{"id":2116,"date":"2011-12-06T15:09:19","date_gmt":"2011-12-06T14:09:19","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2116"},"modified":"2011-12-06T16:05:17","modified_gmt":"2011-12-06T15:05:17","slug":"a-hora-lusofona-esta-a-chegar-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2116","title":{"rendered":"A Hora da Lusofonia est\u00e1 a chegar (1)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: xx-large;\"><strong>Assumir de novo a Bandeir\u00e2ncia da Civiliza\u00e7\u00e3o Ocidental<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Como reac\u00e7\u00e3o ao meu artigo \u201cFalta de Cultura da Europa face a outras Culturas mundiais &#8211; Europa Ber\u00e7o da Cultura jur\u00eddica da Humanidade\u201d recebi, dum dign\u00edssimo professor duma universidade de Lisboa, o seguinte reparo: \u201cPenso que, na aprecia\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas pilares europeus, lhe faltou a identifica\u00e7\u00e3o de um quarto: o bra\u00e7o armado da projec\u00e7\u00e3o lusitana da Europa\u201d. O Professor tem raz\u00e3o e motivou-me a reflectir sobre o assunto e a dedicar alguns textos ao tema, sob o meu ponto de vista.<\/p>\n<p><strong>Status quo da Situa\u00e7\u00e3o ocidental<\/strong><\/p>\n<p>Se do encontro da f\u00e9 de Israel, com a raz\u00e3o filos\u00f3fica dos Gregos e o pensamento jur\u00eddico de Roma nasceu o grande projecto cultural europeu, o seu agir ganhou express\u00e3o, a n\u00edvel global, no \u201cpeito ilustre Lusitano\u201d.<\/p>\n<p>Os descobrimentos s\u00e3o, certamente, o quarto pilar da cultura europeia, <strong>o pilar do saber de experi\u00eancia feito que Portugal soube concretizar<\/strong>. Sagres resumiu o saber (doxia) europeu e tornou-se no lugar da ortopraxia. Portugal ao saber-se Europa descobriu-se mundo. Por isso onde se encontra hoje um lus\u00f3fono l\u00e1 pulsa a alma toda do mundo.<\/p>\n<p>Conseguiu-o porque resistiu ao esp\u00edrito oportuno do tempo indo-se assim \u201cda lei da Morte libertando\u201d, como bem descrevia Cam\u00f5es n\u2019OS LUS\u00cdADAS dos descobrimentos. O alem\u00e3o R. Schneider, grande conhecedor da alma portuguesa, diz no seu livro \u201cCam\u00f5es \/ Philipe II\u201dp.120 \u201cnos Lus\u00edadas n\u00e3o se trata apenas dum povo, mas sim da Humanidade\u201d. Sim, da humanidade que actuava no Portugal de ent\u00e3o. Cam\u00f5es canta a alma portuguesa (ainda inteira) que, n\u00e3o se deixando levar pelas lutas\/modas de reforma particularistas de ent\u00e3o, manteve a vis\u00e3o filos\u00f3fica crist\u00e3 global da humanidade, cultivada \u00e0 sombra das ordens na tradi\u00e7\u00e3o de Carlos Magno, longe dos interesses meramente individualistas.<\/p>\n<p><strong>Portugal foi outrora o primeiro a expressar e a realizar o sentir e a pujan\u00e7a do ser europeu tal como hoje \u00e9 o primeiro a expressar a sua fraqueza. Hoje como ent\u00e3o Portugal \u00e9 o palco de pontos altos da mudan\u00e7a.<\/strong> Outrora virada para o exterior e hoje de volta, para depois da crise moral e cultural se encontrar.<\/p>\n<p>A Europa medieval, aquela velha \u00e1rvore que depois de ter estendido as suas ra\u00edzes \u00e0s diferentes civiliza\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o vividas, floresceu no Renascimento. Desta floresc\u00eancia surgiu o ramo protestante, que come\u00e7a a afirmar mais o valor do indiv\u00edduo, do eu (factor emancipador, a individua\u00e7\u00e3o) enquanto o catolicismo continuou a acentuar mais o valor da comunidade. Dois polos necess\u00e1rios, na vida social, que se encontram hoje em radical conflito. De facto, a Idade M\u00e9dia, que \u00e9 m\u00e3e, comunidade, \u00e9 n\u00f3s, deu \u00e0 luz o eu (individua\u00e7\u00e3o). Este ao tomar forma no movimento emancipat\u00f3rio protestante sente a necessidade de se afirmar contra a m\u00e3e. M\u00e3e e filho afastam-se. Hoje temos uma europa de filhotes sem m\u00e3e, que se extenuam no seu cacarejar e na contempla\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias penas. A Europa ao combater a maternidade torna-se infecunda e assim sofre o mundo todo. N\u00e3o suportamos a diferen\u00e7a nem a coexist\u00eancia de extremos, num condicionalismo de reduzir e simplificar tudo a dimens\u00f5es uniformes e rectil\u00edneas.<\/p>\n<p>O ressentimento dos deuses germ\u00e2nicos contra Roma, no Renascimento, deu lugar ao desejo de liberdade que se fora articulando atrav\u00e9s da Idade M\u00e9dia e culminou na ruptura protestante com Roma. Assim se iniciam grandes convuls\u00f5es religioso-pol\u00edtico-sociais, e surge um novo sentir da vida, uma nova ordem econ\u00f3mica, o capitalismo. A Europa rejuvenesce e transforma-se na procura de diferencia\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o. A vertente protestante culminou no iluminismo, na proclama\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o dos USA e depois na revolu\u00e7\u00e3o francesa e no enfraquecimento das monarquias. Esta importante vertente do desenvolvimento da Europa afirma o eu (a individua\u00e7\u00e3o) recalcando o esp\u00edrito comunit\u00e1rio, o n\u00f3s. Se na Idade M\u00e9dia a consci\u00eancia individual ainda vivia em parte sob o manto da letargia institucional (n\u00f3s \u00e0 custa do eu) com o movimento emancipat\u00f3rio que ganhou forma no protestantismo come\u00e7a-se a afirmar o eu (indiv\u00edduo) \u00e0 custa do n\u00f3s (comunidade). (Este movimento, encontra, actualmente, o seu extremo macabro no capitalismo liberal que reduz a pessoa a ego mercantil e transforma a ess\u00eancia do ego numa metaf\u00edsica de consumo deixando o ser humano cada vez mais s\u00f3 no deserto do seu ego\u00edsmo.)<\/p>\n<p>Com os descobrimentos, enquanto na Europa os pa\u00edses se ocupavam consigo mesmos, Portugal j\u00e1 adulto (numa Europa ainda adolescente) assume em plenitude a mundivis\u00e3o cat\u00f3lica e burguesa, aliando-a ao desejo do novo e do \u201csaber de experi\u00eancia feito\u201d. Portugal precoce realiza o ide\u00e1rio europeu que florescia ent\u00e3o nos jardins da Lusit\u00e2nia. A Europa alcan\u00e7a, atrav\u00e9s das viagens portuguesas (descobrimentos), um novo panorama do mundo. Este em vez de afinar os esp\u00edritos do sentir universal deu lugar \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o dos ego\u00edsmos nacionais e ao instinto colonizador. Em vez do sentimento do n\u00f3s cat\u00f3lico e universal temperado pelo outro polo, o protestantismo, apenas este encontra express\u00e3o na afirma\u00e7\u00e3o particular seja a n\u00edvel estrutural seja a n\u00edvel individual. A Europa afirma-se na divis\u00e3o, o norte contra o sul, o polite\u00edsmo contra o monote\u00edsmo mitigado. O mundo, \u00e0 imagem da Europa, afirma-se ent\u00e3o na divis\u00e3o e no contraste em vez de integrar os polos contr\u00e1rios como pretendia o eclectismo complementar da alma portuguesa expresso pela \u00ednclita gera\u00e7\u00e3o. O despertar dos individualismos nacionais leva \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o do particular sobre o comum. Imp\u00f5e-se a gan\u00e2ncia \u00e0 curiosidade, projecta-se a puberdade contra a maturidade. Os deuses do norte vingam-se contra os do sul. O polite\u00edsmo intelectual e pol\u00edtico, ent\u00e3o iniciado, tudo justifica, restabelece a mentalidade b\u00e1rbara, n\u00e3o reconhece pai nem m\u00e3e, chega-lhe o bordel.<\/p>\n<p>Chegamos a um ponto de puberdade negadora duma tradi\u00e7\u00e3o que lhe deu o ser e que \u00e9 levianamente negada por uma sua parte. Esta n\u00e3o est\u00e1 consciente de que a nega\u00e7\u00e3o prov\u00e9m da acentua\u00e7\u00e3o exagerada do outro polo que constitui a sua afirma\u00e7\u00e3o, o seu ide\u00e1rio. Entretanto o esp\u00edrito emancipat\u00f3rio acentuou-se de tal modo que reprimiu o aspecto comunit\u00e1rio, s\u00f3 quer machos, a feminidade\/maternidade constitui obst\u00e1culo ou \u00e9 sufocada pelas estruturas vigentes, demasiado masculinas. Quer-se uma sociedade sem comunidade, querem-se filhos sem m\u00e3e. O ressentimento que hoje se expressa contra institui\u00e7\u00f5es, especialmente contra a EU, contra a Igreja cat\u00f3lica, \u00e9 o mais vis\u00edvel sintoma dum individualismo exacerbado que n\u00e3o conhece pai. O polite\u00edsmo da opini\u00e3o n\u00e3o suporta a procura da verdade no sentido da unidade, circula em torno de si mesmo sem conhecer o sentido linear ascendente da evolu\u00e7\u00e3o natural, individual e cultural.<\/p>\n<p>A crise actual \u00e9 uma crise cultural e moral duma civiliza\u00e7\u00e3o que perdeu o seu ide\u00e1rio; \u00e9 o resultado da acentua\u00e7\u00e3o do eu contra o n\u00f3s, do objecto contra o sujeito. Socialismo e capitalismo sofrem do mesmo v\u00edrus epocal. Todo o mundo sofre em consequ\u00eancia da crise espiritual europeia que vendeu a alma ao Mamon para continuar a afirmar o seu polo individualista. O capitalismo exagerado machista foi-se afirmando \u00e0 custa da comunidade at\u00e9 ao extremo de hoje se afirmar contra ela, n\u00e3o tendo escr\u00fapulos em destruir os pr\u00f3prios Estados.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses lus\u00f3fonos, em vez de assumirem a nova mudan\u00e7a de consci\u00eancia individual e hist\u00f3rica deixam-se destruir, sem tecto metaf\u00edsico, seguindo sem reflex\u00e3o pr\u00f3pria os novos deuses e cultos que, de maneira an\u00f3nima, em nome da emancipa\u00e7\u00e3o se afirmam contra uma comunidade que albergue todos na complementaridade. A lusofonia, para assumir a bandeir\u00e2ncia do progresso, tal como o Portugal de outrora, ter\u00e1 de descobrir-se a si mesma e de consciencializar-se e assumir o tecto metaf\u00edsico que d\u00ea consist\u00eancia \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outrora, enquanto os povos da Europa combatiam pela defini\u00e7\u00e3o de suas identidades pol\u00edticas, Portugal, que j\u00e1 tinha encontrado a sua identidade nacional, p\u00f4de dedicar-se \u00e0 tarefa original de levar ao mundo o esp\u00edrito europeu. A bandeir\u00e2ncia que fez nascer Portugal \u00e9 a mesma que o torna adulto e o leva \u00e0 expans\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o axilar do renascimento que explode por um lado no protestantismo na procura duma individualidade que se expressa no capitalismo e no esp\u00edrito c\u00edvico, afirma, por outro lado, o seu car\u00e1cter global (cat\u00f3lico \u2013 aspecto comunit\u00e1rio) na continuidade espiritual da escola de Sagres.<\/p>\n<p><strong>Hoje encontramo-nos numa \u00e9poca axiom\u00e1tica da Hist\u00f3ria na qual a crise n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de ordem estrutural\/mental mas espiritual. Os fundamentos que deram origem \u00e0 grande \u00e1rvore da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental s\u00e3o descurados e as suas ra\u00edzes sistematicamente amputadas. Em vez de nos preocuparmos com o que deu vida a esta \u00e1rvore, serramos nela o pr\u00f3prio ramo em que nos encontramos. Depois da ins\u00f3nia desta crise surgir\u00e1 por\u00e9m o sonho que renovar\u00e1 o mundo; at\u00e9 l\u00e1 os ventos da contradi\u00e7\u00e3o continuar\u00e3o a destruir pontos altos da nossa civiliza\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p>Ao ressentimento dos deuses germ\u00e2nicos, com o seu esp\u00edrito capitalista, sucede-se agora o ressentimento socialista aliado \u00e0 derrocada dum capitalismo liberal injusto que, como um polvo, procura abrir os seus tent\u00e1culos num globalismo aniquilador de na\u00e7\u00f5es. Junta-se a feiura do turbo-capitalismo \u00e0 fealdade do comunismo materialista na tarefa de reduzirem as estruturas de Estado a seus ve\u00edculos de ideologia trituradora da pessoa.<\/p>\n<p>O mito da Europa como vaca degenera-a agora em touro de cobri\u00e7\u00e3o. Como um touro de olhos fechados sai do curro ocidental para dominar o mundo, destruindo a cultura que lhe deu o ser, n\u00e3o respeitando os ecossistemas culturais.<strong> \u00c9 verdade que as \u201cconstela\u00e7\u00f5es postnacionais\u201d de que fala o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Habermas j\u00e1 n\u00e3o podem resolver os seus problemas sozinhas pressupondo isto o abandono de individualismos nacionais e culturais mas sob o tecto metaf\u00edsico civilizacional que lhes deu o ser.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se o desejo de individua\u00e7\u00e3o, no renascimento, deu lugar \u00e0 \u201cmonolatria\u201d protestante, o modernismo volta ao polite\u00edsmo anterior \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Deixou-se de considerar o mundo como um conjunto de ecossistemas sociais com as suas leis e ordem inerente para os transformar em bi\u00f3topos individualistas em que as divindades se sobrep\u00f5em umas \u00e0s outras tornando not\u00f3rias as fracturas a n\u00edvel ide\u00e1rio, estrutural e pessoal. A n\u00edvel ide\u00e1rio e cultural assiste-se \u00e0 batalha do <strong>polite\u00edsmo contra o monote\u00edsmo<\/strong>. Se o conflito surgido do renascimento (dois modelos de vida sob o mesmo teto metaf\u00edsico) era express\u00e3o da for\u00e7a dum sistema e duma viv\u00eancia, a crise a que assistimos hoje revela-se decadente (sem sentido, destroem-se modelos \u00e0 margem dum ide\u00e1rio colectivo que justifique tal actua\u00e7\u00e3o). O saber deu lugar \u00e0 opini\u00e3o fundada em castelos no ar. A na\u00e7\u00e3o deu lugar a estados \u00e0 merc\u00ea de mercen\u00e1rios que em nome duma europa mal-entendida se afirmam. Estes, para se sentirem mais \u00e0 vontade mandaram a cultura ocidental para rua sem qualquer guarda<strong>&#8211;<\/strong>chuva espiritual. Resultado: chuva \u00e1cida nos bi\u00f3topos naturais e nos ecossistemas culturais.<\/p>\n<p>O capitalismo e o socialismo, dois filhos pr\u00f3digos do cristianismo, depois de terem provocado grandes buracos no ecossistema espiritual ocidental, parecem, n\u00e3o querer voltar \u00e0 velha casa paterna onde, juntos, a poderiam renovar, engrandecer e projectar. Preferem seguir o poder da monocultura masculina isl\u00e2mica e a desorienta\u00e7\u00e3o do polite\u00edsmo oriental. Nestas, o indiv\u00edduo encontra-se indefeso, \u00e0 chuva, e sem privacidade com a pr\u00f3pria divindade. Desprotegido e desalojado dos ecossistemas sociais, fica mais dispon\u00edvel para o mercado e aberto a ideologias baratas e a uma oligarquia an\u00f3nima mundial.<\/p>\n<p>Enquanto o esp\u00edrito europeu envelhece, no Brasil e nos pa\u00edses da lusofonia, a antiga vontade poderia erguer-se.<strong> A lusofonia surge como lugar duma nova miss\u00e3o no mundo. Nela se podem congregar os anseios do velho Portugal com as \u00e2nsias das novas gera\u00e7\u00f5es. Como parte do legado, visto da perspectiva portuguesa temos o esp\u00edrito universal cat\u00f3lico, e os escritos de Cam\u00f5es, de Ant\u00f3nio Lopes Vieira, \u00a0de Fernando Pessoa, etc. <\/strong>N\u00e3o chega apostar apenas em ideologias, estas passam como os ventos entre a alta e a baixa press\u00e3o, \u00e9 preciso ter-se presente o eixo que tudo suporta e d\u00e1 continuidade a quem conta com o futuro; para os lus\u00f3fonos, este eixo \u00e9 o cristianismo com a sua perspectiva m\u00edstica do tri\u00e1logo. A filosofia e a espiritualidade crist\u00e3s ter\u00e3o de, num processo de acultura\u00e7\u00e3o e incultura\u00e7\u00e3o, se tornar num verdadeiro tecto metaf\u00edsico do mundo da lusofonia. Neste sentido ser\u00e1 necess\u00e1rio manter o modelo cat\u00f3lico calibrado com o esp\u00edrito protestante. A bandeir\u00e2ncia outrora assumida por Portugal na Europa espera por ser assumida e renovada por todos os pa\u00edses da lusofonia. A nova bandeir\u00e2ncia j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 de car\u00e1cter expansionista para o exterior mas para o interior, da quantidade para a qualidade num esp\u00edrito integrativo e de complementa\u00e7\u00e3o num processo de integra\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito e mat\u00e9ria, de ecologia e tecnologia. A for\u00e7a em toda a natureza vem de dentro para fora muito embora seguindo o chamamento da luz; o mesmo se diga dos ecossistemas culturais e dos seus bi\u00f3topos humanos. N\u00e3o podemos continuar a cultivar \u00e1rvores repelindo a floresta.<\/p>\n<p>No passado dominou o princ\u00edpio dial\u00e9ctico (um sistema de pensamento redutor elaborado na contradi\u00e7\u00e3o\/disseca\u00e7\u00e3o) como princ\u00edpio de pensamento e da realidade que se reflecte na nossa maneira de organizar a sociedade e a vida individual numa esp\u00e9cie de dicotomia entre indiv\u00edduo e sociedade, superior\/inferior, sujeito\/objecto. O novo pensar ser\u00e1 trinit\u00e1rio equacionando o problema dos contrastes num tri\u00e2ngulo circular ascendente. Numa cadeia de rela\u00e7\u00f5es infinitas dum cont\u00ednuo tornar-se, num processo espiral ascendente que transcende o espa\u00e7o e o tempo na din\u00e2mica da uni\u00e3o que se n\u00e3o limita a um estado moment\u00e2neo mas se expressa na sua din\u00e2mica relacional, numa nova Realidade que engloba o real aparente despetreficando-o para um estado fluido, para l\u00e1 do momento e das amarras da defini\u00e7\u00e3o que s\u00e3o o espa\u00e7o e o tempo. A rela\u00e7\u00e3o torna-se ent\u00e3o processo pessoal e n\u00e3o estado, deixando de ser objectiv\u00e1vel no todo e no particular. A Realidade desinforma-se para se consciencializar do <strong>ser in<\/strong> do processo <strong>in<\/strong>-formar. Ent\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o torna-se pessoal, \u00e9 tornar-se, ess\u00eancia relacional; o<strong> in<\/strong> (do in-formar antes e depois da forma numa din\u00e2mica de pai-filho-par\u00e1clito) da a-perspectividade resolve a aparente contradi\u00e7\u00e3o mat\u00e9ria-esp\u00edrito, indiv\u00edduo-sociedade, eu-tu, na dimens\u00e3o da viv\u00eancia superadora da alternativa atrav\u00e9s do par\u00e1clito. O indiv\u00edduo passa a ser pessoa e a sociedade a ser comunidade. N\u00f3s s\u00f3 exercitamos a perspectiva funcional da rela\u00e7\u00e3o e por isso petralizamo-la numa ou noutra identidade. Em Jesus cristo exclui-se a exclus\u00e3o m\u00fatua de mat\u00e9ria e de esp\u00edrito. Nele (JC) torna-se vis\u00edvel uma unidade din\u00e2mica do tornar-se da petrifica\u00e7\u00e3o (J) e do fluido (C); a rela\u00e7\u00e3o duma com a outra possibilita-se num processo de mudan\u00e7a concretizado na rela\u00e7\u00e3o pura (o par\u00e1clito). Aqui d\u00e1-se j\u00e1 n\u00e3o um progresso quantitativo (estados), negador do anterior ou afirmador do posterior, mas uma din\u00e2mica da rela\u00e7\u00e3o pessoal (de ipseidade) em que o outro participa do esp\u00edrito comum a toda a realidade em rela\u00e7\u00e3o. A base constante \u00e9 a divindade subjacente a tudo, a todos comum, num processo universal sem fun\u00e7\u00f5es dado a rela\u00e7\u00e3o ser pessoal num eterno tornar-se (\u201ceu sou o tornar-se\u201d, dizia Deus a Mois\u00e9s) para l\u00e1 do acontecer. A oposi\u00e7\u00e3o dial\u00e9ctica do eu\/tu, eu\/objecto resolve-se na realidade trinit\u00e1ria dum eu-tu-n\u00f3s. Passamos a n\u00e3o ter apenas o di\u00e1logo como o contr\u00e1rio do mon\u00f3logo, como rela\u00e71bo entre objectos, mas o tri\u00e1logo como integrador do di\u00e1logo, do mon\u00f3logo e do \u201cobjecto\u201d num processo de sujeito-sujeito. A dial\u00e9ctica passa a ser integrada como momento do processo e a n\u00e3o ser vista como realidade ou espelho da mesma. Isto tem como consequ\u00eancia uma outra forma de vida e de estar superadora duma pedagogia, duma pol\u00edtica e duma economia meramente objectivadora.<\/p>\n<p><strong>Uma nova filosofia da viv\u00eancia e de Estado pressupor\u00e1 a uni\u00e3o da filosofia com a m\u00edstica, uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da filosofia trinit\u00e1ria. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A Hora da lusofonia est\u00e1 a chegar, precisam-se far\u00f3is por todo o espa\u00e7o lus\u00f3fono. Para isso ter\u00e1 de coadjuvar-se modernidade e tradi\u00e7\u00e3o, maternidade e filia\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo passar a ser pessoa e a sociedade a ser comunidade. \u201cO esp\u00edrito do mundo desce ao Brasil e abandona a Am\u00e9rica iankye. A China cair\u00e1 brevemente com a sua crise demogr\u00e1fica e \u00e9 preciso preparar a Lusa- \u00e1frica pela mobiliza\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d, confessava-me o amigo. (continua)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Te\u00f3logo, Pedagogo e Jornalista<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\"><strong>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>copyright in<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\"><strong>www.antonio-justo.eu<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assumir de novo a Bandeir\u00e2ncia da Civiliza\u00e7\u00e3o Ocidental Ant\u00f3nio Justo Como reac\u00e7\u00e3o ao meu artigo \u201cFalta de Cultura da Europa face a outras Culturas mundiais &#8211; Europa Ber\u00e7o da Cultura jur\u00eddica da Humanidade\u201d recebi, dum dign\u00edssimo professor duma universidade de Lisboa, o seguinte reparo: \u201cPenso que, na aprecia\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas pilares europeus, lhe faltou a &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=2116\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A Hora da Lusofonia est\u00e1 a chegar (1)<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,14,4,5,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-2116","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2116"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2116\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2118,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2116\/revisions\/2118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}