{"id":2156,"date":"2011-12-23T00:33:03","date_gmt":"2011-12-22T23:33:03","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2156"},"modified":"2011-12-23T00:39:21","modified_gmt":"2011-12-22T23:39:21","slug":"natal-%e2%80%93-a-realidade-gravida-a-dar-a-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2156","title":{"rendered":"Natal \u2013 A Realidade gr\u00e1vida a dar \u00e0 Luz"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>No estresse do tempo tudo \u00e9 movimento, um vai e vem, de vida tamb\u00e9m. O tempo mais escuro, os desejos mais libertos, as compras menos necessitadas, as recorda\u00e7\u00f5es mais envolventes, um mundo mais inteiro e pr\u00f3ximo, tudo junto, cria um panorama nost\u00e1lgico, um sentimento de saudade envaginante. Natal, o mundo inteiro paira no ar, num c\u00e9u feito de nuvens e sol: \u00e9 p\u00f4r de sol no amanhecer.<\/p>\n<p>Natal \u00e9 o tempo dos tempos a gerar outro tempo.<strong> <\/strong>N\u00e3o \u00e9 tempo linear, \u00e9 tempo completo, de pensamento, emo\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o em sintonia. <strong>Tempo de viver em primeira-m\u00e3o. Natal \u00e9 dar \u00e1 luz na gruta que somos n\u00f3s, onde a fonte do amor jorra, a fa\u00falha divinal brilha. Nela se re\u00fane a concep\u00e7\u00e3o ao dar \u00e0 luz. Tudo \u00e9 receber, tudo \u00e9 oferta, \u00e9 absorver algo em si e voltar a d\u00e1-lo, num processo de engravidecer e dar \u00e0 luz. Ao realiz\u00e1-lo, somos Maria com a crian\u00e7a no rega\u00e7o, no nosso seio acolhemos a vida, o outro para com ele nos darmos \u00e0 luz, nos tornarmos pres\u00e9pio, o lugar o a acontecer.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Natal \u00e9 o tempo alto,<\/strong> tempo de elan vital, de alento intelectual e emocional a deslizar no acontecer. \u00c9 o outro lado do tempo cronol\u00f3gico para se tornar no kair\u00f3s (\u201co momento certo\u201d ou \u201coportuno\u201d \u2013 para l\u00e1 do passado-presente -futuro).<\/p>\n<p><strong>Natal \u00e9 tempo de Desejos.<\/strong> Desejos de recolhimento, dedica\u00e7\u00e3o e reconhecimento juntam-se \u00e0 lareira do lar, a celebrar o pres\u00e9pio, a fam\u00edlia universal. Re\u00fanem-se desejos altos e nobres; anseios satisfeitos e insatisfeitos num aug\u00fario de harmonia geral.<\/p>\n<p><strong>Natal \u00e9 tempo da crian\u00e7a em n\u00f3s. <\/strong>A crian\u00e7a em n\u00f3s, filha dum desejo, a desejar crescer! Nela o natal \u00e9 criativo, m\u00e1gico e santo. Um pres\u00e9pio, um pinheiro, uma fogueira a arder numa lareira, num cora\u00e7\u00e3o. Ao olharmos a vida com o olhar duma crian\u00e7a sentimos, em todo o lugar, natal a acontecer. Deus \u00e9 crian\u00e7a, um la\u00e7o que tudo une.<\/p>\n<p><strong>Natal \u00e9 tempo de rituais.<\/strong> Tudo s\u00e3o rituais, de la\u00e7os a unir o baixo e o alto, o c\u00e9u e a terra, a luz e a sombra, os animais e as pessoas no mesmo plano. Vive-se nele uma aura de emo\u00e7\u00e3o, de pequenos e grandes num dar e receber, a uni\u00e3o universal no mesmo ritual. Deus \u00e9 fogo que inebria toda a humanidade numa espiritualidade que desempederne e vivifica; tal como o sol na paisagem da natureza, ele \u00e9 sol menino, para todos a diluir as nuvens do medo e das cercas que nos encarceram.<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Natal e tempo dos presentes.<\/strong> Nele somos presentes (dons) num mundo \u00e0 espera de n\u00f3s. Nos<strong> <\/strong>presentes embalados com la\u00e7os de amor, se ata a dedica\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia do outro. Neles nos tornamos completos, revitalizamos em n\u00f3s aquela crian\u00e7a que somos, aquela vitalidade inocente, por vezes, amarrada e reprimida, numa exist\u00eancia programada sem sonho nem guarida. Na embalagem do Natal, ao desatarmos as fitas, descobrimos a gra\u00e7a da oferta tornando-se a embalagem j\u00e1 n\u00e3o fronteira mas mensageiro de uni\u00e3o na compaix\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Natal \u00e9 tempo da fam\u00edlia.<\/strong> Num ritual prot\u00f3tipo, uma vez no ano, todo o mundo se junta na fam\u00edlia em torno do menino que d\u00e1 \u00e0 luz o mundo. Nele o par reconhece a individualidade para passar \u00e0 comunidade. Um \u00e9 um, dois \u00e9 par, s\u00f3 tr\u00eas \u00e9 comunidade (no tr\u00eas est\u00e1 todo o outro). Natal \u00e9 tempo de fam\u00edlia numa \u00e9poca da Hist\u00f3ria ocidental nada familiar mais pronta a receber, a petrificar do que a dar \u00e0 luz.<\/p>\n<p><strong>Natal \u00e9 tempo de conflitos. <\/strong>O facto de a fam\u00edlia passar mais tempo junta possibilita conflitos. Estes, geralmente prov\u00eaem de expectativas acrescidas, conscientes e inconscientes. Geralmente s\u00e3o fruto natural da meteorologia actuante em cada um de n\u00f3s, tal como na natureza: fases de acalmia, baixas e altas press\u00f5es. Porque responsabilizar, ent\u00e3o, o outro pelo estado do tempo que grassa na paisagem do nosso ser ou do grupo?<\/p>\n<p><strong>Esta \u00e9poca de natal tamb\u00e9m se revela mais dif\u00edcil para pessoas \u00e0 margem ou para pessoas cerebrais que preferem viver no s\u00f3t\u00e3o das ideias do que descer ao andar da emo\u00e7\u00e3o.<\/strong> Na casa de cada ser, tal como nas cercas sociais, encontram-se pessoas que gostam mais de viver expostas ao sol da raz\u00e3o e outras mais recolhidas na sombra da emo\u00e7\u00e3o. Jogar uns contra os outros seria desconhecer os soalheiros e os sombrios em n\u00f3s, seria desprezar a natureza. Esta \u00e9poca torna-se especialmente dif\u00edcil para quem vive s\u00f3. Todos precisamos de rituais e estes s\u00f3 se realizam e satisfazem no encontro. Importante ser\u00e1 a organiza\u00e7\u00e3o dum ritual, seja ele em fam\u00edlia, na igreja, na cadeia, num hospital, em forma de viagem, ou de retiro espiritual. De ter em conta tamb\u00e9m quem tem problemas digestivos em quest\u00f5es de religi\u00e3o. O problema situa-se frequentemente na espectativa; dela<strong> <\/strong>surge, muitas vezes, o desengano, porque ou se esperava mais ou se espera outra coisa. Os banqueiros e tabeli\u00f5es da festa c\u00e1 estar\u00e3o para a utilizar, desvalorizar ou rebaixar.<\/p>\n<p><strong>Natal \u00e9 tempo de dor, tamb\u00e9m. <\/strong>Na pra\u00e7a passa a sede dum tempo novo. No ch\u00e3o, leis enlameadas, tornam a pra\u00e7a escorregadia. No ar sombrio dum pa\u00eds \u00e1rido, se ergue, nas nuvens da amargura, o gralhar da dor de doentes, desempregados, desiludidos e n\u00e3o amados. Nas ruas passam sombras invertidas. Muitas ruinas de vida, no ch\u00e3o, estendidas! Esbo\u00e7os no ch\u00e3o, \u00e0 espera do presente. A <strong>salva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma crian\u00e7a pequena numa gruta desamparada a palrar: \u201cestou, aqui, fraco para que possas ser forte\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Natal \u00e9 tempo de festa. <\/strong>Festas s\u00e3o momentos de interrup\u00e7\u00e3o do dia-a-dia. S\u00e3o momentos altos de religa\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. Nelas se presencia o sentimento festivo de intimidade, a voz do mundo a ressoar em mim em ti, no n\u00f3s. No natal a vida re\u00fane-se em festa. A natureza unida \u00e0 divindade toca-nos porque no \u00edntimo do pres\u00e9pio, no interior de cada um, flagra uma chama, <strong>sorri uma crian\u00e7a<\/strong>. \u00c9 a resson\u00e2ncia que nos irmana em n\u00f3s a crian\u00e7a desamparada \u00e0 espera de doa\u00e7\u00e3o. O fruto da doa\u00e7\u00e3o, da entrega, \u00e9 amor.<\/p>\n<p>No Natal, independente do credo, celebra-se a humanidade, por isso Natal \u00e9 a festa mais humana de todas as festas. O mundo e n\u00f3s mudamos; o natal em n\u00f3s permanece: Deus a tornar-se homem para que o amor viva em e entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/wp-content\/uploads\/Weihnachtsgru%C3%9F-DE-PT1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-2161\" title=\"SAMSUNG DIGITAL CAMERA\" src=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/wp-content\/uploads\/Weihnachtsgru%C3%9F-DE-PT1-898x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"729\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ant\u00f3nio Justo No estresse do tempo tudo \u00e9 movimento, um vai e vem, de vida tamb\u00e9m. 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