{"id":1938,"date":"2011-10-06T18:58:46","date_gmt":"2011-10-06T17:58:46","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1938"},"modified":"2011-10-06T19:16:10","modified_gmt":"2011-10-06T18:16:10","slug":"falta-de-cultura-da-europa-face-a-outras-culturas-mundiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1938","title":{"rendered":"Falta de Cultura da Europa face a outras Culturas mundiais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Europa Ber\u00e7o da Cultura jur\u00eddica da Humanidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Da Visita de Bento XVI \u00e0 Alemanha<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>O seu discurso no Parlamento alem\u00e3o foi tido por todas as frac\u00e7\u00f5es parlamentares como uma aula acad\u00e9mica de alto n\u00edvel sobre os fundamentos intelectuais do Estado.<\/p>\n<p>O ecossistema cultural ocidental j\u00e1 manifesta grandes buracos de ozono na sua c\u00fapula metaf\u00edsica que provocam um estado de perturba\u00e7\u00e3o e uma atmosfera decadente. Bento XVI mostra-se preocupado com o desenvolvimento da sociedade e recorda:<strong> \u201cA cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusal\u00e9m, Atenas e Roma, do encontro entre a f\u00e9 no Deus de Israel, a raz\u00e3o filos\u00f3fica dos Gregos e o pensamento jur\u00eddico de Roma<\/strong>. Este tr\u00edplice encontro forma a identidade \u00edntima da Europa. Na consci\u00eancia da responsabilidade do homem diante de Deus e no reconhecimento da dignidade inviol\u00e1vel do homem, de cada homem,<strong> este encontro fixou crit\u00e9rios do direito, cuja defesa \u00e9 nossa tarefa neste momento hist\u00f3rico.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs te\u00f3logos crist\u00e3os associaram-se a um movimento filos\u00f3fico e jur\u00eddico que estava formado j\u00e1 desde o s\u00e9culo II a.C.,<strong> num encontro entre o direito natural social, desenvolvido pelos fil\u00f3sofos est\u00f3icos, e autorizados mestres do direito romano. Neste contacto nasceu a cultura jur\u00eddica ocidental, que foi, e \u00e9 ainda agora, de import\u00e2ncia decisiva para a cultura jur\u00eddica da humanidade. <\/strong>Desta liga\u00e7\u00e3o pr\u00e9-crist\u00e3 entre direito e filosofia parte o caminho que leva, atrav\u00e9s da Idade M\u00e9dia crist\u00e3, ao desenvolvimento jur\u00eddico do Iluminismo at\u00e9 \u00e0 Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos e depois \u00e0 nossa Lei Fundamental alem\u00e3, pela qual o nosso povo reconheceu, em 1949, \u00abos direitos inviol\u00e1veis e inalien\u00e1veis do homem como fundamento de toda a comunidade humana, da paz e da justi\u00e7a no mundo\u00bb.<\/p>\n<p><strong>O acesso \u00e0 casa da realidade tem v\u00e1rias portas, quem conhece apenas a raz\u00e3o ou o materialismo como porta de entrada reduz a realidade e a pessoa.<\/strong><\/p>\n<p>Bento VXI reconhece o contributo da ci\u00eancia positivista do mundo, como \u201cparcela grandiosa do conhecimento humano\u201d, mas chama a aten\u00e7\u00e3o para os seus exageros e para o facto do banal funcional do dia-a-dia n\u00e3o poder ser suficiente fonte do direito nem a raz\u00e3o positivista poder atribuir-se o monop\u00f3lio e considerar-se como o \u00fanico crit\u00e9rio de acesso \u00e0 realidade. Bento XVI convida os deputados e a ci\u00eancia \u00e0 reflex\u00e3o dizendo: \u201cO conceito positivista de natureza e de raz\u00e3o, a vis\u00e3o positivista do mundo \u00e9, no seu conjunto, uma parcela grandiosa do conhecimento humano e da capacidade humana, \u00e0 qual n\u00e3o devemos de modo algum renunciar.\u201d Contudo, esta \u201cn\u00e3o \u00e9, no seu conjunto, uma cultura que corresponda e baste ao ser humano em toda a sua amplitude\u2026 Onde a raz\u00e3o positivista se considera como a \u00fanica cultura suficiente, relegando todas as outras realidades culturais para o estado de subculturas, aquela diminui o homem, antes, amea\u00e7a a sua humanidade. Digo isto pensando precisamente na Europa, onde vastos ambientes procuram reconhecer apenas o positivismo como cultura comum e como fundamento comum para a forma\u00e7\u00e3o do direito, enquanto todas as outras convic\u00e7\u00f5es e os outros valores da nossa cultura s\u00e3o reduzidos ao estado de uma subcultura. <strong>Assim coloca-se a Europa, face \u00e0s outras culturas do mundo, numa condi\u00e7\u00e3o de falta de cultura e suscitam-se, ao mesmo tempo, correntes extremistas e radicais.<\/strong> <strong>A raz\u00e3o positivista, que se apresenta de modo exclusivista e n\u00e3o \u00e9 capaz de perceber algo para al\u00e9m do que \u00e9 funcional, assemelha-se aos edif\u00edcios de cimento armado sem janelas, nos quais nos damos o clima e a luz por n\u00f3s mesmos e j\u00e1 n\u00e3o queremos receber estes dois elementos do amplo mundo de Deus.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Ao falar \u201c sobre os fundamentos do direito\u201d, Bento XVI adverte que o lucro material e o sucesso n\u00e3o pode ser o \u00faltimo crit\u00e9rio e motiva\u00e7\u00e3o para a actividade do pol\u00edtico. \u201cO sucesso pode tornar-se tamb\u00e9m um aliciamento, abrindo assim o caminho \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o do direito, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a\u201d.<strong> <\/strong>\u201cA pol\u00edtica deve ser um compromisso em prol da justi\u00e7a e, assim, criar as condi\u00e7\u00f5es de fundo para a paz.\u201d<\/p>\n<p><strong>Questiona a verdade sem fundamentos filos\u00f3fico-\u00e9ticos baseada apenas em estat\u00edsticas e votos de maiorias.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 evidente que, nas quest\u00f5es fundamentais do direito em que est\u00e1 em jogo a dignidade do homem e da humanidade, o princ\u00edpio maiorit\u00e1rio n\u00e3o basta\u2026\u201d<\/p>\n<p>Torna-se incompreens\u00edvel que precisamente o Catolicismo seja hoje a religi\u00e3o mais atacada por uma camada intelectual desiludida que viu os seus ideais falhados na queda do sistema sovi\u00e9tico e por um modernismo racionalista unilateral, quando esta religi\u00e3o foi a que possibilitou a distin\u00e7\u00e3o entre direito divino e direito de estado. \u201cDai a Deus o que \u00e9 de Deus e a C\u00e9sar o que \u00e9 de c\u00e9sar\u201d, dizia o mestre da Galileia.<\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio de outras grandes religi\u00f5es, o cristianismo nunca imp\u00f4s ao Estado e \u00e0 sociedade um direito revelado, um ordenamento jur\u00eddico derivado duma revela\u00e7\u00e3o. Mas apelou para a natureza e a raz\u00e3o como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre raz\u00e3o objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressup\u00f5e serem as duas esferas fundadas na Raz\u00e3o criadora de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Hoje tudo parece ser negoci\u00e1vel. \u201cVivemos num tempo em que se tornaram incertos os crit\u00e9rios de ser homem. A \u00e9tica foi substitu\u00edda pelo c\u00e1lculo das consequ\u00eancias\u201c, constata Bento XVI.<\/p>\n<p>\u00abS\u00f3 quem conhece Deus, \u00e9 que conhece o homem\u00bb \u2013 disse uma vez Romano Guardini. Sem o conhecimento de Deus, o homem torna-se manipul\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Independentemente do aspecto moderno ou conservador, de se ser crente ou ateu, facto \u00e9 que o Papa \u00e9 quem mais tem contribu\u00eddo para a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental no que ela tem de mais humano e genu\u00edno. Ele considera-se \u201cum colaborador da verdade\u201d!<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\"><strong>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/strong><\/a><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Europa Ber\u00e7o da Cultura jur\u00eddica da Humanidade Da Visita de Bento XVI \u00e0 Alemanha Ant\u00f3nio Justo O seu discurso no Parlamento alem\u00e3o foi tido por todas as frac\u00e7\u00f5es parlamentares como uma aula acad\u00e9mica de alto n\u00edvel sobre os fundamentos intelectuais do Estado. 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