa\u00e7\u00e3o recorrendo apenas a eufemismos de linguagem. Apenas se desobriga sociol\u00f3gica e psicologicamente. Facto \u00e9 que o emprego duma linguagem inadequada pode constituir um erro para a vida pretendida.<\/p>\n<p>Sem esfor\u00e7o n\u00e3o se avan\u00e7a. A \u00e1gua n\u00e3o sobe pelos rios. Para subir tem de se \u201cespiritualizar\u201d em vapor. O mesmo se diga duma pessoa, dum povo ou duma cultura. Criar a impress\u00e3o que o progresso se alcan\u00e7a sem disciplina (regras gerais), sem vontade de subir, sem liberdade criativa \u00e9 discriminar pela negativa. Para baixo anda a chuva! Pensar faz doer, o ensino pressup\u00f5e uma pedagogia desadaptada da sociedade dominante. Doutro modo como aprender\u00e3o os alunos, em tempo \u00fatil, a \u201clevar a \u00e1gua ao seu moinho\u201d?<\/p>\n<p>Para andarmos na estrada precisamos de regras (c\u00f3digo ou regras de tr\u00e2nsito); para circularmos na sociedade precisamos de conhecer as regras da l\u00edngua (a gram\u00e1tica). Doutro modo passaremos a vida a andar por carreiros ou por estradas camar\u00e1rias sem termos a possibilidade de entrar nas auto-estradas da vida social.<\/p>\n<p>As elites hodiernas, sem conte\u00fados nem ideias humanos, optam pelo simplismo. Para oferecerem aos distra\u00eddos da vida t\u00eam sexo, divers\u00e3o e opini\u00e3o! Isto \u00e9 de gra\u00e7a para todos; o poder e o melhor p\u00e3o, esses s\u00e3o para os que se empenharam na sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No mundo da opini\u00e3o toda a gente tem raz\u00e3o. S\u00f3 que a l\u00edngua \u00e9 anterior \u00e0 filosofia e para se\u201d ter raz\u00e3o\u201d n\u00e3o chega a opini\u00e3o, \u00e9 precisa a raz\u00e3o que adv\u00e9m da sua fundamenta\u00e7\u00e3o. No mundo do dogma da verdade da opini\u00e3o preparam-se as pessoas a ter opini\u00e3o sem raz\u00e3o e assim a aceitarem a opini\u00e3o sem destrin\u00e7a. Nisto est\u00e1 interessado um globalismo que pretende reservar para poucos a capacidade de pensar e v\u00ea na forma\u00e7\u00e3o s\u00e9ria da maioria um impedimento \u00e0s suas arbitrariedades. Manter um povo na incapacidade de se expressar \u00e9 o melhor pressuposto para uma ditadura consistente e para impedir a concorr\u00eancia de poss\u00edveis competidores treinados.<\/p>\n<p>A defesa e empenhamento pelo proletariado n\u00e3o podem abdicar da qualidade; n\u00e3o chega o \u201epara quem \u00e9, bacalhau basta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>O Homem define-se e desenvolve-se pela L\u00edngua<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na capacidade de diferencia\u00e7\u00f5es dentro duma l\u00edngua, podemos observar a maior ou menor capacidade de express\u00e3o dum povo. Ela \u00e9 como que a sua matriz e d\u00e1 testemunho do seu maior ou menor grau de desenvolvimento intelectual.<\/p>\n<p>A l\u00edngua \u00e9 ao mesmo tempo a minha casa e a minha \u00c1gora. Ela \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 abrigo mas tamb\u00e9m express\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o. Para se abrigar, tanto chega uma palhota, uma favela, como um pal\u00e1cio. Como vivemos num mundo do \u201chomo homini lupus\u201d temos por\u00e9m que preparar o aluno\/a com instrumentos adequados. Antigamente dizia-se: \u201cpela aragem se v\u00ea quem vai na carruagem\u201d.<\/p>\n<p>Um esp\u00edrito decadente e uma proletariza\u00e7\u00e3o da cultura est\u00e3o cada vez mais na moda.<\/p>\n<p>Quem defende a proletariza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, ao orientar-se por um padr\u00e3o minimalista e miserabilista, atrai\u00e7oa o interesse do proletariado. Este tem de exercitar o seu intelecto e aprender formas mais complicadas de entender uma realidade complexa. A c\u00fapula da pir\u00e2mide n\u00e3o desce \u00e0 base prolet\u00e1ria; esta \u00e9 que tem de se preparar e consciencializar da subida. \u201cPara cima s\u00f3 os anjos ajudam; para baixo todos os diabos empurram!\u201d<br \/>\nEm geral reconhece-se que a matem\u00e1tica e o latim s\u00e3o grandes meios auxiliares de estrutura\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro e do pensamento.<\/p>\n<p>O ensino s\u00e9rio duma gram\u00e1tica coerente \u00e9 certamente o primeiro instrumento de organiza\u00e7\u00e3o e ordena\u00e7\u00e3o mental que n\u00e3o deve ser recusado ao povo, seja ele o mais pobre e alheio \u00e0 cultura oficial! Regras n\u00e3o inibem a criatividade. S\u00e3o pelo contr\u00e1rio o seu pressuposto. A criatividade ordena o caos. Pressup\u00f5e intelig\u00eancia e esfor\u00e7o!<\/p>\n<p>Pa\u00edses que ainda n\u00e3o atingiram o apogeu do seu desenvolvimento n\u00e3o se devem deixar orientar pelo relativismo decadente vigente nos povos ocidentais interessados em n\u00e3o ca\u00edrem sozinhos.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds como o Brasil, para assumir a lideran\u00e7a do continente sul-americano tem que arrogar-se responsabilidade apostando sobretudo na forma\u00e7\u00e3o do povo. O relativismo decadente assumido em pol\u00edtica de l\u00edngua pode ser um sinal de que o Brasil n\u00e3o se quer preparar para assumir tal posi\u00e7\u00e3o! O pa\u00eds n\u00e3o se pode perder em repetir experi\u00eancias de povos decadentes. Deve ter a coragem de errar por si para aprender; tem de crer para poder!<br \/>\nResta muito por fazer. Desenvolver a criatividade no sentido da lusofonia.<br \/>\n&#8221; Mesmo o mais corajoso entre n\u00f3s s\u00f3 raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece&#8221;, Nietzsche (citado em JORNAL DE OLEIROS).<br \/>\nBoa noite Brasil!<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nantoniocunhajusto@googlemail.com<br \/>\nwww.antonio-justo.eu<br \/>\n(Direitos de autoria reservados)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criar uma nova Sagres do Espa\u00e7o lus\u00f3fono Ant\u00f3nio Justo A consci\u00eancia social, na sua din\u00e2mica de desenvolvimento foi evoluindo da organiza\u00e7\u00e3o de tribo para a estrutura de estado\/na\u00e7\u00e3o, encontrando-se hoje, no seu flanco mais avan\u00e7ado, na era p\u00f3s-nacional. Nesta era de mudan\u00e7as globais r\u00e1pidas, a n\u00edvel de supra-estruturas no sentido dum tecto comum, criam-se problemas &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2166\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">Universidade da Lusofonia para a Integra\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o lus\u00f3fono \u2013 Antecipar o Futuro<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,14,4,5,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-2166","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2166","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2166"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2166\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2168,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2166\/revisions\/2168"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}