{"id":1914,"date":"2011-09-20T14:26:18","date_gmt":"2011-09-20T13:26:18","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1914"},"modified":"2011-09-20T14:26:18","modified_gmt":"2011-09-20T13:26:18","slug":"razoes-da-situacao-precaria-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1914","title":{"rendered":"Raz\u00f5es da Situa\u00e7\u00e3o Prec\u00e1ria de Portugal"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>O Narcisismo do meu Pa\u00eds<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Portugal tem uma popula\u00e7\u00e3o muito trabalhadora mas economicamente ineficiente. O maior problema da sociedade portuguesa est\u00e1 no facto de ter uma classe m\u00e9dia acomodada e presun\u00e7osa com falta de esp\u00edrito empreendedor, geralmente colada ao Estado e a burocracias ineficientes.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Em nome do progresso, o povo foi submetido a um ritmo de mudan\u00e7a tal que perdeu a vis\u00e3o geral dos problemas, entrando num processo desorienta\u00e7\u00e3o e numa despersonaliza\u00e7\u00e3o que se expressa no exagerado consumo de antidepressivos em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. Encontramo-nos perante um pa\u00eds com um Estado cobaia sempre a importar novos conceitos mas sem tempo para os digerir nem para desenvolver conceitos pr\u00f3prios com base na pr\u00f3pria experi\u00eancia (isto pude constat\u00e1-lo durante 30 anos nas forma\u00e7\u00f5es anuais do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o \u2013 uma semana por ano). A vida dura leva-o a sonhar: ir ao shoping, ver futebol n\u00e3o restando tempo para ler.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Enquanto pa\u00edses como a Alemanha se preocupam em receber imigrantes qualificados para as suas empresas, Portugal fomenta a emigra\u00e7\u00e3o duma juventude sem lugar para ela na sociedade.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Como emigrantes, os portugueses, s\u00e3o bons camaradas e ao mesmo tempo amigos do prat\u00e3o. Enquanto os portugueses no estrangeiro aforram, na terra gastam mais do que produzem. Os n\u00e3o emigrados, julgando que os \u201cemigrantes\u201d ganham o dinheiro sem suor, v\u00eaem-nos de resv\u00e9s. A inveja n\u00e3o suporta outros de cara lavada.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A assimetria no desenvolvimento de maiorias e minorias fomenta a inveja. Uma pol\u00edtica partid\u00e1ria narcisista tem acentuado o problema.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Enquanto na Fran\u00e7a h\u00e1 1,99 crian\u00e7as por mulher, na m\u00e9dias dos 27 pa\u00edses da EU 1,58, Portugal consegue, com 1,32 por mulher, ser na Europa, o pa\u00eds que menos filhos gera. Portugal ainda os poucos filhos que tem obriga-os a emigrar, n\u00e3o criando espa\u00e7o econ\u00f3mico para eles. Sangra-se. <strong>Paulo Morgado denuncia, com objectividade, Portugal com um Estado colosso como um polvo que tudo abafa n\u00e3o permitindo concorr\u00eancia na vida econ\u00f3mica e cultural portuguesa. \u201cO mercado portugu\u00eas ainda se move mais pela parte relacional do que pela compet\u00eancia\u201d.<\/strong> Isto podemos constat\u00e1-lo desde a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0s C\u00e2maras Municipais, onde h\u00e1 chefes de si mesmos (sem um m\u00ednimo de pessoal a administrar) com projectos artificiais (para colocar amigos).<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O Estado n\u00e3o se tem preocupado com pol\u00edtica familiar, castigando quem tem filhos; n\u00e3o se tem preocupado com o fomento de empresas pequenas e m\u00e9dias, aquelas que poderiam criar emprego e produ\u00e7\u00e3o portuguesa. Cada um, onde est\u00e1 faz por si. Na arena p\u00fablica da na\u00e7\u00e3o s\u00e3o constantes os discursos pol\u00edticos; a discuss\u00e3o econ\u00f3mica tem sido pouco s\u00e9ria, muitas vezes apresentada sob uma perspectiva de autodefesa ou de culpabiliza\u00e7\u00e3o dos outros. As empresas e o discurso cultural encontram pouco espa\u00e7o na discuss\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A classe pol\u00edtica, na sua incompet\u00eancia da gest\u00e3o p\u00fablica, desqualificou-se ao deixar chegar o pa\u00eds \u00e0 beira da insolv\u00eancia.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>A via para sair da crise ser\u00e1 \u201co saber de experi\u00eancia feito\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>\u201cPorque \u00e9 sono o n\u00e3o saber\u201d, constatava j\u00e1 Fernando pessoa.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam assumido responsabilidades. Os problemas pol\u00edticos, sociais e econ\u00f3micos, s\u00e3o em geral discutidos nos Media sob uma perspectiva pol\u00edtico-partid\u00e1ria, o mesmo se dando no parlamento. <strong>Nota-se falta de compet\u00eancia econ\u00f3mica, no discurso nacional.<\/strong> Muito discurso \u00e9 meramente te\u00f3rico sem experi\u00eancia adquirida nas empresas e nos laborat\u00f3rios das universidades. Muitos dos assessores t\u00eam apenas um curso universit\u00e1rio e o cart\u00e3o do partido. Perdemos o ideal que pautava os arquitectos dos nossos descobrimentos: \u201co saber de experi\u00eancia feito\u201d.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Seria esclarecedor da situa\u00e7\u00e3o se se fizesse um estudo sobre a <strong>proveni\u00eancia profissional dos deputados com acento no parlamento: quantos s\u00e3o empres\u00e1rios, quantos provenientes do servi\u00e7o p\u00fablico, quantos ec\u00f3nomos, engenheiros, juristas, pedagogos, m\u00e9dicos, etc. Assim se saberia os modelos de pensamento que dominam o parlamento. <\/strong>Da\u00ed se poderia concluir da sua compet\u00eancia econ\u00f3mica e social. O jogo de xadrez do poder pol\u00edtico cada vez descarrega mais figuras pol\u00edticas na lideran\u00e7a de grandes empresas de relevo nacional. A objectividade cede a interesses encostados \u00e0s burocracias. Um tal sistema fomenta um esp\u00edrito providencialista e parasita. Um bom tema de doutoramento seria uma investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria sobre as grandes empresas nacionais e o n\u00famero de quadros vindos da pol\u00edtica.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 chega de \u201cportugu\u00eas para ingl\u00eas ver\u201c. Em Portugal\u00a0 Tudo fomenta um narcisismo latente na administra\u00e7\u00e3o e na sociedade. <strong>O sistema fomenta a ascens\u00e3o de pessoas narcisistas como se p\u00f4de verificar no curr\u00edculo de S\u00f3crates.<\/strong> Exagerado senso de auto-estima sob o substrato duma realidade deprimente. Ciumentos est\u00e3o sempre prontos a dar a culpa aos outros e com dificuldades de rela\u00e7\u00f5es pessoais aut\u00eanticas concentram-se, por isso na sua carreira: os fins justificam os meios. <strong>Geralmente, pessoas que se encontram \u00e0 frente do pelot\u00e3o n\u00e3o sentem empatia pelos outros. Em vez da empatia t\u00eam um sentimento de grandiosidade sem limites.<\/strong> Querem admira\u00e7\u00e3o sem cr\u00edtica, n\u00e3o se importando, a n\u00edvel pr\u00e1tico, com a explora\u00e7\u00e3o dos outros. O que conta \u00e9 dinheiro, poder e prest\u00edgio. No mercado das opini\u00f5es, sentem-se v\u00edtimas colocando os outros no lugar do transgressor.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Vive-se uma vida ad hoc. Quem n\u00e3o produz mais que consome age contra a natureza! <strong>J\u00e1 David Hume constatava que \u201cn\u00e3o \u00e9 a raz\u00e3o que nos orienta na vida mas o h\u00e1bito\u201d.<\/strong> Da\u00ed a necessidade de vozes da consci\u00eancia nacional que chamem a aten\u00e7\u00e3o do perigo da in\u00e9rcia, o perigo dum h\u00e1bito irreflectido em que tem vivido toda a na\u00e7\u00e3o: uns da c\u00f3pia e os outros da imita\u00e7\u00e3o. Por isso a primeira exig\u00eancia que se coloca a um cidad\u00e3o formado \u00e9 ser um cidad\u00e3o c\u00e9ptico mas consciente de que a cr\u00edtica esconde a desilus\u00e3o. N\u00e3o se pode continuar a viver segundo o lema: j\u00e1 que n\u00e3o se tem o que se quer, aceita-se o que se n\u00e3o quer. Na sociedade portuguesa por onde quer que nos movimentemos trope\u00e7amos no narcisismo. As ondas do narcisismo que emanamos s\u00e3o t\u00e3o perigosas como as ondas de radioactividade at\u00f3mica.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A primeira rep\u00fablica portuguesa rendeu-se ao estrangeiro, a actual tamb\u00e9m. O futuro est\u00e1 nas nossas m\u00e3os de cidad\u00e3os! Portugal ou acorda agora ou quando acordar j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 Portugal.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Narcisismo do meu Pa\u00eds Ant\u00f3nio Justo Portugal tem uma popula\u00e7\u00e3o muito trabalhadora mas economicamente ineficiente. O maior problema da sociedade portuguesa est\u00e1 no facto de ter uma classe m\u00e9dia acomodada e presun\u00e7osa com falta de esp\u00edrito empreendedor, geralmente colada ao Estado e a burocracias ineficientes. 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