{"id":1794,"date":"2011-04-12T14:17:20","date_gmt":"2011-04-12T13:17:20","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1794"},"modified":"2011-04-12T14:17:20","modified_gmt":"2011-04-12T13:17:20","slug":"catastrofe-de-fukushima-%e2%80%93-o-preco-da-civilizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1794","title":{"rendered":"CAT\u00c1STROFE DE FUKUSHIMA \u2013 O Pre\u00e7o da Civiliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Apressada a Era das Energias Regenerativas<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo <\/strong><\/p>\n<p>As centrais nucleares para produ\u00e7\u00e3o de energia baseiam-se numa tecnologia humana agressiva que n\u00e3o respeita a terra: aqui e acol\u00e1, revelam-se como bombas at\u00f3micas caladas e proporcionam-se a atentados terroristas. A cat\u00e1strofe de Chernobyl em 1986, a maior de todos os tempos, ainda continua a fazer v\u00edtimas. O acidente no reactor nuclear de Harrisburg (1979 USA) ainda irradia na mem\u00f3ria. Fukushima no Jap\u00e3o, onde as centrais at\u00f3micas eram tidas como as mais seguras do mundo, causa agudas dores de cabe\u00e7a \u00e0 pol\u00edtica e aos produtores de energia<strong>. Um bus\u00edlis: um problema tecnol\u00f3gico n\u00e3o resolvido a par dum mundo que para o seu desenvolvimento precisa cada vez mais energia.<\/strong><\/p>\n<p>Actualmente existem no mundo mais de 400 centrais at\u00f3micas.<\/p>\n<p>O perigo sempre imanente da depend\u00eancia do petr\u00f3leo \u00e1rabe fez esquecer os medos. Fugas de radioactividade e o risco dos res\u00edduos radioactivos das centrais at\u00f3micas foram abafados. At\u00e9 hoje n\u00e3o se encontra solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para o lixo at\u00f3mico<strong>. Os modelos de seguran\u00e7a t\u00eam-se reduzido ao m\u00ednimo que a lei exige e n\u00e3o ao m\u00e1ximo da seguran\u00e7a que uma tecnologia poderia desenvolver.<\/strong> No Jap\u00e3o o Tsunami atingiu 23 metros o que facilitou a inunda\u00e7\u00e3o por cima dos muros de 18 metros que protegiam as centrais at\u00f3micas. Sabe-se que j\u00e1 em 1896 (HNA 29.03.2011) um Tsunami no Jap\u00e3o tinha atingido 38 metros de altura. Neglig\u00eancia!<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es no Estado de Baden-Vurtemberga mostraram que o povo alem\u00e3o \u00e9 definitivamente contra a pol\u00edtica at\u00f3mica at\u00e9 agora seguida. Um s\u00f3 ramo da pol\u00edtica passou a determinar o sucesso do partido Os Verdes. O pa\u00eds transforma-se mas n\u00e3o se torna melhor! Os alem\u00e3es querem uma toler\u00e2ncia zero para os riscos. Ao medo dos cidad\u00e3os, perante o perigo das irradia\u00e7\u00f5es, segue-se o medo dos pol\u00edticos perante o povo. <strong>Tudo reac\u00e7\u00f5es em cadeia!<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Sob a press\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, a Chanceler alem\u00e3, Doutora \u00c2ngela Merkel, criou uma Comiss\u00e3o \u00c9tica para rever, em tr\u00eas meses, a sua pol\u00edtica at\u00f3mica. <strong>Sete centrais at\u00f3micas devem ser desactivadas e as outras 10 devem tornar-se sup\u00e9rfluas, com o tempo.<\/strong> Manifesta-se consenso, entre os partidos, da necessidade de se desistir das centrais nucleares. Os Verdes j\u00e1 atiraram com a data da desist\u00eancia para 2017. O antigo governo de Schr\u00f6der apontava para 2020. A Chanceler, sob o susto do cismo, reage: \u201cSe n\u00f3s conseguirmos atingir o objectivo mais rapidamente ainda melhor!\u201d<\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os continuam c\u00e9pticos e receiam, no meio de tanto activismo, t\u00e1ctica pol\u00edtica. A quest\u00e3o que se p\u00f5e \u00e9 da rapidez com que se quer realizar a mudan\u00e7a e com pre\u00e7os pag\u00e1veis para os consumidores.<\/p>\n<p>A energia at\u00f3mica s\u00f3 \u00e9 mais barata pelo facto dos riscos n\u00e3o serem inclu\u00eddos nem assegurados nos pre\u00e7os. No caso de desastre, quem os suporta \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o. Em 1992 o Instituto Prognos calculou em 5.000 bilh\u00f5es de Euros (62.000 euros por habitante) os danos materiais duma hipot\u00e9tica cat\u00e1strofe nuclear (GAU) na Alemanha.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o o Projecto Desertec (Centrais de energia solar no deserto), destinado a fornecer energia limpa, foi avaliado em 400 mil milh\u00f5es de euros, isto \u00e9 572 euros por europeu e cobriria 15% das necessidades de consumo energ\u00e9tico na Europa. O grande obst\u00e1culo inerente a este projecto \u00e9 que continuar\u00edamos sob o controlo e depend\u00eancia \u00e1rabe e este n\u00e3o oferece confian\u00e7a nenhuma.<\/p>\n<p>De facto as centrais nucleares s\u00e3o como autos sem trav\u00f5es. O lucro n\u00e3o pode continuar a ser o crit\u00e9rio promotor principal. Para tonarmos o nosso planeta mais am\u00e1vel e humano, teremos de mudar de mentalidade e, neste sector, recorrer \u00e0s energias regenerativas. <strong>Um director da EON diz que seria poss\u00edvel substituir o Ur\u00e2nio, o petr\u00f3leo, o Carv\u00e3o e o g\u00e1s por vento, \u00e1gua, sol e massa biol\u00f3gica at\u00e9 2030.<\/strong><\/p>\n<p>Exige-se uma nova pol\u00edtica de energia. <strong>A percentagem da energia produzida por centrais nucleares alem\u00e3s, no consumo alem\u00e3o, \u00e9 de 20%.<\/strong> O recurso \u00e0s centrais de Carv\u00e3o corresponde a grandes emiss\u00f5es de CO2 com o consequente aquecimento da atmosfera. A desist\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o de energia atrav\u00e9s de centrais nucleares significaria num primeiro momento um grande impulso de centrais de g\u00e1s e das energias renov\u00e1veis, especialmente as e\u00f3licas e fotovoltaicas.<\/p>\n<p>A Central nuclear Biblis na Alemanha gera 13.000 GWh (horas Giga watt) de energia por ano. As 21.000 instala\u00e7\u00f5es e\u00f3licas que existem na Alemanha produzem um total anual de 38.000GWh. Isto significa que para gerar a energia correspondente \u00e0 da Central Nuclear Biblis s\u00e3o precisas 7.200 instala\u00e7\u00f5es e\u00f3licas.<\/p>\n<p>Hoje na Alemanha 17% da <strong>energia \u00e9 ganha de fontes renov\u00e1veis<\/strong>, presumindo atingir-se em 2020 os 35 at\u00e9 38%. O maior problema da energia solar e e\u00f3lica est\u00e1 na sua irregularidade. Segundo a revista Der Spiegel 12\/21.3.11 a energia e\u00f3lica, nalguns dias de outono, \u00e9 suficiente para tornar sup\u00e9rflua a energia nuclear mas na maior parte dos dias do ano \u00e9 insignificante. Tamb\u00e9m os pain\u00e9is de energia solar fotovoltaica produzem em alguns dias de ver\u00e3o mais energia do que toda a Alemanha precisa, mas geralmente produzem pouco atendo ao c\u00e9u enevoado! O vento no mar \u00e9 quase constante o que encoraja produtores a constru\u00edrem instala\u00e7\u00f5es e\u00f3licas no mar. Fornecedores alem\u00e3es de energia tencionam at\u00e9 2020 conseguir a\u00ed um rendimento constante de 10.000 Megawatts o que corresponde a um oitavo do gasto m\u00e1ximo alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Os 4 maiores fornecedores de energia da Alemanha t\u00eam um lucro de 20 mil milh\u00f5es de Euros.<\/p>\n<p>A debilidade e sonol\u00eancia dos povos podem ser constatadas na reac\u00e7\u00e3o popular \u00e0 cat\u00e1strofe de Fukushima. Tem-se a impress\u00e3o de as centrais nucleares se terem tornado perigosas a partir da trag\u00e9dia de Mar\u00e7o. Na sua tarefa de explora\u00e7\u00e3o da terra e do mar, a pol\u00edtica, a economia e a sociedade agem sem saberem uns dos outros. Sob o escudo do dinheiro e do progresso, tudo tem valido para andar para a frente!<\/p>\n<p>O f\u00edsico Hans Joachim Schellnuber resume a problem\u00e1tica da actualidade dizendo \u201c <strong>N\u00f3s saqueamos ao mesmo tempo o passado e o futuro para o excesso do presente \u2013 isto \u00e9 a ditadura do agora\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>O Homem tem-se revelado um mau administrador da natureza e da sociedade. Tudo o referido pressuporia que se crie um novo modelo de vida e uma correspondente mentalidade. Para isso ser\u00e1 preciso come\u00e7ar a sentir-se com a natureza, com o passado e com o futuro.<\/p>\n<p>As gera\u00e7\u00f5es futuras t\u00eam direito a ter melhor tempo, menos calor e menos tempestades. N\u00e3o as podemos reduzir a herdeiras dos perigos da energia at\u00f3mica e de outras tecnologias, nem t\u00e3o-pouco torn\u00e1-las herdeiras das nossas d\u00edvidas.<strong> Para isso seria \u00f3bvio que as gera\u00e7\u00f5es futuras fossem defendidas na lei fundamental da na\u00e7\u00e3o por par\u00e1grafos que obriguem a pol\u00edtica e a economia a agir responsavelmente.\u00a0 A abund\u00e2ncia de uns \u00e9 a fome de outros o presente de uns \u00e9 a aus\u00eancia de futuro para outros!<\/strong><\/p>\n<p>Os conflitos do futuro ser\u00e3o conflitos em torno da energia e das migra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/\">www.antonio-justo.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apressada a Era das Energias Regenerativas Ant\u00f3nio Justo As centrais nucleares para produ\u00e7\u00e3o de energia baseiam-se numa tecnologia humana agressiva que n\u00e3o respeita a terra: aqui e acol\u00e1, revelam-se como bombas at\u00f3micas caladas e proporcionam-se a atentados terroristas. 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