{"id":2144,"date":"2011-12-14T17:12:10","date_gmt":"2011-12-14T16:12:10","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2144"},"modified":"2011-12-14T18:24:27","modified_gmt":"2011-12-14T17:24:27","slug":"as-multinacionais-do-capital-%e2%80%93-o-novo-cavalo-de-troia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2144","title":{"rendered":"As Multinacionais do Capital \u2013 O novo Cavalo de Tr\u00f3ia"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: xx-large;\"><strong>Na\u00e7\u00f5es Ref\u00e9ns do Sistema Polvo dos Dinossauros das Finan\u00e7as<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>O cavalo troiano, enquanto os cidad\u00e3os dormem, vai-se inserido dentro das muralhas das na\u00e7\u00f5es. Os mercen\u00e1rios ganham terreno de dia para dia. Protege-os a lei da guerra: a lei do mais forte. Em consequ\u00eancia da crise, os estados est\u00e3o a efectuar a privatiza\u00e7\u00e3o da sua prata da casa que \u00e9 comprada por multinacionais a caminho do monop\u00f3lio. Em vez de se tentar democratizar a economia assistimos ao processo inverso de aliena\u00e7\u00e3o do poder nos dinossauros (Dinos) da economia.<\/p>\n<p>Por outro lado deparamos diariamente nos Media com uma realidade encenada, em que a opini\u00e3o publicada aponta para um alvo mas a Realidade acontece em outros lugares. Os \u201cdinos\u201d globais querem um mundo unipolar (americano) pelo que apostam todas as suas cartadas no impedimento do surgir de contrapolos.<\/p>\n<p><strong>De momento todo o mundo se preocupa com o Euro quando se deveria preocupar com o D\u00f3lar.<\/strong> Uma tempestade num copo de \u00e1gua, pelo facto de a EU ser forte embora enfraquecida pela praga dos especuladores mundiais e de ego\u00edsmos nacionais.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es da interven\u00e7\u00e3o dos USA no Iraque ter\u00e1 sido o facto de Sadam Hussain ter tornado p\u00fablica a ideia de assumir o Euro como moeda mundial de refer\u00eancia em substitui\u00e7\u00e3o do petrod\u00f3lar.<\/p>\n<p><strong>Actualmente, a Uni\u00e3o Europeia (EU) tem um d\u00e9fice or\u00e7ament\u00e1rio de 4% e os USA de 10%. A quota de desemprego em 2011 na EU \u00e9 de 7,5%, a dos USA \u00e9 de 9%. A d\u00edvida p\u00fablica da EU \u00e9 de 88% do PIB e a dos USA \u00e9 de 100% do PIB. Os USA encontram-se mais endividados que Portugal.<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: xx-large;\"><strong>Americaniza\u00e7\u00e3o da Europa e do Mundo<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 de admirar que os USA fa\u00e7am tudo por tudo por impedir que o Euro se torne forte e concorra como D\u00f3lar na qualidade de moeda mundial de reserva. Isso revelar-se-ia catastr\u00f3fico para os USA.<\/strong> Tamb\u00e9m por isso o horrendo capital mundial, nas m\u00e3os de poucos, usa as ag\u00eancias de rating como lan\u00e7a avan\u00e7ada para defesa dos seus interesses econ\u00f3micos, equacionados nos dos USA. As ag\u00eancias de rating tornaram-se num \u00f3rg\u00e3o de controlo econ\u00f3mico-pol\u00edtico-social para defesa das multinacionais do capital e <strong>num instrumento contra a emancipa\u00e7\u00e3o que surge da base<\/strong>. T\u00eam a vantagem de possu\u00edrem conhecimento interno de que podem abusar. (Curioso \u00e9 o facto dos pa\u00edses da EU terem uma cl\u00e1usula legal pela qual aceitam as an\u00e1lises das ag\u00eancias rating como crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o do estado das economias). <strong>Tamb\u00e9m o modelo duma Europa forte, apesar da sua componente social, n\u00e3o convinha; da\u00ed tornar-se \u00f3bvia a guerra internacional contra o Euro.<\/strong> <strong>Uma Europa forte e social poderia tornar-se num \u201cmau exemplo\u201d de justi\u00e7a social, para outros continentes, o que perturbaria a oligarquia do dinheiro, para quem ideias sociais e humanistas constituem um estorvo num processo de americaniza\u00e7\u00e3o do mundo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Na Europa \u00e9 cada vez mais evidente a guerra das multinacionais financeiras contra o trabalhador, contra a democracia e contra os Estados<\/strong>. Quer-se a socializa\u00e7\u00e3o da pobreza a todo o custo e a globaliza\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria. Os vencimentos dos cargos de cimeira (sector Bancos, Energia e multinacionais) dos pa\u00edses pobres foram propriamente igualados aos dos pa\u00edses ricos (medida fomentadora do esp\u00edrito mercen\u00e1rio e de traidores dos interesses regionais) e ao mesmo tempo assiste-se, na base da pir\u00e2mide social, a um processo de igualiza\u00e7\u00e3o dos ordenados pelos dos pa\u00edses mais pobres. J\u00e1 se chega ao extremo de se encontrarem pessoas a trabalhar na gastronomia ganhando 5 Euros \u00e0 hora na Alemanha e 3 euros em Portugal. Querem o lucro \u00e0 custa da honra e da mis\u00e9ria. O colonialismo e a explora\u00e7\u00e3o passaram a n\u00e3o ter rosto, tornaram-se an\u00f3nimos e por isso irresponsabiliz\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>A globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1-se a revelar como destruidora de Estados e contra os progressos adquiridos na Europa. <\/strong>Assistimos, laboral, cultural, democr\u00e1tica e socialmente, a um retrocesso. O ensino tamb\u00e9m \u00e9 proletarizado nas escolas e nas universidades especializa-se de modo a um t\u00e9cnico ser dependente da m\u00e1quina que serve. (Pensar faz doer e quem pensa tem poder, da\u00ed limitar o saber\u2026). Os estados controlam cada vez mais descaradamente o cidad\u00e3o, com uma administra\u00e7\u00e3o centralista, em nome dum terrorismo latente.<strong> O pr\u00f3prio parlamento europeu encontra-se marginalizado pelo activismo dos chefes de governo puxados pela trela das d\u00edvidas e dos juros usur\u00e1rios do imperialismo do capital e pelos seus boys nas institui\u00e7\u00f5es de poder mundial. <\/strong>Os Bancos e as Bolsas com as suas ag\u00eancias de rating passaram a fiscalizar os Estados, invertendo-se assim os termos. Os mercados financeiros, n\u00e3o s\u00e3o regulados, os seus donos consideram o mundo como um casino, onde o seu lucro se adquire \u00e0 custa do azar dos outros. Estamos numa situa\u00e7\u00e3o em que o capital an\u00f3nimo se tornou num polvo monstro que suga o esp\u00edrito e o corpo das na\u00e7\u00f5es. S\u00f3 se criam instrumentos de controlo em favor do capital como a troika, faltam projectos de fomento de crescimento. <strong>As medidas, a n\u00edvel econ\u00f3mico, em curso apenas d\u00e3o continuidade, por outras vias, \u00e0s antigas guerras europeias entre o centro e a periferia. <\/strong>Onde a intelig\u00eancia n\u00e3o chega domina a esperteza.<\/p>\n<p><strong>Com a queda do muro de Berlim e das ditaduras de Leste a pol\u00edtica ajoelhou. N\u00e3o foi capaz de se organizar e antecipar aos \u201cdinos\u201d das finan\u00e7as que se tornaram numa supra-estrutura global com mais poder que as pol\u00edticas nacionais. Eles escondem-se \u00e0 sombra de organiza\u00e7\u00f5es como o Banco Mundial, FMI, OMC, etc.<\/strong><\/p>\n<p>Os juros usur\u00e1rios s\u00e3o uma forma de viol\u00eancia estrutural sustentada. A OMC (com 147 Estados) pretende a liberaliza\u00e7\u00e3o total e assim legitimar o poder dos mais fortes. Estes s\u00e3o formados pelo escol encoberto das na\u00e7\u00f5es.<strong> Criam a liberdade para o capital e cercas para os emigrantes. <\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: xx-large;\"><strong>Cavalo de Tr\u00f3ia j\u00e1 dentro das Muralhas da EU<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Tr\u00f3ia era uma cidade mitol\u00f3gica bem organizada e rica da antiguidade<\/strong>. Os gregos, seus vizinhos, que eram muito fortes e ambiciosos, ansiavam pelos seus bens. Mas as muralhas de Tr\u00f3ia eram muito altas. Um dia aproximaram-se para a assaltarem. Perante a longa resist\u00eancia troiana pensaram numa artimanha: construir um grande cavalo de madeira, deix\u00e1-lo junto \u00e0s muralhas com alguns mercen\u00e1rios l\u00e1 dentro e fingir deixar o cerco da cidade. Os troianos, admirados, pela retirada do ex\u00e9rcito grego mais se admiraram ainda com o grande cavalo de madeira deixado pelo inimigo junto \u00e0s muralhas; os troianos pensando que este era um sinal de rendi\u00e7\u00e3o dos gregos, fizeram rodar o cavalo para o interior das muralhas, muito embora sob os protestos dum velho sacerdote. Pela calada da noite, quando os troianos dormiam, os mercen\u00e1rios gregos sa\u00edram do ventre do cavalo, abriram as portas da cidade; ent\u00e3o os soldados gregos entraram vencendo e escravizando os troianos.<\/p>\n<p><strong>Na Europa dos anos 60-80 viviam tamb\u00e9m v\u00e1rios povos em paz empenhados na constru\u00e7\u00e3o duma democracia cada vez mais humana; viviam sem muralhas e tinham uma rede social que amparava os mais fracos num esp\u00edrito de subsidiariedade. <\/strong>Aqui, praticamente todos tinham trabalho com f\u00e9rias satisfat\u00f3rias, assist\u00eancia social e possibilidade para viajarem pelo mundo. Tornaram-se t\u00e3o fortes que at\u00e9 conseguiram despertar a inveja dos pa\u00edses socialistas vizinhos e do capitalismo de cunho americano. Entretanto a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica caiu e a Europa fomentou a constru\u00e7\u00e3o do seu burgo. O Mamom D\u00f3lar gerou um filho ileg\u00edtimo, o Mamom Euro. Desde a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 paz no Olimpo<\/p>\n<p>As aves de rapina internacionais come\u00e7aram a sitiar cada vez mais o burgo europeu. Entraram no seu espa\u00e7o atrav\u00e9s dos Bancos e de multinacionais onde abrigam os mercen\u00e1rios nacionais.<\/p>\n<p><strong>Os moradores do burgo entraram em p\u00e2nico e os pa\u00edses encontram-se agora em situa\u00e7\u00e3o de medo; vendem, ao desbarato, a prata da casa, que tinham amealhado durante dois mil anos. O medo tolhe as pessoas n\u00e3o deixando que aque\u00e7am o \u00e2nimo na fogueira da esperan\u00e7a. Por todo o lado se fazem sentir os ventos g\u00e9lidos da injusti\u00e7a e o alto gralhar dos dinos num horizonte encoberto. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O medo n\u00e3o deixa filhos, mata a esperan\u00e7a. Ele \u00e9 o chicote enrabado de liberdade na m\u00e3o dos poderosos. Por isso os donos invis\u00edveis da sociedade espalham o medo (estrat\u00e9gia do amedrontamento) que tolhe e leva a pessoa a fugir (a regredir) e a abandonar os direitos sociais e c\u00edvicos adquiridos. <\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: xx-large;\"><strong>A Estrat\u00e9gia do Cavalo de Tr\u00f3ia serve-se de mercen\u00e1rios<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O dinheiro n\u00e3o tem alma, nem fam\u00edlia, estado nem na\u00e7\u00e3o; tem apenas escravos. Chama-se Mamom e alimenta-se da despersonaliza\u00e7\u00e3o, servindo-se dos seus sacerdotes que o cultuam nos santu\u00e1rios das bolsas-bancos e em suas capelanias multinacionais.<\/p>\n<p>Os oportunistas, na sua estrat\u00e9gia de marginaliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da sociedade, atacam a classe m\u00e9dia e n\u00e3o s\u00f3 destroem os contractos de trabalho dos trabalhadores, como at\u00e9 querem apagar neles a \u00e2nsia de justi\u00e7a. Numa sociedade em que os modelos s\u00e3o corruptos j\u00e1 pouco faltar\u00e1 para corromper\u2026 Os \u201cdinos\u201d roubam e as estrelas despem-se da moral.<\/p>\n<p>Culpabiliza-se o mais fraco pela sua situa\u00e7\u00e3o apelidando-o de menos inteligente. O neoliberalismo \u00e9 anti solid\u00e1rio e anti-humano. N\u00e3o conhece pessoas s\u00f3 lucro usando como la\u00e7ada o eufemismo da globaliza\u00e7\u00e3o. Os donos do mundo mercantilizam a pessoa, tudo em termos de lucro e de mercadoria no mercado livre. Ao substitu\u00edrem Deus pelo Mamom, mataram a pessoa em nome do indiv\u00edduo. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 destruir as na\u00e7\u00f5es em nome da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos deixaram-se comprar atrai\u00e7oando a ideia europeia e o humanismo universal, procurando postos nas multinacionais (mercen\u00e1rios comprados a troco de ordenados horrendos, tornam-se traidores dos seus bi\u00f3topos sociais); os trabalhadores, por sua vez, sentem-se a\u00e7amados pelo medo de perderem o que t\u00eam; para n\u00e3o perderem o emprego cedem os direitos adquiridos. A pobreza e as bancarrotas s\u00e3o socializadas em favor dos ricos. Os novos dem\u00f3nios n\u00e3o conhecem a dignidade. A dignidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00edmbolo de autoridade. Os imperativos morais s\u00e3o sistematicamente destru\u00eddos.<strong> Trabalha-se, a longo prazo, para a sustentabilidade da mis\u00e9ria espiritual e f\u00edsica.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nalguns sectores desprotegidos, onde a moral ainda vai \u00e0 igreja, j\u00e1 come\u00e7a a valer mais pedir ou roubar do que trabalhar. A juventude manifesta-se medrosa e conformada com uma sociedade uniforme, tipo quartel em que a diferen\u00e7a se nota apenas na farda da m\u00fasica que se consome e no mercado colorido de opini\u00f5es em saldo. Tem sido educada para um realismo factual inculcado pelas for\u00e7as an\u00f3nimas vigentes contra a inova\u00e7\u00e3o e contra a mudan\u00e7a. Inova\u00e7\u00e3o quer-se apenas tecnol\u00f3gica, n\u00e3o humana, nem social.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o imperativo moral e as constitui\u00e7\u00f5es das na\u00e7\u00f5es perdem a sua validade. Em quest\u00f5es de direitos humanos reserva-se, para os grandes, o direito de veto. O pensamento individual \u00e9 substitu\u00eddo pelas f\u00e1bricas de pensamento. Tudo, cada vez mais, na m\u00e3o dos formadores da opini\u00e3o an\u00f3nima ao servi\u00e7o dos \u201cdinos\u201d; tudo na m\u00e3o de sociedades de irresponsabilidade ilimitada.<\/p>\n<p>No momento de mudan\u00e7a em que nos encontramos, as camadas l\u00facidas das sociedades deveriam exigir que a democracia directa e o princ\u00edpio da regionaliza\u00e7\u00e3o fossem introduzidas nas Constitui\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses como objectivo importante a atingir. S\u00f3 assim se poderia impedir o fen\u00f3meno de destrui\u00e7\u00e3o dos bi\u00f3topos e ecossistemas naturais, individuais, sociais e culturais, em via.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\"><strong>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\"><strong>www.antonio-justo.eu<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Ref\u00e9ns do Sistema Polvo dos Dinossauros das Finan\u00e7as Ant\u00f3nio Justo O cavalo troiano, enquanto os cidad\u00e3os dormem, vai-se inserido dentro das muralhas das na\u00e7\u00f5es. Os mercen\u00e1rios ganham terreno de dia para dia. Protege-os a lei da guerra: a lei do mais forte. 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