{"id":1728,"date":"2011-03-01T23:59:29","date_gmt":"2011-03-01T22:59:29","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1728"},"modified":"2011-03-01T23:59:29","modified_gmt":"2011-03-01T22:59:29","slug":"proximo-desafio-os-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1728","title":{"rendered":"PR\u00d3XIMO DESAFIO: OS REFUGIADOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: x-large;\"><strong>N\u00e3o h\u00e1 V\u00edtimas! Somos todos Criminosos!<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na Idade M\u00e9dia, a Europa constru\u00eda as muralhas em torno das suas cidades para se defender dos povos b\u00e1rbaros invasores. Hoje fecha as suas fronteiras para impedir os fugitivos da pobreza e da persegui\u00e7\u00e3o. <\/strong>Se ent\u00e3o os b\u00e1rbaros brutalizavam a cultura e as popula\u00e7\u00f5es por onde passavam, o mesmo n\u00e3o se d\u00e1 com os novos \u201cb\u00e1rbaros\u201d. A Europa actual s\u00f3 defende o seu bem-estar. Em vez de fomentar uma nova pol\u00edtica para criar perspectivas nos pa\u00edses pobres da emigra\u00e7\u00e3o, queixa-se da iminente invas\u00e3o.<\/p>\n<p>A Europa constr\u00f3i muralhas para impedir que os pobres se sentem \u00e0 sua mesa; e os pobres \u00e1rabes que v\u00eam constroem as suas muralhas culturais tornando-se imperme\u00e1veis aos outros. Cada um olha o pr\u00f3ximo do mirante do seu orgulho. Muralha contra muralha. Lutadores dum lado e lutadores do outro. Tudo berra e reclama mas sem raz\u00e3o. Cada um se afirma contra o outro, cada um a seu n\u00edvel, ou com palavras, ou com armas, ou com a opini\u00e3o. <strong>S\u00e3o muros cerrados, feitos de culpa e de raz\u00e3o; tudo a lutar na mesma constru\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p>Os refugiados pol\u00edticos e econ\u00f3micos n\u00e3o atacam por atacar; apenas fogem \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o de regimes barb\u00e1ricos por n\u00f3s apoiados. Uma vez c\u00e1 precisam tamb\u00e9m eles dos seus guetos cerrados com minaretes bem altos para, para l\u00e1 do muro, saciarem o longe da saudade.<\/p>\n<p>Os melhores bra\u00e7os necess\u00e1rios para o enriquecimento do pa\u00eds saem sem possibilidade de trabalho para passarem a viver da assist\u00eancia social.<\/p>\n<p><strong>Que pol\u00edtica caricata! Em breve vir\u00e3o pedir asilo os apoiantes de Kadhafi. E n\u00f3s, humanit\u00e1rios, iremos receber os perseguidores dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o. Exploradores da explora\u00e7\u00e3o e <\/strong>exploradores da popula\u00e7\u00e3o, de m\u00e3os dadas, entre embargo e desembargo, na injusti\u00e7a se d\u00e3o!<\/p>\n<p>Isto mostra a complexidade da pol\u00edtica de asilo e revela a necessidade duma nova pol\u00edtica de apoio aos pobres e aos perseguidos nos seus pa\u00edses. Uma pol\u00edtica de fomento \u00e0s bases contra toda a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Doutro modo, continuaremos a pol\u00edtica hip\u00f3crita ajudando, pol\u00edtica e economicamente, os exploradores para podermos explorar mais \u00e0 vontade.<\/p>\n<p><strong>O ano passado, apesar do controlo das fronteiras l\u00edbias por Kadhafi, o fluxo de refugiados continuou e morreram 500 pessoas afogadas ao tentar atravessar o Mediterr\u00e2neo. A L\u00edbia \u00e9 usada como pa\u00eds de tr\u00e2nsito por perseguidos na Eritreia e no Sud\u00e3o e tamb\u00e9m por fugitivos da pobreza e da opress\u00e3o. O ano passado a It\u00e1lia acolheu 6.000 refugiados, a Alemanha 41.000 e a Su\u00e9cia 30.000. <\/strong><\/p>\n<p>Peritos apresentam o crescimento da popula\u00e7\u00e3o africana como o factor principal do empobrecimento.<\/p>\n<p><strong>A Uni\u00e3o Europeia treme perante o surto de analfabetos (s\u00f3 o Egipto tem cerca de 30% de analfabetos) e pobres que por isso saem duma pobreza para entrar noutra (pobres da assist\u00eancia social). <\/strong>O ministro alem\u00e3o das finan\u00e7as, Sch\u00e4uble, j\u00e1 deu a ideia de se criar uma coopera\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o circular em que fugitivos sejam acolhidos por cerca de tr\u00eas a quatro anos, lhes seja ensinada uma profiss\u00e3o e depois voltem ao pa\u00eds para o fomentarem.<\/p>\n<p><strong>Enquanto continuamos a apoiar ditadores, centenas de milhares fugir\u00e3o \u00e0 fome e \u00e0 opress\u00e3o (exemplo do Sud\u00e3o). <\/strong>O problema maior \u00e9 que s\u00f3 foge quem pode, quem pode arrecadar alguns milhares de D\u00f3lares para entregar \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es transportadoras. De facto, fugitivos pagam milhares de d\u00f3lares a bandos organizados que lhes possibilitam a sa\u00edda para a Europa.<\/p>\n<p>Na Europa deparam com uma sociedade, momentaneamente refract\u00e1ria pelo facto dos pobres de c\u00e1 se verem em concorr\u00eancia com os de l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>A Europa, apesar das suas contradi\u00e7\u00f5es, ter\u00e1 que continuar a funcionar como lugar da miseric\u00f3rdia e da solidariedade, ter\u00e1 que entrar em colabora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica com os pa\u00edses pobres, com a promo\u00e7\u00e3o de projectos econ\u00f3mico e parcerias e com Funda\u00e7\u00f5es que fomentem a cultura popular e democr\u00e1tica a partir das bases. Precisa-se de solidariedade especialmente com o povo e n\u00e3o apenas com as institui\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>Naturalmente, n\u00e3o pode ser negado que a experi\u00eancia europeia com migrantes de cultura \u00e1rabe tem sido m\u00e1; Nos \u00faltimos 60 anos de estadia n\u00e3o se conseguiu a integra\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 quase insol\u00favel porque s\u00e3o dois sistemas culturais por enquanto incompat\u00edveis. Se os ocidentais aspiram \u00e0 hegemonia econ\u00f3mica os \u00e1rabes e turcos aspiram \u00e0 hegemonia cultural. No meio desta realidade a xenofobia crescer\u00e1. Aqui n\u00e3o h\u00e1 v\u00edtimas, somos todos criminosos.<\/p>\n<p><strong>Uma nova pol\u00edtica de refugiados ter\u00e1 que saber combinar raz\u00e3o e miseric\u00f3rdia. Tamb\u00e9m tem ser claro que fomentar democracia significa tornar as fronteiras mais abertas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Necessita-se duma pol\u00edtica humanit\u00e1ria e de solidariedade com base em crit\u00e9rios humanos crist\u00e3os. <\/strong>Buscamos as riquezas do petr\u00f3leo e as preciosidades do solo, mas, em contrapartida, dever\u00edamos deixar algo vis\u00edvel para o povo, sempre que os pol\u00edticos o n\u00e3o fa\u00e7am: constru\u00e7\u00e3o de escolas, pontes, pequenas empresas, iniciativas populares de ajud\u00e1-los a ajudar-se, organiza\u00e7\u00e3o de mesas redondas.\u2026<strong> Uma pol\u00edtica que reserva a um sector a explora\u00e7\u00e3o e ao outro o benfazejo \u00e9 perversa. Uma economia humana e democr\u00e1tica ter\u00e1 que dizer a e b ao mesmo tempo, n\u00e3o se reservando para si a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem deixando a caridade ao Estado, \u00e0s igrejas e outras institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas. Se colocarmos democracia e direitos humanos no centro da pol\u00edtica e da economia surgir\u00e1 automaticamente uma nova ordem, sens\u00edvel \u00e0 quest\u00e3o da culpa e da justi\u00e7a. <\/strong>A desculpa de que ditadores s\u00e3o suportados pelo povo transfere a \u00e9tica para uma situa\u00e7\u00e3o abstracta e anti-humana. Num futuro de consci\u00eancia mais desenvolvida, as empresas econ\u00f3micas ter\u00e3o de criar centros de forma\u00e7\u00e3o escolar e profissional e outros apoios sociais e culturais ao povo, nas zonas onde se radicam e actuam. Esta seria a melhor pol\u00edtica de fomento. Doutro modo continuar\u00e1 a pol\u00edtica a n\u00e3o querer saber o que a economia e as finan\u00e7as causam.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n<p>www.antonio-justo.eu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 V\u00edtimas! Somos todos Criminosos! Ant\u00f3nio Justo Na Idade M\u00e9dia, a Europa constru\u00eda as muralhas em torno das suas cidades para se defender dos povos b\u00e1rbaros invasores. Hoje fecha as suas fronteiras para impedir os fugitivos da pobreza e da persegui\u00e7\u00e3o. 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