{"id":1845,"date":"2011-05-03T21:11:05","date_gmt":"2011-05-03T20:11:05","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1845"},"modified":"2011-05-03T21:11:05","modified_gmt":"2011-05-03T20:11:05","slug":"como-democratizar-os-partidos-%e2%80%93-proibir-a-filiacao-partidaria-aos-funcionarios-do-estado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1845","title":{"rendered":"Como democratizar os Partidos \u2013 Proibir a Filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria aos Funcion\u00e1rios do Estado"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>O Poder dos Partidos contradiz a sua Constitucionalidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>A moral despede-se da pol\u00edtica. A democracia autodestr\u00f3i-se. Os jornais tornaram-se no muro das lamenta\u00e7\u00f5es. Povo e institui\u00e7\u00f5es queixam-se num lamuriar hip\u00f3crita e auto-enganador. \u00c9 um masoquismo a espalhar-se e a encontrar satisfa\u00e7\u00e3o numa queixa que n\u00e3o passa de masturba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isto constata-se tanto em Portugal como no mundo em geral. Por todo o lado se ouve muito boa gente a dizer que \u00e9 preciso purificar o sistema S\u00f3crates. <strong>Afirma-se que o \u201cPin\u00f3quio\u201d manda vir e outros \u00e9 que pagam a factura. <\/strong>Quem assim argumenta,<strong> <\/strong>omite, por\u00e9m, que Jos\u00e9 S\u00f3crates \u00e9 o melhor produto dum sistema partid\u00e1rio em que para se subir no sistema se tem de deixar para tr\u00e1s uma \u00e9tica s\u00e9ria e respons\u00e1vel.<strong> Olvida que para enganar se pressup\u00f5e algu\u00e9m disposto a ser enganado e que a mentira, a curto prazo, d\u00e1 bons rendimento para alguns organizados. Para mais, o povo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o povo que n\u00e3o consiga reflectir!<\/strong><\/p>\n<p>De facto, por toda a parte se tem a impress\u00e3o que, em pol\u00edtica, o trabalho de edificar e avaliar se tece com a agulha da mentira. Em democracia, no aparelho do estado e nas grandes institui\u00e7\u00f5es nacionais, as melhores coloca\u00e7\u00f5es s\u00e3o submetidas \u00e0 cren\u00e7a no partido. Para o constatarmos bastaria darmos um giro pela administra\u00e7\u00e3o do estado e pelos conselhos consultivos (conselheiros de supervis\u00e3o\/fiscaliza\u00e7\u00e3o) de bancos e empresas ligadas ao Estado. Neles domina a raz\u00e3o partid\u00e1ria. <strong>Os arrabaldes da pol\u00edtica, os locais de chefia, direc\u00e7\u00f5es encontram-se nas redes dos partidos: uma globaliza\u00e7\u00e3o interesseira, de interesse s\u00f3 para alguns. <\/strong>Com o tempo chegar\u00e3o computadores e uma gest\u00e3o burocr\u00e1tica de beneficiados do sistema, anexos a uma pequena elite, para substituir a democracia. E o argumento do pre\u00e7o dos eleitos at\u00e9 lhes quer dar raz\u00e3o! A alternativa artificialmente posta at\u00e9 convence qualquer pregui\u00e7oso mental: temos pol\u00edticos corruptos a culpa \u00e9 da democracia!<\/p>\n<p>Em minist\u00e9rios e administra\u00e7\u00f5es onde os camaradas do partido mandam, h\u00e1 dezenas de anos, qualquer controlo falha. J\u00e1 n\u00e3o se fala do quarto poder! Este transformou-se em programa de entretimento. Coitado do Z\u00e9, seria injusto submet\u00ea-lo \u00e0s dores de parto do pensamento.<\/p>\n<p><strong>Uma democracia s\u00e9ria, com um Estado que se preze teria de proibir a filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria aos funcion\u00e1rios do Estado. Doutro modo andaremos a jogar \u00e0 democracia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na era do relativismo total de valores torna-se anacr\u00f3nica a argumenta\u00e7\u00e3o dualista e a consequente posi\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria dogm\u00e1tica. <\/strong>O global tem-se revelado contra o particular, s\u00f3 nos partidos n\u00e3o. Continuamos com uma moral imperialista nos partidos e nos parlamentos, quando ao povo se fala de abertura, globalidade, democracia, liberdade, igualdade e fraternidade.<\/p>\n<p><strong>Montesquieu dizia que poder s\u00f3 pode ser limitado com poder. O poder dos partidos emancipou-se do povo e da democracia. <\/strong>A na\u00e7\u00e3o criou a divis\u00e3o de poderes no Estado mas os partidos ocuparam-nos com o seu pessoal em todos os \u00f3rg\u00e3os decisivos. S\u00f3 o poder do povo e da lei os poder\u00e1 levar ao rego. Para isso pressup\u00f5e-se que o povo acorde e se torne adulto. Pressup\u00f5e-se uma Constitui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da na\u00e7\u00e3o n\u00e3o partid\u00e1ria e n\u00e3o favorecedora dos partidos mas do cidad\u00e3o. Tal constitui\u00e7\u00e3o torna-se imposs\u00edvel porque os partidos \u00e9 que a votam e estes querem uma constitui\u00e7\u00e3o repartida n\u00e3o inteira! A discuss\u00e3o sobre a crise actual, perante este facto, torna-se maculatura \u00e0 custa da democracia.<\/p>\n<p><strong>Temos demasiados funcion\u00e1rios p\u00fablicos no parlamento. Estes e uma estrutura partid\u00e1ria instalada no Estado levam o pa\u00eds \u00e0 cat\u00e1strofe e aniquilam qualquer ideia s\u00e9ria de democracia e de renova\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Os partidos s\u00e3o apresentados por listas e n\u00e3o por candidatos individuais. O povo s\u00f3 tem a hip\u00f3tese de eleger a lista. N\u00e3o \u00e9 dada possibilidade ao eleitor de fazer uma vota\u00e7\u00e3o cumulativa e cruzada que ultrapasse os interesses do partido. Se houvesse esta hip\u00f3tese o cidad\u00e3o poderia escolher pessoas das diferentes listas e votar nelas, independentemente do partido em que se encontram.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mesmo em democracia representativa, as leis n\u00e3o deveriam estar dependentes dos partidos. <\/strong>Consta na rua que somos uma democracia; na realidade somos uma mera partidocracia.<strong> <\/strong>O rei da democracia anda nu na pra\u00e7a, mas s\u00f3 os inocentes o notam ou o podem dizer! Quando os alicerces da democracia s\u00e3o corruptos, como nos poderemos queixar da corrup\u00e7\u00e3o individual quando esta assenta na corrup\u00e7\u00e3o estrutural!<\/p>\n<p><strong>Na vota\u00e7\u00e3o de leis, todos os deputados deveriam estar libertos da obedi\u00eancia for\u00e7ada ao grupo parlamentar. De facto n\u00e3o somos democratas (demos=povo\/cracia = governo) mas sim partidocratas. Os partidos recebem dinheiro para formarem a opini\u00e3o do povo mas n\u00e3o para o doutrinar e dominar.<\/strong><\/p>\n<p>O povo n\u00e3o \u00e9 melhor que os pol\u00edticos mas espera deles bom exemplo. Quer ser enganado mas com estilo, com educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o chegam caras bonitas, exige-se tamb\u00e9m requinte na governa\u00e7\u00e3o! E ultimamente at\u00e9 este se foi. Governa a descaramento e o cinismo como se fossemos todos \u00a0uns anjinhos coitadinhos<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que partidos de clientela, de obedi\u00eancia a ideologias, com uma pr\u00e1xis did\u00e1ctica imperialista, t\u00eam fomentado um sistema corrupto de cara lavada, que tem permitido aos pa\u00edses ocidentais viver relativamente bem, a n\u00edvel superficial. \u201cBeneficiamos\u201d aqui duma pol\u00edtica impura mas rendosa, duma pol\u00edtica hip\u00f3crita mas misericordiosa. Vivemos desta mais-valia pelo facto de outros sistemas, totalmente corruptos, n\u00e3o deixam sequer cair as migalhas da sua mesa para o povo! Esta menos-valia tem-nos desobrigado da auto-responsabilidade, afastando sistematicamente o pensamento cr\u00edtico do discurso pol\u00edtico em favor do pensar oportunista.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Que fazer, num sistema de partidocratas e n\u00e3o de democratas?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Constata-se uma dicotomia entre estado e sociedade. A esquerda activa \u00e9 em grande parte formada por funcion\u00e1rios e empregados p\u00fablicos. O centro direita tamb\u00e9m reserva lugares para os seus boys que, \u00e0 margem da ideologia, se limitam a ocupar postos. Assim, neste sistema n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese de discuss\u00e3o s\u00e9ria. Ouvimos por todo o lado as mesmas CDs.<\/p>\n<p><strong>O que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 o Estado, <\/strong>cada vez mais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos abutres da globaliza\u00e7\u00e3o. Para uma cura da na\u00e7\u00e3o seria necess\u00e1rio uma reflex\u00e3o e uma terapia neutra \u00e0 base duma Constitui\u00e7\u00e3o humanista e da doutrina social da igreja.<\/p>\n<p>Mudar a classe pol\u00edtica \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil como mudar-nos a n\u00f3s. No p\u00e2ntano da pol\u00edtica a justi\u00e7a n\u00e3o tem acesso e, se tal acontece, s\u00f3 lhe \u00e9 permitida a entrada depois de terem arrumado a casa ou depois do limite legal.<\/p>\n<p>Precisamos duma mudan\u00e7a radical de mentalidade para se possibilitar a cria\u00e7\u00e3o de novas estruturas. Precisamos dum novo estado e duma nova na\u00e7\u00e3o. Seria mais que \u00f3bvio iniciar uma revolu\u00e7\u00e3o ainda por fazer. Uma revolu\u00e7\u00e3o sem saneamentos, sem educa\u00e7\u00e3o para comportamentos oportunistas, sem imprensa ideol\u00f3gica em que a honra estaria em servir o outro. Uma revolu\u00e7\u00e3o do Homem para o Homem, uma revolu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es para o Homem e n\u00e3o para os exploradores do Homem e da humanidade. Precisamos de homens e mulheres, homens e mulheres consci\u00eancia da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como primeira medida, para que o bolor do Estado diminua, seria necess\u00e1ria uma lei que pro\u00edba funcion\u00e1rios do Estado de serem membros do partido ou pelo menos que s\u00f3 possam eleger mas n\u00e3o serem eleitos durante 20 anos. Os funcion\u00e1rios do Estado n\u00e3o deveriam ter direito passivo nas elei\u00e7\u00f5es. <\/strong>Qual o partido que teria coragem de tal iniciativa? Ent\u00e3o deixaria de ser partido para passar a ser povo, a ser cidad\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Uma pol\u00edtica e uma sociedade que n\u00e3o baralhasse causas com efeitos, em pa\u00edses com uma Constitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, teriam de p\u00f4r-se a quest\u00e3o da constitucionalidade \/ inconstitucionalidade dos partidos.<\/strong> At\u00e9 l\u00e1 o povo ter\u00e1 de crescer e tornar-se adulto!<\/p>\n<p>A lealdade ao partido exige que o que hoje se apregoa como moral amanh\u00e3 seja calado. Isto contraria o princ\u00edpio democr\u00e1tico baseado no interesse e no poder do cidad\u00e3o e n\u00e3o do partido.<\/p>\n<p>Um novo pensamento e um novo ide\u00e1rio seriam a solu\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds, mas, para isso, seria necess\u00e1rio mudar as cabe\u00e7as. <strong>O cidad\u00e3o e as institui\u00e7\u00f5es continuar\u00e3o a desacreditar-se ao exigir responsabilidade ao cidad\u00e3o e ao aprovar a irresponsabilidade da institui\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p>www.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Poder dos Partidos contradiz a sua Constitucionalidade Ant\u00f3nio Justo A moral despede-se da pol\u00edtica. A democracia autodestr\u00f3i-se. Os jornais tornaram-se no muro das lamenta\u00e7\u00f5es. Povo e institui\u00e7\u00f5es queixam-se num lamuriar hip\u00f3crita e auto-enganador. \u00c9 um masoquismo a espalhar-se e a encontrar satisfa\u00e7\u00e3o numa queixa que n\u00e3o passa de masturba\u00e7\u00e3o. Isto constata-se tanto em Portugal &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1845\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">Como democratizar os Partidos \u2013 Proibir a Filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria aos Funcion\u00e1rios do Estado<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,14,4,5,6,7,8],"tags":[],"class_list":["post-1845","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1845"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1845\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1846,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1845\/revisions\/1846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}