{"id":2163,"date":"2012-01-05T23:24:28","date_gmt":"2012-01-05T22:24:28","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2163"},"modified":"2012-01-05T23:24:28","modified_gmt":"2012-01-05T22:24:28","slug":"emigrantes-o-meu-partido-e-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2163","title":{"rendered":"EMIGRANTES &#8211; O MEU PARTIDO \u00c9 PORTUGAL"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>Boicote do Envio de Remessas de Emigrantes \u2013 Um Apelo ao Gosto medi\u00e1tico mas infeliz<\/strong><\/span><br \/>\nAnt\u00f3nio Justo<br \/>\n&#8220;Osnabr\u00fcck N\u00e3o Desiste&#8221; surgiu, como protesto contra o encerramento do respectivo vice-consulado a efectuar-se a 13 de Janeiro. Ultimamente veio para a arena pol\u00edtica com uma campanha que apela ao bloqueio de envio de remessas para Portugal. &#8220;Nantes n\u00e3o desiste&#8221; seguiu nas suas pegadas. Esta \u00e9 uma reac\u00e7\u00e3o contra os cortes do governo efectuados nos postos consulares e no ensino.<br \/>\nRecomendar que se envie ou deixe de enviar dinheiro para Portugal \u00e9 problem\u00e1tico, porque em toda a parte o dinheiro pode ser investido de forma produtiva ou de forma est\u00e9ril e com esta iniciativa n\u00e3o se ajudam os portugueses nem Portugal.<br \/>\nIniciar assim uma forma de campanha contra o Governo tamb\u00e9m n\u00e3o convence por instrumentalizar partidariamente um tema a favor da oposi\u00e7\u00e3o, quando governo e oposi\u00e7\u00e3o, no fundo, nunca tomaram a s\u00e9rio os emigrantes. Em nome de interesses parciais vai-se contra o todo. O factor\/tema econ\u00f3mico migrante tornar-se-ia relevante se integrado numa pol\u00edtica estruturada de fomento regional.<br \/>\n<strong>A emigra\u00e7\u00e3o sempre foi uma chaga aberta na na\u00e7\u00e3o. Foi sempre uma fonte lucrativa para o Estado para assim poder equilibrar o seu or\u00e7amento e, ao mesmo tempo, um meio de fomento gratuito\/espont\u00e2neo das regi\u00f5es do interior e uma maneira de n\u00e3o deixar cair muitas fam\u00edlias na mis\u00e9ria.<\/strong><br \/>\n&#8220;Osnabr\u00fcck N\u00e3o Desiste&#8221; fundamenta a sua iniciativa afirmando: &#8220;Quando o nosso pa\u00eds, a nossa p\u00e1tria, nos vira as costas, vemo-nos for\u00e7ados a fazer o mesmo, n\u00e3o enviando dinheiro para Portugal, n\u00e3o investindo em Portugal&#8221;. Este apelo \u00e9 demag\u00f3gico e partid\u00e1rio. O nosso pa\u00eds, a nossa p\u00e1tria n\u00e3o se pode identificar com o programa dum governo nem com os interesses duma oposi\u00e7\u00e3o em combat\u00ea-lo. Governo e oposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o Portugal, numa perspectiva de terra livre de coutadas. (O PS deveria distanciar-se desta campanha organizada em cima dos joelhos por membros seus).<br \/>\nSim, o meu partido \u00e9 Portugal e o seu povo tamb\u00e9m. Portugal e os cidad\u00e3os t\u00eam andado demasiadamente preocupados com problemas de est\u00f4mago e de vaidade para poderem estar atentos \u00e0 sua miss\u00e3o hist\u00f3rica. Perderam-na de vista com o enterro de Cam\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o seria leg\u00edtimo reduzir os emigrantes a portugueses de desobriga nem utiliz\u00e1-los para fins escuros.<br \/>\nO economista Pascoal de Lima, referindo-se \u00e0 iniciativa de os portugueses emigrantes boicotarem o envio de remessas para Portugal diz: &#8220;\u00c9 claro que pode ter um efeito te\u00f3rico, e sobretudo a tr\u00eas n\u00edveis: aumentaria a pobreza, diminuiria o bem-estar das fam\u00edlias e teria impacto na redistribui\u00e7\u00e3o das riquezas no pa\u00eds; representaria uma diminui\u00e7\u00e3o do crescimento, do emprego e da produtividade do trabalho e do capital; e pioraria a situa\u00e7\u00e3o do d\u00e9fice da balan\u00e7a comercial portuguesa&#8221;.<br \/>\nDe facto, os emigrantes\/lusodescendentes, em 2010 enviaram para Portugal 2.400 milh\u00f5es de Euros. Os emigrantes portugueses da Alemanha, de momento 114.552, enviaram 120 milh\u00f5es de Euros; o valor das remessas da Fran\u00e7a, com um milh\u00e3o de portugueses, foi cerca de 180 milh\u00f5es de euros.<br \/>\n<strong>Um sistema que produz emigrantes nunca \u00e9 favor\u00e1vel ao emigrante. A m\u00e1 consci\u00eancia nacional quer esquec\u00ea-los e o consequente sentimento de culpa quer desprez\u00e1-los. Aqueles que saem s\u00e3o estigmatizados por uma in\u00e9rcia comodista que n\u00e3o tem nem faz por ter.<\/strong> A emigra\u00e7\u00e3o, num pa\u00eds, j\u00e1 com valores m\u00ednimos de natalidade na Europa, fomenta a entropia, a inveja e o ressentimento. A emigra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem contribu\u00eddo, em Portugal, para o fomento dum esp\u00edrito civil rotineiro, acomodado e oportunista. Ela condiz \u00e0 letargia da na\u00e7\u00e3o que, em vez de se habituar a encarar os problemas de frente, foge deles, vivendo do subterf\u00fagio. De facto, ao sair do pa\u00eds o potencial contestador din\u00e2mico que criaria um clima de protesto contra as institui\u00e7\u00f5es estatais, evita-se a insurrei\u00e7\u00e3o e propaga-se a acalmia. A for\u00e7a renovadora e cr\u00edtica que poderia surgir da insatisfa\u00e7\u00e3o dissolve-se no tubo de escape da na\u00e7\u00e3o que \u00e9 a emigra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA ostenta\u00e7\u00e3o do dinheiro dos migrantes e a experi\u00eancia acrescentada que trazem, da maior interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica dos pa\u00edses onde trabalham e da maior correc\u00e7\u00e3o c\u00edvica de institui\u00e7\u00f5es sociais e jur\u00eddicas, leva-os, quando est\u00e3o de f\u00e9rias, a criticar um status quo que se sente provocado e se quer aceite. Isto acirra a inveja nos que ficam e conduz a uma agress\u00e3o latente que se traduz num ignor\u00e1-los nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, interessados, quando muito, em hist\u00f3rias de coitadinhos.<br \/>\nA administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica portuguesa, embora uma das mais modernas no mundo, a n\u00edvel de dados e de servi\u00e7os computadorizados, continua com um funcionalismo frequentemente antiquado, a n\u00edvel de mentalidade. O senhor licenciado que tem cargo \u00e9 o senhor doutor e o outro que se encontra do outro lado do balc\u00e3o \u00e9 frequentemente reduzido a cliente ignorante que se procura despachar mas n\u00e3o servir.<br \/>\nMuitas reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ainda funcionam como um sistema a fundos perdidos. O \u201csistema dos amigos, e da companhia limitada dos camaradas\u201d emperra o sistema.<br \/>\n\u00c9 a lei do progresso: a m\u00e1quina do poder institu\u00eddo em Portugal, antigamente, favorecia a burguesia; a partir da Rep\u00fablica favorece os parasitas e os oportunos. Antigamente, viam-se obrigados a sair, os pobres e os voluntariosos, hoje, o que \u00e9 mais grave, s\u00e3o obrigados a sair tamb\u00e9m os acad\u00e9micos.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 t\u00e3o s\u00e9ria que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel levantar-se sozinho dum p\u00e2ntano financeiro em que os crocodilos se encontram por todo o lado \u00e0 cuca. <strong>Interessante seria se todas as comunidades portuguesas na Alemanha e na Fran\u00e7a levantassem a sua voz perante a opini\u00e3o p\u00fablica dos respectivos pa\u00edses solicitando que invistam em Portugal. S\u00f3 o investimento estrangeiro poder\u00e1 tornar-se numa medida racional que evite a bancarrota dos estados da periferia. Todas as outras medidas podem revelar-se num atentado \u00e0 democracia.<\/strong><br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nantoniocunhajusto@googlemail.com<br \/>\nwww.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boicote do Envio de Remessas de Emigrantes \u2013 Um Apelo ao Gosto medi\u00e1tico mas infeliz Ant\u00f3nio Justo &#8220;Osnabr\u00fcck N\u00e3o Desiste&#8221; surgiu, como protesto contra o encerramento do respectivo vice-consulado a efectuar-se a 13 de Janeiro. 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