{"id":1884,"date":"2011-08-25T16:21:40","date_gmt":"2011-08-25T15:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1884"},"modified":"2011-08-25T21:22:11","modified_gmt":"2011-08-25T20:22:11","slug":"o-norte-da-europa-nao-se-quer-responsabilizar-pela-pobreza-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1884","title":{"rendered":"O Norte da Europa n\u00e3o se quer responsabilizar pela Car\u00eancia do Sul"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Europa &#8211; Entre o Fundo de Resgate Euro e a Cria\u00e7\u00e3o de T\u00edtulos-Euro<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>O pacote de resgate \u00e9 uma medida provis\u00f3ria para salvar, do risco da bancarrota, economias fracas da zona euro. Pa\u00edses, como a Finl\u00e2ndia, que n\u00e3o querem ver o seu empr\u00e9stimo reduzido a fundo perdido, exigem garantias para o seu pr\u00f3ximo empr\u00e9stimos de emerg\u00eancia \u00e0 Gr\u00e9cia. Torpedeia assim as inten\u00e7\u00f5es dos parceiros europeus. Estes n\u00e3o t\u00eam tido coragem para enfrentar os problemas inerentes \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Euro. T\u00eam-se limitado a circundar o problema como o gato \u00e0 volta do leite quente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a amplia\u00e7\u00e3o do fundo de resgate (EFSF\/ESM), agora em negocia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mais que a tentativa de adiar solu\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de se revelar ineficiente para os pr\u00f3ximos candidatos (Espanha e It\u00e1lia).<\/p>\n<p><strong>T\u00edtulos do tesouro da EU ser\u00e3o a melhor maneira de se criar um instrumento equilibrador de diferentes economias e, ao mesmo tempo, fomentador de regi\u00f5es com estruturas deficit\u00e1rias<\/strong>. Isto ter\u00e1 como consequ\u00eancia maior infla\u00e7\u00e3o e o enfraquecimento do Euro, o que n\u00e3o agrada \u00e0s economias fortes interessadas num Euro forte e est\u00e1vel. <strong>Com a cria\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos EU (Euro) toda a Comunidade seria chamada a contas. Os pa\u00edses mais ricos passariam a ser os credores (assumindo o risco) e ao mesmo tempo co-financiadores dos juros dos pa\u00edses com d\u00e9fices estruturais.<\/strong> Isto impediria os especuladores globais de levarem os pa\u00edses endividados \u00e0 ruina com juros astron\u00f3micos e obrigaria os pa\u00edses fortes a deslocar empresas para a periferia. <strong>Os pa\u00edses fortes receiam que<\/strong> <strong>os pa\u00edses devedores, com a introdu\u00e7\u00e3o de T\u00edtulos a n\u00edvel de EU, deixariam de ter press\u00e3o para evitar fazer d\u00edvidas. <\/strong><\/p>\n<p>O pre\u00e7o da EU e do Euro traz consigo a solidariedade dos mais ricos para com os mais pobres exigindo aqueles, em contrapartida, mais disciplina destes. As t\u00e1cticas dilat\u00f3rias de pa\u00edses n\u00f3rdicos, como a Alemanha, s\u00f3 ser\u00e3o compreendidas em sociedades disciplinadas e habituadas \u00e0 estabilidade econ\u00f3mica e social; tal n\u00e3o se d\u00e1 nas sociedades latinas, o que explica animosidades entre as na\u00e7\u00f5es latinas e as n\u00f3rdicas. Aqui n\u00e3o se poder\u00e1 esperar justi\u00e7a equitativa. Quem trabalha e tem mais produtividade ter\u00e1 que pagar mais!<\/p>\n<p><strong>Para se salvar a EU e o Euro, os pa\u00edses fortes n\u00e3o t\u00eam outra alternativa sen\u00e3o aceitar T\u00edtulos-Euro ou fazer transfer\u00eancia de dinheiro e bens para os pa\u00edses da periferia.<\/strong> Quem suporta a maior carga s\u00e3o e ser\u00e3o os alem\u00e3es. Se quiserem estabilidade na EU ter\u00e3o que a pagar ou optar por adequarem os seus costumes aos latinos, o que corresponderia a um empobrecimento da Europa.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o da carga na uni\u00e3o monet\u00e1ria traz consigo mais centralismo e mais dirigismo dado que quem paga quer receber algo em troca. <strong>O Sul ter\u00e1 mais dinheiro na algibeira mas mais presen\u00e7a n\u00f3rdica na orienta\u00e7\u00e3o dos destinos da EU.<\/strong> A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complicada e as economias do norte e do sul s\u00e3o t\u00e3o diferentes que, neste processo, numa primeira fase, s\u00f3 poder\u00e1 haver descontentes dum lado e do outro. O maior problema estar\u00e1 na perda de independ\u00eancia nacional e na destrui\u00e7\u00e3o dos diferentes bi\u00f3topos culturais europeus. Tudo cada vez mais igual, tudo em servi\u00e7o de Mamon.<\/p>\n<p><strong>O descontentamento j\u00e1 chegou aos andares superiores dos Estados<\/strong><\/p>\n<p>Ontem, o presidente da RFA, Christian Wulff, homem reservado, criticou o Banco Central Europeu (EZB) por ter comprado t\u00edtulos (bonds) de alguns Estados. O Artigo 123 do tratado sobre o modo de trabalhar da EU pro\u00edbe, para assegurar a independ\u00eancia do Banco Central, o EZB de comprar t\u00edtulos de d\u00edvidas. Wulff critica tamb\u00e9m a pol\u00edtica dos governos: \u201cO pecado contra a gera\u00e7\u00e3o jovem tem que acabar\u201d. O desenvolvimento faz lembrar um jogo de domin\u00f3: \u201cPrimeiro \u00a0os bancos salvaram outros bancos e depois os Estados salvaram os bancos, depois uma comunidade de Estados salva alguns Estados. Quem salva no fim os salvadores?\u201d A pol\u00edtica n\u00e3o se deve deixar \u201cconduzir (como puxados) na argola do seu nariz, por gerentes de bancos, por ag\u00eancias Rating ou por Media vol\u00e1teis\u201d. A pol\u00edtica tem actuado como um acossado. De facto n\u00e3o tem defendido as aquisi\u00e7\u00f5es da economia social de mercado, como protectora da necess\u00e1ria solidariedade, nem impede a gan\u00e2ncia anti-social dos jogadores globais.<\/p>\n<p>Todas as iniciativas, como o plano de resgate do euro para tornar a zona euro resistente \u00e0s especula\u00e7\u00f5es tem deixado todos descontentes. <strong>A Europa e os europeus encontram-se a saque.<\/strong><\/p>\n<p>A reparti\u00e7\u00e3o da d\u00edvida por todos os Estados da zona euro atrav\u00e9s de obriga\u00e7\u00f5es-euro constitui um sapo dif\u00edcil de engolir especialmente para a Alemanha. A queda do euro ou a exclus\u00e3o de pa\u00edses da zona euro teriam consequ\u00eancias sociais irrepar\u00e1veis para a estabilidade europeia. Ser\u00e1 \u00f3bvia a coopera\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica econ\u00f3mica e fiscal. Para defender o espa\u00e7o econ\u00f3mico europeu n\u00e3o chega defender o Euro, \u00e9 urgente uma pol\u00edtica de transfer\u00eancia de riqueza para os pa\u00edses pobres ou atrav\u00e9s de Euro-Bonds (t\u00edtulos) assumir a responsabilidade das d\u00edvidas dos pa\u00edses mais carentes. Doutro modo estes ser\u00e3o impossibilitados de equilibrar os seus or\u00e7amentos estatais, por terem de pagar juros usur\u00e1rios a especuladores sem escr\u00fapulos.<\/p>\n<p>Todos ter\u00e3o de participar na solidariedade: pa\u00edses, bancos, credores, contribuintes e n\u00e3o contribuintes. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 demasiado problem\u00e1tica para nos fecharmos em nacionalismos ou em receitas simplistas.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\"><br \/>\n <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Europa &#8211; Entre o Fundo de Resgate Euro e a Cria\u00e7\u00e3o de T\u00edtulos-Euro Ant\u00f3nio Justo O pacote de resgate \u00e9 uma medida provis\u00f3ria para salvar, do risco da bancarrota, economias fracas da zona euro. 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