{"id":1908,"date":"2011-09-15T17:05:01","date_gmt":"2011-09-15T16:05:01","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1908"},"modified":"2011-09-15T18:20:19","modified_gmt":"2011-09-15T17:20:19","slug":"a-idade-media-arabe-e-incompativel-com-revolucoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1908","title":{"rendered":"A Idade M\u00e9dia \u00e1rabe \u00e9 incompat\u00edvel com revolu\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Oriente contra Ocidente<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>As revolu\u00e7\u00f5es est\u00e3o, historicamente, condenadas ao fracasso ou a serem ultrapassadas. A religi\u00e3o permanece. Por isso revolucion\u00e1rios secularistas\/marxistas unem-se agora ao islamismo na sua luta contra o capitalismo e contra o Ocidente. <strong>A melhor maneira de prolongar o sistema comunista \u00e9 torn\u00e1-lo religioso.<\/strong> Por isso muita gente da esquerda se vira para Meca.<\/p>\n<p>Muitos niilistas verificando que Deus n\u00e3o morreu procuram servir-se agora de Al\u00e1<strong>. O problema n\u00e3o est\u00e1 tanto no facto das esquerdas se tornarem devotas; o problema est\u00e1 na Nato que de interven\u00e7\u00e3o em interven\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre condenada a ser derrotada pelo isl\u00e3o, continuando, mesmo assim, a servi-lo. <\/strong>O grande equ\u00edvoco ocidental est\u00e1 no facto de preparar o caminho no Norte de \u00c1frica para os seus mais figadais inimigos: o fundamentalismo isl\u00e2mico. Mas mais problem\u00e1tico que isto \u00e9 o fomento dum imperialismo nascente antieuropeu e anticrist\u00e3o que implicar\u00e1 o atraso da Europa e da \u00c1frica. Que a Am\u00e9rica intervenha de \u00e2nimo leve com o cheiro no petr\u00f3leo n\u00e3o \u00e9 de admirar, que a Europa o fa\u00e7a s\u00f3 demonstra a contradi\u00e7\u00e3o e a decad\u00eancia ideol\u00f3gica em que vive.<\/p>\n<p>A primavera \u00e1rabe passou e a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o come\u00e7ou nem come\u00e7ar\u00e1. Deixou oposi\u00e7\u00f5es na oposi\u00e7\u00e3o e a oportunidade para o extremismo religioso se fortificar.<\/p>\n<p><strong>O Norte de \u00c1frica encontra-se na Idade M\u00e9dia por isso s\u00f3 possibilita rebeli\u00f5es, n\u00e3o revolu\u00e7\u00f5es. <\/strong>Al\u00e9m disso a press\u00e3o exterior (Nato) n\u00e3o permite a forma\u00e7\u00e3o de for\u00e7as cr\u00edticas dentro do Isl\u00e3o tal como aconteceu com o Ir\u00e3o do X\u00e1, com o Iraque de Saddam Hussein e como acontece com a L\u00edbia de Kadhafi. As interven\u00e7\u00f5es do ocidente t\u00eam impedido, nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, a forma\u00e7\u00e3o de for\u00e7as laicas, que embora tir\u00e2nicas, fomentariam um desenvolvimento social diferenciado. A sede do petr\u00f3leo e a prepot\u00eancia pol\u00edtica ocidental age, a longo prazo contra os pr\u00f3prios interesses e contra os seus ideais de democracia e de direitos humanos. Com o seu comportamento obriga os mu\u00e7ulmanos a manterem-se todos apenas no tapete duma religi\u00e3o indiferenciada base dum imp\u00e9rio j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 de car\u00e1cter pessoal mas tamb\u00e9m territorial.<\/p>\n<p>Em muitos dos m\u00e9dia europeus celebravam-se euforicamente os acontecimentos no Norte de \u00c1frica como se tratasse duma revolu\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 que provocou a queda do muro de Berlim. Esqueceram-se da revolu\u00e7\u00e3o de Khomeini. <strong>A l\u00f3gica da queda do Bloco de Leste n\u00e3o se pode transpor para o mundo \u00e1rabe. Enquanto o bloco comunista era mantido pela ideologia o \u00e1rabe \u00e9 mantido pela religi\u00e3o. Enquanto o primeiro \u00e9 uma miragem (fruto de projec\u00e7\u00f5es) o segundo \u00e9 uma paisagem real (com base nos sentidos).<\/strong> <strong>A liberdade aspirada n\u00e3o \u00e9 a mesma. Aquela era contra a religi\u00e3o e esta acontece dentro da religi\u00e3o; esta n\u00e3o produz revolu\u00e7\u00e3o mas apenas rebeldias e terrorismo.<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o do Leste encontrava-se na sequ\u00eancia dum crescimento surgido dentro da pr\u00f3pria cultura: a revolu\u00e7\u00e3o industrial e a revolu\u00e7\u00e3o francesa (s\u00e9c. XVIII e XIX) acompanhadas por reminisc\u00eancias de cristianismo. O fen\u00f3meno do norte de \u00c1frica \u00e9 um levantamento medieval e o sistema medieval n\u00e3o produz revolu\u00e7\u00f5es, apenas gera rebeli\u00f5es. <strong>Aqui assiste-se a uma revolta contra a opress\u00e3o, contra a heteronomia e contra o feudalismo. <\/strong>Se desejarmos uma revolu\u00e7\u00e3o, no meio da sociedade mu\u00e7ulmana, semelhante \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o europeia do s\u00e9culo XIX, o caminho ser\u00e1 investir na produ\u00e7\u00e3o industrial local, na forma\u00e7\u00e3o (o analfabetismo n\u00e3o produz revolu\u00e7\u00f5es) e na emancipa\u00e7\u00e3o do Cor\u00e3o (geografia des\u00e9rtica). Este deu origem a uma sociedade monol\u00edtica e extremamente monote\u00edsta que n\u00e3o permite uma comunidade destino de cumplicidade entre Deus e Homem. S\u00f3 conhece o dentro (o\u00e1sis), a totalidade do espa\u00e7o sacral, e o fora que reconhece como deserto perigoso sem vida nem direito a ela.<\/p>\n<p>Direitos humanos, dignidade humana s\u00e3o o resultado dum processo social e hist\u00f3rico catalisado nas zonas de influ\u00eancia judaico\/crist\u00e3. Formam uma supra-estrutura desenraizada, uma produ\u00e7\u00e3o intelectual duma forma de vida que tinha como suporte a religi\u00e3o. <strong>Por isso, a luta em curso contra o cristianismo (simbolizado no Catolicismo ou noutras confiss\u00f5es), por muitos defeitos que este tenha, \u00e9 uma luta contra si mesmo, um combate autodestrutivo preparador da decad\u00eancia da cultura ocidental.<\/strong> A grande hip\u00f3tese do islamismo vem-lhe da queda do muro da vergonha. O comunismo ideol\u00f3gico v\u00ea no isl\u00e3o o companheiro (Isl\u00e3o e Comunismo s\u00e3o extremamente \u201cmonote\u00edstas\u201d, s\u00f3 reconhece povo mas n\u00e3o pessoas). Actualmente o Isl\u00e3o alia-se aos multiplicadores marxistas e aos niilistas europeus na luta contra o Cristianismo. Isto numa fase de transi\u00e7\u00e3o at\u00e9 que n\u00e3o precise deles para se impor. O que est\u00e1 em curso no norte de \u00c1frica \u00e9 um processo para imposi\u00e7\u00e3o do isl\u00e3o radical tal como aconteceu no Ir\u00e3o. Aqui os comunistas iranianos uniram-se ao extremismo religioso de Khomeini contra o \u201ccapitalismo\u201d. Agora a esquerda desiludida aposta no caos virando-se para o Isl\u00e3o. Mas o isl\u00e3o n\u00e3o permite o secularismo no seu seio.<\/p>\n<p>Muitos intelectuais europeus de esquerda e secularistas, com a sua avers\u00e3o ao catolicismo e a sua simpatia para com o islamismo, fomentam o imperialismo isl\u00e2mico e a autodestrui\u00e7\u00e3o da europa. O niilismo s\u00f3 ajuda os inimigos do Ocidente. O modelo crist\u00e3o do \u201cdai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u2026\u201d fomenta a coexist\u00eancia do religioso e do secular, um ao lado do outro sem prepot\u00eancias. O mesmo n\u00e3o comporta o isl\u00e3o.<\/p>\n<p>A cultura ocidental tem uma grande miss\u00e3o no mundo e precisa de te\u00edstas e de ate\u00edstas reconciliados para a tarefa humanista a realizar; doutro modo correrem o risco de servirem novas aspira\u00e7\u00f5es hegem\u00f3nicas. <strong>A coexist\u00eancia do sagrado e do profano (pr\u00f3ximo) s\u00e3o essenciais para a sustentabilidade da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3, e correspondentes subculturas. O processo de emancipa\u00e7\u00e3o do Homem n\u00e3o se pode processar na luta secular contra a religi\u00e3o nem na luta da religi\u00e3o contra o secular. <\/strong>Trata-se de promover correntes seculares e religiosas e de abdicar da estrat\u00e9gia de afirma\u00e7\u00e3o pela contradi\u00e7\u00e3o, para se optar pela conviv\u00eancia numa rela\u00e7\u00e3o do n\u00e3o s\u00f3\u2026 mas tamb\u00e9m&#8230; O Homem \u00e9 um animal religioso e pol\u00edtico que precisa de ar (esp\u00edrito) para respirar e de solo onde p\u00f4r os p\u00e9s, mas sem se deixar amarrar por um nem pelo outro. A verdade \u00e9 complementar n\u00e3o se deixando reduzir \u00e0 mera oposi\u00e7\u00e3o entre conte\u00fado e contentor. A nega\u00e7\u00e3o dum implica a nega\u00e7\u00e3o do outro, n\u00e3o deixando lugar para a afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos v\u00eam no terrorismo um sinal de fraqueza daquela cultura. Esta vis\u00e3o pode induzir em erro. Em termos de cultura mu\u00e7ulmana, ele sempre fez parte dela em tempos de crise, actuando tanto para o interior da sociedade isl\u00e2mica (como elemento moderador de tend\u00eancias extremas a n\u00edvel de poder terreno e religioso) como para com o exterior, defendendo-a.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\"><br \/>\n <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oriente contra Ocidente Ant\u00f3nio Justo As revolu\u00e7\u00f5es est\u00e3o, historicamente, condenadas ao fracasso ou a serem ultrapassadas. A religi\u00e3o permanece. Por isso revolucion\u00e1rios secularistas\/marxistas unem-se agora ao islamismo na sua luta contra o capitalismo e contra o Ocidente. A melhor maneira de prolongar o sistema comunista \u00e9 torn\u00e1-lo religioso. 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