{"id":1684,"date":"2011-02-10T16:10:06","date_gmt":"2011-02-10T15:10:06","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1684"},"modified":"2011-02-10T16:10:06","modified_gmt":"2011-02-10T15:10:06","slug":"papel-da-europa-e-da-usa-no-egipto-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1684","title":{"rendered":"Papel da Europa e da USA no Egipto"},"content":{"rendered":"<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>Um Egipto tornado Bedu\u00edno adiar\u00e1 sempre a sua Situa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Justo<\/strong><\/p>\n<p>O Ocidente movimenta-se entre \u201cpol\u00edtica real\u201d e moral. Por um lado apoia regimes ditatoriais e, por outro, apoia a oposi\u00e7\u00e3o a eles. Censura, tortura e ataques aos direitos humanos s\u00e3o tolerados na sequ\u00eancia de interesses que parecem leg\u00edtimos: assegurar a estabilidade em lugares estrat\u00e9gicos, e assim possibilitar a liberdade de com\u00e9rcio e transporte para abastecimento internacional de mat\u00e9rias-primas, como \u00e9 o caso do canal do Suez no Egipto.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>O Ocidente tem quatro interesses vitais nesta zona: o petr\u00f3leo, a seguran\u00e7a do Estado de Israel, as vias do com\u00e9rcio e as raz\u00f5es geoestrat\u00e9gicas.<\/strong> Neste emaranhado de t\u00e3o altos interesses aceita-se tudo o que fomenta a estabilidade institucional da regi\u00e3o, sem olhar a meios e aos problemas da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Os jornalistas, atrav\u00e9s do que, no dia-a-dia, nos informam, mostram que n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima ideia do que se passa no interior destes povos nem da filosofia estrutural b\u00e1sica que os rege. Por isso se encontram agora perplexos. \u00c0 margem da vida do povo, s\u00f3 falavam de Israelitas e palestinianos.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Muitos aplaudem o movimento de liberta\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 naturalmente agrad\u00e1vel de ver. <strong>A quest\u00e3o imediata fundamental do povo n\u00e3o \u00e9 essencialmente a liberdade mas primeiramente o comer! <\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>O Ocidente desejar-se-ia um desenvolvimento do Egipto num processo em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia, como o da Turquia. Estabilidade \u00e9 a alma do neg\u00f3cio e o neg\u00f3cio de alguns floresce especialmente em regimes ditatoriais, mais abertos \u00e0s armas do que ao bem e \u00e0 opini\u00e3o do povo.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Assim, t\u00eam seguido uma pol\u00edtica hip\u00f3crita apoiando os regimes at\u00e9 que eles caiam de podres. <strong>Apoiam o corrupto presidente Marsai no Afeganist\u00e3o, o terr\u00edvel presidente Zordari do Paquist\u00e3o, a ar\u00e1bia saudita que envenena o isl\u00e3o e at\u00e9 o terrorista Gaddafi na L\u00edbia<\/strong>. Um outro aspecto da pol\u00edtica ocidental, em rela\u00e7\u00e3o aos \u00e1rabes, \u00e9 a consci\u00eancia de s\u00f3 poderem escolher entre Satan\u00e1s e Belzebu e tudo o que fazem, na perspectiva \u00e1rabe, ser\u201d falso ou errado\u201d, como diz o perito da regi\u00e3o, Henryk Broder.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>\u201cEm casa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o, todos ralham e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o\u201d. Sem uma t\u00e1ctica entre \u201cmoral\u201d e \u201cpol\u00edtica real\u201d esta zona, j\u00e1 h\u00e1 muito, seria um inferno vivo e o melhor palco para a prepara\u00e7\u00e3o da terceira guerra mundial. Daqui o medo da Europa perante o armamento nuclear do Ir\u00e3o. Em caso de conflito a Europa estaria logo em guerra.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Uma boa estrat\u00e9gia, a longo prazo, seria fazer do Mediterr\u00e2neo um \u201clago\u201d que une povos amigos pr\u00f3speros. Para isso a mais-valia dum povo em rela\u00e7\u00e3o ao outro n\u00e3o pode continuar a basear-se na competi\u00e7\u00e3o e na explora\u00e7\u00e3o. Exploradores fomentam explora\u00e7\u00e3o tal como insurrectos fomentam insurrei\u00e7\u00e3o. Uma pol\u00edtica orientada para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas pressuporia que o Ocidente renunciasse \u00e0 sua expans\u00e3o econ\u00f3mica agressiva e os \u00e1rabes ao seu imperialismo agressivo atrav\u00e9s da religi\u00e3o e consequente opress\u00e3o do ser humano. Uma sociedade que s\u00f3 exige sacrif\u00edcio e sujei\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o, n\u00e3o pode subsistir em termos hist\u00f3ricos. A crise mostra a necessidade de um projecto civilizacional baseado na conviv\u00eancia solid\u00e1ria e no bem-estar dum cidad\u00e3o realizado. Uma civiliza\u00e7\u00e3o adiantada como a ocidental deveria estar consciente de <strong>que a especula\u00e7\u00e3o no sector alimentar constitui um atentado permanente contra o povo e contra a paz<\/strong>. Tamb\u00e9m aqui a EU e a USA pecam por omiss\u00e3o. Sob a press\u00e3o de lobbies do mercado legislam sobre a medida da fruta que a fruta deve ter e sobre a curvatura da banana, para impedir que os pequenos agricultores concorram no mercado enquanto medidas defensoras do humanismo s\u00e3o deitadas ao desprezo. Os grandes produtores agr\u00edcolas deixam de produzir produtos alimentares para produzirem \u00f3leo de colza para a ind\u00fastria autom\u00f3vel. Em consequ\u00eancia, especialmente na \u00c1frica, o pre\u00e7o dos alimentos essenciais torna-se insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>As crises internacionais poderiam tornar-se na maior oportunidade para se organizar uma economia n\u00e3o baseada no princ\u00edpio da selec\u00e7\u00e3o mas da colabora\u00e7\u00e3o. Vai sendo tempo de o d\u00e9spota da cria\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a ocupar um lugar de responsabilidade na cria\u00e7\u00e3o e na evolu\u00e7\u00e3o para merecer tornar-se o \u201crei da cria\u00e7\u00e3o\u201d. Cada povo possibilita e cria a sua situa\u00e7\u00e3o, tal como as esp\u00e9cies nos diferentes bi\u00f3topos.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Os \u00e1rabes s\u00e3o os autores do pr\u00f3prio drama. Estes povos, mais habituados ao com\u00e9rcio do que \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, como adolescentes sempre em rebeldia contra os pais, culpam o estrangeiro e os antigos colonizadores pela sua mis\u00e9ria actual; n\u00e3o utilizam os pr\u00f3prios recursos e riquezas na promo\u00e7\u00e3o intelectual do povo demasiado amarrado \u00e0 religi\u00e3o. Assim, as elites limpam a m\u00e1 consci\u00eancia da pr\u00f3pria inactividade e explora\u00e7\u00e3o. Em vez da queixa cont\u00ednua e do complexo de m\u00e1rtir, que cultivam, ter\u00e3o de crescer na responsabilidade social e aparecer, para passarem a exigir tamb\u00e9m ao Ocidente mais responsabilidade nas rela\u00e7\u00f5es comerciais e econ\u00f3micas.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>O movimento popular \u00e9 bom mas o bus\u00edlis est\u00e1 no facto de os que depois assumem o poder nunca serem os benfeitores do povo, mas sim os que melhor se aproveitam da situa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>Neste momento, o dilema dos pol\u00edticos ocidentais \u00e9 o receio de ver no governo algu\u00e9m com quem n\u00e3o se possa contar. Um ataque a Israel desencadearia uma guerra mundial, no caso do Ir\u00e3o ter armas nucleares. Todos t\u00eam interesse que na Europa o pre\u00e7o do petr\u00f3leo n\u00e3o chegue t\u00e3o depressa aos 3 euros por litro. Por outro lado este neg\u00f3cio, at\u00e9 agora rendoso para o Ocidente, impede que este se dedique com maior efici\u00eancia na promo\u00e7\u00e3o de energias alternativas e de tecnologias mais eficientes do que as que temos.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O destino \u00e1rabe est\u00e1 intimamente ligado ao da Europa. O ocidente encontra-se a caminho da desestabiliza\u00e7\u00e3o. Os chineses, por enquanto, fazem o neg\u00f3cio mesmo com o diabo mas n\u00e3o se intrometem na vida pol\u00edtica interna do pa\u00eds.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p>O Egipto ser\u00e1 obrigado a fazer alguns retoques na Constitui\u00e7\u00e3o, mas os poderes continuar\u00e3o nas m\u00e3os dos mesmos. Em geral, o povo \u00e1rabe, sempre na perspectiva dum o\u00e1sis fora dele, fomenta os chefes da caravana que, em nome do grupo, obrigam o indiv\u00edduo a seguir em fila sem sair do alinhamento, seja ele qual for. Um tal sistema \u00e9 renitente \u00e0 democracia e mais ainda aos direitos do indiv\u00edduo. No deserto s\u00f3 se salva o grupo, n\u00e3o h\u00e1 lugar para salva\u00e7\u00e3o individual. Assim quem se apodera do grupo, esse \u00e9 sempre o salvador, independentemente do seu humanismo. <strong>Este povo ter\u00e1 de discutir, seriamente, a sua situa\u00e7\u00e3o para se decidir por continuar bedu\u00edno ou tornar-se sedent\u00e1rio!<\/strong> O Egipto, para se reencontrar, ter\u00e1 de redefinir a sua identidade nacional, que n\u00e3o se deixa definir apenas pelos seus \u00faltimos 1.390 anos de Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:antoniocunhajusto@googlemail.com\">antoniocunhajusto@googlemail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um Egipto tornado Bedu\u00edno adiar\u00e1 sempre a sua Situa\u00e7\u00e3o Ant\u00f3nio Justo O Ocidente movimenta-se entre \u201cpol\u00edtica real\u201d e moral. Por um lado apoia regimes ditatoriais e, por outro, apoia a oposi\u00e7\u00e3o a eles. 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