{"id":1900,"date":"2011-09-10T00:28:21","date_gmt":"2011-09-09T23:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1900"},"modified":"2011-09-10T00:28:21","modified_gmt":"2011-09-09T23:28:21","slug":"a-minha-razao-e-a-razao-dos-outros-%e2%80%93-duas-complementaridades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1900","title":{"rendered":"A Minha Raz\u00e3o e a Raz\u00e3o dos outros \u2013 Duas complementaridades"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>N\u00e3o chega a sabedoria vadia nem a l\u00f3gica rimada<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDuas coisas preenchem a mente com admira\u00e7\u00e3o sempre nova e crescente\u2026 o c\u00e9u estrelado sobre n\u00f3s e a lei moral em mim\u201d, dizia Immanuel Kant. A mim duas coisas me assombram: a aerosfera sobre a terra e o tecto cultural de cada civiliza\u00e7\u00e3o; a atmosfera que cobre os diferentes bi\u00f3topos da natureza e o sistema de pensamento que cobre os bi\u00f3topos individuais e sociais. As mesmas leis meteorol\u00f3gicas que regem a natureza l\u00e1 fora parecem soprar no nosso esp\u00edrito c\u00e1 dentro e nas culturas (ad intra et ad extra).<\/p>\n<p>A natureza, a sociedade e a psich\u00e9 humana atravessam uma fase de altas press\u00f5es. O desequil\u00edbrio entre altas e baixas press\u00f5es \u00e9 tal que os tsunamis parecem sacudir os fundamentos da sociedade e da moral. O nevoeiro generalizado chega a impedir de ver as estrelas e a diluir os contornos \u00e9ticos, pondo em quest\u00e3o a sustentabilidade da humanidade e da terra.<\/p>\n<p>Aqui fora, na minha terra, a atmosfera torna-se cada vez mais fria e rude; a tempestade, que nela grassa, varre jardins e telhados. Da borrasca ficam paisagens humanas devastadas e sentem-se os ecos de brados de gaivotas no ar. Uma natureza humilhada chora nas plantas e nos animais por o saber humano n\u00e3o respeitar o saber da natureza. Por todo o lado se observam ventanias e razias no meio ambiental e no meio cultural. O mesmo se diga no foro social e individual. Natureza e cultura ao desafia, o Homem contra o Homem.<\/p>\n<p>A crise de identidade, com as crises dela resultantes, abala a pessoa e as institui\u00e7\u00f5es. Os ventos que correm na raz\u00e3o e no cora\u00e7\u00e3o s\u00e3o stressantes. Na sociedade muitos afirmam-se pela nega\u00e7\u00e3o do outro, outros pela acomoda\u00e7\u00e3o. Por isso cada vez surgem mais \u00e1rias para embalar o sentimento e para adormecer a raz\u00e3o. Tudo \u00e9 belo, as sereias cantam e encantam. Cada um puxa ao rubro as cordas da raz\u00e3o ou do sentimento para fazer ouvir a sua composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com esta minha composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o quero embalar mas tentar acordar para a mensagem de Ulisses ao passar pela ilha das sereias. Como na composi\u00e7\u00e3o as desafina\u00e7\u00f5es t\u00eam o seu sentido tamb\u00e9m o desacordo compreensivo tem o seu lugar! A disson\u00e2ncia torna poss\u00edvel a harmonia. N\u00e3o poder\u00edamos falar do dia se n\u00e3o conhec\u00eassemos a noite. A realidade ultrapassa por\u00e9m a vis\u00e3o que adv\u00e9m do contraste.<\/p>\n<p>Na pra\u00e7a p\u00fablica, encontram-se demasiados textos feitos de frases soltas em bemol e de sabedoria vadia com l\u00f3gica rimada ao sabor do an\u00f3nimo dirigente ou textos beligerantes que s\u00f3 conhecem a pr\u00f3pria raz\u00e3o. Dum lado o grupo dos afinados acomodados e do outros o grupo dos desafinados que tomam o semelhante como advers\u00e1rio. Neste grupo cada um quer, \u00e0 margem da orquestra, tocar o seu instrumento sem diapas\u00e3o, sem conferir a afina\u00e7\u00e3o. Cada um afirma-se naquilo que parece opor-se a ele. As desafina\u00e7\u00f5es s\u00e3o salutares se nos levarem a reconhecer o valor da harmonia, uma harmonia que comporta desafina\u00e7\u00f5es na afina\u00e7\u00e3o. Mal da sociedade quando cada um quer assumir o papel de diapas\u00e3o. No mercado das ideologias e das opini\u00f5es assiste-se a uma grande desafina\u00e7\u00e3o. Cada um quer ter raz\u00e3o \u00e0 custa da raz\u00e3o do outro.<\/p>\n<p>Aqui a natureza pode vir em ajuda da cultura. A Natureza tem as mais variadas sementes, cada qual, com uma express\u00e3o de vida caracter\u00edstica. A semente \u00e9 formada pela casca tendo dentro dela o tecido de nutri\u00e7\u00e3o e o embri\u00e3o. Tamb\u00e9m a sociedade\/ cultura tem as mais diferentes sementes: filosofia, religi\u00e3o, ci\u00eancia, arte, economia, pol\u00edtica, ideologia, opini\u00e3o. Cada uma destas tem a sua correspondente casca constitu\u00edda por leis, dogmas, concep\u00e7\u00f5es. Estas (cascas) encerram dentro delas uma determinada vida (embri\u00e3o). O mais importante n\u00e3o \u00e9 a casca mas a vida que estas encerram. Enquanto na natureza (bot\u00e2nica) as cascas que envolvem o embri\u00e3o (a vida), se amaciam e abrem para darem oportunidade \u00e0 vida do embri\u00e3o grelar e dar oportunidade \u00e0 vida, na sociedade as sementes fixadas na casca lutam umas contra as outras. As pessoas (ideologias ou concep\u00e7\u00f5es) fixam-se naquilo que as delimita, a casca; naquilo que circunscreve o objecto do seu discurso\/combate \u00e0 casca; n\u00e3o fazendo sequer ideia do que esta encobre, comportam-se como se s\u00f3 elas tivessem direito \u00e0 raz\u00e3o, \u00e0 vida. Assim, para os que apenas t\u00eam a consci\u00eancia do seu ser casca, s\u00f3 resta a estrat\u00e9gia da auto-afirma\u00e7\u00e3o pela nega\u00e7\u00e3o dos outros. Ent\u00e3o levantam-se os dogm\u00e1ticos da religi\u00e3o (os fixos na casca da religi\u00e3o mas que n\u00e3o percebem nada de religi\u00e3o) contra os dogm\u00e1ticos da ci\u00eancia (os fixados na casca da ci\u00eancia mas n\u00e3o percebem nada da ess\u00eancia da ci\u00eancia), e vice-versa; o mesmo se d\u00e1 nas diferentes nomina\u00e7\u00f5es com as respectivas lutas entre grupos\/casca. A casca da opini\u00e3o talvez seja a mais dura delas todas porque muitas vezes n\u00e3o passa de uma casca formada doutras cascas, \u00e0 margem da pr\u00f3pria vida (identidade) e da mesma vida que flui ao mesmo tempo dentro da pr\u00f3pria casca e dentro das cascas dos outros.<\/p>\n<p>Olhai as sementes das plantas na natureza. Umas t\u00eam a casca mais dura que as outras, umas s\u00e3o maiores, outras mais pequenas. Em todas elas corre a seiva da vida sem se negarem umas \u00e0s outras. Seguem um chamamento comum pressentido por todas; crescem em direc\u00e7\u00e3o ao Sol, apoiadas pela vontade. O ser humano, pelo contr\u00e1rio, encrusta a verdade\/vida na delimita\u00e7\u00e3o (casca) da sua subcultura\/opini\u00e3o. Em vez de reconhecer a vida que se encontra dentro da demarca\u00e7\u00e3o (casca) afirma a sua casca contra a do outro e vice-versa. O ser humano ao n\u00e3o se tornar consciente da mesma vida que corre nele e nos outros fixa-se na carapa\u00e7a do pensamento transformando-o em escudo, em casca contra a outra casca.<\/p>\n<p>Ao n\u00e3o ouvir o chamamento da natureza, fixa-se em si mesma, como sendo um absoluto pedra,\u00a0 desprezando o fluxo da vida para se fixar na maior ou menor consist\u00eancia (fragilidade) das cascas, prescindindo da vida e do esp\u00edrito que cada casca encobre para assim a poder negar. Na natureza temos as diferentes sementes\/plantas (os diferentes bi\u00f3topos\/ecossistemas) que com as suas potencialidades vitais formam a riqueza da cobertura vegetal terrena. Na cultura temos diversos bi\u00f3topos\/ecossistemas culturais cient\u00edfico-filos\u00f3fico-religiosos, cada qual com as suas configura\u00e7\u00f5es (cascas) que formam a cobertura cultural da humanidade.<strong> Cada sistema, do mais complexo ao mais simples (da civiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o) tem a sua crusta (casca) que encobre a vida. Geralmente, no reino da opini\u00e3o e do debate, limitamo-nos a abordar a crusta, refutando-a sem reconhecer a vida que se encontra escondida em cada uma, confundindo a semente com a casca. No fundo a vida que a tua crusta esconde \u00e9 a mesma que flui debaixo da minha. <\/strong>\u00c9 verdade que a casca (as concep\u00e7\u00f5es, os dogmas, as leis, os programas) tem a fun\u00e7\u00e3o de defender a vida que comportam contra a disseca\u00e7\u00e3o e contra energ\u00famenos ou outros microorganismos. As cascas, religiosa, cient\u00edfica, familiar, nacional, ideol\u00f3gica, opiniosa, t\u00eam o seu direito e justifica\u00e7\u00e3o. Encontram-se por\u00e9m, como organismos, em servi\u00e7o dum bem maior dentro dum macro organismo. S\u00f3 o rompimento da casca permite o crescimento do embri\u00e3o\/vida para o exterior. A dissemina\u00e7\u00e3o dos frutos e das sementes t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de preservarem a esp\u00e9cie e de se desenvolverem. A missiona\u00e7\u00e3o com a sua potencialidade de incultura\u00e7\u00e3o e acultura\u00e7\u00e3o possibilitam a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da esp\u00e9cie como de toda a sociedade. A afirma\u00e7\u00e3o de uma n\u00e3o pode acontecer \u00e0 custa da nega\u00e7\u00e3o da outra, mas no respeito, no respeito da abertura voltada para o Sol. Como na natureza assim na sociedade\/cultura: nada h\u00e1 igual, tudo \u00e9 diferente e da diferencia\u00e7\u00e3o surge o desenvolvimento, a evolu\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria liberdade tem um sentido, o sentido do Sol. Se na natureza se observasse o que se observa especialmente hoje no discurso cultural ainda n\u00e3o ter\u00edamos passado da verdade da an\u00e9mona, da verdade peixe, da verdade homin\u00eddea ou da verdade gorila, da verdade emocional, da verdade racional: verdades encrustadas num sistema (verdades casca). Com isto n\u00e3o se relativiza a import\u00e2ncia das cascas, sem elas n\u00e3o haveria individua\u00e7\u00e3o nem diferencia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria evolu\u00e7\u00e3o, desenvolvimento material e\u00a0 espiritual. Importante ser\u00e1 descobrir a vida que cada casca encerra e verificar, sem combater nem negar, a vida que se encontra em cada semente, dentro de cada casca com as potencialidades do seu embri\u00e3o. Umas ser\u00e3o mais carvalho, outras, mais oliveira, mais toupeira ou mais le\u00e3o.<strong> <\/strong><\/p>\n<p>O verde de todas as plantas, aparentemente mais ou menos relevantes, transporta o oxig\u00e9nio da atmosfera de que todas se aproveitam. Semelhante deveria dar-se nas culturas (ecossistemas culturais) com os seus diferentes credos (religiosos ou seculares). A esperan\u00e7a vital da humanidade que se encontra sob o firmamento cultural e embrionada nos diversos ecossistemas culturais tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser estancada em nome duma crusta comum.<\/p>\n<p><strong>Os diversos credos, religiosos (feminidade) ou seculares (masculinidade), s\u00e3o imprescind\u00edveis para o tecto metaf\u00edsico cultural tal como o verde para a atmosfera que respiramos. A verdura transportada pelo conjunto da cobertura vegetal \u00e9 express\u00e3o do esfor\u00e7o comum das diferentes individualidades vegetais. A atmosfera n\u00e3o precisa s\u00f3 do oxig\u00e9nio mas tamb\u00e9m do di\u00f3xido de carbono, embora este seja mais not\u00f3rio pelas suas qualidades negativas! <\/strong><\/p>\n<p>\u201dOh culpa feliz\u201d reconhecia o ap\u00f3stolo Paulo.<strong> A culpa \u00e9 a casca da semente, a vida encrustada que possibilita, doutro modo, o fluir da vida profunda e activa. Sem o pecado n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o. Ele separa para possibilitar a religa\u00e7\u00e3o consciente.<\/strong> A n\u00f3s compete a miss\u00e3o de desfazer os n\u00f3s que a motricidade da vida produz com o seu desgaste pr\u00f3prio. Cada um de n\u00f3s \u201ccrente\u201d ou \u201cn\u00e3o crente\u201d contribui com o seu credo, com a sua opini\u00e3o para o tecto espiritual da cultura. Como na natureza, n\u00e3o h\u00e1 nada igual. <strong>Da diferen\u00e7a aparentemente contradit\u00f3ria surge a riqueza individual e cultural que contribui para o concerto universal de natura e cultura. Cada um traz consigo os seus ferimentos e estes fazem a diferen\u00e7a. Porque nos afirmamos uns contra os outros negando ao outro a sua raz\u00e3o em vez de nos reconhecermos como complementares duma Realidade maior?<\/strong> Na realidade andamos todos \u00e0 procura de n\u00f3s mesmos (do brilho da nossa divindade), \u00e0 procura da pr\u00f3pria casca para nos podermos agarrar; uns procuram-se no teatro, outros na religi\u00e3o, na arte, na ci\u00eancia, na pol\u00edtica, na palavra, na afirma\u00e7\u00e3o, na contradi\u00e7\u00e3o, esquecendo talvez que tudo isto n\u00e3o s\u00e3o mais que as cascas que encobrem o nosso verdadeiro ser: vida em germina\u00e7\u00e3o. Cada um traz em si o espartilho do seu bi\u00f3topo, estando predestinado a confundi-lo com a natureza toda, com a verdade\u2026<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o chega a sabedoria vadia nem a l\u00f3gica rimada Ant\u00f3nio Justo \u201cDuas coisas preenchem a mente com admira\u00e7\u00e3o sempre nova e crescente\u2026 o c\u00e9u estrelado sobre n\u00f3s e a lei moral em mim\u201d, dizia Immanuel Kant. 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