{"id":2135,"date":"2011-12-09T22:53:26","date_gmt":"2011-12-09T21:53:26","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2135"},"modified":"2011-12-09T22:57:54","modified_gmt":"2011-12-09T21:57:54","slug":"repensar-portugal-o-ocidente-activar-a-lusofonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2135","title":{"rendered":"Repensar Portugal \/ o Ocidente &#8211; Activar a Lusofonia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: xx-large;\"><strong>A Hora da Lusofonia est\u00e1 a chegar (2)<\/strong><\/span><\/p>\n<p>(Continua\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Preparar uma \u201c\u00ednclita gera\u00e7\u00e3o\u201d como impulsionadora da lusofonia.<\/p>\n<p>Portugal foi a primeira na\u00e7\u00e3o europeia a estar completa; numa uni\u00e3o \u00edntima de terra-povo -cultura, exercitou, logo de in\u00edcio, a sua vontade na resist\u00eancia \u00e0 for\u00e7a leonina, \u00e0 lan\u00e7a mu\u00e7ulmana e nas labutas com o mar. Deste esfor\u00e7o viu brotar no seu seio a flor da alma europeia: o saber de experi\u00eancia feito; esp\u00edrito este gerado durante s\u00e9culos no seio das ordens e expresso no lema \u201cora et labora\u201d. A doxia aliada \u00e0 praxia, especialmente na ordem beneditina e dos templ\u00e1rios (depois Ordem de Cristo),gerou Portugal e frutificou nos Descobrimentos. Hoje, quando se fala em Portugal, Brasil, Angola, etc., est\u00e3o-nos subjacentes os ecossistemas sociais do grande biossistema cultural que \u00e9 a Lusofonia. <strong>O Brasil poderia assumir hoje, a n\u00edvel de Lusofonia, a miss\u00e3o que Portugal assumira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa nos tempos da sua juventude. Outrora as cidades organizaram-se em torno das catedrais; hoje em torno das grandes culturas.<\/strong><\/p>\n<p>Sem esquecermos a lei org\u00e2nica e o valor dos diferentes ecossistemas sociais, \u00e9 de assinalar que j\u00e1 n\u00e3o nos encontramos na fase das consolida\u00e7\u00f5es nacionais mas na fase dos agrupamentos regionais\/culturais. \u00c0 superf\u00edcie a crise mostra que nos encontramos n\u00e3o s\u00f3 na fase de especula\u00e7\u00e3o e de desregula\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros, mas sobretudo num processo de desregula\u00e7\u00e3o das cabe\u00e7as e das na\u00e7\u00f5es, numa inten\u00e7\u00e3o de tornar civiliza\u00e7\u00f5es e povos subservientes a interesses an\u00f3nimos. Estamos em plena mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Este fen\u00f3meno ser\u00e1 dif\u00edcil de ser sentido por pa\u00edses que, atrav\u00e9s da coloniza\u00e7\u00e3o externa, foram impedidos de realizar a coloniza\u00e7\u00e3o interna e se encontram hoje, debru\u00e7ados sobre si, num estado de independ\u00eancias e sociedades fr\u00e1geis. Este processo prolongou-se na na Europa durante 1.500 anos.<\/p>\n<p>Naturalmente que hoje como ontem os pa\u00edses fortes impedem uma forma\u00e7\u00e3o natural de ecossistemas sociais\/nacionais, opondo-se \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o interna em nome de interesses econ\u00f3micos e a pretexto hip\u00f3crita do humanismo (interven\u00e7\u00f5es) como se fez directamente na L\u00edbia e se faz de maneira discreta em todo o norte de \u00c1frica. O que acontece nestes pa\u00edses a n\u00edvel pol\u00edtico\/militar realiza-se nos pa\u00edses surgentes a n\u00edvel econ\u00f3mico contra a ecologia e ecossistemas cada vez mais violados. Come\u00e7a-se por violar a natureza, depois o pensamento e finalmente as consci\u00eancias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m as sociedades n\u00e3o europeias seguir\u00e3o a evolu\u00e7\u00e3o natural de forma\u00e7\u00f5es nacionais para \u201cconstela\u00e7\u00f5es postnacionais\u201d, reunindo-se em grupos de interesses \u00e0 semelhan\u00e7a da EU, NATO, Liga \u00c1rabe, etc. <strong>Na fase de desenvolvimento em que nos encontramos, o lugar do futuro j\u00e1 n\u00e3o se deixar\u00e1 circunscrever a territ\u00f3rios nacionais; passar\u00e1 das cercas nacionais para as cercas culturais de diferentes territ\u00f3rios. Para isso, \u00e0 semelhan\u00e7a do que acontece no direito internacional em que direito internacional quebra direito nacional, tamb\u00e9m no caso do espa\u00e7o lus\u00f3fono ser\u00e3o necess\u00e1rios acordos que possibilitem a imposi\u00e7\u00e3o dos interesses dum valor maior (o espa\u00e7o lus\u00f3fono) sobre o interesse privado nacional. <\/strong>Esta vis\u00e3o n\u00e3o parece ainda ser aceite socialmente mas corresponder\u00e1 a um organigrama ideal que se impor\u00e1 com o desenvolvimento do tempo e da consci\u00eancia social. A sua realiza\u00e7\u00e3o pressupor\u00e1 uma ideia aberta de Estado de Direito, subjugada por uma pol\u00edtica pragmatista de factos consumados que se impor\u00e1, tal como tem acontecido com a Uni\u00e3o Europeia, atrav\u00e9s do esvaziamento impercept\u00edvel das soberanias nacionais em favor dum bem maior que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o, a longo prazo, duma confedera\u00e7\u00e3o europeia. Esta miss\u00e3o tem sido assumida pelos tecnocratas e regentes das diferentes na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No caso da organiza\u00e7\u00e3o da supra-estrutura \u201cEspa\u00e7o lus\u00f3fono\u201d pressup\u00f5e-se conven\u00e7\u00f5es intergovernamentais altru\u00edstas e iniciativas de base com organiza\u00e7\u00f5es e programas supranacionais. Precisa-se duma ideia a longo prazo e duma estrat\u00e9gia comum. N\u00e3o seria inteligente, que os pol\u00edticos portugueses, demasiadamente fixados em Bruxelas, perdessem de vista, aquilo que lhe deveria ser mais sagrado: o espa\u00e7o lus\u00f3fono e a defesa dos seus interesses mesmo \u00e0 custa de interesses regionais europeus. (Seguir o exemplo duma Alemanha mais interessada em integrar no espaco da EU os seus vizinhos pr\u00f3ximos enquanto que os mediterr\u00e2nicos se preocupam pouco com os vizinhos do norte de \u00c1frica). Desperdi\u00e7ar a for\u00e7a populacional e estrat\u00e9gica dos pa\u00edses da CPLP (Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa) com 8 pa\u00edses e com cerca de 250 milh\u00f5es de cidad\u00e3os e constitui um espa\u00e7o lingu\u00edstico-cultural extremamente rico e que ocupa o 5\u00b0 lugar no mundo, seria miopia e um grande erro hist\u00f3rico, mesmo em termos comerciais. (Em vez de se defender, o espa\u00e7o lus\u00f3fono encontra-se \u00e0 pilhagem do turbo-capitalismo internacional e de nacionalismos estrangeiros fortes. ) Depois das tribos vieram as na\u00e7\u00f5es e agora estamos na hora das culturas\/civiliza\u00e7\u00f5es. O meu amigo, Dr. Jorge Rodrigues, escreve no seu blog <a href=\"http:\/\/comunidade.sol.pt\/blogs\/jorgepaz\/archive\/2011\/09\/28\/CPLP_3A00_-o-futuro-contr_F300_i_2D00_se-hoje_2100_.aspx\">http:\/\/comunidade.sol.pt\/blogs\/jorgepaz\/archive\/2011\/09\/28\/CPLP_3A00_-o-futuro-contr_F300_i_2D00_se-hoje_2100_.aspx<\/a> :\u201c Se a CPLP fosse um Estado (federal ou confederal?) seria em \u00e1rea o 2\u00ba maior do mundo, a seguir \u00e0 R\u00fassia e com a China logo a seguir\u201d. A lei da evolu\u00e7\u00e3o aponta nesta direc\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o lus\u00f3fono, para assumir uma miss\u00e3o civilizacional importante na Hist\u00f3ria, \u00e0 imagem do Portugal de outrora, ter\u00e1 de tomar consci\u00eancia de si e formular um ideal comum. S\u00f3 assim poder\u00e1 assumir a bandeir\u00e2ncia espiritual da civiliza\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI, tal como Portugal fez do s\u00e9culo XIV ao XVI.<\/p>\n<p>Outrora os pa\u00edses europeus encontravam-se numa crise cultural achando-se divididos por guerras militares e religiosas; hoje, a Uni\u00e3o Europeia, numa crise cultural tamb\u00e9m, encontra-se de cabe\u00e7a amarrada pela crise econ\u00f3mico-financeira e demasiadamente preocupada consigo mesma, esgotando-se, desorientada, em guerras financeiras.<\/p>\n<p>Por outro lado paira no ar um desejo de mudan\u00e7a, sente-se a \u00e2nsia duma nova maneira de ser e de estar no mundo: no sentido duma viv\u00eancia mais intuitiva e integral, no sentido duma ortopraxia m\u00edstica. O espa\u00e7o lus\u00f3fono muito rico em ecossistemas biol\u00f3gicos e culturais re\u00fane os melhores pressupostos para dar express\u00e3o ao novo sentir e \u201cdar novos mundos ao mundo\u201d. Para isso urge o cultivo duma vis\u00e3o, duma vontade e dum ide\u00e1rio comum, embalados no ber\u00e7o da lusofonia que \u00e9 o conjunto de identidades culturais, ligadas pela l\u00edngua que vai de Portugal ao Brasil, do Brasil a Angola, a Mo\u00e7ambique, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Macau, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, Timor e \u00e0s diversas comunidades de l\u00edngua portuguesa espalhadas pelo mundo.<\/p>\n<p>Portugal, se quer ganhar rosto na Europa, ter\u00e1 de se redescobrir luso com o seu t\u00edpico esp\u00edrito humanista e universalista aprendido nos bancos godos e cat\u00f3licos da na\u00e7\u00e3o nascente e depois alargado no contacto com os diversos povos do mundo. N\u00e3o se trata de sermos portugueses, religiosos ou ateus, trata-se de nos encontrarmos com a nossa alma universal em todo o lugar presente num processo metam\u00f3rfico sob as cores do bi\u00f3topo natural. A na\u00e7\u00e3o, e depois o espa\u00e7o postnacional lus\u00f3fono, al\u00e9m dum ideal, precisa duma miss\u00e3o hist\u00f3rica a cumprir, uma metaf\u00edsica que lhe d\u00ea projec\u00e7\u00e3o e sentido. No espa\u00e7o lus\u00f3fono tornar-se-\u00e1 \u00f3bvio conhecer e espalhar nas escolas e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o o saber sobre escritores e pessoas que re\u00fanem em si a consci\u00eancia e a mem\u00f3ria do seu povo, numa din\u00e2mica de interc\u00e2mbio e de fomento da consci\u00eancia do n\u00f3s, do saber-nos \u201cirm\u00e3os\u201d brasileiros, irm\u00e3os mo\u00e7ambicanos, etc.<\/p>\n<p>(continua)<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Te\u00f3logo, Pedagogo e Jornalista<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\"><strong>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>copyright in<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\"><strong>www.antonio-justo.eu<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Hora da Lusofonia est\u00e1 a chegar (2) (Continua\u00e7\u00e3o) Ant\u00f3nio Justo Preparar uma \u201c\u00ednclita gera\u00e7\u00e3o\u201d como impulsionadora da lusofonia. 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