{"id":1847,"date":"2011-05-09T11:25:46","date_gmt":"2011-05-09T10:25:46","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1847"},"modified":"2011-05-09T11:25:46","modified_gmt":"2011-05-09T10:25:46","slug":"os-proximos-7-anos-das-vacas-magras-para-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1847","title":{"rendered":"Os pr\u00f3ximos 7 Anos das Vacas magras para Portugal"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>A Especula\u00e7\u00e3o fomenta o \u00d3dio aos Capitalistas como antes aos Judeus<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo <\/strong><\/p>\n<p>O Primeiro-ministro S\u00f3crates conduziu o pa\u00eds \u00e0 ru\u00edna. Nos anos que governou a d\u00edvida p\u00fablica duplicou. Portugal deve neste momento 153.862.000.447\u20ac.<strong> <\/strong>Para n\u00e3o ficar na Hist\u00f3ria como o autor da peti\u00e7\u00e3o humilhante para a na\u00e7\u00e3o (pedido \u00e0 EU), S\u00f3crates enredou o povo e os partidos na cena de Pilatos que embora atrai\u00e7oando o Estado lava a suas m\u00e3os (culpa partid\u00e1ria) de qualquer culpa. Para o partido foi um aborto dif\u00edcil porque o pedido de ajuda a Bruxelas implica a perda da independ\u00eancia do Estado. Quem passa a mandar e a proceder \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o \u00e9 Bruxelas e os bancos internacionais.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Um pacote de medidas combinadas entre um governo demission\u00e1rio e os partidos levanta problemas sobre a constitucionalidade de tais medidas. \u00c9 de admirar que nenhum partido tenha levado a quest\u00e3o ao tribunal constitucional.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A Tr\u00f3ica para a estabilidade financeira (FEEF, EU, MEEF) veio a Portugal com o pretexto de com os partidos elaborar um plano para salvar Portugal. Quem salva Portugal s\u00e3o os portugueses. De resto, com o programa de assist\u00eancia a Portugal, vieram determinar condi\u00e7\u00f5es para ent\u00e3o concederem obriga\u00e7\u00f5es do tesouro a Portugal. Decidiram emprestar 78 mil milh\u00f5es de \u20ac. Para o efeito, a comparticipa\u00e7\u00e3o europeia de 52 mil milh\u00f5es de euros \u00e9 arranjada no mercado financeiro sendo depois transferido o dinheiro para Portugal. O empr\u00e9stimo ter\u00e1 de ser reembolsado at\u00e9 2013 com juros de 4%. O FMI disponibilizar\u00e1 os restantes 26 mil milh\u00f5es. Parte deste empr\u00e9stimo a Portugal vai directamente para o bolso dos bancos internacionais e 12 mil milh\u00f5es destinam-se \u00e0 banca nacional e 35 mil milh\u00f5es s\u00e3o utilizados como garantia do Estado para os bancos. Os portugueses apertar\u00e3o o cinto para pagar d\u00edvidas e por cima ver\u00e3o reduzida a sua produtividade como acontece na Gr\u00e9cia. Aperta o cinto para poder pagar os juros em d\u00edvida aos credores internacionais.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>\u201cLisboa, Atenas e Dublin fizeram, num ponto, o mesmo erro: a ades\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia ou para a Zona-Euro n\u00e3o foi usada como chance para se recuperar, mas para, com a ajuda dos financiamentos europeus, continuar como antes\u201d (in HNA, 6.5.11). O compromisso agora assumido ter\u00e1 como resultado a diminui\u00e7\u00e3o do poder de compra dos portugueses e o castigo dos mais pobres pelos erros da governa\u00e7\u00e3o. Segundo as estat\u00edsticas da Comiss\u00e3o Europeia, a d\u00edvida do Estado portugu\u00eas em % do BIP (efici\u00eancia econ\u00f3mica do pa\u00eds) atingiu 82,8% em 2010, prevendo 88,8% para 2011 e 92,4% para 2012. Prev\u00ea-se uma recess\u00e3o econ\u00f3mica, com o previsto aumento de desemprego de 11.1% em 2011 para 11,2 em 2012.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Apesar das injec\u00e7\u00f5es do dinheiro a Portugal, este continuar\u00e1 a aumentar a d\u00edvida. De facto, os portugueses passar\u00e3o a trabalhar para pagar os juros a credores usur\u00e1rios.<strong> Os credores n\u00e3o est\u00e3o interessados em receber o dinheiro do empr\u00e9stimo; interessa-lhes \u00e9 receber o dinheiro dos juros; estes s\u00e3o uma mina de ouro.<\/strong> As ag\u00eancias rating especulam com pa\u00edses como os bancos com as ac\u00e7\u00f5es. Oprimem o cidad\u00e3o para que os bancos funcionem e assegurem os seus lucros. O dinheiro adquirido da especula\u00e7\u00e3o \u00e9 dinheiro sujo, ganho \u00e0 custa do outro, sem o \u201csuor do seu rosto\u201d como reza a B\u00edblia.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Na Idade M\u00e9dia, a Igreja Cat\u00f3lica proibia aos cat\u00f3licos ganhar dinheiro que n\u00e3o fosse produto do trabalho directo (do suor do seu rosto).<\/strong> <strong>Os judeus aproveitaram este buraco da economia, negociando eles com o dinheiro, levando juros pelos empr\u00e9stimos, o que era proibido aos cat\u00f3licos. As elites da altura, que precisavam de dinheiro para investimentos em obras e financiar guerras, pediam-no aos credores judeus. O povo, que s\u00f3 perdia com o neg\u00f3cio financeiro entre as elites, aumentou o ressentimento contra os judeus, come\u00e7ando a odi\u00e1-los.<\/strong> Ao ressentimento religioso juntou-se a indigna\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o. Assim uns se condicionaram aos outros, todos com boas explica\u00e7\u00f5es racionais. Facto \u00e9 que ainda hoje se torna muito dif\u00edcil combater o racismo, n\u00e3o justificado, acumulado ent\u00e3o contra os judeus, apesar do crime do holocausto dos judeus. Hoje, os grandes especuladores, bolsas e os bancos, aliados \u00e0s elites pol\u00edticas exploram incomparavelmente mais os contribuintes. Destroem-se mesmo pessoas e na\u00e7\u00f5es. O comportamento das elites de hoje e o crescente ressentimento contra elas amea\u00e7a a democracia.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Sem nova competitividade acontecer\u00e1 a Portugal o que est\u00e1 a acontecer na Gr\u00e9cia. A na\u00e7\u00e3o, agora ajoelhada perante o estrangeiro, ter\u00e1 de se unir toda para se poder erguer de novo com uma maneira de proceder virada para a cultura nacional no sentido de defender o Estado da pilhagem internacional e ideol\u00f3gica. Para isso o grande saber cient\u00edfico das universidades portuguesas deveria ser canalizado para as empresas portuguesas em vez de continuar a formar altos t\u00e9cnicos para os concorrentes estrangeiros na emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Caixa de Emerg\u00eancia Euro tem 750 mil milh\u00f5es de euros comparticipados em 250 mil milh\u00f5es pelo IWF, 440 mil milh\u00f5es por todos os parceiros da zona euro e 60 mil milh\u00f5es da comiss\u00e3o europeia. Dos 750 mil milh\u00f5es de \u20ac s\u00f3 podem ser disponibilizados 440 mil milh\u00f5es. O resto fica como reserva de seguran\u00e7a. Da Caixa de emerg\u00eancia Euro, at\u00e9 hoje, s\u00f3 a Irlanda recebeu 85 mil milh\u00f5es e Portugal receber\u00e1 78 mil milh\u00f5es. Prev\u00ea-se que a Gr\u00e9cia entre no registo de fal\u00eancia. Neste caso os pa\u00edses\/bancos fiadores teriam de renunciar a exig\u00eancias sobre o cr\u00e9dito concedido. A BRD assume a sua quota-parte de garantia no valor de 120 mil milh\u00f5es no que toca \u00e0 Caixa de Emerg\u00eancia Euro de 440 mil milh\u00f5es. No caso de Portugal a Alemanha torna-se fiadora de 10,4 mil milh\u00f5es.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Quanto a Portugal e Irlanda h\u00e1 sinais positivos de poderem vir a pagar as d\u00edvidas. Os administradores da liquida\u00e7\u00e3o foram mais moderados nas medidas agora tomadas.<strong> Bruxelas j\u00e1 pensa em prolongar os prazos de empr\u00e9stimo at\u00e9 sete anos. <\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Outros candidatos inst\u00e1veis s\u00e3o a Espanha, It\u00e1lia, Fran\u00e7a e B\u00e9lgica.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>O norte da Europa cada vez tem mais medo que a Zona Euro se transforme numa zona de transfer\u00eancia de solidariedade.<\/strong> Por isso j\u00e1 se manifestam personalidades exigindo a divis\u00e3o da Zona Euro em duas zonas: uma zona \u20ac forte e outra zona \u20ac mole. Outros defendem a ideia do norte abandonar o \u20ac, ou dos pa\u00edses fracos voltarem a adoptar as suas antigas moedas.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>A antiga Alemanha ocidental tem a experi\u00eancia da sua transfer\u00eancia de dinheiros da zona rica para a zona pobre porque ainda hoje transfere anualmente muitos milhares de milh\u00f5es de Euros para a antiga DDR (antiga Alemanha socialista) e apesar disso ainda h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a de produtividade entre as duas.<\/p>\n<p><strong>Com a comunitariza\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas \u201cvale a pena fazer mais d\u00edvidas\u201d(Hans-OlafHenkel, in HNA8.4.11)\u00a0 caindo-se num \u201csistema de irresponsabilidade organizada\u201d tal como se v\u00ea na compensa\u00e7\u00e3o financeira entre os\u00a0 estados federados da Alemanha.<\/strong> Nela h\u00e1 tr\u00eas estados dadores e 13 recebedores; \u201c quando o Estado do Hesse poupa um \u20ac tem que dar dele 97 C\u00eantimos aos estados recebedores. E quando Bremen gasta um \u20ac, recebe 97 C\u00eantimos dos estados dadores\u201d.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Como se v\u00ea, hoje como h\u00e1 2064 anos, o Homem repete-se. J\u00e1 Marcus Tullius, em Roma, 55 a.C. resumia: \u201eO Or\u00e7amento Nacional deve ser equilibrado. As D\u00edvidas P\u00fablicas devem ser reduzidas, a arrog\u00e2ncia das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos devem ser reduzidos, se a Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o quiser ir \u00e0 fal\u00eancia. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta p\u00fablica \u201d. Os especuladores bolsistas tornaram-se na praga dos gafanhotos de que fala a B\u00edblia.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Especula\u00e7\u00e3o fomenta o \u00d3dio aos Capitalistas como antes aos Judeus Ant\u00f3nio Justo O Primeiro-ministro S\u00f3crates conduziu o pa\u00eds \u00e0 ru\u00edna. Nos anos que governou a d\u00edvida p\u00fablica duplicou. Portugal deve neste momento 153.862.000.447\u20ac. 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