{"id":1785,"date":"2011-04-09T11:51:36","date_gmt":"2011-04-09T10:51:36","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1785"},"modified":"2011-04-09T12:00:40","modified_gmt":"2011-04-09T11:00:40","slug":"sem-instituicoes-nao-haveria-memoria-nem-transmissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1785","title":{"rendered":"Sem Institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o haveria Mem\u00f3ria nem Transmiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>O Homem \u00e9 o Templo de Deus e a Comunidade o Lugar da Sua Presen\u00e7a<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Por todo o lado, na Europa, se respira um ambiente de desconsolo e de desilus\u00e3o perante as diversas institui\u00e7\u00f5es. Este sentimento \u00e9 fortalecido pelo narcisismo muito caracter\u00edstico do nosso tempo. Esta mistura de desilus\u00e3o, medo e narcisismo leva muitas pessoas a desvincularem-se de estruturas imprescind\u00edveis para a vida org\u00e2nica social e individual.<\/p>\n<p><strong>No universo tudo se estrutura, tudo se organiza no sentido do mais simples para o mais complicado, no sentido do caos para a ordem.<\/strong> <strong>No reino vegetal, como no animal, tudo se ordena e desenvolve com for\u00e7as centr\u00edpetas e centr\u00edfugas, rotativas e de transla\u00e7\u00e3o numa complementaridade de for\u00e7as, sistemas e organismos. Em tudo se descobre uma matriz comum \u00e0 mat\u00e9ria e ao esp\u00edrito, ao cosmo e ao indiv\u00edduo. Por tr\u00e1s da ordem h\u00e1 um chamamento que tudo impele num sentido aberto. <\/strong><\/p>\n<p>Indiv\u00edduo e comunidade fazem parte do todo, como a c\u00e9lula e o \u00f3rg\u00e3o fazem parte do corpo. Deus est\u00e1 onde jorra a vida, a vida em flora\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 e a esperan\u00e7a \u00e9 como que a resposta ao chamamento, o fundamento da comunidade. A f\u00e9 liga a Deus que \u00e9 comunidade e liberta-nos dos cadeados e amarras e crustas do dia-a-dia. \u00c9 a chave de entrada para os outros. A vida experimenta-se em comunidade! Quem se encontra infeliz ter\u00e1 de procurar uma comunidade.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses, as organiza\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais procuram, de maneira org\u00e2nica responder ao chamamento! A Igreja Cat\u00f3lica (Cristianismo) e o povo judeu s\u00e3o os s\u00edmbolos mais vis\u00edveis e mais conseguidos de resposta ao chamamento.<\/p>\n<p>A Igreja, tal como cada um de n\u00f3s, \u00e9, ao mesmo tempo, santa e prostituta. Encontra-se a caminho de Deus. Caminho \u00e9 um momento de si mesma.<\/p>\n<p>Pedro, num momento de ilumina\u00e7\u00e3o reconheceu em Jesus (na Realidade) o que os outros ainda n\u00e3o tinham reconhecido: a divindade, o Cristo. Envolvido, exclama: \u201cTu \u00e9s o Messias, o filho de Deus\u201d. O que tu confessas est\u00e1 em ti, diz Jesus. Jesus revela a quem atinge esse conhecimento: \u201cEu te digo: Tu \u00e9s Pedro, e sobre esta Pedra edificar\u00e1 a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poder\u00e3o contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do C\u00e9u; tudo o que ligares na terra ficar\u00e1 ligado no C\u00e9u e tudo o que desligares na terra ser\u00e1 desligado no C\u00e9u.\u00bb (Mt. 16, 18).<\/p>\n<p>Pedro, a Igreja, cada um de n\u00f3s, trazem em si as trevas, pelo que, noutra ocasi\u00e3o Jesus disse a Pedro: \u00abAfasta-te, Satan\u00e1s! Tu \u00e9s para mim um estorvo, porque os teus pensamentos n\u00e3o s\u00e3o os de Deus, mas os dos homens!\u00bb.<\/p>\n<p>Por aqui se diz que a realidade humana e natural traz em si a lei da contradi\u00e7\u00e3o. A nossa miss\u00e3o \u00e9 integrar os opostos. Por isso Pedro ser\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 sinal de perenidade mas tamb\u00e9m um \u201cestorvo\u201d. A pessoa, como a institui\u00e7\u00e3o, integra o aparentemente oposto, o divino e o natural, a virtude e o pecado, o tempo e a eternidade. Quem se fixa num s\u00f3 polo revela-se irreal e fantasioso. Passa a branquear o negro da sua face na negrura que procura fora, ou procura fora o que n\u00e3o v\u00ea dentro! Afirma em si e na realidade s\u00f3 uma estac\u00e3o da vida sem reconhecer as outras.<\/p>\n<p>O povo como o rebanho ganha express\u00e3o no seu chefe. A natureza tamb\u00e9m atingiu o seu auge no Homem. A comunidade traz-nos os outros e abre-nos para eles. N\u00e3o nos definimos apenas pela individualidade mas por esta com as suas circunst\u00e2ncias. Tudo \u00e9 complementar.<\/p>\n<p>A Igreja memoriza e simboliza a presen\u00e7a espiritual na natureza e na humanidade. \u00c9 uma rocha feita de muitas pedras pequenas. O rochedo \u00e9 Jesus Cristo.<\/p>\n<p>No Rochedo temos muitas pedras formadas de areias. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante a diferen\u00e7a entre pessoas e grupos. O que conta \u00e9 o amor que as une no seguimento dum chamamento comum, cuja meta \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da natureza humano-divina, Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O Papado, aspecto exterior, deve ser respeitado tal como se respeita uma na\u00e7\u00e3o. No princ\u00edpio \u00e9ramos hordas, depois tribos, depois na\u00e7\u00e3o e civiliza\u00e7\u00e3o. O corpo m\u00edstico de Cristo suporta diferentes est\u00e1dios e diferentes consci\u00eancias.<\/p>\n<p>Se os crist\u00e3os se combatem uns aos outros \u00e9 porque n\u00e3o perceberam as Bem-aventuran\u00e7as e n\u00e3o se deram conta da natureza de Cristo em cada um presente. Est\u00e3o chamados a amar n\u00e3o s\u00f3 os crist\u00e3os mas tamb\u00e9m o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 alegre ver, no mundo, tantas igrejas crist\u00e3s ao lado do Catolicismo. Mal a hora em que se descreditem umas \u00e0s outras. Estar\u00e3o a merecer a frase de Jesus: \u00abAfasta-te, Satan\u00e1s! Tu \u00e9s para mim um estorvo, porque os teus pensamentos n\u00e3o s\u00e3o os de Deus, mas os dos homens!\u00bb. N\u00e3o compreendemos ent\u00e3o a realidade da diferen\u00e7a e da uni\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p>Essa realidade manifesta-se na cruz, por vezes ensombrada com a acentua\u00e7\u00e3o do sofrimento. Naturalmente, imagens s\u00e3o condicionadas socialmente. A meta \u00e9 a vida e n\u00e3o o sofrimento.<\/p>\n<p>O crucificado resume uma hist\u00f3ria de sucesso. A cruz \u00e9 uma imagem da vida e da realidade. Nela abra\u00e7amos a humanidade e o universo. Nela se re\u00fane e soluciona a contradi\u00e7\u00e3o, o vivido e o n\u00e3o vivido em n\u00f3s. Na cruz re\u00fane-se a cren\u00e7a e a descren\u00e7a, Deus e a sua aus\u00eancia, como sintetiza o te\u00f3logo Anselm Gr\u00fcn ao constatar: \u201cA cruz diz que tu \u00e9s abra\u00e7ado em todas as tuas contradi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Aceitar a cruz connosco, a cruz com a Igreja e a cruz com o outro num processo de renova\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do caminho a fazer. Ent\u00e3o perceberemos que Igreja \u00e9 Reino de Deus. A experi\u00eancia de Deus em n\u00f3s e na comunidade realiza-se na matriz da cruz e da Trindade, f\u00f3rmulas da vida e duma natureza que \u00e9 o Templo de Deus!<\/p>\n<p>Passamos a viver onde Deus vive, em n\u00f3s e no pr\u00f3ximo, em n\u00f3s e na natureza! Temos a viv\u00eancia no mist\u00e9rio. &#8220;A coisa mais bela que podemos experimentar \u00e9 o mist\u00e9rio. \u00c9 a fonte de toda verdadeira arte e ci\u00eancia. Aquele para quem essa emo\u00e7\u00e3o \u00e9 um desconhecido, que n\u00e3o pode mais fazer uma pausa para admirar e ficar extasiados em temor, \u00e9 t\u00e3o bom quanto mortos: seus olhos est\u00e3o fechados.\u201d &#8211; Albert Einstein<\/p>\n<p>A Igreja representa a sociedade a caminho. Sem Igreja n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a. Igreja \u00e9 a f\u00e9 que nos une!<strong> <\/strong>Sem Igreja n\u00e3o haveria mem\u00f3ria nem transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p>www.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Homem \u00e9 o Templo de Deus e a Comunidade o Lugar da Sua Presen\u00e7a Ant\u00f3nio Justo Por todo o lado, na Europa, se respira um ambiente de desconsolo e de desilus\u00e3o perante as diversas institui\u00e7\u00f5es. 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