{"id":1723,"date":"2011-02-27T21:13:44","date_gmt":"2011-02-27T20:13:44","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1723"},"modified":"2011-02-27T21:13:44","modified_gmt":"2011-02-27T20:13:44","slug":"norte-de-africa-a-procura-de-si-mesma-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1723","title":{"rendered":"NORTE DE \u00c1FRICA \u00c0 PROCURA DE SI MESMA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: x-large;\"><strong>Rebeli\u00e3o ou Revolu\u00e7\u00e3o em \u00c1frica<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong>NOVA ESTRAT\u00c9GIA da EU E USA: APOIO AOS MOVIMENTOS C\u00cdVICOS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>Movimentos sociais em colectividades mu\u00e7ulmanas reduziam-se, at\u00e9 agora, \u00a0a manifesta\u00e7\u00f5es contra os outros (Am\u00e9rica, crist\u00e3os, curdos, judeus, etc..) apelando ao seu papel de v\u00edtima.<strong> O levantamento popular jovem na Tun\u00edsia, no Egipto e noutras regi\u00f5es \u00e1rabes parece ter uma outra qualidade e ganhar, assim, contornos de \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d do mundo \u00e1rabe<\/strong>. De facto, pelo que se nota, os manifestantes j\u00e1 n\u00e3o procuram fora a causa do pr\u00f3prio mal; revoltam-se contra os seus, \u00e0 margem da ideologia comandada de Al-Qaida que, paralisada, n\u00e3o consegue perceber o que est\u00e1 a acontecer no meio dum povo, at\u00e9 agora habituado a ser guiado por arautos da ideologia. Agora o grito \u00e9 outro. \u00c9 a fome da liberdade e da dignidade humana que desce por si \u00e0 rua. A revolta \u00e9 contra os seus. Uma chama da liberdade \u00e9 transmitida de terra em terra como o fogo dos jogos ol\u00edmpicos. O seu pior inimigo s\u00e3o as estruturas culturais internas.<\/p>\n<p><strong>Neste processo, um dos factores mais importantes desta revolta talvez se encontre na Internet e em fen\u00f3menos como Facebook, WikiLeaks e outros Media<\/strong>. Eles possibilitam conhecimento, di\u00e1logo e uma nova consci\u00eancia pessoal.<\/p>\n<p>A luta pela liberdade vai-se organizando de forma inteligente. Da m\u00e1 experi\u00eancia com ditadores e regimes autorit\u00e1rios, levantou-se na S\u00e9rvia um movimento de cidadania pac\u00edfica destinado a tornar tais regimes inseguros. <strong>Em Belgrado surgiu uma escola \u201cCanvas\u201d (Centro para aplica\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias pac\u00edficas) onde revolucion\u00e1rios, ou candidatos a tal, aprendem os utens\u00edlios e estrat\u00e9gias a serem usados na prepara\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o duma subvers\u00e3o ou revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica contra l\u00edderes autorit\u00e1rios ou regimes ditatoriais. No dizer dum seu fundador, Srdja Popovic, desde 2004 j\u00e1 l\u00e1 frequentaram semin\u00e1rios, pessoas de 37 na\u00e7\u00f5es. Nas manifesta\u00e7\u00f5es \u00e1rabes em curso, j\u00e1 se encontram pessoas que frequentaram semin\u00e1rios dessa escola. <\/strong><\/p>\n<p>As for\u00e7as humanistas \u00e1rabes e seus apoiantes n\u00e3o podem esperar que a cultura \u00e1rabe d\u00ea, por ela mesma, um passo em frente. Maom\u00e9 deu um passo, o povo tem que ir dando os outros! Por isso a estrat\u00e9gia ter\u00e1 de ser: mudar as circunst\u00e2ncias para possibilitar a interpreta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do Cor\u00e3o e assim tornar a cultura din\u00e2mica.<\/p>\n<p>A Europa e a Am\u00e9rica reagem, sen\u00e3o com entusiasmo, pelo menos, com admira\u00e7\u00e3o com o que se est\u00e1 a passar no Norte de \u00c1frica. Sente-se o seu acordar para uma nova pol\u00edtica com perspectivas de futuro e por isso orientada para o povo: uma pol\u00edtica de projectos apoiantes de grupos interessados na cidadania.<\/p>\n<p><strong>Obama apoiou a revolu\u00e7\u00e3o popular do Egipto, manifestando assim uma nova estrat\u00e9gia de estabilidade a ser baseada no povo e n\u00e3o em ditadores. A classe militar ficou, a princ\u00edpio, decepcionada, mas logo come\u00e7ou a compreender a necessidade da nova estrat\u00e9gia. <\/strong>A mudan\u00e7a da pol\u00edtica dos USA em rela\u00e7\u00e3o ao Norte de \u00c1frica pressup\u00f5e que seja o povo a vencer mas a partir dele. No futuro, um acordo entre povos talvez se revele mais est\u00e1vel que o acordo feito entre Estados, como acontecia at\u00e9 aqui! O povo fica e o Estado muda. O Ocidente, ao apoiar os movimentos populares fomenta a democracia.<\/p>\n<p><strong>Os USA anunciaram, no dia 15 de Fevereiro, um programa de milh\u00f5es de d\u00f3lares para ajudar a gera\u00e7\u00e3o Facebook, Twitter e You Tube para que esta consiga fugir aos bloqueios de Internet feitos por regimes ditatoriais, como China e outros. Trata-se duma estrat\u00e9gia moderna e inteligente: menos ajuda militar e mais ajuda civil.<\/strong> Fomentar projectos de democracia para abrir, com toler\u00e2ncia, um caminho entre militares e religi\u00e3o, considerando como \u00fanico aliado o povo. Trata-se de agir \u00e0 maneira dos crist\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o ao imp\u00e9rio romano, pondo-se ao lado dos escravos, que eram 90% da popula\u00e7\u00e3o; de restituir a dignidade roubada ao povo e assim possibilitar a complementaridade de religiosidade e civilidade! Uma interven\u00e7\u00e3o dos USA no L\u00edbano prejudicaria o clima social no Egipto e noutras zonas. Importante \u00e9 considerar a necessidade do povo e n\u00e3o continuar a apostar em caudilhos que garantem o cumprimento de acordos internacionais e usam desse privil\u00e9gio lucrativo para oprimir o povo, em nome da estabilidade.<\/p>\n<p>A Alemanha apoia o movimento de base, na regi\u00e3o, atrav\u00e9s da Funda\u00e7\u00e3o Adenauer (ligada ao CDU) que discute na sociedade sobre a liberdade religiosa e sobre a rela\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e estado em semin\u00e1rios tanto com os \u201cirm\u00e3os isl\u00e2micos\u201d como com o clero copta, com Imames, etc. A Funda\u00e7\u00e3o Friedrich-Ebert (ligada \u00e1 SPD) discute os temas sindicatos e direito do trabalho. A funda\u00e7\u00e3o Naumann (FDP) dialoga sobre o destino do liberalismo nos Estados \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Os ocidentais, ao apoiarem os movimentos democr\u00e1ticos in loco, tamb\u00e9m contribuem para a mudan\u00e7a de mentalidade da popula\u00e7\u00e3o imigrante. O movimento em curso no Norte de \u00c1frica entusiasma j\u00e1 partes dos seus emigrantes no estrangeiro. Os mu\u00e7ulmanos europeus poder\u00e3o dar um grande contributo para um isl\u00e3o aberto e assim criar melhores perspectivas para a cultura \u00e1rabe.<\/p>\n<p><strong>A \u201cUni\u00e3o para o Mediterr\u00e2neo\u201d (UPM) ganhou uma nova oportunidade<\/strong>. Seria do interesse dos povos ao lado do mediterr\u00e2neo criarem uma zona de coopera\u00e7\u00e3o especial em torno dele. Em vez de san\u00e7\u00f5es ser\u00e1 necess\u00e1rio levantar obst\u00e1culos ao com\u00e9rcio de produtos agr\u00e1rios, para que a popula\u00e7\u00e3o possa sobreviver sem ter de emigrar para a Europa. O fomento directo de iniciativas de grupos civis torna-se imprescind\u00edvel<\/p>\n<p>A democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade \u00e1rabe e o pluralismo de organiza\u00e7\u00f5es civis enfraqueceriam o terrorismo, a \u00fanica for\u00e7a que at\u00e9 agora se encontra organizada, ao lado do Estado com a religi\u00e3o. Na fase actual ser\u00e1 <strong>importante impedir que Al Qaida se apodere da revolta. Esta n\u00e3o \u00e9 a sua revolu\u00e7\u00e3o, porque em vez do terror usa a demonstra\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. N\u00e3o pretende uma teocracia. Os povos \u00e1rabes fazem, pela primeira vez a experi\u00eancia de que a manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica consegue mais que o terrorismo.<\/strong> Independentemente do problema palestiniano o mundo \u00e1rabe avan\u00e7a. O povo desmascara o satu quo da pol\u00edtica at\u00e9 agora seguida na palestina, uma pol\u00edtica que favorecia os que vivem das estrat\u00e9gias, os grupos dirigentes dum lado e do outro. Em vez do \u00f3dio e palavras ocas manifesta-se a necessidade de liberdade como necessidade leg\u00edtima.<\/p>\n<p>\u00c0s solidariedades dos ditadores e governantes entre si acrescenta-se uma nova solidariedade, a solidariedade de indiv\u00edduos no ch\u00e3o duma virtualidade que conduz \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>A China e outras ditaduras tremem de medo perante o fen\u00f3meno que est\u00e1 a acontecer numa sociedade t\u00e3o afinada e herm\u00e9tica como a \u00e1rabe, onde, apesar disso, o povo se levanta\u2026 A sociedade \u00e1rabe, com 300 milh\u00f5es de habitantes, que tem sido o maior alfobre de ditadores, mostra, pela primeira vez, um novo rosto ao mundo, o rosto do povo. Isto atemoriza as ditaduras.<\/p>\n<p><strong>O grande requisito da nova gera\u00e7\u00e3o \u00e1rabe ser\u00e1 modernizar o Isl\u00e3o. O tempo do fascismo, da cleptocracia, da corrup\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 posto em quest\u00e3o na rua.<\/strong><\/p>\n<p><strong>As nozes mais duras de quebrar s\u00e3o a uni\u00e3o de estado e religi\u00e3o, a subjuga\u00e7\u00e3o da mulher, enquadrados pela religi\u00e3o. Introduzir uma cultura da discuss\u00e3o s\u00f3 se tornar\u00e1 s\u00e9ria quando a an\u00e1lise hist\u00f3rico-critica puder ser aplicada tamb\u00e9m ao Isl\u00e3o. Este torna inconstitucional o direito \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o, \u00e0 individualidade e \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p>O grande meio capaz de tornar consciente a nova gera\u00e7\u00e3o Facebook ser\u00e1 a intercomunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da Internet. Esta ser\u00e1 a fonte de pr\u00f3ximas revolu\u00e7\u00f5es em sociedades autorit\u00e1rias e de contesta\u00e7\u00e3o nas sociedades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No Egipto, os militares, ao colocarem-se ao lado dos manifestantes, salvaram a pr\u00f3pria imagem conseguindo assim maior continuidade do velho regime. O facto da sua proveni\u00eancia, da classe m\u00e9dia, rivalizar com o cl\u00e3 de Mubarak, pode abrir perspectivas para inova\u00e7\u00f5es. Tudo depender\u00e1, agora, da maneira como os militares apoiar\u00e3o o movimento popular introduzindo o esp\u00edrito democr\u00e1tico na Constitui\u00e7\u00e3o. De esperar ser\u00e1 o iniciar de sucessivas rebeli\u00f5es que com os anos se poder\u00e3o tornar em revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, numa sociedade isl\u00e2mica, s\u00f3 os militares da Turquia conseguiram instaurar uma certa cultura civil. Para isso tiveram de assumir e defender a ideologia (de Ataturk) que se contrapunha \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o \u00e1rabe do isl\u00e3o. O problema da rela\u00e7\u00e3o f\u00e9 e estado constituir\u00e1 o cadinho da democracia a ser discutida.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>antoniocunhajusto@googlemail.com<\/p>\n<p><strong>www.antonio-justo.eu<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rebeli\u00e3o ou Revolu\u00e7\u00e3o em \u00c1frica NOVA ESTRAT\u00c9GIA da EU E USA: APOIO AOS MOVIMENTOS C\u00cdVICOS Ant\u00f3nio Justo Movimentos sociais em colectividades mu\u00e7ulmanas reduziam-se, at\u00e9 agora, \u00a0a manifesta\u00e7\u00f5es contra os outros (Am\u00e9rica, crist\u00e3os, curdos, judeus, etc..) apelando ao seu papel de v\u00edtima. 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